O fim de “O Mundo Amanhã”

Hoje, no 12º e último episódio desta série, Julian Assange entrevista Anwar Ibrahim, o mais proeminente e provocador líder da oposição na Malásia. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

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Por Agência Pública

Em busca de ideias poderosas que podem transformar o mundo, o fundador do WikiLeaks depara-se com um caso semelhante ao seu trajecto de vida.

Depois de ter sido Vice Primeiro-Ministro da Malásia na década de 1990, Anwar Ibrahim foi expulso da política e preso por acusações de corrupção e crimes sexuais – no caso, sodomia, considerada ilegal no país asiático. Após seis anos de cativeiro, foi absolvido das acusações. Mas, em 2008, teve que enfrentar novas acusações por crimes sexuais e enfrentar uma batalha legal de quatro anos. Só foi absolvido em Janeiro de 2012.

Para ele, a Malásia é ainda menos democrática do que a vizinha Birmânia. Anwar Ibrahim descreve democracia como tendo “um poder judicial independente, uma imprensa livre e uma política económica que pode promover crescimento e a economia de mercado”. Com essa plataforma, o seu partido está ganhar o apoio da população e é uma  ameaça ao actual governo nas próximas eleições gerais de 2013.

Agora, Ibrahim foi acusado participar numa manifestação em defesa de reformas eleitorais – reuniões não autorizadas também são consideradas crime – o que pode comprometer suas ambições eleitorais. Mas, durante a entrevista, ele mostra-se optimista quando relembra a última campanha, em 2008. “Ganhámos 10 dos 11 mandatos parlamentares. Acredito que estamos maduros para um tipo de Primavera Malaia através do processo eleitoral”, diz.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

O Mundo Amanhã

Devido a um problema técnico a que O Informador é alheio, o link para o vídeo da última entrevista de Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã ainda não está disponível. Assim que o problema for resolvido, o texto e o vídeo serão colocados online. Para já, fica aqui o pedido de desculpas.

O Mundo Amanhã: a última entrevista de Julian Assange

Amanhã, dia 19 de Dezembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a última das 12 entrevistas feitas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista o líder carismático da oposição malaia Dato’ Seri Anwar bin Ibrahim. O episódio será colocado online às 20h. Todas as outras entrevistas – incluindo ao intelectual Noam Chomsky e ao presidente do Equador Rafael Correa – podem ser encontradas através da etiqueta O Mundo Amanhã.

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Anwar bin Iberahim já foi um alto responsável do governo do primeiro-ministro Mahathir bin Mohamad. No final dos anos 1990 caiu em desgraça e foi expulso da vida política acusado de corrupção e sodomia que se revelaram politicamente motivadas. Quando foi ilibado já tinha cumprido seis anos de prisão. Em 2008 voltou à política, recolheu grande apoio numa plataforma anti-corrupção e foi novamente alvo de acusações de sodomia. Mais uma vez, garantiu que eram  boatos lançados pelos adversários. Ainda assim travou uma batalha judicial contra as acusações e em Janeiro deste ano foi absolvido de todas as acusações.

Em Maio de 2012 – já depois de esta entrevista ser filmada – Anwar foi acusado de apelar ao boicote à lei anti-protestos, devido à sua participação numa marcha pró-democracia. Se for condenado, será novamente afastado da política e impedido de concorrer às próximas eleições legislativas.

Noam Chomsky e Tariq Ali debatem o futuro do planeta

Hoje, no décimo primeiro episódio desta série, Julian Assange entrevista o intelectual norte-americano Noam Chomsky e o historiador paquistanês, Tariq Ali. Os três conversam sobre as recentes mudanças políticas no planeta e analisam a direcção em que estamos a caminhar. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

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Por Agência Pública

Ninguém poderia tê-las previsto. Mas ainda com o mundo sob o efeito das revoluções no Médio Oriente, Julian Assange reuniu-se com dois pensadores de peso para saber o que eles pensam sobre o futuro.

Noam Chomsky, conceituado linguista e pensador, e Tariq Ali, romancista de revoluções e historiador militar, encontram na Primavera Árabe questões sobre a independência das nações, a crise da democracia, sistemas políticos eficientes (ou não) e a legião de jovens activistas que se tem levantado em protesto por todo o mundo. ”A democracia é como uma concha vazia, e é isso que está a revoltar a juventude. Ela sente que, faça o que fizer, vote em quem votar, nada vai mudar. Daí todos esses protestos”, explica Ali.

