Compreender o Iraque e as suas diferenças

Leitura para o fim-de-semana: a batalha de Belo Monte

O Brasil está a construír a terceira maior central hidroeléctrica do mundo. Vinte e cinco mil operários trabalham noite e dia para cumprir o prazo e erguer um projecto controverso. A Folha de São Paulo enviou para Belo Monte uma equipa de cinco repórteres que produziram um gigantesco trabalho multimédia de cinco partes com texto, fotografia, 24 vídeos, 18 infografias e até um jogo. A Batalha de Belo Monte é o resultado final.

Sem nome

Um projeto de R$ 30 bilhões

A explosão às 6h da manhã arranca uma camada de 9 m de espessura do bloco de migmatito numa área de 750 m² que já foi a morada de árvores centenárias na zona rural de Altamira e Vitória do Xingu (PA). Assentada a poeira, resta uma montanha de fragmentos dessa rocha dura, aparentada com o granito. À meia-noite, nem um pedregulho estará mais ali.

Duas escavadeiras se posicionam lado a lado, a 50 m uma da outra. Cinco levantamentos cada e, em menos de três minutos, enchem uma carreta com 32 toneladas de pedras. Sai um caminhão, encosta outro. Em 20 minutos, partem 18 caçambas cheias. Não há um segundo de descanso.

O ritmo frenético de homens e máquinas marca a construção de um canal de 20 km de comprimento, para dar passagem aos 14 milhões de litros de água por segundo desviados do rio Xingu –vazão quase 530 vezes maior que a do canal principal de transposição do São Francisco– que vão movimentar as turbinas da terceira maior hidrelétrica do mundo, e também uma das mais controversas: Belo Monte, da empresa Norte Energia S.A.

Quando estiver funcionando a toda força, a usina poderá produzir até 11.233 megawatts (MW) de eletricidade. Uma capacidade instalada suficiente para iluminar as casas de pelo menos 18 milhões de pessoas e ficar atrás só da hidrelétrica chinesa Três Gargantas (22.720 MW) e da paraguaio-brasileira Itaipu (14 mil MW).

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, o Brasil precisa acrescentar 6.350 MW anuais de geração elétrica, até 2022, ao seu parque atual de 121 mil MW (70% produzidos por hidrelétricas). Se pudesse funcionar a toda carga o ano inteiro, Belo Monte garantiria quase um quinto da eletricidade adicional de que o país vai precisar, mas isso só tem chance de ocorrer em quatro meses do ano.

A maior parte da capacidade de geração (11.000 MW) da nova usina ficará instalada na casa de força principal, junto da vila de Belo Monte do Pontal, cuja obra já avançou 47%. A barragem propriamente dita, contudo, ficará 60 km rio acima, do outro lado da Volta Grande do Xingu, no sítio Pimental, pouco depois do ponto em que o canal captará água para encher os 130 km² do reservatório intermediário. Junto ao vertedouro da barragem de Pimental, seis turbinas poderão produzir até 233 MW na casa de força auxiliar.

O pico de 11.233 MW só poderá ser alcançado entre fevereiro e maio, quando o Xingu atinge suas vazões máximas. Nos outros meses, as turbinas serão progressivamente desligadas. Entre altos e baixos, espera-se que Belo Monte garanta uma média de 4.571 MW, ou apenas 41% de sua capacidade instalada.

“Para começar a gerar, isso tudo tem de estar concluído”, diz a engenheira civil Roberta Martinelli Pimentel Pereira, 35, apontando para o canal onde poderiam acomodar-se facilmente 60 caminhões, lado a lado.

Belo Monte precisa começar a produzir energia em fevereiro de 2015, com a primeira turbina da casa de força auxiliar, mas isso vai atrasar uns três meses. Depois, de março de 2016 até janeiro de 2019, entram em linha as 18 turbinas da casa de força principal. Neste caso, nada pode atrasar. Na realidade, a Norte Energia trabalha com a hipótese de antecipar a montagem das turbinas principais, a partir da quarta ou quinta máquina, de modo a que todas estejam em operação antes do prazo contratual –o que trará ganhos consideráveis para o empreendedor.

No presente, o maior desafio de Roberta Pereira é domar as águas dos igarapés que cortam o curso do grande canal e completar, ainda em dezembro de 2013, a ensecadeira (barragem provisória, para manter a construção isolada do rio Xingu). A engenheira comanda 7.000 empregados e tem 12 anos “no trecho”, como se refere às grandes obras de infraestrutura por que passou. A ensecadeira já tem fundações prontas e a maior parte do aterro alcançou a cota de segurança, 95 m.

Belo Monte fervilha 24 horas por dia, dois anos e meio após o início oficial de sua construção, em junho de 2011. Com um custo estimado em R$ 30 bilhões, o prazo para começar a produzir energia é apertado, apenas 44 meses. Em Itaipu foram 120 meses; a previsão para a hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), era de 52 meses, mas a usina começou a gerar energia nove meses antes.

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Presos por engano

Pelo menos 56 pessoas foram presas por engano em São Paulo desde 1994. Algumas foram por ter um nome parecido com o dos verdadeiros criminosos. Outros por os seus documentos terem sido roubados. Algumas chegaram mesmo a cumprir pena. A reportagem é da Folha de São Paulo.

Leitura para o fim-de-semana: Por dentro de Guantánamo

A Folha de S. Paulo conseguiu enviar um jornalista para cobrir a fase preliminar do julgamento de Khalid Sheik Mohammed, em Guantánamo. Durante cinco dias a repórter Patrícia Campos Mello descreveu relatou o que se passava na sala de audiência, falou com advogados e militares e até descreveu a forma como aquele que é considerado o cérebro dos ataques do 11 de Setembro fez “rolinhos com a barba”. Para além da reportagem publicada na edição de fim-de-semana do jornal, a Folha de S. Paulo criou uma página especial no seu site. Chamou-lhe Por dentro de Guantánamo e explica, para além do que está questão no julgamento, as origens e história da prisão, as decisões tomadas por George W. Bush e as promessas de Barack Obama.

EFE

EFE

“O policial apontou a arma de bala de borracha para mim e falou: você vai ficar aí?”

Os protestos começaram há uma semana devido ao aumento do preço dos bilhetes de autocarro. Mas esse foi só o pretexto que fez saír os brasileiros para a rua. As manifestações foram subindo de tom até que na quinta-feira da semana passada as autoridades começaram a enfrentar a multidão com bastões, balas de borracha, gás lacrimogéneo e sprays. Em São Paulo, ninguém escapou. Nem os jornalistas.

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