O Estado Islâmico e as mulheres Yazidis: casamentos forçados e escravatura

No mais recente número da revista Dabiq, o Estado Islâmico publica um artigo onde admite pela primeira vez ter escravizado e forçado mulheres Yazidis a casar com militantes do grupo terrorista. O artigo chama-se “The Revival of Slavery” e, na prática, confirma um relatório da Human Rights Watch elaborado com base em testemunhos de mulheres que conseguiram escapar e de familiares de prisioneiras.  

Leitura para o fim-de-semana: o sítio onde os opositores vão para a jaula dos macacos

Há 25 anos que o Uzbequistão é governado por Islam Karimov. Neste quarto de século, os abusos de poder, violações de direitos humanos e repressão sobre opositores e jornalistas tem sido constantes. Agora, no momento em que divulgou um relatório sobre os principais presos políticos do país, a Human Rights Watch conta a história de um deles: Sanjar Umarov.

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WITNESS: SURVIVING THE MONKEY CAGE – SANJAR’S STORY

By Amy Braunschweiger

Sanjar Umarov lifted his pants legs and rolled down his socks to show the scars that criss-crossed his ankles. Umarov, a former political prisoner from Uzbekistan, said the scars served as a permanent reminder of his time in the “monkey cage,” a cell that left prisoners exposed to the outdoors. His first time in that cell, the frigid winter almost killed him. He and the other prisoners, wearing only lightweight shirts and pants, rocked back and forth to keep warm and stay alive.

The second time, it was his fellow prisoners who almost did him in. Guards threw him in the cage after Umarov refused to sign a confession saying the United States gave him $20 million to overthrow Uzbekistan’s government. Other prisoners in the cell were ordered to make him sign. They beat him, broke his thumb, and choked him, damaging his vocal chords and leaving him with a permanently gravely voice. Once they had him on the ground, they repeatedly jumped on his ankles, which were shackled in metal cuffs.

Before he was imprisoned on trumped up charges, Umarov was a leading businessman in Uzbekistan, helping found the country’s main telecom network. He had entered politics gradually, quietly supporting a political party that hoped to help poor farmers in the country’s almost feudal cotton sector. But he grew impatient with the slow pace of change and formed his own opposition party.

Within the year, Umarov was arrested and charged with economic crimes he didn’t commit.

This is par for the course for Uzbekistan’s political prisoners. The country has been ruled for 25 years by Islam Karimov, the Communist Party boss under the former Soviet Union. Under his autocratic rule, a wide-array of Uzbek citizens – including journalists, political opposition activists and religious figures – have been imprisoned in terrible conditions, including beatings and torture, a new Human Rights Watch report shows. Uzbek officials have a particularly cruel practice of extending prison sentences shortly before a prisoner expects to be freed, for reasons as ridiculous as “peeling carrots the wrong way” or “failing to lift a heavy object.”

Umarov in large part credits international pressure for his release from prison. But in general international pressure on Uzbekistan has been sorely lacking. The United States and European Union have consistently appeared reticent to push Uzbekistan to release political prisoners, as the country provides an essential supply route to reach US and NATO troops in Afghanistan. The withdrawal of forces from Afghanistan this year may change this equation, and the world should not keep turning a blind eye to Uzbekistan’s rights abuses.

It’s easy to see why Uzbekistan’s government could fear Umarov’s influence. Even now, with his torture scars and gravelly voice, he speaks with assurance, exuding the charisma and warmth of someone people naturally want to follow. His black hair is fading to gray in the front, and when he smiles or laughs, which is frequently, the tanned skin around his eyes wrinkles pleasantly.

Umarov had studied physics, but when the cold war ended, he saw opportunity in the need to modernize his country. He helped found Uzbekistan’s leading communications company, developed venture capital projects in its energy and transport sectors, and founded an international business school in Tashkent, Uzbekistan’s capital.

