O Mundo Amanhã: A Guerra Virtual, parte 2

Hoje, no nono episódio desta série, Julian Assange continua a entrevista aos seus companheiros de armas, os criptopunks, virtuosos cyberativistas que lutam pela paz na internet. Hoje o debate é sobre a arquitetura da web, a liberdade de expressão e as consequências da luta por novas políticas na internet. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

Por Agência Pública

O nono episódio da série O Mundo Amanhã continua com os activistas da liberdade de informação na internet, Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn, Jeremie Zimmerman e, claro, Julian Assange, no papel de advogado do diabo. “Trole-nos, mestre troll”, brinca Jacob.

Na luta pela liberdade na web, os Criptopunks lançam algumas luzes sobre a guerra virtual entre a partilha livre e o roubo, o poder dos governos em intervir versus a liberdade de expressão – e as consequências dessa batalha.

“A arquitetura é a verdade. E isso vale para a internet em relação às comunicações. Os chamados ‘sistemas legais de intercepção’, que são só uma forma branda de dizer ‘espiar pessoas’. Certo?”, diz Jacob. “Você apenas coloca “legal” após qualquer coisa porque quem está fazendo é o Estado. Mas na verdade é a arquitetura do Estado que o permite fazer isso, no fim das contas. É a arquitetura das leis e a arquitetura da tecnologia assim como a arquitetura dos sistemas financeiros”.

O debate segue apoiado nas possíveis perspectivas para o futuro. Para os Criptopunks, as políticas devem se pautar na sociedade e nas mudanças que seguem com ela, não o contrário.

“Temos a impressão, com a batalha dos direitos autorais, de que os legisladores tentam fazer com que toda a sociedade mude para se adaptar ao esquema que é definido por Hollywood. Esta não é a forma de se fazer boas políticas. Uma boa política observa o mundo e se adapta a ele, de modo a corrigir o que é errado e permitir o que é bom”, diz Jeremie.

Mas a busca por novas políticas e uma nova arquitetura tem seu preço. Jacob, detido várias vezes em aeroportos americanos, conta: “Eles disseram que eu sei por que isso ocorre. Depende de quando, eles sempre me dão respostas diferentes. Mas geralmente dão uma resposta, que é a mesma em todas instâncias: ‘porque nós podemos’”.

E provoca: “A censura e vigilância não são problemas de ‘outros lugares’. As pessoas no Ocidente adoram falar sobre como iranianos e chineses e norte-coreanos precisam de anonimato, de liberdade, de todas essas coisas, mas nós não as temos aqui”.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

O Mundo Amanhã: Assange entrevista ciberactivistas (parte dois)

Amanhã, dia 28 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a nona das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – continua a entrevista aos ciberactivistas Jacob Applebaum, Andy Mueller-Maguhn e Jeremie Zimmermann. O episódio será colocado online às 20h. A primeira parte pode ser vista aqui.

Jacob Applebaunn é investigador da Universidade de Washington e membro do Projecto Tor, um sistema de anonimato online disponível a todos que luta contra a cibervigilância e a censura na internet. Jacob acredita que todos temos o direito a ler sem restrições e a falar livremente. Em 2010, quando Julian Assange não pôde dar uma palestra em Nova Iorque, Jacob assumiu o seu lugar. Desde então que tem sido perseguido pelo governo americano: já foi interrogado em aeroportos, sujeito a revistas intimas enquanto era ameaçado de violação na prisão por agentes da autoridade, viu o seu equipamento ser confiscado e o seu site ser pronunciado pela justiça. Ainda assim, mantém-se um apoiante do Wikileaks.

Andy Mueller-Maguhn é um membro e antigo porta-voz do grupo alemão Chaos Computer Club. É especialista em vigilância e está a trabalhar num projecto na wikipédia para dotar o jornalismo de capacidade de vigilância da indústria, o buggedplanet.info. Trabalha em comunicações criptografadas e gere uma empresa chamada Cryptophone, que fornece telecomunicações seguras.

Jeremie Zimmermann é fundador e porta-voz do grupo La Quadrature du Net, a mais proeminente organização europeia de defesa do direito ao anonimato na internet. Trabalha na construção de ferramentas para que o público possa usar em debates abertos. Está também envolvido nas guerras dos direitos de autor, no debate sobre a neutralidade da internet e outros assuntos cruciais para o futuro da web livre. Pouco depois desta entrevista foi detido por dois agentes do FBI quando estava a deixar os Estados Unidos e interrogado sobre Julian Assange e o Wikileaks.

O Mundo Amanhã: a guerra virtual

Hoje, no oitavo episódio desta série, Julian Assange entrevista os companheiros de armas, os criptopunks, virtuosos cyberativistas que lutam pela paz na internet. E avisam: não haverá paz sem liberdade. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública

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Por Agência Pública

“Uma guerra invisível e frenética pelo futuro da sociedade está em andamento. De um lado, uma rede de governos e corporações vasculham tudo o que fazemos. Do outro lado, os Criptopunks, desenvolvedores que também moldam políticas públicas dedicadas a manter a privacidade de seus dados pessoais na web. É esse o movimento que gerou o WikiLeaks”, diz Julian Assange, na introdução da oitava entrevista da série World Tomorrow.