“O que temos na política ocidental não é extrema esquerda nem extrema direita. É um extremo centro”, continua. “E esse extremo centro engloba tanto o centro-direita como o centro-esquerda, que concordam em vários fundamentos: travar guerras no exterior, ocupar países e punir os pobres, através de medidas de austeridade. Não importa qual o partido no poder, seja nos Estados Unidos ou no mundo ocidental…”

Segundo o próprio Tariq Ali, a grande crise da democracia está nas mãos das corporações. “Quando você tem dois países europeus, como a Grécia e a Itália, e os políticos a abdicar e a dizer ‘deixem os banqueiros comandar’… Para onde isso está a ir? Nós estamos a testemunhar a democracia a tornar-se cada vez mais despida de conteúdo”, critica o activista.

Mas após as revoluções, as conquistas vêm da construção de novos modelos políticos. Noam Chomsky cita a Bolívia como exemplo. “Eu não acho que as potências populares preocupadas em mudar suas próprias sociedades deveriam procurar modelos. Deveriam criar os modelos”. Para ele, a chegada da população indígena ao poder político através da figura de Evo Morales está a repetir-se no Equador e no Peru. “É melhor o Ocidente captar rápido alguns aspectos desses modelos, ou então ele vai acabar”, alerta Chomsky.

Por outro lado, segundo Tariq Ali, está na mãos dos jovens perceber a necessidade de agir. “Não desistam. Tenham esperança. Permaneçam cépticos. Sejam críticos com o sistema que nos tem dominado. E mais cedo ou mais tarde, se não for essa geração, então nas próximas, as coisas vão mudar”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista Noam Chomsky e Tariq Ali

Amanhã, dia 12 de Dezembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a décima primeira das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista o intelectual norte-americano Noam Chomsky e o historiador paquistanês Tariq Ali. O episódio será colocado online às 20h.

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Noam Chomsky é um linguista e intelectual de renome mundial. Como o pai da teoria da “gramática degenerativa”, desempenhou um papel central na revolução cognitiva da filosofia, linguística, matemática e psicologia. Desde a década de 1960 que é um dos mais consistentes críticos da política externa norte-americana. Opôs-se à guerra do Vietname e, juntamente com Howard Zinn, fez parte do grupo de Boston que foi alvo de investigações após a divulgação dos “Pentagon Papers”. Desde então que produziu uma enorme quantidade de obras que lhe garantiram a reputação de mais reputada voz dissidente do “estalishment” intelectual dos Estados Unidos.

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Tariq Ali é um historiador militar e intelectual paquistanês. Nos anos 1960, ganhou a reputação de homem de rua pelas suas acções como activista político nos protestos contra a Guerra do Vietname no Reino Unido. Ao longo dos anos manteve-se como um esquerdista e comentador anti-guerra. Hoje continua a ser um forte crítico do imperialismo e das reformas neoliberais ocidentais, e baseia a sua argumentação nos acontecimentos históricos do último século. Num trabalho recente, focou-se nas políticas de continuidade entre as administrações Bush e Obama: argumenta que a guerra ao terrorismo continua a ser um pretexto para a cada vez maior impunidade na conduta internacional dos Estados Unidos e dos seus aliados.

O Mundo Amanhã: A guerra não declarada no Paquistão

Hoje, no décimo episódio desta série, Julian Assange entrevista Imran Khan, candidato à presidência do Paquistão, para discutir o futuro de um dos países mais afectados pela Guerra ao Terrorismo. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

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Por Agência Pública

Ao longo de 25 minutos Julian Assange recebe Imran Khan, que nos anos 70 e 80 foi capitão da vitoriosa equipa de críquete do Paquistão, para conversar sobre corrupção, Osama Bin Laden, soberania e bombas atómicas. Isso porque Khan está na corrida para se tornar o próximo presidente do país nas eleições de 2013, liderando a oposição com o partido que criou, o Movimento para Justiça, que combate a corrupção no país.

O Paquistão tem uma dívida acumulada de 12 trilhões de rúpias. “Metade do nosso PIB vai para o pagamento de dívidas, 600 bilhões vão para o exército e assim 180 milhões de pessoas têm 200 bilhões de rúpias para sobreviver. Então, claramente, o país está inviabilizado”, diz o político. A crise é sentida na pele pela população: em áreas urbanas, não há eletricidade até 15 horas por dia e os apagões chegam a durar 18 horas nas áreas rurais.

Khan tornou-se a principal voz crítica ao fazer denúncias sobre o governo do Paquistão, um dos países mais afetados pela Guerra ao Terrorismo promovida pelos EUA. “40 mil paquistaneses foram mortos numa guerra com a qual não temos nada a ver. Basicamente, nosso próprio exército mata o nosso povo e eles fazem ataques suicidas a civis paquistaneses. O país já perdeu 70 bilhões de dólares nessa guerra. A ajuda humanitária total tem sido de menos de US$ 20 bilhões”, diz Khan.

