CPLP: mais países a caminho da organização

Depois da Guiné Equatorial, outros países com uma ténue ligação à língua portuguesa poderão entrar na CPLP. O aviso foi lançado hoje, pelo Jornal de Angola, o órgão oficial do regime angolano, num editorial que volta a criticar as “elites portuguesas” “preconceituosas”, “ignorantes e corruptas”, a propósito da oposição nacional à entrada do país liderado há 34 anos por Teodoro Obiang Nguema na organização.

“A grandeza da língua

O facto em si nada tem de marcante.Organizações que se formaram agregando países que falam a mesma língua receberam no seu seio Estados que não têm qualquer afinidade linguística. Moçambique faz parte da  Commonwealth e a Guiné-Bissau integra o bloco da Francofonia. Estes dois exemplos podem repetir-se às centenas.
O que marca a adesão da Guiné Equatorial à CPLP é o alarido feito por membros das elites preconceituosas portuguesas. Em Lisboa surgiram numerosas vozes contra a adesão. Muitas são daquelas que nunca chegarão aos céus. Mas entre os contestatários estão políticos e líderes de opinião que se dizem democratas. O que revela uma contradição insanável eivada de ignorância e uma tendência inquietante para criar um “apartheid” nas relações internacionais. De um lado os democratas puros, os fiéis. E do outro os impuros e infiéis.
Ninguém percebe donde vem a pureza e a fidelidade dos representantes das elites preconceituosas à democracia. Nem se compreende a soberba com que tratam a Guiné Equatorial e o Presidente Obiang. Em Lisboa é esgrimido um argumento muito débil: o país tem a pena de morte. Muitos estados dos EUA executam todos os dias condenados à pena capital e nem por isso os porta-vozes dessas elites querem expulsar o seu aliado da OTAN. Pelo contrário, quando Washington anunciou que ia sair da Ilha Terceira por já não ter interesse na Base das Lajes, todos se puseram de joelhos, implorando que a base aérea continue.
Outros parceiros políticos e económicos de Portugal têm a pena de morte e isso não impede que os portugueses façam grandes negócios e brindem em Lisboa com o sublime Vinho do Porto. Os argumentos, mais do que débeis, são primários. E mais do que isso: escondem hipocrisia e também muita pressuposição baseada em velhos conceitos coloniais.  A CPLP, já aqui o escrevemos, pode ter uma influência grande na política da Guiné Equatorial. O decreto presidencial que suspende a pena de morte até à produção de legislação que determine a sua abolição é um exemplo concreto dessa influência. Se a partir de agora o Governo daquele país se aproximar dos modelos constitucionais que vigoram nos outros Estados membros, então está justificada a adesão.
A questão da Língua Portuguesa também é levantada pelas elites portuguesas ignorantes e corruptas. A Guiné Equatorial adoptou o português como língua oficial, a par do castelhano e do francês. Portanto, esse argumento deixou de valer a partir desse momento. Mas nunca valeu mais do que a caspa que povoa as ideias dos contestatários portugueses à adesão daquele país à CPLP.  Explicamos pormenorizadamente.
Parte do território da Guiné Equatorial já foi colónia portuguesa. Só no século XVII passou para a soberania espanhola. A ilha de Fernando Pó recebeu o nome do navegador português que lá aportou. A Ilha de Ano Bom (Ano Novo) está nas mesmas condições. Mas na pequena ilha está um tesouro da lusofonia: fala-se crioulo (fá d’ambô) que tem por base o português arcaico e que chegou quase incólume aos nossos dias.
As ilhas da Guiné Equatorial, está provado, foram povoadas por escravos angolanos. Nós queremos ir lá render homenagem aos nossos antepassados. Agora que Fernando Pó e Ano Bom fazem parte da CPLP,  mais facilmente podemos cumprir esse dever. Mas sem a companhia das elites estrábicas, que nem sequer foram capazes de defender a dulcíssima Língua Portuguesa do Acordo Ortográfico.
Os angolanos querem saber mais sobre a Língua Portuguesa e na ilha de Ano Bom, território da CPLP, temos muito que investigar a cultura. Os portugueses deviam ter o mesmo interesse, mas pelos vistos só estão interessados em dar lições de democracia, quando dentro das suas portas há crianças a morrer de fome.
Os Media em Portugal praticam diariamente atentados contra a Língua Portuguesa. Nos jornais já se escrevem mais palavras em inglês do que em português. Nas rádios e televisões a situação é ainda pior. Escrever e falar o português contaminado de anglicismos e galicismos é uma traição a todos os que falam a língua que uniu os países da CPLP.
A Guiné Equatorial já está a preparar o ensino da Língua Portuguesa. Dentro de pouco tempo, os novos parceiros da CPLP vão falar melhor do que as elites portuguesas preconceituosas. O mesmo vai acontecer quando outros países que tiveram contacto com o português no advento dos “descobrimentos”, entrarem para a organização.
Os portugueses têm um grande orgulho na expansão marítima da qual resultou o seu império. Mas agora há países e povos que guardam a memória desse passado comum e querem pertencer à CPLP. Alguns  renegam esse passado e opõem-se ao alargamento da organização. São demasiado pequenos para a grandeza da Língua Portuguesa.

