Concurso diplomático: estão abertas as candidaturas

Post com uns dias de atraso: desde o passado dia 18 de Abril que estão abertas as candidaturas para o mais recente concurso de ingresso na carreira diplomática. Este ano estarão disponíveis 30 lugares de adido de embaixada e as candidaturas podem ser apresentadas num prazo de 15 dias úteis a contar da data de abertura do concurso. Ao contrário do que aconteceu nas anteriores edições, o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiu prescindir da prova de cultura geral, que tanta polémica provocou. Todas as informações para um dos mais exigentes concursos da administração pública portuguesa estão na página do Instituto Diplomático.

Palácio_das_Necessidades_1997.JPG

Quando o Estado é o fora-da-lei

Não está em causa a capacidade ou legitimidade para o actual ministro da Cultura, Luis Castro Mendes, liderar uma embaixada. Excepto no caso da NATO ou da União Europeia, as funções são muitas vezes assumidas por diplomatas com a categoria de Ministro Plenipotenciário. O importante é o facto de o Ministério dos Negócios Estrangeiros não cumprir uma decisão judicial que impunha a anulação da promoção à categoria de Embaixador. Porque como me disse o actual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em Setembro de 2014, sobre este mesmo caso “Se [as decisões] transitaram, têm de ser cumpridas”. E, passado ano e meio, não foram. Como ficamos quando o Estado não respeita a lei?

MNE

Concurso diplomático: estão escolhidos os 25

Chegou ao fim. Depois de uma maratona de provas e entrevistas, estão escolhidos os 25 melhores classificados no concurso de ingresso na carreira diplomática. A lista foi publicada esta segunda-feira em Diário da República com a classificação final, como manda o regulamento, em ordem decrescente. Um detalhe salta à vista: entre os 25 estão apenas três mulheres. As restantes que chegaram à última fase ficaram nas três últimas posições: 28º, 29º e 30º. No entanto, para os novos adidos o processo ainda não acabou. Nos próximos dois anos terão de mostrar o que valem. Só então será confirmada – ou não – a sua entrada na carreira diplomática. Mas, para já, é altura de celebrarem. Parabéns a todos.

fotografia-40

Concurso diplomático: só cinco mulheres chegaram à última fase

O concurso de ingresso na carreira diplomática chegou à derradeira etapa. No total, 36 candidatos foram admitidos à entrevista profissional, a última e mais subjectiva de todas as fases daquele que é um dos mais exigentes processos de admissão na função pública portuguesa. Detalhe: só cinco mulheres terão a hipótese de lutar por uma vaga.

Inicialmente eram 43. Mas após os recursos sobre os resultados da prova escrita de conhecimentos, 46 candidatos chegaram à prova oral, na qual tiveram de fazer uma exposição de cerca de 20 minutos sobre um tema por eles sorteado quatro horas antes, seguido de um debate com os membros do júri. Quem reprovou (10 candidatos) até pode ter feito uma boa prova. Mas não o suficiente para atingir o mínimo de 15 valores necessário para passar à fase seguinte: a entrevista profissional.

Nesta fase, os candidatos vão enfrentar os membros diplomatas do júri e um não diplomata. Em cerca de 30 minutos, eles vão avaliar “para além da adequação do candidato ao perfil de representação exigido pela função diplomática, a sua capacidade de expressão e argumentação, a sua vocação, o seu interesse profissional e conhecimentos gerais considerados relevantes para o exercício das funções diplomáticas”.

No final serão automaticamente admitidos 10 candidatos e 15 ficarão numa espécie de lista de espera para preencher as vagas que surjam (reformas) num prazo de 18 meses.

