Leitura para o fim-de-semana: os pecados do super-agente

Jorge Mendes é agente de futebolistas. Recebe por isso. Quando negoceia transferências entre clubes, recebe uma comissão. Mas também aconselha fundos de investimento em jogadores. E participa em empresas que compram passes de atletas. Ou seja, cai várias vezes em situações de conflitos de interesses. São as revelações de uma investigação do The Guardian sobre o agente mais poderoso do mundo.

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From Diego Costa to Angel di María, the Portuguese super agent is responsible for the biggest deals in football but is also in apparent breach of Fifa regulations

Jorge Mendes, the Portuguese agent who has conducted many of the biggest transfers in European football, is serially involved in the third‑party ownership of players in apparent breach of Fifa regulations, a Guardian investigation can reveal.

Mendes, who brokered the year’s biggest deals, including Ángel di María’s £59.7m move to Manchester United and Diego Costa’s £32m purchase by Chelsea, was seeking to attract €85m (£67m) from undeclared investors via offshore companies to buy stakes in players at clubs in Spain and Portugal, according to a document seen by the Guardian. The prospectus and further inquiries have shown that:

Mendes and the former Manchester United and Chelsea chief executive Peter Kenyon advise five Jersey-based funds on more than £100m to be invested in buying “economic rights” in players.

Mendes admits he has a conflict of interest, because he acts as the agent to players whose economic rights have been bought by the funds he advises; this appears to contravene Fifa regulations on agents.

Sporting Lisbon say the funds that Mendes and Kenyon advise sought to buy stakes in players as a condition of players, advised by Mendes, renewing their contracts.

Mendes claims to have conducted 68% of all player transactions at Portugal’s great clubs, Sporting Lisbon, Benfica and Porto, in the decade 2001-10.

The 20-year ascent of Mendes from Porto nightclub owner and friend of footballers to the beaming broker of the game’s most lucrative transfers has tracked the sport’s pay-TV-fuelled inflation itself, and Portugal’s status as a habitual exporter of players. Mendes built his name and the operation of his company, Gestifute, on attaining a remarkable dominance over the deals done by Portugal’s top three clubs, and he took several of these players on multimillion-pound moves to England and Spain. There he has extended his influence, particularly after his client José Mourinho made the journey himself from Porto after 2004, to sign as the manager at Chelsea, then Internazionale and Real Madrid, now Chelsea again.

Mendes’s work reached stunning fruition this summer, when he was seen conducting the biggest moves of talent and money not only from his home country’s financially hollowed out clubs but of the whole European football player transfer market. James Rodríguez, his reputation glowing from his World Cup excellence, was signed by Real Madrid for £71m from Monaco, to where Mendes brokered his move from Porto only last year for €45m (£38.5m). Porto declared in its annual report that it paid Gestifute €4.4m (£3.6m) for “intermediation service costs” on that deal; the amount paid by Real this year has not been disclosed.

Di María, deemed surplus stock at Real Madrid, came to Old Trafford for almost £60m in Manchester United’s post-Sir Alex Ferguson and David Moyes splash-out; a grinning Mendes was seen with Louis van Gaal in the 4×4 at United’s Carrington training ground. Radamel Falcao, whose €40m (£32m) sale by Porto to Atlético Madrid in 2011 was brokered by Mendes – Gestifute shared €3.7m (£3m) “intermediation service costs” with another company, Orel – moved to Monaco last year for £50m, then Mendes brought him to United this summer on an extraordinarily costly loan. Eliaquim Mangala, for whom Manchester City paid £32m to Porto – 33% of Mangala’s “economic rights” had been owned by the Malta-based third-party ownership fund Doyen – was another Mendes move.

Costa brought his goalscoring eye from Atlético Madrid, where Mendes boasts of powerful influence, to Mourinho at Chelsea, who paid £32m. Reports have stated that 30% of Costa’s “economic rights” were owned by an offshore fund but sources close to the signing say in fact there was no third‑party ownership of Costa.

Unquestionably true, however, is that Mendes, as well as acting as an agent for these and many other players, and being paid by clubs as a transfer “intermediary”, is serially involved with Kenyon in advising on the third‑party ownership of economic rights in players.

O artigo completo está aqui.

O vídeo perfeito

Se não viram, vale muito a pena ver.