Mas como Khan levaria a relação com os Estados Unidos caso fosse eleito? “Não deveria ser uma relação de cliente-patrão, e pior ainda, o Paquistão como pistoleiro contratado, sendo pago para matar inimigos da América. Nós somos um Estado independente e soberano e a relação com os EUA deve ser de dignidade e respeito mútuo, não mais uma relação de cliente-patrão”, diz. Resta saber se, caso vença, cumprirá suas palavras.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista antigo campeão de cricket paquistanês

Amanhã, dia 5 de Dezembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a décima das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista o actual líder político paquistanês, Imran Khan. O episódio será colocado online às 20h.

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Em tempos, o partido Tehreek-e-Insaf, foi escrito nos telegramas diplomáticos norte-americanos como uma formação de um homem só. No entanto, as críticas persistentes de Imran Khan começaram a ganhar apoio junto da população. Desde o final de 2011 que o antigo campeão de cricket tem levado dezenas de milhares de manifestantes para as ruas em protesto contra a corrupção e a subserviência em relação aos interesses dos Estados Unidos. Ele promete afastar o Paquistão das lideranças dinásticas dos partidos políticos tradicionais e restaurar a independência do poder judicial. Hoje em dia o partido de Imran Khan é visto como um forte concorrente nas próximas eleições, que poderão ser marcadas no próximo ano.

O Mundo Amanhã: A Guerra Virtual, parte 2

Hoje, no nono episódio desta série, Julian Assange continua a entrevista aos seus companheiros de armas, os criptopunks, virtuosos cyberativistas que lutam pela paz na internet. Hoje o debate é sobre a arquitetura da web, a liberdade de expressão e as consequências da luta por novas políticas na internet. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

Por Agência Pública

O nono episódio da série O Mundo Amanhã continua com os activistas da liberdade de informação na internet, Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn, Jeremie Zimmerman e, claro, Julian Assange, no papel de advogado do diabo. “Trole-nos, mestre troll”, brinca Jacob.

Na luta pela liberdade na web, os Criptopunks lançam algumas luzes sobre a guerra virtual entre a partilha livre e o roubo, o poder dos governos em intervir versus a liberdade de expressão – e as consequências dessa batalha.

“A arquitetura é a verdade. E isso vale para a internet em relação às comunicações. Os chamados ‘sistemas legais de intercepção’, que são só uma forma branda de dizer ‘espiar pessoas’. Certo?”, diz Jacob. “Você apenas coloca “legal” após qualquer coisa porque quem está fazendo é o Estado. Mas na verdade é a arquitetura do Estado que o permite fazer isso, no fim das contas. É a arquitetura das leis e a arquitetura da tecnologia assim como a arquitetura dos sistemas financeiros”.

O debate segue apoiado nas possíveis perspectivas para o futuro. Para os Criptopunks, as políticas devem se pautar na sociedade e nas mudanças que seguem com ela, não o contrário.

“Temos a impressão, com a batalha dos direitos autorais, de que os legisladores tentam fazer com que toda a sociedade mude para se adaptar ao esquema que é definido por Hollywood. Esta não é a forma de se fazer boas políticas. Uma boa política observa o mundo e se adapta a ele, de modo a corrigir o que é errado e permitir o que é bom”, diz Jeremie.

Mas a busca por novas políticas e uma nova arquitetura tem seu preço. Jacob, detido várias vezes em aeroportos americanos, conta: “Eles disseram que eu sei por que isso ocorre. Depende de quando, eles sempre me dão respostas diferentes. Mas geralmente dão uma resposta, que é a mesma em todas instâncias: ‘porque nós podemos’”.

E provoca: “A censura e vigilância não são problemas de ‘outros lugares’. As pessoas no Ocidente adoram falar sobre como iranianos e chineses e norte-coreanos precisam de anonimato, de liberdade, de todas essas coisas, mas nós não as temos aqui”.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

O Mundo Amanhã: Assange entrevista ciberactivistas (parte dois)

Amanhã, dia 28 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a nona das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – continua a entrevista aos ciberactivistas Jacob Applebaum, Andy Mueller-Maguhn e Jeremie Zimmermann. O episódio será colocado online às 20h. A primeira parte pode ser vista aqui.

Jacob Applebaunn é investigador da Universidade de Washington e membro do Projecto Tor, um sistema de anonimato online disponível a todos que luta contra a cibervigilância e a censura na internet. Jacob acredita que todos temos o direito a ler sem restrições e a falar livremente. Em 2010, quando Julian Assange não pôde dar uma palestra em Nova Iorque, Jacob assumiu o seu lugar. Desde então que tem sido perseguido pelo governo americano: já foi interrogado em aeroportos, sujeito a revistas intimas enquanto era ameaçado de violação na prisão por agentes da autoridade, viu o seu equipamento ser confiscado e o seu site ser pronunciado pela justiça. Ainda assim, mantém-se um apoiante do Wikileaks.