When he began dabbling in politics, around 2003, Umarov secretly helped fund the Free Peasant opposition party. Profits from growing cotton dominate Uzbekistan’s economy and fund the government. Farmers are forced to grow cotton and sell it to the government dirt-cheap. Each year the government forces about 2 million people – including doctors, teachers and children – to pick the crop, without pay.”

O trabalho infantil nas produções de tabaco norte-americanas

Estamos habituados a ver histórias de violações de direitos humanos em países considerados subdesenvolvidos. Mas muitas vezes esquecemo-nos de olhar para nós próprios. O chamado primeiro mundo, onde também há situações inaceitáveis. Nos Estados Unidos, por exemplo. Este vídeo da Human Rights Watch denuncia situações de trabalho infantil em quintas de produção de tabaco. A organização entrevistou 140 crianças – alguma com nove anos – que contaram a sua história e como são expostos a pesticidas tóxicos. É uma história “made in USA”.

Coreia do Norte: um murro no estômago (parte dois)

No mesmo dia em que o relatório da comissão de inquérito da Organização das Nações Unidas à situação dos direitos humanos na República Popular Democrática da Coreia – ou simplesmente Coreia do Norte – foi divulgado, a Human Rights Watch apresentou um vídeo feito com base no testemunho de vítimas e dissidentes. São relatos impressionantes.

Egipto: uma revolução pouco amiga das mulheres

Entre 30 de Junho e 3 de Julho – quatro dias – pelo menos 91 mulheres foram abusadas ou mesmo violadas na Praça Tahir, no Egipto. Há muito que a Human Rights Watch tem documentado o problema nas ruas do Cairo. Este novo vídeo conta as histórias de algumas das mulheres que foram atacadas – algumas em Janeiro.

Como a CIA colaborou com Khaddafi

Os serviços secretos americano e britânico colaboraram na captura de inimigos do regime de Muammar Khaddafi. Tortura e detenções ilegais foram alguns métodos usados. Esta é uma reportagem do The Bureau for Investigative Journalism, reproduzida pela Agência Pública.

Por Alice K Ross

O ex-presidente Bush e o director da CIA, Michael Hayden, afirmam que o waterboarding – técnica tortura que consiste em atirar água sobre o rosto de uma pessoa imobilizada, causando a sensação de afogamento – só foi utilizada em três prisioneiros.

Mas este número está a ser questionado por um dissidente libanês que alega ter sido vítima de waterboarding durante um interrogatório realizado pela CIA numa prisão secreta no Afeganistão.

Mohammed Shoroeiya contou à ONG Human Rights Watch que foi submetido à técnica de waterboarding inúmeras vezes durante um fatídico interrogatório no Afeganistão. Ele diz ter sido amarrado a uma placa de madeira e “depois eles começaram a atirar água… deitam água até você sentir que está a sufocar… E não paravam até receber algum tipo de resposta”, disse. Outro líbio também descreve ter sofrido “uma prática de sufocamento próxima do waterboarding” às mãos da CIA no Afeganistão.

Eles são alguns dos 14 entrevistados pela ONG Human Rights Watch para o relatório “Entregue em mãos inimigas“, que mostra como as agências de serviços secretos dos EUA e do Reino Unido prenderam dissidentes da Líbia por todo o mundo e os entregaram ao coronel Khaddafi. Muitos sofreram maus tratos antes de serem enviados de volta à Líbia, então comandada por Khadaffi.

Um dos detidos, Ibn al-Sheikh al-Libi, revelou informações durante um interrogatório da CIA que depois foram usadas para justiifcar a invasão do Iraque em 2003. Ele foi depois enviado para a Líbia, onde morreu na cadeia em 2009.

Cinco destes homens foram enviados para prisões secretas da CIA no Afeganistão, onde, durante dois anos, estiveram presos em celas sem janelas, foram espancados, acorrentados, ficaram em receber comida e foram mantidos acordados por longos períodos com música rock em altos berros. Nunca foram acusados formalmente de qualquer crime e no final foram enviados de volta à Líbia. Um deles diz ter estado preso numa cela em Marrocos.