O plano quase perfeito para derrotar os EUA

O plano era perfeito. Saía de Lisboa às 13h20 e chegava ao aeroporto de Newark às 16h20 locais. Mesmo a tempo de ver o jogo entre Portugal e os Estados Unidos. Maravilhas da diferença horária. Estava tudo previsto: apanhava um taxi para Manhatan, deixava a mala no hotel, seguia de metro até Times Square e via a partida num ecrã gigante, pronto para agitar o cachecol e gritar alto e bom som quando aviássemos os gringos. Afinal, eles acham que futebol é um jogo que se joga com as mãos e o corpo.
Mas – há sempre um mas – nada aconteceu conforme planeado. A começar em Lisboa. Não, não houve um furacão. Não, não houve uma erupção vulcânica que cobriu os céus com uma cinza assassina. O avião nem sequer se atrasou vindo de outro local qualquer. Aliás, quando cheguei à porta de embarque com a antecedência necessária ele já lá estava estacionado. Só que ao contrário do que seria expectável não partiu à hora prevista. Passava das 15h30 quando o voo levantou – sem grandes explicações por parte da TAP.
Times Square estava fora de jogo. Restava um ecrã qualquer. Pouco depois da aterragem o comandante informava – com “honra” – que Portugal ganhava um a zero. Entre saír, atravessar os controlos fronteiriços, recolher a bagagem e apanhar um taxi a segunda parte estava a começar. A meio do caminho o motorista resolve alterar o preço e parou na berma da auto-estrada para eu decidir se continuava ou voltava para trás – claro que teria que pagar a corrida de regresso. Estávamos a discutir se as portagens estariam incluídas no preço quando os EUA empataram o jogo. A notícia chegou por SMS. Ao que parecia, não estava a perder grande coisa.
Acabei por fazer as pazes com o motorista, um haitiano simpático chamado Serge que vive há 29 anos nos EUA. Tinha acabado de regressar do seu país onde passou duas semanas numa reunião alargada de família. Viajou com a mulher, filhos, sobrinhos, cunhados e irmãos. A mãe, de 84 anos, também foi. Para a proteger, não lhe contaram que um sobrinho que vive no país morreu recentemente. Disseram-lhe que ele estava a tirar um curso de formação no Canadá. Ela acreditou: “não vale a pena preocupá-la”.
Quando lhe contei que vinha de Portugal, ele disse duas coisas. A primeira: “O jogo está empatado a um.” A segunda: “Tenho um sobrinho que casou com uma portuguesa e vive em Portugal. Conheceram-se na República Dominicana. Estavam os dois a dar lá aulas.”
Entre o transito para atravessar o Lincoln Tunnel não parecia haver muita gente interessada no jogo. Nem o Serge. Sem notícias do que se passava acabámos por ser informados através de um telefonema. A mãe do motorista ligou-lhe para lhe dizer que a partida tinha acabado com um empate a dois golos. Sem honra nem glória. Quando me deixou à porta do hotel, Serge despediu-se com um amigável “até à próxima”. Eu também. Sem grande convicção. O cachecol nem chegou a sair da mala. Só vi os golos mais tarde. Cruzei-me com americanos com a bandeira pintada na cara. O plano revelou-se tudo menos perfeito.

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A diferença entre o futebol e aquela coisa a que os americanos chamam futebol

Football vs. Football

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O resumo do Campeonato do Mundo

World Cup Brazil 2014

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Os números do campeonato que começa amanhã

A história animada de Espanha nos mundiais de futebol

O The Guardian está a apresentar uma série de histórias animadas sobre as selecções presentes no campeonato do mundo. Na falta de um vídeo (por enquanto) sobre a selecção nacional, fica aqui o trabalho sobre Espanha.

O campeonato do mundo está a chegar. Estes são apenas alguns factos interessantes

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Interesting Facts of FIFA World Cup 2014 Brazil

Jorge Jesus e os três dedos mostrados ao treinador do Tottenham

Jorge Jesus dá hoje uma entrevista ao Sol, que faz a capa da revista Tabu. É uma leitura imperdível para quem quer conhecer melhor o treinador do Benfica: no futebol e fora dele. Tem também o grande mérito de ser lida e dar a sensação de que JJ está a falar directamente com o leitor. Há várias partes da destacar – sobretudo aquela em que ele diz que no final da época passada teve tudo acertado com aquele clube cujo nome não deve ser mencionado e que só não saiu do Benfica por causa de Luís Filipe Vieira e de dois jovens sócios -, mas não resisto a partilhar a descrição que ele faz do “incidente” com o treinador do Tottenham, Tim Sherwood, durante o jogo do Benfica em Londres.

“Sabia que o André [Vilas-Boas] tinha sofrido com ele e tinha-lhe dito: ‘Se eliminarmos o Tottenham, vou-lhe chegar a roupa ao pêlo na conferência de imprensa’. Ia dizer que o Tottenham jogava muito mais com o André, que agora era zero tacticamente. Já tinha isso na minha cabeça e, durante o jogo, entrei sem querer no espaço dele. Olhou-me assim de cima para baixo, à inglês, como quem diz ‘ouve lá, portuga, o teu lugar é ali, põe-te ali quietinho que tu és muita pequenino’. Percebi aquele olhar e a seguir entrou ele no meu espaço. Então disse-lhe para saír dali. ‘Back, back, back’. Mas ele aguentou-se e ficou ali comigo. Fiquei com aquilo na cabeça e, quando marcámos o golo, nem sei porquê, foi instintivo, fiz aquele gesto da dança. Como quem diz: ‘Tás a levar um baile e não tás a ver nada’. Isto aconteceu no um a zero e lembrei-me que ainda faltavam muitos minutos, que ainda não tinha acabado. E virei-me ao contrário: ‘Tá mas é caladinho que isto aindap ode mudar.’ Quando fizemos o três a um é que lhe disse: ‘My name is André. One, two, three’. E aí ele ficou louco: ‘Fuck you’. E eu: ‘Fuck a p…’ bem, disse-lhe tudo e o árbitro ali no meio de nós. Mas eu estavaa ganhar; por isso estava tranquilo. E pensei: ‘Este gajo vai dar-me um soco’ Mas não. Ele é um atrevido, atenção. Fiquei a gostar dele. Num jogo depois desse, do campeonato inglês, o Tottenham ganhou 3-2 após ter estado a perder 2-0 e dei umsalto quando fizeram o três a dois.

Porque ficou a gostar dele?

Porque o achei um homem destemido. Não teve medo nenhum de mim. Se fosse preciso dar-,e uma cabeçada ali, dava-me. O que ele estava a dizer era: ‘Não tenho medo nenhum de ti. Estás a levantar cabelo e daqui a um bocado ainda te bato’. Gosto de gente assim.”

É de homem. Foi isto:

O esloveno honesto e o português matreiro

Ao fim de duas horas todos os olhos estavam postos neles. No gigante esloveno e no baixote português. O primeiro, vestido de amarelo, com o número 41 nas costas, parecia um bloco de gelo. Passou os 120 minutos anteriores a resolver o que lhe aparecia pela frente como se estivesse num treino. Nada de especial. O segundo, vestido de laranja, com o 13 estampado no equipamento, era o oposto: cabelo espetado, ar rebelde, esteve duas horas a defender tudo e mais alguma coisa. A cada bola afastada da baliza soltava gritos de raiva que contagiavam a equipa. E agora estavam ali os dois. Não frente-a-frente, mas prestes a enfrentar a toda a equipa adversária.

