O campeonato do mundo está a chegar. Estes são apenas alguns factos interessantes

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Interesting Facts of FIFA World Cup 2014 Brazil

Jorge Jesus e os três dedos mostrados ao treinador do Tottenham

Jorge Jesus dá hoje uma entrevista ao Sol, que faz a capa da revista Tabu. É uma leitura imperdível para quem quer conhecer melhor o treinador do Benfica: no futebol e fora dele. Tem também o grande mérito de ser lida e dar a sensação de que JJ está a falar directamente com o leitor. Há várias partes da destacar – sobretudo aquela em que ele diz que no final da época passada teve tudo acertado com aquele clube cujo nome não deve ser mencionado e que só não saiu do Benfica por causa de Luís Filipe Vieira e de dois jovens sócios -, mas não resisto a partilhar a descrição que ele faz do “incidente” com o treinador do Tottenham, Tim Sherwood, durante o jogo do Benfica em Londres.

“Sabia que o André [Vilas-Boas] tinha sofrido com ele e tinha-lhe dito: ‘Se eliminarmos o Tottenham, vou-lhe chegar a roupa ao pêlo na conferência de imprensa’. Ia dizer que o Tottenham jogava muito mais com o André, que agora era zero tacticamente. Já tinha isso na minha cabeça e, durante o jogo, entrei sem querer no espaço dele. Olhou-me assim de cima para baixo, à inglês, como quem diz ‘ouve lá, portuga, o teu lugar é ali, põe-te ali quietinho que tu és muita pequenino’. Percebi aquele olhar e a seguir entrou ele no meu espaço. Então disse-lhe para saír dali. ‘Back, back, back’. Mas ele aguentou-se e ficou ali comigo. Fiquei com aquilo na cabeça e, quando marcámos o golo, nem sei porquê, foi instintivo, fiz aquele gesto da dança. Como quem diz: ‘Tás a levar um baile e não tás a ver nada’. Isto aconteceu no um a zero e lembrei-me que ainda faltavam muitos minutos, que ainda não tinha acabado. E virei-me ao contrário: ‘Tá mas é caladinho que isto aindap ode mudar.’ Quando fizemos o três a um é que lhe disse: ‘My name is André. One, two, three’. E aí ele ficou louco: ‘Fuck you’. E eu: ‘Fuck a p…’ bem, disse-lhe tudo e o árbitro ali no meio de nós. Mas eu estavaa ganhar; por isso estava tranquilo. E pensei: ‘Este gajo vai dar-me um soco’ Mas não. Ele é um atrevido, atenção. Fiquei a gostar dele. Num jogo depois desse, do campeonato inglês, o Tottenham ganhou 3-2 após ter estado a perder 2-0 e dei umsalto quando fizeram o três a dois.

Porque ficou a gostar dele?

Porque o achei um homem destemido. Não teve medo nenhum de mim. Se fosse preciso dar-,e uma cabeçada ali, dava-me. O que ele estava a dizer era: ‘Não tenho medo nenhum de ti. Estás a levantar cabelo e daqui a um bocado ainda te bato’. Gosto de gente assim.”

É de homem. Foi isto:

O esloveno honesto e o português matreiro

Ao fim de duas horas todos os olhos estavam postos neles. No gigante esloveno e no baixote português. O primeiro, vestido de amarelo, com o número 41 nas costas, parecia um bloco de gelo. Passou os 120 minutos anteriores a resolver o que lhe aparecia pela frente como se estivesse num treino. Nada de especial. O segundo, vestido de laranja, com o 13 estampado no equipamento, era o oposto: cabelo espetado, ar rebelde, esteve duas horas a defender tudo e mais alguma coisa. A cada bola afastada da baliza soltava gritos de raiva que contagiavam a equipa. E agora estavam ali os dois. Não frente-a-frente, mas prestes a enfrentar a toda a equipa adversária.