Dividida em duas partes, a entrevista traz Assange reunido com seus companheiros Andy Muller Maguhn, Jeremie Zimmerman e Jacob Appelbaum, cyberativistas que lutam pela liberdade na internet.

“É só olhar o Google. O Google sabe, se você é um usuário padrão do Google, o Google sabe com quem você se comunica, quem você conhece, do que você pesquisa, potencialmente sua orientação sexual, sua religião e pensamento filosófico mais que sua mãe e talvez mais que você mesmo”, fala Jeremie.

No bate-papo, eles conversam sobre os desafios técnicos colocados pelo furto do governo a dados pessoais, a importância do ativismo na web e a democratização da tecnologia de criptografia.

“A força da autoridade é derivada da violência. As pessoas deveriam conhecer criptografia. Nenhuma quantidade de violência resolverá um problema matemático. E esta é a chave-mestra. Não significa que você não pode ser torturado, não significa que eles não podem tentar grampear sua casa ou te sabotar de alguma forma, mas se eles acharem alguma mensagem criptografada, não importa se eles têm força de autoridade. Por trás de tudo que eles fazem, eles não podem resolver um problema matemático”, sentencia Jacob.

Na entrevista, os criptopunks avisam: para se ter paz na internet, é preciso haver liberdade. Ou a guerra vai continuar.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para baixar o texto na íntegra.

O Mundo Amanhã: Assange entrevista ciberactivistas

Amanhã, dia 21 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a oitava das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista os ciberactivistas Jacob Applebaum, Andy Mueller-Maguhn e Jeremie Zimmermann. A primeira parte deste episódio será colocada online às 20h. A segunda parte estará disponível no dia 28 de Novembro.

Jacob Applebaunn é investigador da Universidade de Washington e membro do Projecto Tor, um sistema de anonimato online disponível a todos que luta contra a cibervigilância e a censura na internet. Jacob acredita que todos temos o direito a ler sem restrições e a falar livremente. Em 2010, quando Julian Assange não pôde dar uma palestra em Nova Iorque, Jacob assumiu o seu lugar. Desde então que tem sido perseguido pelo governo americano: já foi interrogado em aeroportos, sujeito a revistas intimas enquanto era ameaçado de violação na prisão por agentes da autoridade, viu o seu equipamento ser confiscado e o seu site ser pronunciado pela justiça. Ainda assim, mantém-se um apoiante do Wikileaks.

Andy Mueller-Maguhn é um membro e antigo porta-voz do grupo alemão Chaos Computer Club. É especialista em vigilância e está a trabalhar num projecto na wikipédia para dotar o jornalismo de capacidade de vigilância da indústria, o buggedplanet.info. Trabalha em comunicações criptografadas e gere uma empresa chamada Cryptophone, que fornece telecomunicações seguras.

Jeremie Zimmermann é fundador e porta-voz do grupo La Quadrature du Net, a mais proeminente organização europeia de defesa do direito ao anonimato na internet. Trabalha na construção de ferramentas para que o público possa usar em debates abertos. Está também envolvido nas guerras dos direitos de autor, no debate sobre a neutralidade da internet e outros assuntos cruciais para o futuro da web livre. Pouco depois desta entrevista foi detido por dois agentes do FBI quando estava a deixar os Estados Unidos e interrogado sobre Julian Assange e o Wikileaks.

O Mundo Amanhã: Ocupar as Ruas

Hoje, no sétimo episódio desta série, Julian Assange entrevista os líderes do movimento Occupy de Londres e Nova Iorque, Alexa O’Brien, David Graeber, Naomi Colvin, Aaron Peters e Marisa Holmes. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Em dia de greve geral e confrontos nas ruas de Lisboa, esta entrevista torna-se especialmente actual.

Por Agência Pública

Em busca de ideias que podem mudar o mundo, Julian Assange convocou alguns ativistas dos movimentos Occupy de Londres e Nova York para conversar sobre estratégias de mobilização, protestos que utilizam práticas de não-violência e o caso específico do Occupy, suas origens e rumos.

Em meados de 2011, uma  organização canadense fez o seguinte desafio aos norte-americanos “Ocupem Wall Street em 17 de setembro. Tragam suas barracas”. Inspirados por movimentos como a Primavera Árabe e o 15M espanhol, centenas de pessoas ocuparam, num primeiro momento, uma praça no coração financeiro do EUA, em Wall Street. A Zucotti Park foi rebatizada de “Liberty Square”.