Para que fique bem claro

Como era de esperar, o editorial de hoje do Jornal de Angola traduz, se é que era necessário, o discurso de ontem de José Eduardo dos Santos. É uma declaração virada, sobretudo para o interior, que exalta o nacionalismo angolano em oposição às empresas estrangeiras e com um recado muito claro para Portugal: tratem de calar o Ministério Público. Resta saber se desta vez também há alguma “surpresa” no governo.

fotografia (26)“A Nação é assim

O Presidente da República falou ontem aos deputados sobre o Estado da Nação. O discurso é um marco histórico na cena política, porque pela primeira vez José Eduardo dos Santos denuncia corajosamente as fontes das intrigas e calúnias que diariamente são lançadas para manchar a honra de altas figuras do Estado.

A chamada comunidade internacional exigiu que Angola enveredasse pela democracia representativa e pela economia de mercado.
Como os resultados não agradam, os subterrâneos da propaganda entram em acção.
O Presidente José Eduardo dos Santos chama a estas campanhas, manobras de intimidação. Mas aconselha os angolanos a que não se deixem intimidar. Para muitas organizações ocidentais, um africano rico só pode ser corrupto. Mas têm que se habituar à realidade exposta pelo Chefe de Estado, revelada no discurso do Estado da Nação. Os empresários angolanos precisam de músculo financeiro. Angola precisa de uma classe que acumule capital. De resto, todo o mundo ocidental fez isso há muitos séculos e essa é a base do sistema que hoje está implantado no mundo. Por que haveríamos se ser nós diferentes? Não há igualdade de direitos?
Angola tem os seus ricos e todos esperamos que haja cada vez mais. Os fomentadores do sistema exigiram que Angola aderisse à economia de mercado. Aí está ela| Mas quem fez essa exigência tinha uma ideia: dominarem eles o mercado angolano e mandarem na nossa economia. Enganaram-se redondamente. Os angolanos comandam a economia e dominam o mercado. O Presidente José Eduardo dos Santos neste aspecto foi lapidar: as grandes empresas multinacionais que operam em Angola registam lucros de milhares de milhões todos os anos. E mesmo assim não querem a concorrência dos empresários angolanos.
Mais uma causa perdida. Já existem empresários angolanos com músculo financeiro para concorrerem em todos os domínios, com as grandes multinacionais. E como são angolanos, é natural que tenham direito de preferência em relação aos estrangeiros. Como não é nenhum escândalo se forem privilegiados nas relações comerciais e financeiras. Os representantes dos grandes interesses financeiros mundiais têm de se habituar a esta realidade. Em Angola ninguém troca matérias-primas estratégicas por espelhos e missangas. Muito menos por elogios enganadores.
Os representantes dos grandes interesses internacionais não querem a concorrência dos empresários angolanos, mas têm que ter paciência. Ela existe, está sempre presente. No desespero, aqueles que levam de Angola milhares de milhões de lucros todos os anos, mandam também os seus agentes lançar calúnias contra altas figuras do Estado. Isso não pode ser. Tudo isso é demasiado primário para ser levado a sério, mas como o problema existe, é preciso enfrentá-lo e combater as suas consequências nefastas.
O Presidente José Eduardo dos Santos não hesitou: e anunciou que é preciso ponderar a cooperação estratégica com Portugal, país onde são cozinhadas todas as campanhas contra a honra e o bom-nome de altas figuras do Estado. Os portugueses reconhecem que é impossível impedir o Ministério Público de violar gravemente o Segredo de Justiça. Se num país democrático, num Estado de Direito, os criminosos são impunes e podem caluniar e desonrar altas figuras do Estado Angolano, então não há condições para prosseguir uma parceria estratégica. Se em Portugal titulares do Poder Judicial podem violar o Segredo de Justiça para desonrar os nossos legítimos representantes, à boa maneira colonialista, então o melhor é os responsáveis políticos assumirem com coragem que Portugal não tem condições para se relacionar, de igual para igual, com Angola.
O Estado da Nação tem na paz e na estabilidade os seus pilares fundamentais. O Presidente da República aponta as mulheres e os jovens como as forças essenciais do país que estamos a construir. Está em construção uma “plataforma de diálogo” para salvaguardar os interesses da Nação.
Angola tem rumo e está no bom caminho. O FMI reviu em baixa o crescimento do PIB mundial, para 3,1 por cento. Os países emergentes (BRICS) estão num crescimento moderado. A União Europeia está a afundar-se cada vez mais na crise financeira. Os EUA ameaçam o sistema de bancarrota. E em Angola este quadro internacional fez estragos.
Os rendimentos do petróleo estão nos 5,6 por cento, muito abaixo dos 17,7 por cento previstos. Apesar deste quadro desfavorável o PIB vai crescer este ano 5,1 por cento. A consolidação fiscal está em marcha desde 2009. Os investimentos nas infra-estruturas e no Estado Social são gigantescos. A inflação nos oito primeiros meses deste ano ficou nos 5,38 por cento. Avança a diversificação da economia e até 2016 ficam concluídos todos os projectos de água e energia.
Tudo isto ajuda a aumentar a riqueza, mas também a combater a pobreza, o objectivo maior da Nação Angolana.É este o Estado da Nação.”