Andy Mueller-Maguhn é um membro e antigo porta-voz do grupo alemão Chaos Computer Club. É especialista em vigilância e está a trabalhar num projecto na wikipédia para dotar o jornalismo de capacidade de vigilância da indústria, o buggedplanet.info. Trabalha em comunicações criptografadas e gere uma empresa chamada Cryptophone, que fornece telecomunicações seguras.

Jeremie Zimmermann é fundador e porta-voz do grupo La Quadrature du Net, a mais proeminente organização europeia de defesa do direito ao anonimato na internet. Trabalha na construção de ferramentas para que o público possa usar em debates abertos. Está também envolvido nas guerras dos direitos de autor, no debate sobre a neutralidade da internet e outros assuntos cruciais para o futuro da web livre. Pouco depois desta entrevista foi detido por dois agentes do FBI quando estava a deixar os Estados Unidos e interrogado sobre Julian Assange e o Wikileaks.

O Mundo Amanhã: a guerra virtual

Hoje, no oitavo episódio desta série, Julian Assange entrevista os companheiros de armas, os criptopunks, virtuosos cyberativistas que lutam pela paz na internet. E avisam: não haverá paz sem liberdade. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública

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Por Agência Pública

“Uma guerra invisível e frenética pelo futuro da sociedade está em andamento. De um lado, uma rede de governos e corporações vasculham tudo o que fazemos. Do outro lado, os Criptopunks, desenvolvedores que também moldam políticas públicas dedicadas a manter a privacidade de seus dados pessoais na web. É esse o movimento que gerou o WikiLeaks”, diz Julian Assange, na introdução da oitava entrevista da série World Tomorrow.

Dividida em duas partes, a entrevista traz Assange reunido com seus companheiros Andy Muller Maguhn, Jeremie Zimmerman e Jacob Appelbaum, cyberativistas que lutam pela liberdade na internet.

“É só olhar o Google. O Google sabe, se você é um usuário padrão do Google, o Google sabe com quem você se comunica, quem você conhece, do que você pesquisa, potencialmente sua orientação sexual, sua religião e pensamento filosófico mais que sua mãe e talvez mais que você mesmo”, fala Jeremie.

No bate-papo, eles conversam sobre os desafios técnicos colocados pelo furto do governo a dados pessoais, a importância do ativismo na web e a democratização da tecnologia de criptografia.

“A força da autoridade é derivada da violência. As pessoas deveriam conhecer criptografia. Nenhuma quantidade de violência resolverá um problema matemático. E esta é a chave-mestra. Não significa que você não pode ser torturado, não significa que eles não podem tentar grampear sua casa ou te sabotar de alguma forma, mas se eles acharem alguma mensagem criptografada, não importa se eles têm força de autoridade. Por trás de tudo que eles fazem, eles não podem resolver um problema matemático”, sentencia Jacob.

Na entrevista, os criptopunks avisam: para se ter paz na internet, é preciso haver liberdade. Ou a guerra vai continuar.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

O Mundo Amanhã: Assange entrevista ciberactivistas

Amanhã, dia 21 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a oitava das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista os ciberactivistas Jacob Applebaum, Andy Mueller-Maguhn e Jeremie Zimmermann. A primeira parte deste episódio será colocada online às 20h. A segunda parte estará disponível no dia 28 de Novembro.

Jacob Applebaunn é investigador da Universidade de Washington e membro do Projecto Tor, um sistema de anonimato online disponível a todos que luta contra a cibervigilância e a censura na internet. Jacob acredita que todos temos o direito a ler sem restrições e a falar livremente. Em 2010, quando Julian Assange não pôde dar uma palestra em Nova Iorque, Jacob assumiu o seu lugar. Desde então que tem sido perseguido pelo governo americano: já foi interrogado em aeroportos, sujeito a revistas intimas enquanto era ameaçado de violação na prisão por agentes da autoridade, viu o seu equipamento ser confiscado e o seu site ser pronunciado pela justiça. Ainda assim, mantém-se um apoiante do Wikileaks.

Andy Mueller-Maguhn é um membro e antigo porta-voz do grupo alemão Chaos Computer Club. É especialista em vigilância e está a trabalhar num projecto na wikipédia para dotar o jornalismo de capacidade de vigilância da indústria, o buggedplanet.info. Trabalha em comunicações criptografadas e gere uma empresa chamada Cryptophone, que fornece telecomunicações seguras.