Informação acidional: afinal, os 25 candidatos deverão ser todos admitidos. Quando concurso foi lançado, 20 dos 30 lugares no mapa de pessoal destinados a adidos estavam preenchidos pelos admitidos no concurso anterior. Nesta fase eles já foram todos confirmados como conselheiros secretários de embaixada. Como tal, os lugares estão todos disponíveis.

fotografia-40

Concurso diplomático aproxima-se da fase final

Dos 96 candidatos que chegaram à prova escrita de conhecimentos do concurso de ingresso na carreira diplomática, apenas 43 foram admitidos na fase seguinte: a prova oral de conhecimentos. Dos restantes, 48 chumbaram, dois faltaram e três, que tinham sido admitidos provisoriamente, viram os seus recursos sobre os resultados da prova escrita de lingua portuguesa e inglesa indeferidos. Detalhe: apenas nove dos aprovados são mulheres.

Os resultados foram publicados esta segunda-feira, dia 5 – e as primeiras provas começam já dia 12 para quatro candidatos. Nesta prova, terão de fazer uma exposição de cerca de 20 minutos sobre um tema por eles sorteado quatro horas antes do exame. Depois seguir-se-á um debate com os membros do júri. Quem sobreviver será admitido à prova decisiva: a entrevista profissional.

fotografia-40

Concurso diplomático: as 90 perguntas do “trivial pursuit”

Sabe o que aconteceu após a batalha de Solferino? Ou qual foi a teologia criada por Gustavo Gutierrez, Bernardo Boff e Juan Luis Segundo? Sabe quem escreveu “As mãos de Abraão Zacut? Ou quem foi António Francisco Lisboa, o “Aleijadinho”? Então provavelmente passariam na prova de cultura geral do concurso de ingresso na carreira diplomática.

Este ano, a prova oscilou entre perguntas muito fáceis e outras mais complicadas. A taxa de aprovação reflectiu isso mesmo: dos que compareceram, 188 passaram, e 639 reprovaram. Fica sempre uma pergunta: como se prepara um exame deste género?

Para quem quiser testar os seus conhecimentos, a Prova de cultura geral está aqui.

fotografia-40

Concurso diplomático: 639 candidatos chumbaram na prova de cultura geral

Começou a corrida: 188 candidatos sobreviveram à primeira prova do concurso de ingresso na carreira diplomática, a de cultura geral, que há dois anos tanta polémica causou. A prova realizou-se no passado sábado, na faculdade de direito e foi considerada “mais normal” pelos candidatos presentes.Tal como as anteriores, foi de escolha múltipla, e continha 90 perguntas.

Dos 1693 inscritos, 639 chumbaram por não terem conseguido um mínimo de 14 valores – não acertaram num mínimo em 63 respostas – e 866 reprovaram por falta de comparência. Os resultados foram publicados esta segunda-feira na página do MNE e os candidatos aprovados não terão tempo para descansar: no próximo sábado, dia 27, realiza-se a prova de português e de inglês.

Detalhe: na prova de lingua portuguesa os candidatos terão de optar entre responder na nova ou na antiga ortografia – apesar de o enunciado estar “em conformidade com o Acordo Ortográfico”. Escolha múltipla, portanto.

fotografia-40

Carreira diplomática: está aberto concurso de ingresso

O aviso foi publicado esta segunda-feira, 30 de Março em Diário da República. Os interessados têm 15 dias para apresentar as candidaturas.

fotografia-40

Carreira diplomática: vai abrir um novo concurso

Os interessados em seguir a carreira diplomática vão ter nova oportunidade. O Ministério dos Negócios Estrangeiros prepara-se para abrir um novo concurso. Desta vez numa nova modalidade: serão admitidos 10 candidatos e 15 ficarão numa espécie de lista de espera para preencher as vagas que surjam num prazo de 18 meses. A nova modalidade de recrutamento foi divulgada esta quinta-feira, em Diário da República, por ocasião da nomeação do júri do concurso. O regulamento tinha sido divulgado no início da semana e foi elaborado com base nas alterações introduzidas nos últimos concursos.