No primeiro penálti, o baixote português, tirou as medidas ao árbitro. Quando Lima corria para a bola deu uns passos discretos para a frente. A bola entrou. Mas ele, matreiro, percebeu com o que podia contar. A seguir, foi a vez do esloveno honesto pisar a linha de baliza. Diz a lei do jogo que, num penálti, o guarda-redes não pode afastar-se daquela marca antes de a bola ser pontapeada. E o gigante de amarelo assim fez. Posicionou-se, adivinhou o lado para onde a bola ia, atirou-se, mas não chegou lá. Um a um.

Depois, o baixote português enfrentou outro gigante, mas paraguaio. Só que tinha um truque na manga. Quando Cardozo avançava para a bola ele aproveitou a corda que o árbitro lhe tinha dado e deu um passo para a frente e para o lado. Depois outro. E outro. Ao terceiro, já estava mais de um metro à frente da baliza e com isso conseguia reduzir o ângulo de remate. Assim, mesmo sendo baixote, era-lhe possível chegar a qualquer ponto da baliza. Atirou-se para o lado direito. E com uma mão afastou a bola. Depois foi para a zona lateral ver o esloveno honesto adivinhar outra vez o lado para onde o remate seguiu. Mas como não saiu da linha, mesmo sendo um gigante, não lhe conseguiu chegar.

Ao terceiro penálti, o baixote português sabia que podia fazer o que quisesse. Voltou a dar um, dois, três passos para a frente. Desta vez atirou-se para a esquerda e defendeu um novo remate. Cerrou os punhos, virou-se para os adeptos e gritou como se fosse um toureiro espanhol. Quando o gigante de amarelo continuou a cumprir as regras e a ver o adversário marcar, pela quarta vez, o baixote vestido de laranja foi abraçado pelos companheiros. Continuo a gostar mais do esloveno honesto. Mas foi o português matreiro quem levou a taça.

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Está na hora de matar o borrego

Olá rapazes,

No próximo domingo vocês vão ter o jogo das vossas vidas. Não é contra o Real Madrid. Nem contra o Bayern de Munique. Nem sequer contra o Barcelona. É contra o Olhanense. Sim. Contra a equipa que ocupa o último lugar do campeonato, que tem menos 41 pontos que vocês, mais 28 golos sofridos e menos 36 golos marcados. O Olhanense. Ainda assim, esse é o jogo das vossas vidas.

Não sei o que o Jorge Jesus vos vai dizer antes de entrarem em campo. Não sei se vos vai mostrar algum vídeo. Presumo que vá falar do adversário. Das qualidades e das fraquezas. Dos pontos fortes e das vulnerabilidades. Mas eu gostava mesmo é que ele vos mostrasse algumas imagens em vídeo. Não estou a falar das obras de arte Markovic e do Gaitan. Da técnica superior do Enzo. Dos cortes e golos do Luisão e do Garay. Das arrancadas portentosas do Salvio e do Rodrigo. Da artilharia do Lima e do Cardozo. Das defesas do Oblak e do Artur. Da maravilha do André Gomes.

O que eu gostava mesmo que ele vos mostrasse eram as imagens do golo do Kelvin. Do vosso treinador de joelhos. Da cabeçada do Ivanovic. Das lágrimas do Enzo, do Rodrigo e do Artur. Do desespero do Cardozo. Dos milhares de pessoas que vos seguiram pelos estádios do país e que acabaram lavadas em lágrimas devido à desilusão do ano horrível de 2013. Gostava que revivessem no vosso interior cada um daqueles momentos. Para vos lembrar aquilo por que passaram. Por que nós passámos. E não queremos voltar a passar.

