Fraude fiscal, tráfico de drogas, armas, pessoas, subornos, guerras, mortes, tudo isto é revelado no gigantesco esquema montado por uma firma no Panamá, cujos ficheiros estão a ser agora divulgados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação – que em Portugal teve a participação do Expresso. Well done.
Paraísos fiscais. Contas offshore. Testas de ferro. Todas estas expressões, que regularmente saltam para as primeiras páginas da imprensa portuguesa devido a processos judiciais – como os casos Monte Branco, BPN ou Furacão –, voltaram à ribalta com um dos maiores trabalhos de jornalismo de investigação de sempre. Secret for Sale: Inside the Global Offshore Money Maze, uma colaboração do International Consortium of Investigative Journalists, expõe 120 mil empresas, fundos de 130 mil pessoas, bem como negócios de políticos e milionários em mais de 170 países. Mas o que significam exactamente as expressões que dão início a este posto? Como funcionam os paraísos fiscais? Onde ficam? As respostas estão neste vídeo de 3m41s.
É uma das maiores investigações transfronteiriças da história: 86 jornalistas, de 46 países, trabalharam juntos nos últimos 15 meses para desmontar o mundo impenetrável dos paraísos fiscais. Realizada a partir de 260 gigabytes de informação – 2.5 milhões de ficheiros – entregues ao director executivo do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), a investigação Secret for Sale: Inside the Global Offshore Money Maze revela segredos de 120 mil empresas offshore e fundos de cerca de 130 mil pessoas e expõe negócios de políticos, falsos artistas e milionários em mais de 170 países. A maioria estão baseados nas Ilhas virgens britânicas, nas Ilhas Cook e Singapura.
Entre as principais descobertas desta investigação – até agora – estão o uso massivo por parte de bilionários de offshores para comprar mansões, iates e obras de arte, a cumplicidade por parte dos principais bancos mundiais, bem como a o uso de offshores por parte de governantes e dos seus familiares. Entre os países com algum tipo de envolvimento no caso estão África do Sul, Alemanha, Argentina, Arménia, Austrália Azerbaijão Belgica, Brasil Bulgária Canada, Chile, Colômbia Costa Rica, Croacia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Geórgia, Grécia, Holanda, Índia, Irlanda, Itália, Japão, Kosovo, Letónia, Malásia, México, Moldávia, Nova Zelândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Paraguai, Filipinas, Reino Unido, Roménia, Rússia, Sérvia, Singapura, Sri Lanka, Suécia, Suíça, Tailândia, Ucrânia e Venezuela. Até agora, Portugal está de fora.