Espera-se que desta vez o processo seja mais pacífico. O último concurso ficou marcado pela polémica em torno da prova de cultura geral (que foi anulada) e o anterior por uma majoração das notas em 5% após a prova escrita de conhecimentos – o que fez com que candidatos que teriam reprovado acabassem por ser admitidos e levou os prejudicados a impugnar o concurso em tribunal, processos que ainda hoje decorrem.

O regulamento do concurso, bem como exemplos das provas elaboradas nos anteriores, estão aqui.

fotografia-40

Portugal no Conselho de Direitos Humanos da ONU

No dia 1 de Janeiro, Portugal iniciou um mandato de três anos no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Este foi o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde são apresentadas as linhas mestras das posições portuguesas. Para memória futura.

“Portugal, após uma longa e bem sucedida campanha, inicia hoje, pela primeira vez, um mandato no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que se prolongará por três anos. O Conselho de Direitos Humanos (CDH) é um dos mais importantes órgãos do sistema das Nações Unidas e tem como responsabilidade e atribuição zelar pela proteção e promoção dos direitos humanos em todo o mundo.

Portugal, enquanto membro do CDH, terá uma oportunidade única de se projetar na cena internacional e de participar e influir em decisões de grande relevância. Portugal manterá uma linha de coerência, não só em relação ao que prometeu na campanha para este mandato, mas também em relação à forma como conduziu o seu mandato no Conselho de Segurança da Nações Unidas em 2011 e 2012 – fiel à sua identidade como país europeu com uma longa História, com uma forte identidade nacional, aberto ao mundo pela sua experiência histórica, recetivo aos problemas dos outros, universalista na sua vocação, solidário, capaz de promover diálogos, consciente dos novos problemas que se deparam à comunidade internacional, apostado no reforço da paz, da estabilidade e do desenvolvimento, membro da União Europeia e da Aliança Atlântica, e também da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e da Comunidade Ibero-americana.

Portugal pautará naturalmente a sua atuação pelo respeito dos princípios da Constituição da República Portuguesa, da Declaração Universal dos Direitos do Homem e das Convenções de direitos humanos de que é parte. Defenderá o caráter individual, universal, indivisível, inalienável e interdependente de todos os direitos humanos, sejam eles civis, culturais, económicos, políticos ou sociais. Privilegiará o diálogo e a procura de consensos entre Estados, em coerência com a sua vocação universalista de abertura a todos os povos.

Portugal dedicará especial atenção às violações e aos abusos de direitos humanos cometidos em situações de conflito, em particular os perpetrados sobre os grupos mais vulneráveis, pugnando pela responsabilização dos autores destes crimes. Dará prioridade à apresentação, enquanto autor, de resoluções sobre o direito à educação e sobre direitos económicos, sociais e culturais, bem como à eliminação da violência contra as mulheres, à eliminação de todas as formas de discriminação e à proteção de pessoas e grupos mais vulneráveis e aos direitos da criança. Defenderá também a abolição universal da pena de morte, inspirando-se no facto de ter sido um dos países pioneiros a tomar esta marcante decisão.

Portugal procurará igualmente manter um perfil ambicioso, designadamente reforçando o seu estatuto precursor na elaboração de indicadores nacionais de avaliação sobre a aplicação dos Direitos Humanos em estreita cooperação com o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O mandato no Conselho de Direitos Humanos servirá também, no plano interno, para uma maior sensibilização e mobilização para as questões de direitos humanos, mantendo o Governo Português o compromisso de abertura e de diálogo com a sociedade civil através da Comissão Nacional de Direitos Humanos.