Auto-intitulado como um movimento de resistência sem líderes, o Occupy Wall Street (OWS)  adotou e dependeu das ferramentas de comunicação online para coordenar suas ações. A intenção original do OWS, assim como do 15M, era diferente da Primavera Árabe: o que se propunha, inicialmente, era uma reflexão profunda sobre o sistema econômico e político. “Nós não só temos uma crise financeira global, mas temos uma crise política global porque nossas instituições não funcionam mais”, defende um dos participantes.

Sua principal estratégia foram as assembleias gerais para tomar decisões – nomes como Slavoj Zizek e Noam Chomsky participaram delas. Há quem acredite foi justamente isso que gerou uma violenta repressão policial em todo o mundo, quando o movimento se esaplhou para mais de cem cidades.  ”Acho que por estar lá e exercer de forma direta o processo democrático, representávamos uma ameaça e a polícia teve que responder”, diz, na entrevista, um dos participantes do Occupy de Nova York.

Um ano depois, a pergunta segue sendo essencial: e agora?

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista líderes do movimento Occupy

Amanhã, dia 14 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a sétima das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – entrevista os líderes do movimento Occupy, Alexa O’Brien, David Graeber, Naomi Colvin, Aaron Peters e Marisa Holmes. O episódio será colocada online às 20h.

Alexa O’Brien  é uma jornalista e activista nova iorquina. Em 2011 iniciou a campanha #USDayofRage que pedia a reforma do sistema eleitoral. Através do seu website tem feito a cobertura do julgamento de Bradley Manning.

David Graeber é um antropólogo Americano baseado em Londres. É autor de Debt: The First Five Thousand Years, uma monografia sobre o papel da dívida nas revoluções e movimentos históricos. Foi um dos primeiros participantes nas manifestações Occupy Wall Street.

Naomi Colvin está por detrás do grupo UK Friends of Bradley Manning. Tem sido também uma porta-voz do grupo Occupy London.

Aaron Peters é doutorando na Universidade de Londres. Tem sido um principais comentadores sobre os movimentos de massas dos últimos anos. É co-editor da Fight Back! e escreve no openDemocracy.net

Marisa Holmes é uma activista e realizadora independente. Foi uma das primeiras participantes no movimento Occupy Wall Street. No 8º dia de manifestações foi presa pela polícia de Nova Iorque por estar a filmar em público.

O Mundo Amanhã: “Os documentos do Wikileaks fortaleceram-nos”

Hoje, no sexto episódio desta série, Julian Assange entrevista o presidente do Equador, Rafael Correa – que recentemente lhe concedeu asilo na embaixada do seu país, em Londres. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today

Por Agência Pública

Em Setembro, o Equador deu asilo político a Julian Assange – que já estava refugiado desde Junho na sua embaixada em Londres. Um ano antes, os telegramas da diplomacia americana no Equador tinham sido publicados, todos de uma vez, pelo WikiLeaks.

Nesta entrevista feita por videolink para a série “O Mundo Amanhã”, no início de 2012, Assange revela que o governo equatoriano procurou o WikiLeaks, na época da divulgação dos telegramas, a pedir que eles fossem todos publicados.

“Quando o WikiLeaks começou a publicar os ‘cables’ sobre o Equador, nós fizémo-lo com dois grupos de média, o El Universo e o El Comercio. O governo equatoriano procurou-nos e disse-nos: ‘queremos que vocês publiquem todos os cables sobre o Ecuador’.  O governo da Jamaica fez o mesmo. Por que nos pediu para publicar todos os documentos?”, pergunta Assange.

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De facto, os [telegramas divulgados pelo] WikiLeaks fortaleceram-nos. A Embaixada dos EUA acusava-nos de sermos excessivamente nacionalistas e defendermos a soberania do governo equatoriano. E é claro que somos nacionalistas! E é claro que defendemos a soberania do Equador!” – responde prontamente o entrevistado.

A pergunta serve de introdução para Corrêa explicar sua polémica luta contra os média do Equador – o presidente é acusado de atacar a liberdade de imprensa. “Os veículos têm sido, aqui, os maiores eleitores, os maiores legisladores, os maiores juízes, os que criam a alimentam a ‘agenda’ da discussão social, os que sempre submeteram governos, presidentes, cortes de justiça, tribunais”, diz.

Eleito em 2007, o economista Rafael Correa  é considerado o presidente mais popular da história democrática do país. Inimigo declarado da política americana para a região, uma das suas primeiras atitudes no governo foi fechar uma base militar norte-americana em Manta. “Se é um assunto tão simples, se não há problema em os EUA manterem uma base militar no Equador, ok, tudo bem: permitiremos que a base de inteligência permaneça no Equador, se os EUA permitirem que estabeleçamos uma base militar do Equador em Miami”, justifica.

Críticas e ironias à política externa norte-americana e o destino político da América Latina também fazem parte da conversa.”A influência dos EUA na América Latina está a diminuir. Isso é bom. Dizemos que a América Latina está a passar, do ‘consenso de Washington’, para o consenso sem Washington”, comenta Correa.

“Talvez venha a ser o Consenso de São Paulo…”, responde imediatamente Assange.

Assista à entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.