No primeiro penálti, o baixote português, tirou as medidas ao árbitro. Quando Lima corria para a bola deu uns passos discretos para a frente. A bola entrou. Mas ele, matreiro, percebeu com o que podia contar. A seguir, foi a vez do esloveno honesto pisar a linha de baliza. Diz a lei do jogo que, num penálti, o guarda-redes não pode afastar-se daquela marca antes de a bola ser pontapeada. E o gigante de amarelo assim fez. Posicionou-se, adivinhou o lado para onde a bola ia, atirou-se, mas não chegou lá. Um a um.

Depois, o baixote português enfrentou outro gigante, mas paraguaio. Só que tinha um truque na manga. Quando Cardozo avançava para a bola ele aproveitou a corda que o árbitro lhe tinha dado e deu um passo para a frente e para o lado. Depois outro. E outro. Ao terceiro, já estava mais de um metro à frente da baliza e com isso conseguia reduzir o ângulo de remate. Assim, mesmo sendo baixote, era-lhe possível chegar a qualquer ponto da baliza. Atirou-se para o lado direito. E com uma mão afastou a bola. Depois foi para a zona lateral ver o esloveno honesto adivinhar outra vez o lado para onde o remate seguiu. Mas como não saiu da linha, mesmo sendo um gigante, não lhe conseguiu chegar.

Ao terceiro penálti, o baixote português sabia que podia fazer o que quisesse. Voltou a dar um, dois, três passos para a frente. Desta vez atirou-se para a esquerda e defendeu um novo remate. Cerrou os punhos, virou-se para os adeptos e gritou como se fosse um toureiro espanhol. Quando o gigante de amarelo continuou a cumprir as regras e a ver o adversário marcar, pela quarta vez, o baixote vestido de laranja foi abraçado pelos companheiros. Continuo a gostar mais do esloveno honesto. Mas foi o português matreiro quem levou a taça.

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Está na hora de matar o borrego

Olá rapazes,

No próximo domingo vocês vão ter o jogo das vossas vidas. Não é contra o Real Madrid. Nem contra o Bayern de Munique. Nem sequer contra o Barcelona. É contra o Olhanense. Sim. Contra a equipa que ocupa o último lugar do campeonato, que tem menos 41 pontos que vocês, mais 28 golos sofridos e menos 36 golos marcados. O Olhanense. Ainda assim, esse é o jogo das vossas vidas.

Não sei o que o Jorge Jesus vos vai dizer antes de entrarem em campo. Não sei se vos vai mostrar algum vídeo. Presumo que vá falar do adversário. Das qualidades e das fraquezas. Dos pontos fortes e das vulnerabilidades. Mas eu gostava mesmo é que ele vos mostrasse algumas imagens em vídeo. Não estou a falar das obras de arte Markovic e do Gaitan. Da técnica superior do Enzo. Dos cortes e golos do Luisão e do Garay. Das arrancadas portentosas do Salvio e do Rodrigo. Da artilharia do Lima e do Cardozo. Das defesas do Oblak e do Artur. Da maravilha do André Gomes.

O que eu gostava mesmo que ele vos mostrasse eram as imagens do golo do Kelvin. Do vosso treinador de joelhos. Da cabeçada do Ivanovic. Das lágrimas do Enzo, do Rodrigo e do Artur. Do desespero do Cardozo. Dos milhares de pessoas que vos seguiram pelos estádios do país e que acabaram lavadas em lágrimas devido à desilusão do ano horrível de 2013. Gostava que revivessem no vosso interior cada um daqueles momentos. Para vos lembrar aquilo por que passaram. Por que nós passámos. E não queremos voltar a passar.

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Gostava que ele vos mostrasse as imagens de Eusébio. O homem que se tornou um mito. Um símbolo do querer, da vontade, do sacrifício e do talento que faz com que essa camisola vermelha só possa ser merecida por alguns. O único homem que teve direito a uma estátua em frente ao estádio e por quem vocês usam essas faixas negras no equipamento. Porque, onde quer que esteja, ele vai estar a olhar para vocês junto a nós. Nós que vamos estar nas bancadas, em frente ao televisor ou com os ouvidos colados à rádio. Sim, no domingo, às 18h, um pouco por todo o mundo, milhões de pessoas vão estar de olhos postos nos ecrãs de cachecóis enrolados ao pescoço e com o coração nas mãos à espera daquele momento em que vamos poder saltar, gritar e chorar de alegria com um ano de atraso.

Mas para isso é preciso que vocês, os nossos soldados, vençam mais uma batalha. Já o fizeram vezes sem conta este ano. No início da época, contra tudo e contra todos, vocês foram capazes de se levantarem das cinzas e voltar a voar até ao lugar que é nosso por direito. Sim, nosso. Dos adeptos. Nós que todos os anos, jogo após jogo, enchemos o estádio. Nós que percorremos quilómetros e guardamos horas da nossa vida para vos ver usar essa camisola vermelha. Nós que nos emocionamos em frente ao televisor com uma jogada, um golo, uma vitória. Nós que passamos noites em claro quando as coisas não correm bem. Nós que passamos horas em filas para comprar bilhete para os grandes jogos. Nós que gastamos parte do nosso salário para pagar quotas. Nós que vos vamos aplaudir à saída do centro de estágio. Nós que vos vamos apoiar durante um treino. Nós que vos pedimos um autógrafo ou uma camisola. Nós. Os adeptos.