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Gostava que ele vos mostrasse as imagens de Eusébio. O homem que se tornou um mito. Um símbolo do querer, da vontade, do sacrifício e do talento que faz com que essa camisola vermelha só possa ser merecida por alguns. O único homem que teve direito a uma estátua em frente ao estádio e por quem vocês usam essas faixas negras no equipamento. Porque, onde quer que esteja, ele vai estar a olhar para vocês junto a nós. Nós que vamos estar nas bancadas, em frente ao televisor ou com os ouvidos colados à rádio. Sim, no domingo, às 18h, um pouco por todo o mundo, milhões de pessoas vão estar de olhos postos nos ecrãs de cachecóis enrolados ao pescoço e com o coração nas mãos à espera daquele momento em que vamos poder saltar, gritar e chorar de alegria com um ano de atraso.

Mas para isso é preciso que vocês, os nossos soldados, vençam mais uma batalha. Já o fizeram vezes sem conta este ano. No início da época, contra tudo e contra todos, vocês foram capazes de se levantarem das cinzas e voltar a voar até ao lugar que é nosso por direito. Sim, nosso. Dos adeptos. Nós que todos os anos, jogo após jogo, enchemos o estádio. Nós que percorremos quilómetros e guardamos horas da nossa vida para vos ver usar essa camisola vermelha. Nós que nos emocionamos em frente ao televisor com uma jogada, um golo, uma vitória. Nós que passamos noites em claro quando as coisas não correm bem. Nós que passamos horas em filas para comprar bilhete para os grandes jogos. Nós que gastamos parte do nosso salário para pagar quotas. Nós que vos vamos aplaudir à saída do centro de estágio. Nós que vos vamos apoiar durante um treino. Nós que vos pedimos um autógrafo ou uma camisola. Nós. Os adeptos.

Ontem foi mais um exemplo do que acabei de dizer. Quando alguns julgaram que tinham voltado a cair no tapete, vocês deram uma enorme demonstração de talento e alma. E nós, nas bancadas em casa, nos cafés ou nos automóveis, nunca deixámos de vos apoiar. Nunca desistimos. Porque um benfiquista nunca desiste. Mesmo quando está em causa apenas um jogo. Sim, porque ontem não se passou nada de especial. Foi apenas mais uma partida. Ganhámos e isso significa que vocês vão ter mais um jogo pela frente. Para lutar. Por vocês. Por nós.

No domingo é diferente. Tudo aquilo por que, vocês, nós, passámos trouxe-nos aqui. Às 18h do próximo domingo de Páscoa. Durante 90 minutos vocês vão ter a possibilidade de ficar na História deste grande clube. De serem recordados para sempre como parte de um todo. Como os soldados de uma nação. Não percam esta oportunidade. A História está a passar à vossa frente. Vão agarrá-la. Por vocês. Por nós.

O Benfica e o Capitão que não devia estar fora de jogo

Olá Capitão,

Vi a reportagem que a SIC emitiu sobre ti na semana passada com um aperto no coração. Chamaram-lhe Fora de Jogo. É um bom título. Mas demorei quase uma semana a digeri-la. Não só por ti e pelo dramatismo a situação em que te encontras. Mas também pela forma como o meu clube tem tratado os poucos símbolos que lhe restam.

Vi-te com uma profunda tristeza. Recordo-me bem de ti. Da forma como honravas aquela camisola. Do teu ar altivo e imponente. E como te tornaste o “eterno” dono do número 2 ao longo de 15 anos. De certeza que não eras dos mais bem pagos do plantel. Mas não passavas necessidades. Pelo contrário. O dinheiro que ganhaste nesses anos dava para teres uma vida perfeitamente desafogada. Infelizmente acreditaste em pessoas que se diziam tuas amigas. Diziam. Não eram. A prova está à vista.

Tiveste ainda um azar supremo: foste uma vítima de um ser chamado Artur Jorge que afastou todos aqueles que podiam ter algum peso no clube. Naquela época chamavam-lhe mística. Hoje poucos sabem o que isso é. Ainda regressaste ao clube com o teu amigo Toni. Mas claro que não durou. Nem chegou.

