A batalha pela neutralidade na internet

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VoIP, Net Neautrality, and the FCC

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A privacidade violada

Jennifer Lawrence está de rastos. Kate Upton, também. Tal como dezenas de outras celebridades (umas mais do que outras) norte-americanas. Todas mulheres. Não é para menos. Um hacker terá conseguido entrar no sistema de armazenamento virtual da Apple, o iCloud, e roubado centenas de fotografias íntimas das mulheres para depois as partilhar na Internet. É a história do momento das últimas 48h. Os contornos do roubo ainda não estão totalmente esclarecidos. O que é certo é isto: as imagens começaram por ser colocadas no site de partilha de ficheiros 4Chan e rapidamente foram descarregadas e replicadas em centenas de sites que têm sido sucessivamente encerrados pelas autoridades. Não importa: por cada um que fecha, vários são abertos. O que significa que as fotografias destas mulheres serão perpetuadas na Internet e em discos externos. Para sempre. Sim, as fotos que aquelas celebridades tiraram – umas intimas, outras exibicionistas, outras explícitas – na sua privacidade ficarão para sempre ao dispor de uma pesquisa na Internet. Outra vez: para sempre.

Elas são as mais recentes (não as primeiras, nem sequer as últimas) vítimas da curiosidade humana que nos impele a ver ou provar aquele que é desde sempre chamado o “fruto proibido”. Porque as imagens que não é suposto serem vistas são aquelas que mais queremos ver. Os segredos que queremos saber. Uns dirão que espreitaram as fotografias por simples curiosidade. Outros para ver se as mulheres são realmente como aparecem nas revistas. Outros para ver se são realmente verdadeiras. Outros por puro voyeurismo. Outros porque sim, porque um colega estava a vê-las e resolveram espreitar. As justificações são infinitas. É a natureza humana. Aquela que nos faz ver o telelixo que nos é oferecido e que leva programas como a Casa dos Segredos para o top das audiências. Nem que seja para ver (lá está, ver) o quão mau aquilo é. Para o podermos dizer. Comentar. Maldizer.

Para perceber o que elas estarão a passar basta fazer um exercício. Todos temos irmãs, filhas, mães, amigas. O que lhes aconteceria, o que passariam, se imagens semelhantes fossem parar à Internet para todos verem? Mau, não é. Pausa para um exclusivo mundial: por baixo das roupas, todas as mulheres (e homens) estão nuas. Em Portugal isso aconteceu com a actriz (o que é feito dela?) Carla Matadinho. Antes tinha acontecido com os vídeos do arquitecto Tomás Taveira (felizmente para ele e para as mulheres que lá apareciam, numa era pré-internet). Em ambos os casos deverá ser possível encontrar as imagens e os vídeos na Internet. Lá está: para sempre.

Tenho pena da colecção de celebridades que viram a sua privacidade exposta. Ainda assim, elas tiveram um privilégio que a maioria das mulheres cujas fotos pessoais vão parar à Internet não têm: as autoridades entraram em campo. Tal como aconteceu no caso das fotos de Scarlett Johansson, é provável que o culpado venha a ser apanhado e condenado. E isso não acontece todos os dias. Pausa para novo exclusivo: diariamente, milhares de fotografias privadas de mulheres anónimas são colocadas na Internet. Seja por vingança de um ex-namorado, devido ao ataque de um hacker ou na sequência de um roubo de um telemóvel ou computador. E elas não têm a polícia a tentar apagar as suas imagens ou a perseguir os culpados. A probabilidade de que ninguém lhes ligue é grande. Melhor: é enorme. Mais do que das celebridades, habituadas a uma certa exposição e curiosidade em redor da sua vida privada, é destas mulheres anónimas sem meios de defesa que tenho pena. Porque elas não têm a possibilidade de apagar as imagens guardadas nos computadores dos vizinhos, dos colegas de escola ou de trabalho. Terão de viver sabendo que elas existem e que, tal como no caso das celebridades,  podem ser vistas a qualquer momento, numa violação eterna da sua privacidade.

Não vale a pena dizer às mulheres para não tirarem este género de fotografias se não quiserem ir parar à internet. Isso não vai acontecer. É como dizer para não usarem mini-saias se não quiserem ser violadas: uma estupidez. Cada um tem direito a fazer o que quiser na sua privacidade. E tem também o direito a manter esses actos privados. Se condenamos as vigilâncias informáticas da NSA, como é possível ficarmos indiferentes ao roubo de imagens deste género? Não é. Trata-se de uma violação. Mais uma vez: uma violação. Os responsáveis pelo crime devem ser encontrados. E punidos.