Os relatos dos dissidentes são corroborados por documentos descobertos pela Human Rights Watch no escritório do chefe de inteligência de Khadaffi, Musa Kusa, após a queda do governo, que incluem faxes da CIA e do serviço secreto britânico, MI6, a avisar o governo da Líbia sobre as prisões dos dissidentes.

Dez dos 14 casos ocorreram pouco depois da reconciliação pública dos EUA e do Reino Unido com Khaddafi. Os detidos foram depois enviados de volta ao ex-ditador da Líbia apesar da reputação de torturas e detenções sem julgamento. Os documentos mostram que em dois casos os EUA pediram garantias diplomáticas de que os prisioneiros não seriam torturados – que foram solenemente ignoradas.

Em dois casos, as forças de segurança britânicas cooperaram com a CIA para sequestrar dissidentes líbios. Ambos foram amplamente divulgados após documentos serem revelados no último ano. Abdul Hakim Belhadj e Sami Mostafa al-Saadi, que depois foram enviados à Líbia, estão a processar o governo britânico.

A maioria dos entrevistados para o relatório eram membros do Grupo de Lutadores Islamistas Líbios, formado em oposição à opressiva e controversa repressão do governo de Khadaffi ao Islão.  Quase todos tinham fugido do país no final dos anos 80 e foram para o Afeganistão lutar contra os soviéticos – uma luta apoiada pelos EUA – e também receber treino para lutar pela sua causa.

Mas, como mostra o relatório, depois do 11 de Setembro de 2001, os EUA não se preocupavam em distinguir entre militantes islâmicos que lutavam contra os EUA dos que defendiam outras causas. Assim, muitos dos dissidentes dos regimes autoritários do Médio Oriente foram presos em países como Hong Kong, Malásia e Mali. Eles foram transportados entre países asiáticos e do Médio Oriente para Guantánamo, onde ficaram sob custódia americana durante anos.

A investigação da Human Rights Watch contradiz com descrições detalhadas a posição oficial dos EUA sobre o uso de técnicas de tortura depois de 11 de Setembro.

Clique aqui para ler o relatório da Human Rights Watch report, “Entregue em mãos inimigas”. E clique aqui para ler a reportagem original, em inglês.

 

A morte de um ditador

Há exactamente um ano, Muammar Khaddafi era capturado e morto pelas forças rebeldes na batalha de Sirte. O governo de transição prometeu esclarecer as circunstâncias em que o ditador foi assassinado. Não cumpriu. Agora, a Human Rights Watch (HRW) anunciou ter recolhido provas que implicam as milícias na aparente execução de dezenas de partidários do ex-líder líbio.

No relatório de 50 páginas, Death of a Dictator: Bloody Vengeance in Sirte, a HRW descreve ao detalhe as últimas horas de vida de Khaddafi e as circunstâncias em que ele foi assassinado. Prova ainda que os homens do coronel foram desarmados e depois espancados. Pelo menos 66 acabaram por ser executados no hotel Mahari. As provas indicam também que o filho de Kaddafi, Mutassin, foi levado de Sirte para Misrata e assassinado.

As provas colocam em causa a versão oficial dos acontecimentos, que dizem que Muammar e Mutassim Khaddafi morreram em combate. Há vídeos que mostram o ditador líbio a ser capturado vivo e a sangrar de uma ferida na cabeça. Nas imagens, vê-se Khaddafi a ser espancado e esfaqueado com uma baioneta. Quando é colocado numa ambulância, meio nu, parece estar morto.

Mutassin também terá sido capturado vivo quando tentava escapar ao cerco das milícias. Foi ferido e levado para a base de Misrata onde foi filmado numa sala, a fumar e a beber água enquanto discutia com os carcereiros. À noite, o seu corpo era mostrado com uma ferida no pescoço.