Jeremie Zimmermann é fundador e porta-voz do grupo La Quadrature du Net, a mais proeminente organização europeia de defesa do direito ao anonimato na internet. Trabalha na construção de ferramentas para que o público possa usar em debates abertos. Está também envolvido nas guerras dos direitos de autor, no debate sobre a neutralidade da internet e outros assuntos cruciais para o futuro da web livre. Pouco depois desta entrevista foi detido por dois agentes do FBI quando estava a deixar os Estados Unidos e interrogado sobre Julian Assange e o Wikileaks.

O Mundo Amanhã: Ocupar as Ruas

Hoje, no sétimo episódio desta série, Julian Assange entrevista os líderes do movimento Occupy de Londres e Nova Iorque, Alexa O’Brien, David Graeber, Naomi Colvin, Aaron Peters e Marisa Holmes. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Em dia de greve geral e confrontos nas ruas de Lisboa, esta entrevista torna-se especialmente actual.

Por Agência Pública

Em busca de ideias que podem mudar o mundo, Julian Assange convocou alguns ativistas dos movimentos Occupy de Londres e Nova York para conversar sobre estratégias de mobilização, protestos que utilizam práticas de não-violência e o caso específico do Occupy, suas origens e rumos.

Em meados de 2011, uma  organização canadense fez o seguinte desafio aos norte-americanos “Ocupem Wall Street em 17 de setembro. Tragam suas barracas”. Inspirados por movimentos como a Primavera Árabe e o 15M espanhol, centenas de pessoas ocuparam, num primeiro momento, uma praça no coração financeiro do EUA, em Wall Street. A Zucotti Park foi rebatizada de “Liberty Square”.

Auto-intitulado como um movimento de resistência sem líderes, o Occupy Wall Street (OWS)  adotou e dependeu das ferramentas de comunicação online para coordenar suas ações. A intenção original do OWS, assim como do 15M, era diferente da Primavera Árabe: o que se propunha, inicialmente, era uma reflexão profunda sobre o sistema econômico e político. “Nós não só temos uma crise financeira global, mas temos uma crise política global porque nossas instituições não funcionam mais”, defende um dos participantes.

Sua principal estratégia foram as assembleias gerais para tomar decisões – nomes como Slavoj Zizek e Noam Chomsky participaram delas. Há quem acredite foi justamente isso que gerou uma violenta repressão policial em todo o mundo, quando o movimento se esaplhou para mais de cem cidades.  ”Acho que por estar lá e exercer de forma direta o processo democrático, representávamos uma ameaça e a polícia teve que responder”, diz, na entrevista, um dos participantes do Occupy de Nova York.

Um ano depois, a pergunta segue sendo essencial: e agora?

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista líderes do movimento Occupy

Amanhã, dia 14 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a sétima das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista os líderes do movimento Occupy, Alexa O’Brien, David Graeber, Naomi Colvin, Aaron Peters e Marisa Holmes. O episódio será colocada online às 20h.

Alexa O’Brien  é uma jornalista e activista nova iorquina. Em 2011 iniciou a campanha #USDayofRage que pedia a reforma do sistema eleitoral. Através do seu website tem feito a cobertura do julgamento de Bradley Manning.

David Graeber é um antropólogo Americano baseado em Londres. É autor de Debt: The First Five Thousand Years, uma monografia sobre o papel da dívida nas revoluções e movimentos históricos. Foi um dos primeiros participantes nas manifestações Occupy Wall Street.

Naomi Colvin está por detrás do grupo UK Friends of Bradley Manning. Tem sido também uma porta-voz do grupo Occupy London.

Aaron Peters é doutorando na Universidade de Londres. Tem sido um principais comentadores sobre os movimentos de massas dos últimos anos. É co-editor da Fight Back! e escreve no openDemocracy.net

Marisa Holmes é uma activista e realizadora independente. Foi uma das primeiras participantes no movimento Occupy Wall Street. No 8º dia de manifestações foi presa pela polícia de Nova Iorque por estar a filmar em público.

O Mundo Amanhã: “Os documentos do Wikileaks fortaleceram-nos”

Hoje, no sexto episódio desta série, Julian Assange entrevista o presidente do Equador, Rafael Correa – que recentemente lhe concedeu asilo na embaixada do seu país, em Londres. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today

Por Agência Pública

Em Setembro, o Equador deu asilo político a Julian Assange – que já estava refugiado desde Junho na sua embaixada em Londres. Um ano antes, os telegramas da diplomacia americana no Equador tinham sido publicados, todos de uma vez, pelo WikiLeaks.

Nesta entrevista feita por videolink para a série “O Mundo Amanhã”, no início de 2012, Assange revela que o governo equatoriano procurou o WikiLeaks, na época da divulgação dos telegramas, a pedir que eles fossem todos publicados.

