Os dois lados de uma fotografia

São duas imagens, do mesmo acontecimento, recolhidas de ângulos diferentes. A primeira mostra Fabienne Cherisma, uma rapariga haitiana de 14 anos, assassinada a tiro pela polícia depois de ser apanhada a roubar quadros após o terramoto no Haiti em Janeiro de 2010. A imagem valeu ao fotojornalista Paul Hansen o prémio de fotografia sueca do ano, em 2011.

Foto: Paul Hansen

Foto: Paul Hansen

A segunda imagem, de Nathan Weber, mostra a mesma rapariga, mas de um outro ângulo: rodeada de fotógrafos.

Foto: Nathan Weber

Foto: Nathan Weber

Quando foram divulgadas, as imagens provocaram um debate na Suécia sobre a ética jornalística e a necessidade de divulgação da segunda fotografia. Já passaram uns anos, mas a questão ética continua actual: o segundo retrato devia ter sido publicado? E se sim, merecia mais o prémio de imagem do ano do que a primeira?

As manifestações no Brasil pela objectiva do João Pina

No início desta semana o João Pina chegou a São Paulo para fotografar os protestos que desde então se espalharam a outras cidades brasileiras. Algumas fotos dele foram agora publicadas no blogue Photo Booth da revista The New Yorker.

@João Pina

@João Pina

No centro dos protestos do Rio de Janeiro

Durante os protestos no Rio de Janeiro da última semana, o fotojornalista Michel de Souza registou-se a si próprio em vídeo enquanto fotografava polícias e manifestantes. O vídeo No olho do furacão mostra os momentos exactos antes de cada imagem ser capturada. É uma bela maneira de contar uma história.

O talento de um fotógrafo desempregado

Daniel Rodrigues

Daniel Rodrigues

Ontem, a propósito da quarta edição dos prémios Estação Imagem/Mora voltei a referir o trabalho do Daniel Rodrigues, o fotógrafo português freelancer que foi galardoado na última edição do World Press Photo. O que não disse foi que o trabalho dele não se restringe às imagens das crianças guineenses a jogar futebol. No seu blogue, o Daniel Rodrigues – que chegou a ter de vender o equipamento para pagar contas – tem inúmeros excelentes trabalhos. Das suas viagens por África e não só. Estas duas imagens são apenas uma pequena amostra do que pode ser visto por lá. Vale a pena.

Daniel Rodrigues

Daniel Rodrigues

Fotojornalismo made in Portugal – muito e bom

No último sábado, a associação Estação Imagem/Mora anunciou os vencedores da quarta edição dos seus prémios de fotojornalismo. Ao todo inscreveram-se 167 repórteres com 492 reportagens divididas pelas sete categorias. O principal galardão foi para o Bruno Simões Castanheira com o trabalho publicado no i “Grécia, onde a crise económica criou uma catástrofe social”.

Bruno Simões Castanheira

Bruno Simões Castanheira

Este ano a Estação Imagem/Mora estreou uma nova categoria: Assuntos Contemporâneos, que teve como vencedor o João Pina com a reportagem “Shadow of the Condor”. O Pedro Nunes venceu a categoria Notícias com “A Crise Envergonhada”, e “O desemprego tem um Rosto”, do Daniel Rocha venceu o primeiro prémio da Série de Retratos. António Pedro Soares venceu na categoria de Vida Quotidiana com “Santa Filomena. Num Instante, a Casa Cai”. As fotografias dos incêndios na Madeira valeram a Octávio Passos o primeiro prémio em Ambiente e em Arte a distinção foi para Bruno Simão com “A Virgem Doida”. Por fim, o prémio de Desporto foi para Daniel Rodrigues com a reportagem “Futebol Africano” – que já tinha sido distinguida na última edição do World Press Photo.

Há muitas e boas fotos. Para ver aqui.

Bruno Simões Castanheira

Bruno Simões Castanheira

A vida quotidiana dos chineses – sem cartazes de Mao

Rian Dundon

Rian Dundon

O fotojornalista Rian Dundon chegou à cidade de Changsha, a capital da província de Hunan, na China, com o objectivo de ficar um ano. Estávamos em 2005. Ele tinha 24 anos. Começou por entrar nas rotinas diárias da cidade. Na altura não falava mandarim. Enfiou-se em becos e ruelas. Praticou skateboard. Comeu. Bebeu. Dormiu. Dançou.

Rian Dundon

Rian Dundon

Aos poucos, a lingua tornou-se familiar. Passou a ter companhia. A ir a festas. A frequentar o karaoke. Fez amigos. Acabou por ficar seis anos. Sempre a fotografar. O resultado foi a monografia de 244 páginas, Changsha, um conjunto de imagens pessoais, sobre a vida quotidiana na China.

Rian Dundon

Rian Dundon

Resta dizer que o projecto foi apoiado pela emphas.is, uma organização de apoio ao jornalismo através de crowdfunding. Vale a pena ver.

A guerra como nunca tinha sido vista

É uma das fotografias mais importantes do jornalismo norte-americano. Durante a II Guerra Mundial, os jornais e revistas estavam proibidos de publicar imagens de soldados mortos. A ideia era que a força gráfica das fotografias poderia desmobilizar a nação do esforço de guerra. A censura do Pentágono durou mais de dois anos. E só teve um fim quando, em Setembro de 1943, a revista Life publicou uma imagem de página inteira com três soldados norte-americanos mortos durante um ataque japonês, na praia de Buna Beach, na Papua Nova Guiné.

 

A guerra tinha começado em 1939. Desde então, o público americano nunca tinha visto nenhuma imagem de soldados mortos em combate. E esta fotografia de George Strock só foi publicada após uma longa batalha do então editor da revista Life, Cal Whipple que, desde Fevereiro desse ano lutou para que a imagem passasse pela censura do Gabinete de Informação da Guerra.

A história desta fotografia – e de como George Strock quase morreu para a conseguir – foi recordada pelo blogue do The New York Times, Lens, a propósito da morte de Cal Whipple. Vale a pena ler. Aqui.

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George Strock/Time Life Pictures via Getty Images