Ciente do longo caminho a percorrer para garantir um respeito pleno pelos direitos humanos, bem como das responsabilidades acrescidas decorrentes da qualidade de membro do Conselho de Direitos Humanos, o Governo Português reitera o seu total empenho na defesa e na promoção da realização universal dos direitos humanos.”

gun_arms_pistol_UN

Quando um ministério não cumpre as decisões dos tribunais

A semana passada, publiquei, na Sábado, uma notícia sobre como o Ministério dos Negócios Estrangeiros não está a cumprir decisões do Supremo Tribunal Administrativo (STA). Basicamente, o STA anulou a promoção a embaixador de oito diplomatas. Seis delas já transitaram em julgado. Tive várias reacções. Algumas irónicas, outras de surpresa, muitas de curiosidade. A maioria queria ler os acórdãos em causa. Estão aqui, aqui e aqui.

10370362_447262588746698_719657260553287477_n

Guiné Bissau: o novo comunicado do governo português

“O Governo Português felicita o povo da Guiné-Bissau pela conclusão, com sucesso, do processo eleitoral dos últimos dois meses, considerado livre, justo e transparente pela comunidade internacional. Portugal apela a que todos os candidatos e atores do processo guineense, civis e militares, aceitem os resultados como expressão livre da vontade soberana e democrática do povo e a que quaisquer eventuais disputas sejam resolvidas exclusivamente através dos procedimentos legais adequados.

 

O Governo Português felicita o candidato vencedor, José Mário Vaz, manifestando sinceros desejos dos maiores sucessos no desempenho do cargo de Presidente da República da Guiné-Bissau. Saúda igualmente todos os candidatos que participaram nestas eleições, pelo seu contributo para a estabilização da democracia guineense, e entidades guineenses e internacionais que ajudaram a organizar e a conduzir o processo eleitoral.

 

Com a nomeação das novas autoridades, nos termos da lei fundamental guineense e de acordo com a vontade expressa nas urnas, estarão criadas as condições para o retorno à ordem constitucional, para a integração de todos os seus cidadãos na vida democrática e para a normalização das relações da Guiné-Bissau com a comunidade internacional, incluindo Portugal.

 

A Guiné-Bissau inicia assim, graças à determinação do seu povo, um novo período da sua história, que se espera ser de estabilidade, desenvolvimento e respeito pela Democracia, pelos Direitos Humanos e pelo Estado de Direito.

 

Portugal reafirma o seu compromisso com a Guiné-Bissau e reitera a sua total disponibilidade para contribuir, através da cooperação bilateral e multilateral, para o fortalecimento das instituições políticas, de justiça e de segurança, no quadro do reforço do Estado de Direito e do combate à impunidade, assim como para o progresso económico e o desenvolvimento social do país, indo ao encontro dos legítimos direitos e anseios da sua população.

 

O Governo Português continuará também a envidar todos os esforços para que, nos termos que venham a ser solicitados pelas futuras autoridades guineenses, e através de coordenação entre as Nações Unidas, a União Europeia, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a União Africana, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e os Estados amigos da Guiné-Bissau, a comunidade internacional desenvolva ações de apoio concertadas para atingir aqueles objetivos.”

machete020803

Guiné Bissau: o comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros

“O Governo Português felicita o povo guineense por mais uma vez ter demonstrado a sua vontade de retorno à ordem constitucional na Guiné-Bissau, votando de forma serena e livre na segunda volta das eleições presidenciais ontem realizada.

Regista com apreço que o povo guineense não se tenha deixado intimidar, exercendo os seus direitos democráticos com determinação e civismo, apesar de alguns incidentes isolados que lamentavelmente se registaram.

O Governo Português apela a que todos os atores, civis e militares, aguardem com serenidade o escrutínio e anúncio dos resultados da segunda volta das eleições presidenciais pelas autoridades competentes, bem como a avaliação das várias missões internacionais de observação eleitoral no terreno, entre as quais as da UE e da CPLP, em que Portugal participa.”