Ao contrário do que acontece, por exemplo, naquela organização de malfeitores do norte do país, o Benfica nunca se celebrizou por tratar bem as velhas glórias. Os seus símbolos. Até o King enfrentou um período difícil. Lá no norte, alguns antigos jogadores, alguns, aqueles com história, acabam por ser integrados na estrutura do clube. Seja nas camadas jovens ou na equipa principal. Para além dos ensinamentos práticos, transmitem um modo de estar no futebol – no caso deles, o pior de todos, claro. Mas isso não importa.

Tu foste um dos últimos jogadores do Benfica que podia ostentar o título de símbolo. E deixaste de jogar há quase 20 anos. Depois de ti só três outros futebolistas poderiam chegar ao teu estatuto: João Vieira Pinto, Rui Costa e Nuno Gomes. O primeiro foi durante muito tempo o nosso “menino de ouro”. Mas foi expulso do clube por um malfeitor que conseguiu chegar à presidência e cujo nome não deve ser pronunciado. O segundo é o último verdadeiro produto da formação. Na verdade passou poucos anos de sénior no clube. Mas nunca escondeu o benfiquismo, acabou cá a carreira e, apesar de ter sido diversas vezes usado pela actual direcção como escudo protector, mantém um lugar na SAD. O último teve um azar semelhante ao teu: foi maltratado por um treinador que tem um qualquer problema com os jogadores portugueses e acabou por sair por uma porta que não era aquela que ele merecia.

Numa época em que a falta de referências para os jovens jogadores é tão grande, a presença de símbolos como tu é fundamental para aquilo que parece estar na moda: o desejo de ascensão de jogadores portugueses. Porque símbolos como tu sabem o que é preciso fazer para lá chegar. E podem transmitir aos mais novos o orgulho que é vestir aquela camisola vermelha.

Se eu fosse presidente do Benfica, em vez de dizer que tu não pediste ajuda, no dia seguinte à emissão da reportagem estava tocar à campaínha da tua casa (ou a telefonar-te, pronto) para te perguntar o que querias fazer. Porque não é por teres ido umas vezes ao estádio ali do lado ver os jogos do teu filho, que acabou por te abandonar, que o teu passado pode ser apagado. Para citar um benfiquista respeitável, tu foste daqueles poucos jogadores que honraram a camisola do Benfica tanto quanto ela te honrou a ti. Erros todos cometemos. E quem pode censurar-te por apoiares o rapaz, teu filho, que foi desdenhado pelo nosso clube? Eu não. Para mim nunca serás apenas o António Veloso. Serás sempre “O Capitão”. O último da tua espécie. E o teu lugar é no Estádio da Luz. Dentro do jogo. 

“Se Ronaldo curasse a gripe, Messi curaria o cancro.”

Hoje escreveu-se muito sobre a Bola de Ouro ganha ontem por Ronaldo. Mas poucos o fizeram tão bem como Rob Smyth no The Guardian. Sobre a rivalidade com Messi, ele escreve: “Às vezes parecia que Ronaldo não podia ganhar. Se marcasse quatro, Messi marcaria cinco. Se ele curasse a gripe, Messi curaria o cancro.” Percebem-se as lágrimas. Brilhante.

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Ballon d’Or: Ronaldo rewarded for making miraculous mundane

Few believed any player would reclaim the Ballon d’Or from Lionel Messi but one man always did

Cristiano Ronaldo has banged his head against the brick wall for four years; now the brick wall has given way. Ronaldo was apparently doomed to be forever tortured and defined by the achievements of Lionel Messi. By regaining the Ballon d’Or from Messi, and winning the award for the first time since 2008, he has provided emphatic confirmation that he is one of football’s all-time greats.

He almost collected the award as a Manchester United player. After being crowned at an endearingly overblown ceremony in Zurich, Ronaldo confirmed he had considered returning to Old Trafford in the summer. “It is true Rio [Ferdinand] and I spoke a lot,” he said. “Rio is a great friend of mine. We were neighbours when I was in Manchester. He is a fantastic guy and he tried to change my mind and go back to Manchester. I did think about United. They are still in my heart. I love that club.”

