Jornalismo no seu melhor

Estiveram por detrás da campanha que elegeu Donald Trump, mas não só. O que esta reportagem do Channel4 mostra é como a recolha de dados pessoais por grandes companhias pode pôr em risco a própria democracia.

No Facebook. Obrigado

Imagem

3500-likes-thank-you-and-keep-liking-2

A história maravilhosa de “O Condicionado”

O Facebook tem um objectivo. Ligar pessoas, por mais afastadas que elas estejam. Para celebrar o seu 10º aniversário, a rede social criada por Mark Zukerberg criou uma página em que os utilizadores podem partilhar as suas histórias em como o Facebook lhes permitiu ligar-se a alguém. Das muitas que foram contadas, foram eleitas 10 como símbolo de uma década de ligações. Entre elas está a de duas irmãs gémeas sul-coreanas separadas à nascença e que se encontraram através da internet – e que estão a produzir um documentario – ou a de Raimundo Arruda Sobrinho, um sem abrigo brasileiro que ficou conhecido por se sentar todos os dias no mesmo lugar de São Paulo a escrever poesia. Até que, em 2011, Shalla Monteiro falou com ele e ficou tão impressionada que criou uma página dele no Facebook. O que aconteceu depois? Vejam o vídeo, que usa imagens de um documentário filmado em 2011 e 2012 e entrevistas feitas em Janeiro de 2014.

The Conditioned from Facebook Stories on Vimeo.

Já fizeram like na página de O Informador no Facebook?

É aquele símbolo que está ali no lado direito. Se gostam do que lêem, porque não serem notificados de cada vez que houver um novo post? E já agora, que tal partilhar com os vossos amigos? Obrigado

Facebook-Like-Button

A rapariga que encontrou a mãe biológica pelo Facebook

Quando era adolescente, Tré Miller Rodriguez deu a sua filha para adopção. Seguiu-a à distância através das fotos que os pais adoptivos da rapariga lhe enviavam. Até ao dia em que, há quatro anos, uma jovem rapariga lhe pediu amizade pelo Facebook. Aceitou. Quando ela meteu conversa e viu as suas fotografias, não teve dúvidas: era a sua filha de 17 anos. Falaram. Primeiro por chat, depois ao telefone. Encontraram-se pessoalmente. E descobriram-se numa fase difícil da vida da escritora: o seu marido (que não era o pai da adolescente) tinha morrido recentemente. Na mesma altura em que perdeu o amor da sua vida, Tré Miller Rodrigues ganhou a filha que tinha tido há anos, fruto de uma paixão adolescente. A história, contada pela própria, foi publicada no The New York Times. Com uma animação digna desse nome a acompanhá-la.

Tirem as fotografias dos vossos filhos da internet. Já!

Primeiro: a privacidade na internet não existe. É uma ilusão. Mentalizem-se disso. Tudo o que colocam nas redes sociais ou num blogue fica lá para sempre. Seja um texto, ou uma fotografia. sobretudo uma fotografia. Que pode ser usada por gente sem escrúpulos, doentes e criminosos. Agora, preparem-se.

Acabei de me deparar com uma página de Facebook que me deixou completamente agoniado. Um qualquer indivíduo dedicou-se a recolher e a partilhar fotografias de crianças portuguesas em férias, colocadas online por elas próprias ou, presumivelmente, pelos seus paizinhos. Quase todas tem algum tipo de comentário. Atenção: algumas podem mesmo ser dos vossos filhos ou dos vossos amigos.

Sim, eu sei: é divertido e espectacular mostrar as imagens dos nossos rebentos e comentá-las com os nossos amigos. Mas agora, antes de o voltarem a fazer, lembrem-se que elas podem ser retiradas por qualquer mente retorcida com outro objectivo. Pelo menos, se não conseguem evitar fazê-lo, certifiquem-se que as definições de privacidade do Facebook fazem com que só os vossos amigos verdadeiros as podem ver. É que há muitos tipos como este por aí.

Já agora, dêem-se ao trabalho de denunciar este senhor (obviamente que o perfil é falso e os dados estarão protegidos pelo Facebook) na página Linha Alerta e no próprio Facebook. Eu já o fiz, mas nunca é demais.

images

Um dia o mundo vai estar todo online. Mas não vai ser hoje

Quantas vezes já nos queixámos que a internet está em baixo porque está “toda a gente” online? Na verdade, nunca está toda a gente ligada à rede. Na verdade, apenas uma em cada sete pessoas tem acesso à internet. Na verdade, há cinco mil milhões de almas que nunca estão online. E é esse enorme mercado por explorar que Mark Zuckerberg definiu como o seu próximo alvo.