0,,15817042_401,00

Guiné Bissau: tensão antes do anúncio da vitória de Jomav

A demora no anúncio dos resultados provisórios da segunda volta das eleições presidenciais na Guiné Bissau estará a ser provocada por pressões sobre o presidente da Comissão Nacional de Eleições. De acordo com várias fontes, os dados obtidos pela missão de observadores da União Europeia e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa indicam que o candidato do PAIGC, José Mário Vaz, conhecido por Jomav, terá ganho em todas as províncias, excepto em Tombali e Oio. No total, Jomav terá batido o candidato independente Nuno Nabiam (que teve o apoio de Kumba Ialá) por mais de 120 mil votos.

Ao longo da campanha, foram apontadas várias ligações de Nuno Nabiam à cúpula militar responsável pelo golpe de Estado de 12 de Abril. A incerteza em relação ao que se estará a passar em Bissau – com relatos de algumas movimentações militares – terá mesmo levado o governo português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, a atrasar a divulgação de um comunicado a saudar o povo guineense pela forma serena e livre como votou na segunda volta das presidenciais, indiferente a intimidações.

guine-bissau-mulheres-nos-centros-de-decisao

Portugal e Arménia: amigos estáveis

O embaixador de Portugal na Federação Russa, Mário Godinho de Matos, tornou-se também no representante nacional não residente na República da Arménia. O diplomata, que já passou por Moçambique e Cuba, apresentou esta semana as cartas credenciais ao Presidente da República Serzh Sargsyan. “Queremos que Portugal seja um dos amigos estáveis da Arménia. Estou confiante que vai fazer o seu melhor durante o seu mandato”, disse o chefe de Estado, citado pela Rádio Pública Arménia.

Para além da Russia e da Arménia, o embaixador português em Moscovo (à direita na foto) representa ainda o país na Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão.

Serzh-Sargsyan-Portugal-Ambassador-1-620x300

“A Alemanha precisa de fazer as reformas que Portugal já fez”

Bruno Maçães é um secretário de Estado português dos Assuntos Europeus. Não o conhecem? Não faz mal. Poucos sabem quem ele é. Na Grécia é conhecido como “o alemão” por aderir incondicionalmente às políticas ditadas por Berlim. No Conselho de Assuntos Gerais e no Conselho dos Negócios Estrangeiros da União Europeia – onde já substituiu o ministro Rui Machete – é conhecido por falar em inglês, posição que contraria a política oficial do governo português. No Twitter, mantém uma conta alimentada em inglês, que se tornou célebre depois de publicar uma fotografia tirada nas celebrações do dia da independência da Polónia e onde esta segunda-feira escreveu que “a Alemanha precisa de implementer muitas das reformas estruturais que Portugal implementou nos últimos anos”. A frase faz parte de um discurso feito por Maçães a 11 de Março no segundo fórum Alemanha-Portugal, em Berlim. Resta saber de que reformas estava ele a falar.

mac3a7c3a3es

Os salários “milionários” dos diplomatas

As generalizações são quase sempre injustas. As médias, potencialmente, também. No início da semana, o Público divulgou no seu site uma excelente infografia que pretende ser um retrato da função pública portuguesa em 2013, feita com base na Síntese Estatística do Emprego Público. Através dela, conseguimos saber onde trabalhavam os 563,5 mil funcionários do Estado no ano passado e os respectivos vencimentos médios. Dessa leitura salta à vista um dado: ao mesmo tempo que é a carreira com menos efectivos – 362 – os diplomatas são aqueles com uma média salarial mais elevada: €8113,35 por mês. Ora bem, isto, apesar de a fonte dos dados ser a Direcção Geral da Administração e do Emprego Público, é injusto.

Tenho alguns amigos diplomatas. Alguns estão em Portugal. Outros, no estrangeiro. Uns ganham mais. Outros menos. E a maioria tem, normalmente, uma história comum para contar. A daquele dia em que se reuniram com um grupo de amigos ou encontraram um tio afastado e falaram na crise e nas dificuldades em pagar as contas e tiveram como resposta: “eh, pá, tu és diplomata, ganhas não sei quantos mil euros”. E eles lá tentam explicar que não é bem assim. Que é verdade que há quem ganhe bem mais do que os oito mil euros em alguns postos no estrangeiro, mas que eles, quando estão em Lisboa – e são obrigados a isso, ciclicamente –, podem ganhar abaixo da média do sector empresarial do estado. Mas na maior parte das vezes já nem tentam explicar. Não vale a pena.