It was an emotional night for Ronaldo, who was tearful when he received the trophy. “It means a lot to win this after Eusébio’s passing,” he said. “I dedicate this award to him and my team-mates. He was watching from the skies to see this great moment for a Portuguese player. When I saw my mum crying it made me cry as well. I’m an emotional person. It is very difficult to win this award.”

Ronaldo’s victory is a triumph for strength. The physical part we know about. The cliché that he is a freak of nature has not changed its essential truth. Ronaldo is a cross between Dixie Dean and Usain Bolt. He scores goals in quantities which, since Dean’s era, have only really been seen on bright screens in musty bedrooms, including headers so classically immense that it feels as if they should be shown in black and white. Yet he can also cover 96 metres in 10 seconds while wearing football boots, as he did against Atlético Madrid in 2012.

For all that, Ronaldo’s physical prowess is perhaps dwarfed by his mental strength. He has overcome myriad obstacles to win the Ballon d’Or. The words would invite ridicule if they ever came out of his mouth but it is not always easy being Ronaldo. His career has been conducted against a backdrop of suspicion and sniping. He is often unloved, even by his own fans, and his public perception reached a nadir last year when he was ridiculed by Sepp Blatter, which was like being called hapless by Frank Spencer. Many see him as selfish and self-obsessed to the point of having a messiah complex.

You could certainly understand if he had a Messi complex. He has to endure constant discussion of Messi’s apparent superiority, as a footballer and even as a human being. At times it seemed Ronaldo could not win. If he scored four, Messi would score five. If he cured the common cold, Messi would cure cancer. Ronaldo’s most impressive feat is not to usurp Messi; it is to believe he could do so in the first place. Yet Messi is one of only three apparently unbeatable opponents Ronaldo has had to contend with. He has taken on Messi, Barcelona and Spain, at times single-footedly. Part of that challenge broke even José Mourinho; Ronaldo continues to come back for more. One nemesis down, two to go.

Nor has he escaped football’s vicissitudes since moving to Madrid. He missed a penalty in a Champions League semi-final shootout against Bayern Munich; he didn’t even get to take one against Spain in the semi-final of Euro 2012. His peak years have coincided with football recognising small as beautiful after decades of the opposite view. He could be excused for thinking fate had a sadistic vendetta against him.

It is in that context that we should understand Ronaldo’s achievement. He is a monument of conviction. Any other footballer would have consciously or unconsciously surrendered to an apparently irresistible logic. Anyone else would have relaxed and regressed towards the mean.

Instead, Ronaldo ensured an excess of 50 goals a season became the mean. In 2013 he even progressed away from that, scoring 69 times for club and country. He has turned ‘Oh I say!’ moments into ‘Oh’ moments. Oh, Ronaldo’s scored another hat-trick. Oh, Ronaldo’s scored from over 40 yards in the quarter-finals and semi-finals of the European Cup (as he did in 2009). Oh, Ronaldo’s scored his 50th of the season. He has made the miraculous mundane.

Then again, greatness has always been a fusion of the spectacular and mundane. Ronaldo’s success is as much about his immaculate professionalism as his natural skill. He is a freak of nature but also a freak of nurture, fuelled by an almost demented ambition to achieve everything he possibly can.

He has already achieved so much as to merit inclusion in any discussion of the greatest footballers ever. Yet when World Soccer magazine asked a series of experts to pick their greatest XI last year, Ronaldo was nowhere near the side. He got seven votes: Maradona received 64, Pelé 56, Johan Cruyff 58 and Messi 46. Ronaldo picked up fewer than, among others, Roberto Carlos, Cafu, Garrincha, George Best and the other Ronaldo.

Perhaps his sheer efficiency does not appeal to romantics. Perhaps his remorseless consistency doesn’t stir the soul. Perhaps people just don’t like him. But to paint him as a robotic achiever does not do justice to his his genius. Ronaldo is a footballer like no other. He has a good case for being the most three-dimensional of football’s true greats: almost half his goals in 2013 were scored with either his head or left foot.