O fundador do Facebook anunciou uma parceria com várias empresas de telecomunicações destinada a reduzir drasticamente os custos de utilização da internet em telemóveis. Chamou-lhe internet.org e deu-lhe uma aura de esforço humanitário. Já lhe chamou mesmo um direito humano. Mas um direito que não se pode dissociar de um objectivo empresarial: o lucro.

No entanto, esta iniciativa de Mark Zuckerberg não está sozinha a tentar conquistar todo um enorme mercado. A Google, por exemplo, está a tentar algo semelhante com o projecto Loom. Esta iniciativa traduz-se basicamente num fornecimento de ligações à internet a áreas remotas e rurais através de balões colocados nos limites da atmosfera. Ambas são meritórias. E vão de certeza contribuir para nos ligarmos uns aos outros. Assim, talvez um dia possamos mesmo dizer que está toda a gente na internet.

Um agradecimento especial

E de repente O Informador ultrapassou os 1000 seguidores no Facebook. Somos, neste momento, 1018. Foi num instante. Muito obrigado a todos. Este blogue é para vocês. Próximo passo: 2000.

 

PRISM: os vossos dados estão seguros?

Este é o esquema de segurança dos principais – incluindo um dos mais incríveis (dentro de uma montanha e à prova de bomba) – centros de dados do mundo.

Leitura para o fim-de-semana: a história do Instagram

O Instagram é, provavelmente, a aplicação de partilha de fotografias mais bem sucedida do mundo. Não foi por acaso que em Abril do ano passado foi comprada pelo Facebook por mil milhões de dólares. Para ficarem a conhecer os detalhes da sua criação, a conversa ocasional numa praia que levou à introdução dos famosos filtros e de como as negociações com o Facebook foram interrompidas para Mark Zuckerberg ver um episódio de A Guerra dos Tronos, leiam este artigo da Vanity Fair. Chama-se The Money Shot e começa assim:

“There’s no picture of the moment when everything changed for Kevin Systrom. But if there were, it would look something like this: A lanky, very tall, dark-haired man in his late 20s sits on a bench at the Caltrain commuter station in Palo Alto, California. A sepia tone and weathered patina might underscore the mood of weighty contemplation.

It was early April of last year, and Systrom was waiting for his business partner, Mike Krieger, to arrive from San Francisco. Systrom had just left Mark Zuckerberg’s nearby house and was still digesting the offer that the Facebook founder and C.E.O. had made him: to buy Instagram, the photo-sharing app that Systrom and Krieger had launched just 18 months before. The price Zuckerberg offered was $1 billion—$300 million in cash and the rest in Facebook stock, an especially generous-seeming deal, on the eve of his company’s much-anticipated initial public offering.

The offer was even more impressive given Instagram’s size and age. At the time, it had just 13 employees, operating out of a cramped space in the South Park section of San Francisco. Still, the small crew had managed to attract 30 million iPhone users in just a year and a half by offering a service that allowed a person to quickly upload, prettify through the use of filters, and publish images to the Web for friends to see. A version for Google’s Android mobile operating system had launched the week before, gaining another million users in a single day. What’s more, although the app generated no revenue, it had attracted so much attention from venture capitalists that the start-up had nearly closed an impressive new round of funding at a wildly high valuation of $500 million. Zuckerberg had just doubled that, leaving Systrom with a lot to think about on that train-station bench.

Click. If there ever was a money shot to take for Instagram and Systrom, that was it.”

i.0.instagram-kevin-systrom-a

Curiosidades pascais

Ontem, domingo de Páscoa, O Informador atingiu os 666 seguidores no Facebook. Um número curioso que serve para recordar um texto que escrevi há quase sete anos, quando se aproximava o dia 6 de Junho de 2006. Fora isso, vamos lá chegar rapidamente aos 700.