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A vida online depois da morte

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Death in the digital age

Em defesa da neutralidade da internet

O mais recente episódio da Juice Rap News centra-se naquela que será uma das grandes discussões do futuro: a Neutralidade da Internet. What? O princípio de que governos e operadoras devem tratar todos os dados de igual forma, sem discriminar conteúdos, utilizadores, etc. Porque sim, há quem defenda a existência de velocidades e acessos diferentes. Mas qual a importância desta discussão para o futuro? Vejam

O primeiro vídeo do YouTube

Eram 20h27m de 23 de Abril de 2005. Nesse momento, Jawed Karim, um dos fundadores do YouTube, colocou online o vídeo “Me at the zoo”. São 19 segundos que mostram Karim em frente aos elefantes do Jardim Zoológico de San Diego. Porque é que é importante: foi o primeiro filme colocado online no site que é hoje o maior local de partilha de vídeos do mundo. Faz hoje 9 anos. E já foi visto mais de 14 milhões de vezes.

Leitura para o fim-de-semana: os espiões amadores que batem aos pontos os profissionais

Cerca de três mil pessoas espalhadas pelo mundo fazem parto do The Good Judgment Project. O que fazem? Através de pesquisas na internet dedicam-se a fazer previsões geopolíticas e geoestratégicas sobre os acontecimentos mundiais. E, de acordo com este artigo da NPR, são tão bons ou melhores do que os profissionais com acesso a informação classificada.

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The morning I met Elaine Rich, she was sitting at the kitchen table of her small town home in suburban Maryland trying to estimate refugee flows in Syria.

It wasn’t the only question she was considering; there were others:

Will North Korea launch a new multistage missile before May 10, 2014?

Will Russian armed forces enter Kharkiv, Ukraine, by May 10? Rich’s answers to these questions would eventually be evaluated by the intelligence community, but she didn’t feel much pressure because this wasn’t her full-time gig.

“I’m just a pharmacist,” she said. “Nobody cares about me, nobody knows my name, I don’t have a professional reputation at stake. And it’s this anonymity which actually gives me freedom to make true forecasts.”

Rich does make true forecasts; she is curiously good at predicting future world events.

Better Than The Pros

For the past three years, Rich and 3,000 other average people have been quietly making probability estimates about everything from Venezuelan gas subsidies to North Korean politics as part of the Good Judgment Project, an experiment put together by three well-known psychologists and some people inside the intelligence community.

According to one report, the predictions made by the Good Judgment Project are often better even than intelligence analysts with access to classified information, and many of the people involved in the project have been astonished by its success at making accurate predictions.

When Rich, who is in her 60s, first heard about the experiment, she didn’t think she would be especially good at predicting world events. She didn’t know a lot about international affairs, and she hadn’t taken much math in school.

But she signed up, got a little training in how to estimate probabilities from the people running the program, and then was given access to a website that listed dozens of carefully worded questions on events of interest to the intelligence community, along with a place for her to enter her numerical estimate of their likelihood.

“The first two years I did this, all you do is choose numbers,” she told me. “You don’t have to say anything about what you’re thinking, you don’t have to justify your numbers. You just choose numbers and then see how your numbers work out.”

Rich’s numbers worked out incredibly well.

She’s in the top 1 percent of the 3,000 forecasters now involved in the experiment, which means she has been classified as a superforecaster, someone who is extremely accurate when predicting stuff like:

Will there be a significant attack on Israeli territory before May 10, 2014?

The Superforecasters

In fact, she’s so good she’s been put on a special team with other superforecasters whose predictions are reportedly 30 percent better than intelligence officers with access to actual classified information.

Rich and her teammates are that good even though all the information they use to make their predictions is available to anyone with access to the Internet.

When I asked if she goes to obscure Internet sources, she shook her head no.

“Usually I just do a Google search,” she said.

And that raises this question:

How is it possible that a group of average citizens doing Google searches in their suburban town homes can outpredict members of the United States intelligence community with access to classified information?

How can that be?”

O artigo completo está aqui. 

Os guardiães da internet

Há sete pessoas espalhadas pelo mundo que guardam com todos os cuidados sete cartões que são, na verdade, sete chaves de acesso à internet. Todas juntas, elas formam uma chave mestra que controla o coração da web: o sistema de atribuição de domínios (domain name sistem – DNS). Sem ele, não seria possível ligar os endereços IP através de nomes. Teríamos de o fazer através de uma longa sequência de números. O The Guardian assistiu a uma das quatro reuniões anuais destes vigilantes da internet.