Os ódios fáceis

Aconteceu nos últimos dias. Duas vezes. Ambas relacionadas com EUSÉBIO. A primeira vítima foi José Sócrates (não me diz muito): depois de dizer na RTP que se lembrava de assistir ao relato do jogo entre Portugal e a Coreia do Norte, em 1966, quando ia a caminho da escola, o ex-primeiro-ministro foi acusado nas redes sociais de mentir com quantos dentes tinha. Porquê? Porque o jogo foi a 23 de Julho, um sábado – e à tarde.

Ontem passou-se o mesmo com o Benfica (já me diz muito). Foi posta a circular na internet uma fotografia com um segurança a segurar vários cachecóis do Sporting. Rapidamente o clube foi acusado de estar a desrespeitar todos aqueles que, sendo adeptos de outra agremiação, tinham ido prestar homenagem ao jogador.

Em ambos os casos as mensagens estavam carregadas de ódio e de insultos. Mas afinal parece que nenhuma teria razão de ser. Ainda ontem, horas depois de a imagem ser partilhada nas redes sociais, o Benfica explicou que algumas pessoas tinham tentado vandalizar os cachecóis de outros clubes colocados junto à estátua de EUSÉBIO. Por isso, alguns estavam a ser removidos até ser construída uma estrutura que protegesse a estátua e as ofertas de adeptos de todos os clubes. Quanto a José Sócrates, parece que afinal, não só em 1966 haveria aulas de manhã como à tarde os alunos tinham actividades escolares. Mais: as aulas só terminavam no fim de Julho. 

Ou seja, nem Sócrates (diz-me pouco) nem o Benfica (diz-me muito) eram culpados. Pelo contrário. Culpados são todos aqueles que assumem que tudo o que lêem na internet é verdadeiro. E não hesitam em comentar, criticar, acusar, insultar sem ter a certeza de o que está em causa é verdadeiro. Ou de reflectir um pouco. É o mais fácil. É por isso que a internet é uma coisa maravilhosa. Está acessivel a todos. Mas é preciso ter cuidado. Nem tudo o que por aqui anda é verdadeiro.

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