“O dia da Besta

A contagem decrescente já começou. Milhares de pessoas espalhadas pelo mundo preparam-se para assinalar o sexto dia, do sexto mês, do sexto ano do novo milénio: o dia 6.6.6. Uma sequência de números há muito relacionada com a marca da besta. O sinal do anticristo. Aquele que virá no fim dos tempos para consumar a destruição da humanidade. Muitos têm medo. Alguns acham a data curiosa. Outros encaram a coincidência de números como uma excelente oportunidade de negócio.

No Reino Unido, um grupo de mulheres decidiu provocar o parto para evitar que os seus filhos nascessem num dia conotado com o mal. No extremo oposto, os cartórios holandeses encheram-se de pedidos de casamento para o dia 6. Na cidade de Enschede, por exemplo, costuma haver dois ou três matrimónios à terça-feira. Para daqui a cinco dias estão marcados 17. Um dos casais chegou a pedir que a cerimónia se realizasse às 6h06 minutos da manhã. Não conseguiram.

O epicentro de todos os acontecimentos situa-se do outro lado do Atlântico. A Igreja de Satã de Los Angeles vai realizar uma missa gigantesca num dos teatros da cidade: uma cerimónia de razão, pluralismo, cepticismo e alegria de viver, segundo os organizadores. A rádio Free Satan vai assinalar o seu sexto aniversário com um festival baptizado de Satan Rocki’n 666 Eve Party, que contará com actuações de bandas de heavy e death metal, demonstrações sexuais e de sadismo. Todos os eventos serão acima de tudo uma oportunidade de divulgar a Igreja de Satã. Como explicou à SÁBADO o dirigente da Associação Portuguesa de Satanismo, o movimento não acredita “em nada do que vem na bíblia e, por isso, não crê no anticristo ou na marca da besta”.

O popular grupo norte-americano Slayer fez questão de começar nesse dia uma nova digressão, baptizada comi Unholy Alliance. E a 20th Century Fox lança o remake do clássico de terror de 1976 The Omen, A profecia em português (ver caixa). A estreia do filme será o único evento relacionado com a data em Portugal.

A associação do número 666 à marca do mal tem origem em passagens da Bíblia. O capítulo 13 do livro do Apocalipse refere um sinal colocado na “mão direita” ou na “testa” dos servos da besta. Marca essa que “é o número de um homem”. Número esse “que é o seiscentos e sessenta e seis”. No entanto, o Apocalipse nunca nomeia o anticristo. A própria palavra só aparece cinco vezes em toda a Bíblia. Foi a interpretação literal dos textos sagrados que levou à conclusão de que o 666 simboliza a personificação do mal. Alguém que estaria para chegar. Uma entidade que viria no fim do mundo para se equiparar a Deus.

Esta visão é contrariada pelos teólogos. “Ao contrário do que se pensa, o Apocalipse pretendia incutir esperança nos cristãos, num tempo em que eles eram perseguidos”, explica o professor da Universidade Católica Armindo Vaz. Ou seja, as suas mensagens devem ser interpretadas à luz do contexto político e religioso da época e não em sentido literal. Perseguidos pelo império romano, os primeiros líderes cristãos recorreram a códigos para fazer passar a sua mensagem. “Nos textos bíblicos, os números têm uma simbologia precisa. Correspondem a letras do alfabeto”, afirma o padre e professor da Universidade Católica, Tolentino Mendonça.

A interpretação mais frequente é a de que o 666 correspondia às letras hebraicas QSR NRON. Isto é: César Nero. Para Armindo Vaz, o imperador louco “era o símbolo perfeito do anticristo”. Responsável pelas primeiras perseguições aos cristãos, Nero mandou incendiar Roma, culpando os seguidores de Jesus. O 666 era uma espécie de código para identificar o “anticristo” da época. “Tal como Roma era apontada como ‘a prostituta da babilónia’”, continua Armindo Vaz.

Uma segunda interpretação diz que a sequência de seis reflecte o gosto hebraico pela utilização simbólica dos números. Segundo o padre Tolentino Mendonça, “o seis é o número da imperfeição, em oposição ao três e ao sete que são sinónimos de perfeição”. O primeiro está relacionado com a santíssima trindade e o segundo com o número de dias em que Deus criou a terra. “O três vezes seis (666) seria o cúmulo da imperfeição”, continua. Ou como explica Armindo Vaz, “a imperfeição radical da besta”.

Mais complexa é a interpretação do que significará o sinal colocado na mão direita ou na testa. O professor da Universidade Católica avança aquela que considera a explicação mais plausível: “um sinal que os romanos trariam, possivelmente uma tatuagem.”

