O dia em que vi Kobe Bryant jogar: sim, foi incrível

Foi uma pequena-grande loucura. Era 13 de Junho de 2010. Saimos de madrugada de Washington D.C., onde estávamos a passar uma semana de férias, para apanhar um avião para Boston. Era uma ocasião especial. Nessa noite, os Boston Celtics recebiam os Los Angeles Lakers para o jogo cinco da final da NBA. Os bilhetes tinham sido comprados ainda em Lisboa após o segundo jogo da série e chegado pelo correio algum tempo antes da partida para os Estados Unidos. Nessa altura ainda havia a possibilidade de aquela ser a partida decisiva. Mas, entretanto, com duas vitórias para cada lado, tinha-se tornado uma partida à melhor de sete.

Chegámos cedo ao estádio recentemente inaugurado. O mítico Boston Garden tinha sido demolido e substituído pelo novíssimo TD Garden. E o ambiente era uma loucura. Verdes (da casa) e amarelos (visitantes) misturavam-se nas ruas numa convivência aparentemente impossível para quem está habituado ao comportamento dos adeptos europeus. Dançavam e provocavam-se mutuamente. Mas a rir e a dançar.

Como muitos dos adeptos, fomos para a zona do parque de estacionamento ver as estrelas chegar. Era longe, por isso só conseguimos distinguir o pequenote Nate Robinson. Quando a hora se aproximou entrámos para sentir o ambiente. E foi incrível. De um lado estavam Rajon Rondo, Kevin Garnett, Paul Pierce e Ray Allen. Do outro Paul Gasol, Ron Artest, Derek Fisher e, sobretudo, Kobe Bryant. Ah, havia também Lamar Odom, o sexto jogador dos Lakers que, cada vez que tocava na bola era brindado com gritos de “ugly sister”. Odom era então casado com a “menos interessante” das Kardashians. Uma maldade, com bastante piada…

Havia várias lendas em campo. Mas uma brilhava mais do que todas as outras. Naquela noite vi Kobe Bryant em acção. A determinada altura do terceiro período, com a equipa a perder, marcou 19 pontos consecutivos para os manter na luta. Triplos, alley-oops, lançamentos de dois, entradas para o cesto, fez um pouco de tudo.

Naquela noite, os seus 38 pontos não foram suficientes para ganhar. Do outro lado, os 27 de Paul Pierce chegaram para carregar a equipa da casa para uma vantagem que viria a revelar-se insuficiente. De regresso a Los Angeles, os Lakers venceram os dois jogos que restavam para conquistar o campeonato por 4-3. Vimos esses dois últimos jogos já em Washington, pela televisão. Foi o último título conquistado por Kobe, o quinto. Quando lhe perguntaram o que significava, nem hesitou: “tenho mais um do que o Shaq”.

Ontem ele despediu-se do basquetebol com mais uma exibição épica: 60 pontos que levaram a equipa à vítória. Outro daqueles jogos que ao longo dos últimos 20 anos fizeram dele uma lenda. E que me vão fazer poder dizer com orgulho: “eu vi o Kobe jogar – e foi incrível”.

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O galo de Barcelos que não deu assim tanta sorte aos Celtics

Calculo que poucos saibam, mas ontem à noite realizou-se o draft da NBA. O quê? Em resumo, é o sorteio anual em que as equipas da melhor liga de basquetebol do mundo ficam a saber em que posição poderão escolher os jogadores universitários ou estrangeiros disponíveis para a época seguinte. E o que é que isso tem a ver com o galo de Barcelos? Tudo.

Uma das equipas com maiores expectativas a ficar com a primeira posição do draft – e logo a escolher o melhor jogador no mercado – era a dos Boston Celtics. Acontece que o novo embaixador dos Estados Unidos em Portugal, Robert Sherman, além de ser natural de Boston, é um grande fã dos Celtics e amigo pessoal de um dos proprietários da equipa. E, para dar sorte, decidiu enviar a Steve Pagliuca um galo de Barcelos pintado pelos marines norte-americanos que vigiam a representação diplomática dos EUA em Lisboa.

Perante a curiosidade da imprensa, Pagliuca explicou a história que tornou o galo de Barcelos um símbolo de sorte: “Há uma história de um homem que viajava de Espanha e que era acusado de roubar prata e acabou condenado è morte. Ele disse ao juiz que o galo ia saltar do prato se ele estivesse inocente e isso aconteceu. Por isso eles não o enforcaram. Mais tarde ele foi a Barcelos e fez a estátua que se tornou um símbolo de boa sorte”.

Com o galo de Barcelos na mala, Steve Pagliuca viajou para Nova Iorque para assistir ao sorteio. É um tipo supersticioso: além do símbolo português levava uma gravata que lhe tinha sido oferecida pelo mítico treinador Red Auerbach e que tinha usado no jogo decisivo de 2006 em que os Celtics se sagraram campeões frente aos Los Angeles Lakers. Mas os amuletos não lhe serviram de grande coisa: os Boston acabaram por ficar com a sexta escolha do draft. Não é mau. Mas não é brilhante.

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O MVP dos MVP’s

A discussão será eterna: quem é o melhor jogador? Da minha parte não tenho dúvidas. Mas nada melhor do que fazer uma comparação estatística, de dados concretos, entre os três mais dominadores basquetebolistas dos últimos 30 anos. Detalhe: as primeiras 10 épocas de Michael Jordan são na realidade oito. Nos restantes dois anos ele esteve ocupado a jogar…basebol.

A eficácia contra o espectáculo

Esta noite os Miami Heat e os San António Spurs disputam o segundo jogo da final da NBA. Fica aqui a comparação entre as duas equipas.

O primeiro basquetebolista gay (pelo menos publicamente)

“I’m a 34-year-old NBA center. I’m black. And I’m gay. I didn’t set out to be the first openly gay athlete playing in a major American team sport. But since I am, I’m happy to start the conversation.”

Esta semana a Sports Illustrated tem uma das capas mais memoráveis de sempre. Não pelo brilhantismo gráfico mas por uma imagem que irá ficar para a história. Através da revista, Jason Collins torna-se o primeiro atleta da NBA a assumir publicamente a sua homossexualidade

A reportagem foi preparada em grande secretismo. No início de Abril, um jornalista disse ao editor que um jogador da NBA poderia sair do armário. Não sabiam quem era, nem onde estava. Só a 24 de Abril, quando já estavam em Los Angeles e a caminho da casa do atleta souberam quem ele era. Durante todo esse tempo o tema não foi discutido na reunião de editores. Só o jornalista e os editores responsáveis sabiam o que estava a ser preparado. O texto só ficou fechado na passada sexta-feira. E os bastidores deste trabalho foram contados aqui e aqui pelos responsáveis da SI.

SI

Para finalizar, Jordan em HD

Treinar com uma lenda viva

Ter o melhor jogador de basquetebol de todos os tempos como patrão tem alguns problemas. Mas também alguns benefícios. O melhor de todos eles é ter a oportunidade de jogar contra uma lenda viva. É o que acontece ocasionalmente aos jogadores dos Charlote Bobcats, apesar de a equipa continuar a ser das piores da NBA.