“Quando o WikiLeaks começou a publicar os ‘cables’ sobre o Equador, nós fizémo-lo com dois grupos de média, o El Universo e o El Comercio. O governo equatoriano procurou-nos e disse-nos: ‘queremos que vocês publiquem todos os cables sobre o Ecuador’.  O governo da Jamaica fez o mesmo. Por que nos pediu para publicar todos os documentos?”, pergunta Assange.

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De facto, os [telegramas divulgados pelo] WikiLeaks fortaleceram-nos. A Embaixada dos EUA acusava-nos de sermos excessivamente nacionalistas e defendermos a soberania do governo equatoriano. E é claro que somos nacionalistas! E é claro que defendemos a soberania do Equador!” – responde prontamente o entrevistado.

A pergunta serve de introdução para Corrêa explicar sua polémica luta contra os média do Equador – o presidente é acusado de atacar a liberdade de imprensa. “Os veículos têm sido, aqui, os maiores eleitores, os maiores legisladores, os maiores juízes, os que criam a alimentam a ‘agenda’ da discussão social, os que sempre submeteram governos, presidentes, cortes de justiça, tribunais”, diz.

Eleito em 2007, o economista Rafael Correa  é considerado o presidente mais popular da história democrática do país. Inimigo declarado da política americana para a região, uma das suas primeiras atitudes no governo foi fechar uma base militar norte-americana em Manta. “Se é um assunto tão simples, se não há problema em os EUA manterem uma base militar no Equador, ok, tudo bem: permitiremos que a base de inteligência permaneça no Equador, se os EUA permitirem que estabeleçamos uma base militar do Equador em Miami”, justifica.

Críticas e ironias à política externa norte-americana e o destino político da América Latina também fazem parte da conversa.”A influência dos EUA na América Latina está a diminuir. Isso é bom. Dizemos que a América Latina está a passar, do ‘consenso de Washington’, para o consenso sem Washington”, comenta Correa.

“Talvez venha a ser o Consenso de São Paulo…”, responde imediatamente Assange.

Assista à entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

A entrevista histórica a Rafael Correa

Amanhã, dia 7 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a sexta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – faz uma entrevista histórica ao presidente Equador, Rafael Correa: foi durante este encontro que os dois se aproximaram antes do asilo de Julian Assange na embaixada do Equador em Londres. A entrevista será colocada online às 20h.

Desde que tomou posse, em 2007, o populista de esquerda com um doutoramento em Economia na Universidade do Illinois, tomou medidas que revolucionaram o pequeno país da América Latina. Em 2008, declarou a dívida nacional ilegítima – postura com que a conseguiu renegociar em termos favoráveis. Quando os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks revelaram que a representação dos Estados Unidos influenciava a polícia local, Correa expulsou o embaixador norte-americano. Antes, já tinha encerrado uma base militar dos EUA em Manta.  Isso valeu-lhe ter, no ponto mais baixo da sua popularidade, segundo um telegrama diplomático da embaixada dos Estados Unidos em Quito, o “recorde de popularidade entre todos os presidentes do Equador desde 1979”.

No entanto, algumas medidas tomadas são impopulares. Apesar de a construção garantir os direitos ambientais abriu o país às empresas mineiras chinesas. Depois de ser criticado por órgãos de comunicação privado, deu início a uma série de processos judiciais que lhe valeram acusações internacionais de atentado à liberdade de imprensa. Por tudo é uma figura incontornável da América Latina no século XXI.

O Mundo Amanhã: as vozes de Guantánamo

Hoje, no quinto episódio desta série, Julian Assange entrevista Moazzam Begg, um antigo prisioneiro de Guantánamo e Asim Qureshi, advogado que luta contra os abusos da guerra ao terrorismo. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today

Por Agência Pública

Desde o início da ofensiva norte-americana, em 2001, na chamada Guerra ao Terrorismo, centenas de prisioneiros foram levados para a base de Guantánamo onde ficaram detidos sem acusação formal nem direito à defesa.

O britânico Moazzam Begg, intelectual muçulmano detido sob suspeita de pertencer à Al-Qaeda, é um deles. Preso em 2002 no Afeganistão, só foi libertado  três anos depois, depois de muita pressão por parte do Reino Unido. Nunca foi acusado formalmente de terrorismo.

Ao sair de Guantánamo, Begg juntou-se ao advogado Asim Qureshi para fundar a Cagepriosioners, organização que defende o direito ao processo legal para prisioneiros detidos na  guerra contra o terrorismo.