Ontem foi mais um exemplo do que acabei de dizer. Quando alguns julgaram que tinham voltado a cair no tapete, vocês deram uma enorme demonstração de talento e alma. E nós, nas bancadas em casa, nos cafés ou nos automóveis, nunca deixámos de vos apoiar. Nunca desistimos. Porque um benfiquista nunca desiste. Mesmo quando está em causa apenas um jogo. Sim, porque ontem não se passou nada de especial. Foi apenas mais uma partida. Ganhámos e isso significa que vocês vão ter mais um jogo pela frente. Para lutar. Por vocês. Por nós.

No domingo é diferente. Tudo aquilo por que, vocês, nós, passámos trouxe-nos aqui. Às 18h do próximo domingo de Páscoa. Durante 90 minutos vocês vão ter a possibilidade de ficar na História deste grande clube. De serem recordados para sempre como parte de um todo. Como os soldados de uma nação. Não percam esta oportunidade. A História está a passar à vossa frente. Vão agarrá-la. Por vocês. Por nós.

O Benfica e o Capitão que não devia estar fora de jogo

Olá Capitão,

Vi a reportagem que a SIC emitiu sobre ti na semana passada com um aperto no coração. Chamaram-lhe Fora de Jogo. É um bom título. Mas demorei quase uma semana a digeri-la. Não só por ti e pelo dramatismo a situação em que te encontras. Mas também pela forma como o meu clube tem tratado os poucos símbolos que lhe restam.

Vi-te com uma profunda tristeza. Recordo-me bem de ti. Da forma como honravas aquela camisola. Do teu ar altivo e imponente. E como te tornaste o “eterno” dono do número 2 ao longo de 15 anos. De certeza que não eras dos mais bem pagos do plantel. Mas não passavas necessidades. Pelo contrário. O dinheiro que ganhaste nesses anos dava para teres uma vida perfeitamente desafogada. Infelizmente acreditaste em pessoas que se diziam tuas amigas. Diziam. Não eram. A prova está à vista.

Tiveste ainda um azar supremo: foste uma vítima de um ser chamado Artur Jorge que afastou todos aqueles que podiam ter algum peso no clube. Naquela época chamavam-lhe mística. Hoje poucos sabem o que isso é. Ainda regressaste ao clube com o teu amigo Toni. Mas claro que não durou. Nem chegou.

Ao contrário do que acontece, por exemplo, naquela organização de malfeitores do norte do país, o Benfica nunca se celebrizou por tratar bem as velhas glórias. Os seus símbolos. Até o King enfrentou um período difícil. Lá no norte, alguns antigos jogadores, alguns, aqueles com história, acabam por ser integrados na estrutura do clube. Seja nas camadas jovens ou na equipa principal. Para além dos ensinamentos práticos, transmitem um modo de estar no futebol – no caso deles, o pior de todos, claro. Mas isso não importa.

Tu foste um dos últimos jogadores do Benfica que podia ostentar o título de símbolo. E deixaste de jogar há quase 20 anos. Depois de ti só três outros futebolistas poderiam chegar ao teu estatuto: João Vieira Pinto, Rui Costa e Nuno Gomes. O primeiro foi durante muito tempo o nosso “menino de ouro”. Mas foi expulso do clube por um malfeitor que conseguiu chegar à presidência e cujo nome não deve ser pronunciado. O segundo é o último verdadeiro produto da formação. Na verdade passou poucos anos de sénior no clube. Mas nunca escondeu o benfiquismo, acabou cá a carreira e, apesar de ter sido diversas vezes usado pela actual direcção como escudo protector, mantém um lugar na SAD. O último teve um azar semelhante ao teu: foi maltratado por um treinador que tem um qualquer problema com os jogadores portugueses e acabou por sair por uma porta que não era aquela que ele merecia.

Numa época em que a falta de referências para os jovens jogadores é tão grande, a presença de símbolos como tu é fundamental para aquilo que parece estar na moda: o desejo de ascensão de jogadores portugueses. Porque símbolos como tu sabem o que é preciso fazer para lá chegar. E podem transmitir aos mais novos o orgulho que é vestir aquela camisola vermelha.

Se eu fosse presidente do Benfica, em vez de dizer que tu não pediste ajuda, no dia seguinte à emissão da reportagem estava tocar à campaínha da tua casa (ou a telefonar-te, pronto) para te perguntar o que querias fazer. Porque não é por teres ido umas vezes ao estádio ali do lado ver os jogos do teu filho, que acabou por te abandonar, que o teu passado pode ser apagado. Para citar um benfiquista respeitável, tu foste daqueles poucos jogadores que honraram a camisola do Benfica tanto quanto ela te honrou a ti. Erros todos cometemos. E quem pode censurar-te por apoiares o rapaz, teu filho, que foi desdenhado pelo nosso clube? Eu não. Para mim nunca serás apenas o António Veloso. Serás sempre “O Capitão”. O último da tua espécie. E o teu lugar é no Estádio da Luz. Dentro do jogo. 

“Se Ronaldo curasse a gripe, Messi curaria o cancro.”

Hoje escreveu-se muito sobre a Bola de Ouro ganha ontem por Ronaldo. Mas poucos o fizeram tão bem como Rob Smyth no The Guardian. Sobre a rivalidade com Messi, ele escreve: “Às vezes parecia que Ronaldo não podia ganhar. Se marcasse quatro, Messi marcaria cinco. Se ele curasse a gripe, Messi curaria o cancro.” Percebem-se as lágrimas. Brilhante.

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Ballon d’Or: Ronaldo rewarded for making miraculous mundane

Few believed any player would reclaim the Ballon d’Or from Lionel Messi but one man always did

Cristiano Ronaldo has banged his head against the brick wall for four years; now the brick wall has given way. Ronaldo was apparently doomed to be forever tortured and defined by the achievements of Lionel Messi. By regaining the Ballon d’Or from Messi, and winning the award for the first time since 2008, he has provided emphatic confirmation that he is one of football’s all-time greats.