No início do cristianismo, a capacidade de interpretar correctamente os textos sagrados só estava na posse de uma pequena elite. A expansão da religião levou à perda deste conhecimento. “No século II, S. Irineu – que foi um dos mais importantes bispos da Igreja – já não sabia o significado da escritura”, lembra o padre Tolentino Mendonça.

Durante séculos, a Bíblia passou a ser lida no sentido literal. Tanto por  populares como por sacerdotes. E quando o contexto se alterava, ela passava a ser interpretada de outra forma. Foi assim que ao longo da história várias pessoas foram apontadas como sendo o anticristo: um falso profeta, corruptor da fé cristã. Depois de Nero, um dos primeiros terá sido Pedro o Grande, pelas suas imposições à Igreja Ortodoxa: separou religião do Estado e obrigou os sacerdotes a pagarem impostos. Martinho Lutero e Napoleão foram os seguintes. O primeiro pela divisão da cristandade. O segundo pela destruição que causou em toda a Europa.

A consciência de que a Bíblia tem uma linguagem cifrada voltou a surgir há pouco tempo. “A partir do século XX”, defende Armindo Vaz. Já a atenção ao contexto histórico é anterior: “A partir das encíclicas de Leão XIII (1893), Bento XV (1920) e Pio XII (1943)”.

O número é também associado a superstições. “Em Portugal, 1666 era o ano previsto para o regresso de D. Sebastião”, diz Moisés Espírito Santo. Para o sociólogo, estas crenças davam resposta a diferentes receios. “Os sebastianistas ansiavam pelo regresso do rei, enquanto os cristãos novos esperavam o libertador, numa época de perseguições religiosas.”

Estas associações a datas são comuns. A mais recente terá sido na passagem do milénio. “Foi a corrida ao Apocalipse”, diz o professor universitário. “Houve gente que disse que se ia cumprir o que estava escrito no Apocalipse, só que todas essas interpretações são extrapolativas.” Mas o peso do número na cultura e psicologia das sociedades ocidentais é inegável. Quando a Intel produziu o computador Pentium III, de 666 Mhz, em 1999, chamou-lhe Pentium III 667. E há três anos, as autoridades norte-americanas renumeraram a auto-estrada 666, conhecida até então por “a auto-estrada da besta”.

Hoje, a Internet está inundada de profecias que anunciam a revelação do anticristo para o próximo dia 6. Uns dizem que ele já está entre nós, outros garantem mesmo saber quem ele é. O presidente dos Estados Unidos é um dos nomes mais apontados. Porquê? Pela política externa do seu governo, mas também pela soma das letras dos seus três nomes: George – 6 – Walker – 6 – Bush Jr. – 6. Ou seja 666. Outro dos visados é o fundador da Microsoft. Se aplicarmos o American Standard Code for Information Interchange ao nome de Bill Gates III, obtemos o número 666.

Muitas pessoas foram apontadas como o anticristo [ver caixa]. “Geralmente governantes, porque são quem tem o poder”, diz Moisés Espírito Santo.

Depois dos atentados do 11 de Setembro as acusações estenderam-se a Osama Bin Laden, Saddam Hussein, Dick Cheney ou Condoleeza Rice. Uma repetição das interpretações literais da Bíblia em tempos antigos. “O irracional de cada época encontra no Apocalipse a linguagem ideal a extrapolações”, diz o padre Tolentino Mendonça. É assim que se explica que um livro que era uma mensagem de esperança para os primeiros cristãos seja agora associado a guerras e a conflitos. “É preciso ter conhecimentos para ler a Bíblia. Quando se lê sem um suporte parece uma bizarria, um delírio teológico”. Por isso, o padre da Igreja de Stª Isabel, em Lisboa não se admira que aquilo a que chama “produtos de contrafacção religiosa” vão buscar ao Apocalipse imagens para alimentar o rumor. E isso aplica-se às tentativas de personificar a besta: “O anticristo é o mistério do mal. E nenhum homem pode concentrar todo o mal em si. Nem mesmo Hitler. Seria uma imagem redutora.” Mesmo assim, para milhões de pessoas, a contagem decrescente já começou.”

600px-Iowa_666.svg

Google ou Facebook: quem está a ganhar a guerra?

Facebook vs Google+ – “What’s Trending” CBS News from Jason King on Vimeo.