A “reciprocidade” segundo o Jornal de Angola

Hoje o Jornal de Angola volta a lançar um ataque às elites portuguesas. Classifica-as de ignorantes e corruptas e acusa-as de atacar o poder legítimo de angola. Diz que os angolanos não insultam os portugueses e que, em vez disso, os recebem de braços abertos. Realça que José Eduardo dos Santos está legitimado pela força do voto e que Angola é uma democracia aceite por todos – menos pelas tais elites corruptas e ignorantes portuguesas. Depois exige reciprocidade, sobretudo no tratamento. Quanto aos insultos inexistentes basta ler isto. Sobre a honestidade do regime angolano, talvez seja bom ler isto. E sobre a reciprocidade no tratamento, esta também é uma boa leitura. Já o editorial do Jornal de Angola é este:

No último acto eleitoral, o primeiro na vigência da nova Constituição da República, o partido da maioria e o Presidente José Eduardo dos Santos tiveram mais de 72 por cento dos votos do eleitorado. Ganharam em todos os círculos eleitorais provinciais e têm na Assembleia Nacional uma maioria qualificada.
As forças da oposição procuram conquistar o apoio popular e fazem isso tentando capitalizar os sentimentos de insatisfação momentânea e o voto de protesto nas eleições. Mas a realidade mostra que a empreitada é difícil e elas são cada vez mais minorias com pouca expressão popular.
Este é o quadro existente em Angola mas que as elites portuguesas ignorantes e corruptas teimam em não reconhecer. Dessa obstinação resultam posições nada lúcidas e pouco inteligentes sobre a nossa realidade. Nos dias de desespero os dominadores da máquina mediática portuguesa sobem de tom e recorrem ao insulto reles e grosseiro contra os dirigentes angolanos eleitos pelo povo.
Para essas elites, que passam de regime em regime sempre na crista da onda, no antigo regime os angolanos que dirigiam a luta armada de libertação nacional eram terroristas. Se ousavam reivindicar a liberdade e a independência, eram presos, torturados e mortos. Foi assim até ao dia 25 de Abril de 1974. Hoje utilizam outras expressões para nos atacar.
Os dirigentes angolanos que proclamaram a Independência Nacional no dia 11 de Novembro de 1975 foram ignorados. As elites ignorantes e corruptas portugueses foram mais longe e fizeram tudo para derrubar o governo angolano. Serviam-se de todos os trânsfugas para atacar o poder legítimo em Angola. O caso mais chocante foi o de Jonas Savimbi. Era apresentado como um “herói da liberdade” mas os seus mentores de Lisboa e do apartheid sabiam que assassinava os companheiros de partido e queimava mulheres e crianças. Com ele, a barbárie atingiu em Angola o grau mais elevado da bestialidade.
Quando o representante das elites portuguesas ignorantes foi clamorosamente derrotado em eleições livres e justas, logo a comunicação social em Portugal praticamente sem excepção, agitou o espantalho da fraude. Angola não reagiu.
O Presidente José Eduardo dos Santos e o MPLA têm um fortíssimo e inegável apoio popular e isto não agrada a Portugal. Para iludir essa realidade, a comunicação social portuguesa, dominada pelas elites portuguesas corruptas e ignorantes, incluindo órgãos públicos como a RTP e a RDP, quando se referem a Angola falam do “regime de José Eduardo dos Santos” como falam do “regime de Assad”, do “regime do Irão” ou do “regime da Coreia do Norte” e do “ditador Mugabe”. É o ataque gratuito e desqualificado, mas mesmo assim, inadmissível vindo de um país amigo. O que diriam se falássemos de Portugal como o “regime de Cavaco Silva”, o “regime de Passos Coelho”, o “regime de Paulo Portas”. Alguém gostaria? Tudo na vida tem limites, até a falta de educação e de vergonha.