He almost collected the award as a Manchester United player. After being crowned at an endearingly overblown ceremony in Zurich, Ronaldo confirmed he had considered returning to Old Trafford in the summer. “It is true Rio [Ferdinand] and I spoke a lot,” he said. “Rio is a great friend of mine. We were neighbours when I was in Manchester. He is a fantastic guy and he tried to change my mind and go back to Manchester. I did think about United. They are still in my heart. I love that club.”

It was an emotional night for Ronaldo, who was tearful when he received the trophy. “It means a lot to win this after Eusébio’s passing,” he said. “I dedicate this award to him and my team-mates. He was watching from the skies to see this great moment for a Portuguese player. When I saw my mum crying it made me cry as well. I’m an emotional person. It is very difficult to win this award.”

Ronaldo’s victory is a triumph for strength. The physical part we know about. The cliché that he is a freak of nature has not changed its essential truth. Ronaldo is a cross between Dixie Dean and Usain Bolt. He scores goals in quantities which, since Dean’s era, have only really been seen on bright screens in musty bedrooms, including headers so classically immense that it feels as if they should be shown in black and white. Yet he can also cover 96 metres in 10 seconds while wearing football boots, as he did against Atlético Madrid in 2012.

For all that, Ronaldo’s physical prowess is perhaps dwarfed by his mental strength. He has overcome myriad obstacles to win the Ballon d’Or. The words would invite ridicule if they ever came out of his mouth but it is not always easy being Ronaldo. His career has been conducted against a backdrop of suspicion and sniping. He is often unloved, even by his own fans, and his public perception reached a nadir last year when he was ridiculed by Sepp Blatter, which was like being called hapless by Frank Spencer. Many see him as selfish and self-obsessed to the point of having a messiah complex.

You could certainly understand if he had a Messi complex. He has to endure constant discussion of Messi’s apparent superiority, as a footballer and even as a human being. At times it seemed Ronaldo could not win. If he scored four, Messi would score five. If he cured the common cold, Messi would cure cancer. Ronaldo’s most impressive feat is not to usurp Messi; it is to believe he could do so in the first place. Yet Messi is one of only three apparently unbeatable opponents Ronaldo has had to contend with. He has taken on Messi, Barcelona and Spain, at times single-footedly. Part of that challenge broke even José Mourinho; Ronaldo continues to come back for more. One nemesis down, two to go.

Nor has he escaped football’s vicissitudes since moving to Madrid. He missed a penalty in a Champions League semi-final shootout against Bayern Munich; he didn’t even get to take one against Spain in the semi-final of Euro 2012. His peak years have coincided with football recognising small as beautiful after decades of the opposite view. He could be excused for thinking fate had a sadistic vendetta against him.

It is in that context that we should understand Ronaldo’s achievement. He is a monument of conviction. Any other footballer would have consciously or unconsciously surrendered to an apparently irresistible logic. Anyone else would have relaxed and regressed towards the mean.

Instead, Ronaldo ensured an excess of 50 goals a season became the mean. In 2013 he even progressed away from that, scoring 69 times for club and country. He has turned ‘Oh I say!’ moments into ‘Oh’ moments. Oh, Ronaldo’s scored another hat-trick. Oh, Ronaldo’s scored from over 40 yards in the quarter-finals and semi-finals of the European Cup (as he did in 2009). Oh, Ronaldo’s scored his 50th of the season. He has made the miraculous mundane.

Then again, greatness has always been a fusion of the spectacular and mundane. Ronaldo’s success is as much about his immaculate professionalism as his natural skill. He is a freak of nature but also a freak of nurture, fuelled by an almost demented ambition to achieve everything he possibly can.

He has already achieved so much as to merit inclusion in any discussion of the greatest footballers ever. Yet when World Soccer magazine asked a series of experts to pick their greatest XI last year, Ronaldo was nowhere near the side. He got seven votes: Maradona received 64, Pelé 56, Johan Cruyff 58 and Messi 46. Ronaldo picked up fewer than, among others, Roberto Carlos, Cafu, Garrincha, George Best and the other Ronaldo.

Perhaps his sheer efficiency does not appeal to romantics. Perhaps his remorseless consistency doesn’t stir the soul. Perhaps people just don’t like him. But to paint him as a robotic achiever does not do justice to his his genius. Ronaldo is a footballer like no other. He has a good case for being the most three-dimensional of football’s true greats: almost half his goals in 2013 were scored with either his head or left foot.

While he did not, as some have suggested, patent the wobbling, beach ball free-kick, he is now most commonly associated with a technique he has mastered. He has also obliterated the accepted parameters of the wide forward. The primary reason for that is that he has scored goals in industrial quantities. Of course Ronaldo is a flat-track bully; there has never been a great player who was not. He has also become a rough-track bully, challenging the perception that he doesn’t produce in big games. It was not always so, but now Barcelona and Spain fear him more than he fears them.

That’s not the only perception Ronaldo has changed down the years. It seems ridiculous now, but he was once regularly damned as having no end product. When he started at Manchester United, he was a fantasy footballer but not a Fantasy Footballer. He dizzied defenders with stepovers that left them with twisted blood and brain cells, yet the Fantasy Football currency of goals and assists eluded him. In his first three seasons at Old Trafford he scored just 27 goals; in the final three, 91. Then, at Real Madrid, he went further. In four and a half seasons he has scored 230 goals in 223 games.

As his goalscoring gradient has gone in one direction at Madrid, so his medal haul has gone in the other. In a sense Ronaldo had a disappointing 2013; all he won was the Ballon d’Or. Real Madrid won nothing. In four-and-a-half years in Madrid he has claimed few big prizes: one La Liga title, no Champions Leagues, one Ballon d’Or and no Player of the Year awards in Spain. (The Spanish league effectively had to invent a new award, the MVP, for him to win something, although Messi was the Best Player again.)