“Você tem que entender que, até onde os muçulmanos sabem, eles estão sob ataque em todo o mundo. Estão a morrer centenas de milhares de pessoas”, diz Asim Qureshi, em entrevista concedida a Julian Assange quando este estava em prisão domiciliária, no Reino Unido. ”E se você olhar para o conceito de jihad no contexto actual, ele diz que, como muçulmanos, temos o direito de nos defendermos. Não faz sentido dizer que as pessoas que estão a ser mortas por ocupações, domínios coloniais, racismo, não devem se defender e devem continuar a ser agredidas…”

Julian Assange pergunta se esta “defesa” significaria resistência militar. “Claro”, responde o advogado, ponderando que as “armas” da Cageprisoners são o lobby e as campanhas.

Para Moazzam Begg, que hoje é um reconhecido defensor de direitos humanos, a grande diferença na guerra ao terrorismo entre as administrações Bush e Obama foi a seguinte: “Eu costumava dizer que Bush era o presidente do governo em que as detenções extrajudiciais estavam a acontecer. Mas o  Obama é o presidente do governo em que as mortes extrajudiciais estão a acontecer. Então, Obama prometeu uma mudança, disse que a mudança tinha chegado à América. E é isso: a mudança é de detenções extrajudiciais para mortes extrajudiciais”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista ex-preso de Guantánamo

Amanhã, dia 31 de Outubro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a quinta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – volta a ter dois convidados: Moazzam Begg, antigo preso de Guantánamo e director da Cageprisioners; e Asim Qureshi, advogado e director executivo da Cageprisioners. Devido à mudança para o horário de Inverno, todas as entrevistas passarão a ser colocadas online às 20h.

 

Moazzam Begg, é um cidadão britânico que, em 2002, foi raptado pelas forças de segurança norte-americanas no Paquistão, por ser um “combatente inimigo”. Foi levado para o Afeganistão onde foi interrogado e torturado. Mais tarde foi transferido para a prisão de Guantánamo onde esteve detido, sem acusações nem acesso à justiça, até Janeiro de 2005. Foi libertado por ordem do então presidente George W. Bush após negociações com o governo britânico. Desde então que faz campanha com a Cageprisioners pelos direitos dos detidos nas mesmas circunstâncias e trabalha para divulgar o envolvimento do governo dos EUA em raptos, tortura, tráfico e detenção de inocentes pelo mundo.

Asim Qureshi é o director executivo da Cageprisioners. Juntou-se à organização durante o governo de george W. Bush. Durante anos anos foi um investigador da organização – sobretudo violações do primado do direito contra muçulmanos no Paquistão, Bósnia, Quénia, Sudão, Suécia, EUA e Reino Unido. Escreve regularmente sobre as sensibilidades culturais e religiosas dos muçulmanos no contexto da guerra ao terrorismo e espera promover o entendimento entre o Islão e o Ocidente.

O Mundo Amanhã: A Primavera continua

No quarto episódio desta série, Julian Assange entrevista Alaa Abd El-Fattah e Nabeel Rajab, dois dos líderes da Primavera Árabe no Egipto e no Bahrein. Esta é uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today
Por Agência Pública

A 17 de Dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi, um jovem tunisino de 26 anos, ateou fogo ao próprio corpo. A imolação, motivada pelo descontentamento com as condições de vida no país, tornou-se símbolo de uma revolução que, posteriormente, se espalhou por outros 16 países do Médio Oriente, numa série de eventos que ficaram conhecidos por “Primavera Árabe” – e que prossegue até hoje.

Argélia, Egipto, Líbano, Palestina, Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Israel, Marrocos, Arábia Saudita, Síria, Iémen e Emirados Árabes Unidos seguiram o exemplo da Tunísia e articularam as suas próprias mobilizações.

Nestas transformações no mundo árabe, há dois nomes que se destacam: Alaa Abd El-Fattah, bloguer e activista egípcio, e Nabeel Rajab, diretor do Centro de Direitos Humanos do Bahrein.

Assange conversou com os dois activistas para saber se eles acreditam que as manifestações foram bem sucedidas e também para entender o que os motiva a continuar a lutar na linha de frente, mesmo sob forte repressão.

Antes da entrevista, Alaa tinha sido repetidamente detido sob acusações de sabotagem, roubo de tanques, assassinatos e violência contra pelotões inteiros: “eu tinha uma boa reputação e moral na prisão. Sabe, quando as pessoas são presas por roubarem carros… Mas eu fui acusado de roubar tanques”, ironizou na conversa. Hoje, continua impedido de viajar.