Os angolanos recebem de braças abertos e fraternalmente na sua pátria dezenas de milhares de cidadãos portugueses. As elites corruptas e ignorantes que dominam os órgãos de comunicação social de Lisboa ou são elas mesmas jornalistas, insultam e caluniam os políticos que elegemos.
É altura de começarmos a exigir reciprocidade. Não temos que considerar e respeitar quem nos destrata, desonra e injuria os nossos cidadãos e representantes políticos. Não podemos ficar indiferentes quando numa televisão portuguesa aparece um político desvairado, com o rosto deformado pelo ódio, dizer que no governo de Angola “estão os maiores ladrões do mundo”. Ou que um angolano de aluguer, feito novo Savimbi, repita essa monstruosidade no mesmo canal de televisão. Porque a maioria dos angolanos sente-se insultada. Até os que votaram nos partidos da oposição também não ficam satisfeitos.
É altura de dizer basta. A Bandeira, o Hino Nacional e o Presidente da República de Angola são os símbolos da nossa pátria. Não podemos admitir que em Portugal, políticos e jornalistas, intelectuais com ideias submersas em ódios recalcados não respeitem os nossos símbolos nacionais e desonrem os titulares dos nossos órgãos de soberania.
Os angolanos não insultam, não caluniam, não maltratam os políticos portugueses, estejam na oposição ou no poder. Respeitam o Povo Português. O mínimo que podemos fazer é exigir reciprocidade. Se de Portugal continuam a chover insultos e calúnias, não podemos continuar pacientemente à espera que a inteligência ilumine as elites portuguesas corruptas e ignorantes.
A resposta nestas circunstâncias só pode ser uma: reciprocidade.”

O ministro que é uma manchete ambulante foi defendido pelo Jornal de Angola

Rui Machete parece que não acerta uma. Depois da omissão da passagem pela SLN no curriculum, seguiu-se a novela sobre o número de acções que tinha e o preço a que as comprou. Quando essa tempestade acalmou, soube-se que tinha escrito uma carta a uma comissão de inquérito parlamentar a dizer que nunca foi accionista do BPN – um crime, portanto. Na semana o Diário de Notícias revelou que Machete pediu desculpas ao Estado angolano pelos processos judiciais instaurados contra altas individualidades do regime em Portugal. E ontem o Jornal de Angola publicou um artigo de opinião em sua defesa – algo que pode ter o efeito inverso, devido ao órgão de comunicação social em causa. Para um ministro dos Negócios Estrangeiros que devia ser um peso sólido no governo e um exemplo de discrição e diplomacia, o ex-presidente da Flad está-se a revelar uma verdadeira manchete ambulante. Este é o texto do Jornal de Angola. Chama-se “Criminosos portugueses contra as suas próprias vítimas” e é assinado por Álvaro Domingos.

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“Portugal está no centro de uma grave crise social e económica sem fim à vista. O Estado Social que nasceu com a Revolução de Abril tem sido friamente destruído pelas elites reinantes. Os fundos de coesão da CEE foram desbaratados por cleptocratas insaciáveis que à sombra de partidos democráticos se comportaram como vulgares ladrões sem sequer se disfarçarem com colarinhos brancos.