There will always be those who feel personal awards are enough to sustain Ronaldo. It is a simplistic perception of a man whose obvious lust for personal glory only exists in the context of an even greater lust for team glory. The two are inextricably linked.

The moments after a goal has been scored are when a footballer is emotionally naked; the celebration never lies. Ronaldo’s reaction when a teammate scores a vital goal is not that of a man in it for himself. When Manchester United won the Champions League in 2008 despite Ronaldo’s penalty miss a few minutes earlier, he burst into tears that were one part relief, 10 parts joy.

That’s not to say he is unselfish. Or that he doubts his worth: last night he thanked his fans on Facebook by posting a video of himself. His arrogance can be preposterous, but then that’s just another reason why he belongs in the company of Cruyff and Maradona among others. If greatness is to be achieved, arrogance is a preference. Ronaldo’s selfishness is also partially born of the logic that he is by far the best equipped to make his team win.

Many of Ronaldo’s goals for Madrid have been scored in the knowledge that they are not going to help win a trophy. Despite that, his output has not diminished. In sport, futile excellence can be the most impressive of all, whether it comes from a surfeit of personal pride, an endless well of professional pride or, more likely, a combination of the two.

Even Ronaldo’s defining achievement of 2013 – a performance for the ages to beat Zlatan Ibrahimovic in international football’s first one-a-side game – was not to win a trophy but to avert the unthinkable of Portugal not qualifying for the World Cup. Even if Ronaldo wins the Ballon d’Or for the next five years, he will not retire happy unless he wins more trophies. The world player of the year award is not enough.

Ronaldo is nearly 29 and may be approaching his last World Cup; by 2018 he will have played for 15 years, with few injury breaks and goodness knows how many miles on the clock. There is also a new superpower, Bayern Munich, to sit alongside Spain and Barcelona. But Ronaldo will keep banging his head against the brick wall until the brick wall gives way, as it did in Zurich on Monday night. In Ronaldo’s mind the Ballon d’Or is not his crowning glory. It is the start of the defining phase of his career.

Cristiano Ronaldo ganhou e chorou. Humanizou-se

Posso estar enganado, mas as lágrimas sinceras de Cristiano Ronaldo serão o melhor antídoto para todos aqueles que acham que Messi é um bom rapaz e ele apenas um pintas “robótico”. Para já é o melhor do mundo. Parabéns.

O melhor do mundo…

… vai ao mundial do Brasil. Cristiano Ronaldo. Como tinha que ser. Aqui, aqui e aqui.

Foto: MARIO CRUZ (EFE)

Foto: MARIO CRUZ (EFE)

Campeonato do Mundo do Qatar: escravidão e morte

O Qatar venceu a corrida à organização do campeonato do mundo de futebol de 2022 com acusações de pagamentos de subornos. Agora, que a construção dos estádios e infraestruturas já arrancou, uma investigação do The Guardian revelou que os trabalhadores – sobretudo imigrantes – estão sujeitos a um regime de quase escravatura. No Verão, morreu uma média de um por dia. A maioria são nepaleses. E as estimativas dizem que 4000 trabalhadores vão falecer até ao início do campeonato.

Revealed: Qatar’s World Cup ‘slaves’

Dozens of Nepalese migrant labourers have died in Qatar in recent weeks and thousands more are enduring appalling labour abuses, a Guardian investigation has found, raising serious questions about Qatar’s preparations to host the 2022 World Cup.

This summer, Nepalese workers died at a rate of almost one a day in Qatar, many of them young men who had sudden heart attacks. The investigation found evidence to suggest that thousands of Nepalese, who make up the single largest group of labourers in Qatar, face exploitation and abuses that amount to modern-day slavery, as defined by the International Labour Organisation, during a building binge paving the way for 2022.

According to documents obtained from the Nepalese embassy in Doha, at least 44 workers died between 4 June and 8 August. More than half died of heart attacks, heart failure or workplace accidents.

The investigation also reveals:

 Evidence of forced labour on a huge World Cup infrastructure project.

• Some Nepalese men have alleged that they have not been paid for months and have had their salaries retained to stop them running away.

• Some workers on other sites say employers routinely confiscate passports and refuse to issue ID cards, in effect reducing them to the status of illegal aliens.

• Some labourers say they have been denied access to free drinking water in the desert heat.

• About 30 Nepalese sought refuge at their embassy in Doha to escape the brutal conditions of their employment.

The allegations suggest a chain of exploitation leading from poor Nepalese villages to Qatari leaders. The overall picture is of one of the richest nations exploiting one of the poorest to get ready for the world’s most popular sporting tournament.

“We’d like to leave, but the company won’t let us,” said one Nepalese migrant employed at Lusail City development, a $45bn (£28bn) city being built from scratch which will include the 90,000-seater stadium that will host the World Cup final. “I’m angry about how this company is treating us, but we’re helpless. I regret coming here, but what to do? We were compelled to come just to make a living, but we’ve had no luck.”

The body tasked with organising the World Cup, the Qatar 2022 Supreme Committee, told the Guardian that work had yet to begin on projects directly related to the World Cup. However, it said it was “deeply concerned with the allegations that have been made against certain contractors/sub-contractors working on Lusail City’s construction site and considers this issue to be of the utmost seriousness”. It added: “We have been informed that the relevant government authorities are conducting an investigation into the allegations.”

The Guardian’s investigation also found men throughout the wider Qatari construction industry sleeping 12 to a room in places and getting sick through repulsive conditions in filthy hostels. Some say they have been forced to work without pay and left begging for food.