Os números não mentem. Quando alguém entra na carreira diplomática, como adido, recebe 1291,08€ líquidos. Ao fim de dois anos, quando confirmados, passam à categoria de terceiro secretário de e a ter como salário líquido 1374,63€. Quando chegam a primeiro secretário, têm como salário líquido 1669,3€. Se forem promovidos conselheiros recebem 1816,19€. Um ministro já ultrapassa os 2100€ e um embaixador chega aos 3000€. Estes são os ordenados que recebem em Lisboa. Quando são colocados no estrangeiro, continuam a receber este salário base, acrescidos de uma série de subsídios de função, que variam conforme o posto: de habitação – para pagarem uma casa, já que o Estado não as fornece sempre –, de representação – para desempenharem as respectivas funções – e, no caso dos que têm filhos, para pagar os respectivos colégios. Em alguns países os valores são mais do que suficientes e chegam a ultrapassar os 10.500€. Em outros, estão desactualizados perante o custo de vida local. E nenhum conta efectivamente como salário, pois não é objecto de descontos para a segurança social – o que se reflecte nas reformas. Ah, estes subsídios são exactamente os mesmos que recebem polícias, magistrados e antenas dos serviços de informações colocados no estrangeiro.

Não quero com isto dizer que os diplomatas são uns coitadinhos. Não são. Quando estão colocados no estrangeiro recebem ao fim do mês quantias com que a maioria dos portugueses não sonha. A maioria são funcionários altamente qualificados que representam o país nos mais diversos fóruns internacionais. Mas há muitos que o fazem a receber pouco mais de mil euros. Tal como comecei este post: as generalizações são quase sempre injustas.

fotografia (40)

 

Uma boa entrevista, onde faltam dois temas fundamentais

No domingo, Rui Machete deu ao Público a primeira entrevista desde que tomou posse como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, há sete meses. O grande tema das duas horas de conversa com a directora Bárbara Reis e o jornalista Nuno Ribeiro foi a mais que provável adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). E foi essa a melhor parte da entrevista. Rui Machete foi confrontado com uma série de argumentos e soube defender-se bem. Agarrou-se a um facto concreto e dali não saiu: há um compromisso formalizado em 2010 e que diz que o país entra na organização se cumprir determinados requisitos. Fala também da relação com Angola – não diz muito – e um pouco do caso da expulsão de António Capucho do PSD. No entanto, ao longo das cinco páginas faltam dois temas fundamentais numa entrevista ao ministro dos Negócios Estrangeiros: não há uma palavra – sejam perguntas ou respostas – sobre a situação na Ucrânia nem sobre o facto de Rui Machete ter mentido ao Parlamento na Comissão de Inquérito ao BPN.

fotografia (42)

Guiné Equatorial: “uma ditadura que sequestra, assassina, prende e tortura”

Na semana passada, os ministros dos Negócios Estrangeiros da CPLP deram um parecer positivo à adesão de pleno direito da Guiné Equatorial à organização. A decisão será tomada em Julho, na cimeira de chefes de Estado e de Governo, em Díli. Em reacção, o médico e dissidente político exilado nos Camarões, Samuel Mba Mombe, escreveu uma carta aberta a Pedro Passos Coelho, que publicou na sua página no Facebook. Em espanhol. Diz assim:

S.E.
Pedro PASSOS COELHO
Primer Ministro y Jefe de
Gobierno de Portugal

Excelencia,

Según informaciones de fuentes concordantes, mi país Guinea Ecuatorial con el aval de Su Gobierno ha sido admitido en la Comunidad de los Países de habla portuguesa en anagrama (CPLP). Los guineo-ecuatorianos hemos recibido esta noticia con indignación, repulsa y consternación al constatar que el Gobierno que V.E. preside se ha claudicado ante los intereses económicos que sin duda han jugado el papel decisivo para que nuestro país sea aceptado como miembro de derecho en esa organización.
Aunque ya no nos sorprende la hipocresía de los Estados que se dicen democráticos como es el caso de Portugal, la aceptación de la dictadura de Obiang Nguema por la comunidad de los países de habla luxófona no hace que confirmar la doble moral de estos Estados. Sorprende que cuando casi medio mundo condena la sistemática y flagrante violación de los derechos humanos en Guinea Ecuatorial, un país como Portugal que en su día sufrió en su propia carne los impactos de una dictadura militar y que recibió el apoyo y solidaridad de otros Estados, sea hoy el garante de una cruel dictadura que secuestra, asesina, encarcela, tortura, y que no atiende a los llamados de la Comunidad Internacional a poner fin a las hostilidades contra su propio pueblo.

Excelencia,

Nuestro pueblo ya está acostumbrado a que Obiang a golpe de talonario compre voluntades y su aceptación a la CPLP no ha sido ninguna excepción. Lo que hay que recordar es que esos dineros que os hacen reír las gracias del déspota son robados al pueblo de Guinea Ecuatorial que según sabrá V.E., sigue languideciendo en la miseria y pobreza más absolutas a pesar del petróleo, gas y madera. Esta es la cruda realidad de Guinea Ecuatorial en el momento en que Su Gobierno le abre las puertas para ser miembro de derecho en vuestra comunidad.

Excelencia,

Nuestro sufrido pueblo que durante casi 45 años no ha conocido que regímenes dictatoriales sólo puede tomar buena nota de este tipo de decisiones y como un imperio no dura cien años, algún se lo recordaremos porque lo que ahora interesa a los “demócratas” del occidente son nuestras riquezas que los sátrapas que arruinan nuestros países les ofrecen en bandeja dando espalda a los sufrimientos de un pueblo que exige la libertad de opinión, de manifestación, de expresión, de movimiento, elecciones libres y transparentes en total, un Estado basado en el respeto de los derechos humanos y la justicia social. En estos momentos que le escribo esta carta, la pena de muerte sigue en vigor en la República de Guinea Ecuatorial y alguno que otro asesinato se acaba de cometer en la siniestra cárcel de Malabo.
Alta consideración y estima personal,

Dr. MBA MOMBE Samuel
Médico en activo y Activista Político

E a mala diplomática enviada para Luanda desapareceu

A notícia é do Jornal de Negócios: 

“A mala diplomática portuguesa foi extraviada, a semana passada, em Luanda, soube o Negócios.

A mala com o correio do Estado português terá sido furtada no aeroporto 4 de Fevereiro e as responsabilidades são apontadas à empresa que assegura o transporte deste tipo de malas em Luanda. O incidente já foi reportado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

 

Uma fonte diplomática contactada pelo Negócios não quis fazer mais comentários sobre este caso. A segurança desta mala, assim como de toda a outra bagagem diplomática portuguesa é assegurada em Angola pela empresa Transportes Joaquim Guerra Logística. Apesar deste extravio, tudo indica que o MNE não irá rescindir o acordo com a referida empresa, por se tratar de uma situação isolada. O conteúdo da referida mala é naturalmente desconhecido. Contudo, por natureza, uma mala diplomática contém informação que um Governo classifica como importante e de natureza confidencial.

 

Uma mala diplomática é um envelope, uma caixa, um contentor ou qualquer outro volume utilizado pelas missões diplomáticas para o envio e recepção de documentos e objectos destinados a uso oficial a coberto da imunidade diplomática. Este tipo de mala não pode ser aberta ou retida pelas autoridades alfandegárias.

 

O actual embaixador de Portugal em Angola é João da Câmara.”

Carta selada