O Portugal que deu as mãos aos novos países que nasceram das suas antigas colónias está crivado de dívidas. Face ao esvaziamento dos cofres públicos, até as pensões e reformas dos idosos são confiscadas. Milhares de jovens quadros são obrigados a procurar em países estrangeiros o pão nosso de cada dia. Angola é um desses destinos. Como disse em entrevista a uma televisão portuguesa o Presidente José Eduardo dos Santos, são todos bem-vindos e têm o apoio e a solidariedade dos seus irmãos angolanos.
As elites portuguesas famintas de dinheiro entraram em desvario. À medida que a crise aperta, eles disparam em todas as direcções, atingindo por vezes membros do bando. À medida que a “troika” drena milhares de milhões de euros para os bolsos dos credores, as elites reinantes ficam sem cheta e tornam-se mais agressivas. E Angola é sempre o alvo destes deserdados dos dinheiros do depauperado Estado Português.
Se em Portugal alguém ousa lançar um pouco de água na fervura, é crucificado na praça pública e lançado às feras da SIC e de outros órgãos de informação onde falsos jornalistas obedientes aos donos fazem o papel aviltante de juízes de um Santo Ofício anacrónico e ridículo. Não se pode dizer que perdem a cabeça, porque nunca a tiveram, nem como ornamento.
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, fez uma declaração à Rádio Nacional de Angola sobre um episódio aviltante que devia encher de vergonha o Poder Judicial em Portugal. Órgãos de comunicação social portugueses fizeram manchetes “informando” que o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, estava a ser investigado em Portugal pelo Ministério Público. E deram pormenores do processo. Pouco tempo depois, a vítima foi o Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa. O Ministério Público em Portugal é titular da investigação e acção penal. Portanto, estas notícias só podem ter sido dadas por essa instituição.
Face às reacções indignadas contra tão graves crimes de que estavam a ser vítimas os cidadãos Manuel Vicente e João Maria de Sousa, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) emitiu um comunicado onde informou que existiam investigações mas ninguém tinha sido constituído arguido.
O Ministério Público e a Procuradora-Geral da República, Joana Vidal, nunca mais se dignaram falar do assunto. E tinham que fazê-lo. Porque se exigia, no mínimo, que fosse investigado isto: quem, como e quando violou grosseiramente o segredo de justiça. E ao fazê-lo, violou a honra e o bom-nome de dois cidadãos angolanos. Acresce que Manuel Vicente foi eleito Vice-Presidente da República com mais de 70 por cento dos votos dos eleitores. E João Maria de Sousa é o Procurador-Geral da República. Também por isto se exigia, num Estado democrático, um esclarecimento cabal de tão graves crimes contra duas pessoas que até prova em contrário são inocentes. Ao alimentar machetes e notícias falsas que têm no centro figuras públicas angolanas, o Ministério Público e a Procuradora-Geral da República Joana Vidal puseram-se fora da lei. E deram esse salto arriscado, para atentarem contra a honra e o bom-nome de dois cidadãos que desempenham altas funções no Estado Angolano.
Face a este quadro é natural que o ministro Rui Machete tivesse vontade de deitar água na fervura. O que ele foi fazer! Os “pivots” anti-angolanos Mário Crespo e João Soares abocanharam-lhe os calcanhares, deixando-o sem base de sustentação. Os sindicatos dos juízes e do Ministério Público crucificaram-no e lembraram urbi et orbi que em Portugal há separação de poderes. Só é pena que essa separação não inclua também os órgãos de comunicação social.
O episódio que envolveu dois dirigentes angolanos prova à puridade que há uma relação espúria e aviltante entre o Ministério Público e uma comunicação social que actua na lógica das associações de malfeitores. A senhora Procuradora-Geral Joana Vidal, toda abespinhada, atirou-se ao ministro Rui Machete. Melhor fora que revelasse o nome ou os nomes dos procuradores do Ministério Público que violaram o segredo de justiça, ferindo a honra e o bom-nome de dois cidadãos que desempenham altos cargos no Estado Angolano.
Rui Machete, como jurista que é, pediu diplomaticamente desculpa (não desculpas diplomáticas) pelas patifarias cometidas pelo Ministério Público e órgãos de comunicação social contra o Vice-Presidente da República, Manuel Vicente, e o Procurador-Geral da República, João Maria de Sousa. Os mais assanhados membros das elites corruptas e caloteiras portuguesas trucidaram o ministro e por tabela lançaram a habitual chuva de calúnias contra os dirigentes angolanos, eleitos democraticamente.
Como temos três meses para organizar a Cimeira Angola-Portugal, fico por aqui. Mas continuo a exigir que a Procuradora-Geral Joana Vidal e a Direcção Central de Investigação e Acção Penal expliquem aos angolanos e portugueses quem foram os membros do Ministério Público que violaram o segredo de justiça, violando gravemente a honra e o bom nome de duas altas figuras do Estado Angolano.