Rajab tinha sido sequestrado, torturado e preso pela sua oposição ao governo do Bahrein, país onde é diretor do Centro de Direitos Humanos, causa que defende desde a década de 1990. Sobre a experiência de viver num país com uma revolução em curso, Nabeel acredita que o custo que se paga pela liberdade é alto. “Mas queremos pagar por mudanças pelas quais lutamos”, diz. Um dia antes da entrevista, Rajab colocou um post sobre ela no Twitter. Pouco depois, a sua casa foi cercada por policias armados e ele foi intimado a comparecer à Procuradoria de Justiça para prestar esclarecimentos.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista activistas da Primavera Árabe

Amanhã, dia 23 de Outubro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a quarta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto The World Tomorrow. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – tem dois candidatos: o activista do Bahrain, Nabeel Rajab e o activista político egípcio, Alaa Abd El-fattah. A entrevista será colocada online às 22h.

Nabeel Rajab é um conhecido activista e crítico do regime de Al Khalifa. Membro de uma família anteriormente conotada com o regime, começou a exigir reformas no Bahrain desde que regressou da universidade em 1988. Juntamente com o Abdulhdi al-Khawaja, criou o Centro do Bahrain para os Direitos Humanos em 2002. Ao fim de anos a lutar por causas como a discriminação entre classes e direitos dos trabalhadores, tornou-se a cara da revolução de 14 de Fevereiro de 2011. Desde então que tem enfrentado as companhias de relações públicas do regime com uma guerra sem quartel no Twitter. Depois de al-Khawaja ser preso, liderou os protestos pela sua libertação. Enfrentou espancamentos, prisões e assédio legal por participar em manifestações pró-democracia. No sábado, 5 de Maio, foi preso no aeroporto Manama e acusado no dia seguinte de encorajar protestos ilegais. Ainda está detido.

Alaa Abd El-Fattah é um activista político, progamador e blogger. Em 2006 esteve preso 45 dias por protestar contra o regime de Mubarak. No ano passado teve um papel importante na revolução que levou à queda de Mubarak. Inicialmente no estrangeiro, ajudou a contornar o bloqueio do governo à Internet e no auge dos protestos voltou ao Egipto onde participou na defesa da Praça Tahrir. Em Outubro de 2011 voltou a ser preso 68 dias por participar em protestos contra o governo militar. Os seus pais foram activistas dos direitos humanos durante o regime de Anwar Sadat, a sua irmã, Mona Seif tornou-se uma estrela no Twitter durante a revolução de 2011 e fundou o grupo Não aos Julgamentos Militares para Civis. A campanha para a sua libertação chamou a atenção do mundo para as injustiças do regime militar. O filho de El-Fattah nasceu quando ele estava preso. Libertado em Dezembro, estava proibido de viajar na altura em que esta entrevista foi filmada. Em Maio, as acusações foram retiradas.

O mundo amanhã: Marzouki, um rebelde na presidência

Na terceira entrevista da série “O Mundo Amanhã”, Julian Assange conversa com o ex-exilado e acual presidente da Tunísia, Moncef Marzouki. Esta é uma parceria de O Informador com a Agência Pública, na divulgação do projecto desenvolvido pelo WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today.

Por Agência Pública

A revolução na Tunísia em 2011 marcou o início da Primavera Árabe e inspirou a população de outros países do Médio Oriente que, até hoje, continuam a sair para as ruas em protesto contra governos autoritários. Após meses de protestos, a revolução tunisina derrubou o ditador Ben Ali e abriu caminho para as primeiras eleições democráticas no país em 23 anos

Mas, passada a euforia, fica o desafio: como liderar um governo que seja realmente capaz de mudar a vida da população tunisina?

“Você ficou surpreendido com a falta de poder quando se tornou presidente?”, pergunta a Julian Assange a Moncef Marzouki. “Estou a descobrir que ser chefe de Estado não quer dizer que se tenha o poder todo”, responde o presidente tunisino.

Marzouki é médico e um opositor de longa data do ditador Zine El-Abidine Ben Ali – o que o levou à prisão várias vezes na década de 1990. Fundou o Comité Nacional em Defesa dos Prisioneiros de Consciência e foi presidente da Comissão Árabe de Direitos Humanos. Em 2002, exilou-se em França onde, juntamente com outros tunisinos, fundou o partido político Congresso pela República.

Desde 2001 que afirmava que as pressões externas e as revoltas armadas não derrubariam Ben Ali. Segundo ele, isso só aconteceria através de um movimento popular que empregasse os métodos da resistência civil. Em Janeiro de 2011 a Tunísia mostrou que ele estava certo. Depois da queda de Ben Ali, Marzouki voltou do exílio para anunciar a sua candidatura e foi depois eleito presidente interino pela nova Assembleia Constituinte da Tunísia, em outubro de 2011.

A grande pergunta, nas palavras de Assange, é: “Moncef Marzouki, activista pelos Direitos Humanos, deve agora liderar o Estado que o aprisionou. Poderá ele transformar o Estado?”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.