“We were working on an empty stomach for 24 hours; 12 hours’ work and then no food all night,” said Ram Kumar Mahara, 27. “When I complained, my manager assaulted me, kicked me out of the labour camp I lived in and refused to pay me anything. I had to beg for food from other workers.”

Almost all migrant workers have huge debts from Nepal, accrued in order to pay recruitment agents for their jobs. The obligation to repay these debts, combined with the non-payment of wages, confiscation of documents and inability of workers to leave their place of work, constitute forced labour, a form of modern-day slavery estimated to affect up to 21 million people across the globe. So entrenched is this exploitation that the Nepalese ambassador to Qatar, Maya Kumari Sharma, recently described the emirate as an “open jail”.

Nepal embassy recordRecord of deaths in July 2013, from all causes, held by the Nepalese embassy in Doha. Photograph: /guardian.co.uk

“The evidence uncovered by the Guardian is clear proof of the use of systematic forced labour in Qatar,” said Aidan McQuade, director of Anti-Slavery International, which was founded in 1839. “In fact, these working conditions and the astonishing number of deaths of vulnerable workers go beyond forced labour to the slavery of old where human beings were treated as objects. There is no longer a risk that the World Cup might be built on forced labour. It is already happening.”

Qatar has the highest ratio of migrant workers to domestic population in the world: more than 90% of the workforce are immigrants and the country is expected to recruit up to 1.5 million more labourers to build the stadiums, roads, ports and hotels needed for the tournament. Nepalese account for about 40% of migrant labourers in Qatar. More than 100,000 Nepalese left for the emirate last year.

The murky system of recruitment brokers in Asia and labour contractors in Qatar leaves them vulnerable to exploitation. The supreme committee has insisted that decent labour standards will be set for all World Cup contracts, but underneath it a complex web of project managers, construction firms and labour suppliers, employment contractors and recruitment agents operate.

According to some estimates, Qatar will spend $100bn on infrastructure projects to support the World Cup. As well as nine state-of-the-art stadiums, the country has committed to $20bn worth of new roads, $4bn for a causeway connecting Qatar to Bahrain, $24bn for a high-speed rail network, and 55,000 hotel rooms to accommodate visiting fans and has almost completed a new airport.

The World Cup is part of an even bigger programme of construction in Qatar designed to remake the tiny desert kingdom over the next two decades. Qatar has yet to start building stadiums for 2022, but has embarked on the big infrastructure projects likesuch as Lusail City that, according to the US project managers, Parsons, “will play a major role during the 2022 Fifa World Cup”. The British engineering company Halcrow, part of the CH2M Hill group, is a lead consultant on the Lusail project responsible for “infrastructure design and construction supervision”. CH2M Hill was recently appointed the official programme management consultant to the supreme committee. It says it has a “zero tolerance policy for the use of forced labour and other human trafficking practices”.

Halcrow said: “Our supervision role of specific construction packages ensures adherence to site contract regulation for health, safety and environment. The terms of employment of a contractor’s labour force is not under our direct purview.”

Some Nepalese working at Lusail City tell desperate stories. They are saddled with huge debts they are paying back at interest rates of up to 36%, yet say they are forced to work without pay.

“The company has kept two months’ salary from each of us to stop us running away,” said one man who gave his name as SBD and who works at the Lusail City marina. SBD said he was employed by a subcontractor that supplies labourers for the project. Some workers say their subcontrator has confiscated their passports and refused to issue the ID cards they are entitled to under Qatari law. “Our manager always promises he’ll issue [our cards] ‘next week’,” added a scaffolder who said he had worked in Qatar for two years without being given an ID card.

Without official documentation, migrant workers are in effect reduced to the status of illegal aliens, often unable to leave their place of work without fear of arrest and not entitled to any legal protection. Under the state-run kafala sponsorship system, workers are also unable to change jobs or leave the country without their sponsor company’s permission.

A third worker, who was equally reluctant to give his name for fear of reprisal, added: “We’d like to leave, but the company won’t let us. If we run away, we become illegal and that makes it hard to find another job. The police could catch us at any time and send us back home. We can’t get a resident permit if we leave.”

Other workers said they were forced to work long hours in temperatures of up to 50C (122F) without access to drinking water.

grieving parents NepalDalli Kahtri and her husband, Lil Man, hold photos of their sons, both of whom died while working as migrants in Malaysia and Qatar. Their younger son (foreground photo) died in Qatar from a heart attack, aged 20. Photograph: Peter Pattison/guardian.co.uk

The Qatari labour ministry said it had strict rules governing working in the heat, the provision of labour and the prompt payment of salaries.

“The ministry enforces this law through periodic inspections to ensure that workers have in fact received their wages in time. If a company does not comply with the law, the ministry applies penalties and refers the case to the judicial authorities.”

Lusail Real Estate Company said: “Lusail City will not tolerate breaches of labour or health and safety law. We continually instruct our contractors and their subcontractors of our expectations and their contractual obligations to both us and individual employees. The Guardian have highlighted potentially illegal activities employed by one subcontractor. We take these allegations very seriously and have referred the allegations to the appropriate authorities for investigation. Based on this investigation, we will take appropriate action against any individual or company who has found to have broken the law or contract with us.”

The workers’ plight makes a mockery of concerns for the 2022 footballers.

“Everyone is talking about the effect of Qatar’s extreme heat on a few hundred footballers,” said Umesh Upadhyaya, general secretary of the General Federation of Nepalese Trade Unions. “But they are ignoring the hardships, blood and sweat of thousands of migrant workers, who will be building the World Cup stadiums in shifts that can last eight times the length of a football match.”