While he did not, as some have suggested, patent the wobbling, beach ball free-kick, he is now most commonly associated with a technique he has mastered. He has also obliterated the accepted parameters of the wide forward. The primary reason for that is that he has scored goals in industrial quantities. Of course Ronaldo is a flat-track bully; there has never been a great player who was not. He has also become a rough-track bully, challenging the perception that he doesn’t produce in big games. It was not always so, but now Barcelona and Spain fear him more than he fears them.

That’s not the only perception Ronaldo has changed down the years. It seems ridiculous now, but he was once regularly damned as having no end product. When he started at Manchester United, he was a fantasy footballer but not a Fantasy Footballer. He dizzied defenders with stepovers that left them with twisted blood and brain cells, yet the Fantasy Football currency of goals and assists eluded him. In his first three seasons at Old Trafford he scored just 27 goals; in the final three, 91. Then, at Real Madrid, he went further. In four and a half seasons he has scored 230 goals in 223 games.

As his goalscoring gradient has gone in one direction at Madrid, so his medal haul has gone in the other. In a sense Ronaldo had a disappointing 2013; all he won was the Ballon d’Or. Real Madrid won nothing. In four-and-a-half years in Madrid he has claimed few big prizes: one La Liga title, no Champions Leagues, one Ballon d’Or and no Player of the Year awards in Spain. (The Spanish league effectively had to invent a new award, the MVP, for him to win something, although Messi was the Best Player again.)

There will always be those who feel personal awards are enough to sustain Ronaldo. It is a simplistic perception of a man whose obvious lust for personal glory only exists in the context of an even greater lust for team glory. The two are inextricably linked.

The moments after a goal has been scored are when a footballer is emotionally naked; the celebration never lies. Ronaldo’s reaction when a teammate scores a vital goal is not that of a man in it for himself. When Manchester United won the Champions League in 2008 despite Ronaldo’s penalty miss a few minutes earlier, he burst into tears that were one part relief, 10 parts joy.

That’s not to say he is unselfish. Or that he doubts his worth: last night he thanked his fans on Facebook by posting a video of himself. His arrogance can be preposterous, but then that’s just another reason why he belongs in the company of Cruyff and Maradona among others. If greatness is to be achieved, arrogance is a preference. Ronaldo’s selfishness is also partially born of the logic that he is by far the best equipped to make his team win.

Many of Ronaldo’s goals for Madrid have been scored in the knowledge that they are not going to help win a trophy. Despite that, his output has not diminished. In sport, futile excellence can be the most impressive of all, whether it comes from a surfeit of personal pride, an endless well of professional pride or, more likely, a combination of the two.

Even Ronaldo’s defining achievement of 2013 – a performance for the ages to beat Zlatan Ibrahimovic in international football’s first one-a-side game – was not to win a trophy but to avert the unthinkable of Portugal not qualifying for the World Cup. Even if Ronaldo wins the Ballon d’Or for the next five years, he will not retire happy unless he wins more trophies. The world player of the year award is not enough.

Ronaldo is nearly 29 and may be approaching his last World Cup; by 2018 he will have played for 15 years, with few injury breaks and goodness knows how many miles on the clock. There is also a new superpower, Bayern Munich, to sit alongside Spain and Barcelona. But Ronaldo will keep banging his head against the brick wall until the brick wall gives way, as it did in Zurich on Monday night. In Ronaldo’s mind the Ballon d’Or is not his crowning glory. It is the start of the defining phase of his career.

Cristiano Ronaldo ganhou e chorou. Humanizou-se

Posso estar enganado, mas as lágrimas sinceras de Cristiano Ronaldo serão o melhor antídoto para todos aqueles que acham que Messi é um bom rapaz e ele apenas um pintas “robótico”. Para já é o melhor do mundo. Parabéns.