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A prisão de Fernanda e a impunidade de Fernando (também conhecido como Jorge Jesus)

Fernanda Policarpo é uma actriz de 49 anos. No último ano tornou-se conhecida em Lisboa por comparecer nas manifestações contra as políticas de austeridade, descalça, com um vestido azul e cor-de-rosa, uma bandeira nacional numa mão e um ramo de alecrim na outra. Em Abril deste ano esteve em mais uma manifestação do movimento Que se Lixe a Troika, à porta do Hotel Ritz. Andava calmamente quando um agente da PSP a tentou empurrar para fora do cordão policial. Ela resistiu e entre empurrões atingiu o agente com o pau da bandeira. Em seguida, três outros polícias agarraram-na, arrastara-na e deitaram-na no chão. Enquanto um a algemava, outro agente colocou-lhe um joelho nas costas. Como não conseguiam segurá-la, o polícia ajustou a posição da perna: enfiou o joelho no pescoço de Fernanda Policarpo e, com isso, obrigou-a a esfregar a cara na relva. Depois de a imobilizarem, levaram-na. Foi detida e constituída arguida. Já disse que era uma mulher de 49 anos?

Ontem, Fernando Pinheiro, também conhecido por Jorge Jesus, um treinador de futebol de de 59 anos, empurrou repetidamente vários agentes da PSP em directo na televisão. Alguns tentaram acalmá-lo. Outros, segurá-lo. Ele continuava a gritar e a empurrar os polícias, alegadamente, em defesa de um adepto que tinha ido buscar a camisola de um jogador. Parece que nos próximos dias vai ser constituído arguido e sujeito a termo de identidade e residência. Não consta que nessa altura seja algemado nem atirado ao relvado. 

Sim, aconteceu. Agora é hora de nos levantarmos

Não. Isto não está a acontecer. Estávamos destinados à glória. Chegámos a Amesterdão para assumir o papel de David contra o Golias dos milhões russos, campeão europeu em título. E ao contrário do que se esperava, parecia que estávamos a jogar em casa. Desde o primeiro momento que aquela onda vermelha prenunciava algo de bom. Algo de histórico. Tinha sido uma caminhada imaculada. Sim, é verdade, os franceses do Bordéus não representaram grande desafio. Mas nesse percurso tínhamos feito história e ganho na Alemanha ao Leverkussen. Demos uma lição aos ingleses do Newcastle. E frente ao Fenerbahçe mostrámos todo o poder do nosso futebol. O rolo compressor que nos últimos anos ganhou corpo no Estádio da Luz atingiu o máximo expoente contra os turcos nos golos de Gaitán e Cardozo. Ontem parecia que estávamos de volta a esse jogo. Fomos dominadores. Autoritários. Encostámos os azuis às cordas. As bolas divididas eram nossas. Os sprints eram ganhos com surpreendente facilidade. Os dribles saiam a uma velocidade tal que alguns ingleses ainda devem estar à procura dos rapazes de vermelho. Sim, a certa altura parecia que os papéis se tinham invertido. Que nós éramos o Golias e os outros o David. Só faltava o toque final. Aquele que nos permitiu marcar 74 golos em 29 jogos no campeonato. Sim, 74. Por várias vezes esse toque esteve ao nosso alcance. Nos pés do Sálvio. Do Rodrigo. Do Gaitán. Do Cardozo. Da armada sul-americana que apoiada por um tanque sérvio destruiu um conjunto de porta-aviões construído com petrodólares de uma província russa. Nas bancadas, as caras dos adeptos vestidos de azul reflectiam o que se passava em campo. Ao mesmo tempo, as vozes portuguesas entoavam cânticos tantas vezes ouvidos em Portugal que davam asas aos nossos jogadores. Mesmo quando sofremos o primeiro golo parecia que o jogo era nosso. O empate estava destinado a ser apenas o primeiro passo rumo a um destino manifesto. Quando aconteceu, foi com naturalidade. Era uma questão de minutos. Em breve estaríamos a rir-nos na cara da maldição do húngaro. Até que uma queda sem bola atirou ao fundo um dos nossos pilares. E nós abanámos. As lágrimas do Garay sentado junto à linha lateral por sentir que não poderia continuar em campo diziam tudo. Ainda assim, continuámos por cima. Estávamos a preparar-nos para o prolongamento quando aquele golo nos gelou da cabeça aos pés. O ritmo acelerado a que o coração tinha batido na última hora e meia abrandou para um estado de quase suspensão  O último lance quase nos reanimou. Só que não havia mais tempo. O apito final do árbitro soltou as lágrimas que nunca esperámos derramar. De derrota. Tristeza. Injustiça. Caímos. De pé, mas caímos. É verdade. Isto está mesmo a acontecer. Agora, é hora de nos voltarmos a levantar.

Francois Lenoir/Reuters

Francois Lenoir/Reuters

Futebol: o desporto que mete a fraude no ciclismo a um canto

Ao fim de 18 meses de investigação, a Europol desmantelou aquela que poderá ser a maior fraude do desporto mundial. Ao todo, 380 jogos do campeonato do mundo de futebol, campeonato europeu, liga dos campeões e várias partidas em campeonatos nacionais poderão ter sido combinadas. O escândalo envolve 15 países, muitos milhões de euros e 50 pessoas com ligação a uma organização criminosa sediada na Ásia detidas.

“It is clear to us this is the biggest-ever investigation into suspected match-fixing in Europe. It has yielded major results which we think have uncovered a big problem for the integrity of football in Europe. We have uncovered an extensive criminal network”, disse o director da Europol Rob Wainwright.

qatargate

A esta notícia há que acrescentar as revelações recentes da revista France Football, que acusou o Qatar de comprar o voto francês para a organização do Mundial de 2022 em troca de investimentos no Paris Saint Germain, e ainda as revelações do jornalista Andrew Jennings que investigou a actuação daqueles a que chamou “A máfia da FIFA”.

Ao pé destes senhores, os protagonistas do Apito Dourado são uns meninos de coro. Será que o campeonato português passa impune?