A entrevista histórica a Rafael Correa

Amanhã, dia 7 de Novembro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a sexta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – faz uma entrevista histórica ao presidente Equador, Rafael Correa: foi durante este encontro que os dois se aproximaram antes do asilo de Julian Assange na embaixada do Equador em Londres. A entrevista será colocada online às 20h.

Desde que tomou posse, em 2007, o populista de esquerda com um doutoramento em Economia na Universidade do Illinois, tomou medidas que revolucionaram o pequeno país da América Latina. Em 2008, declarou a dívida nacional ilegítima – postura com que a conseguiu renegociar em termos favoráveis. Quando os telegramas diplomáticos divulgados pelo Wikileaks revelaram que a representação dos Estados Unidos influenciava a polícia local, Correa expulsou o embaixador norte-americano. Antes, já tinha encerrado uma base militar dos EUA em Manta.  Isso valeu-lhe ter, no ponto mais baixo da sua popularidade, segundo um telegrama diplomático da embaixada dos Estados Unidos em Quito, o “recorde de popularidade entre todos os presidentes do Equador desde 1979”.

No entanto, algumas medidas tomadas são impopulares. Apesar de a construção garantir os direitos ambientais abriu o país às empresas mineiras chinesas. Depois de ser criticado por órgãos de comunicação privado, deu início a uma série de processos judiciais que lhe valeram acusações internacionais de atentado à liberdade de imprensa. Por tudo é uma figura incontornável da América Latina no século XXI.

O Mundo Amanhã: as vozes de Guantánamo

Hoje, no quinto episódio desta série, Julian Assange entrevista Moazzam Begg, um antigo prisioneiro de Guantánamo e Asim Qureshi, advogado que luta contra os abusos da guerra ao terrorismo. A transmissão deste episódio resulta de uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today

Por Agência Pública

Desde o início da ofensiva norte-americana, em 2001, na chamada Guerra ao Terrorismo, centenas de prisioneiros foram levados para a base de Guantánamo onde ficaram detidos sem acusação formal nem direito à defesa.

O britânico Moazzam Begg, intelectual muçulmano detido sob suspeita de pertencer à Al-Qaeda, é um deles. Preso em 2002 no Afeganistão, só foi libertado  três anos depois, depois de muita pressão por parte do Reino Unido. Nunca foi acusado formalmente de terrorismo.

Ao sair de Guantánamo, Begg juntou-se ao advogado Asim Qureshi para fundar a Cagepriosioners, organização que defende o direito ao processo legal para prisioneiros detidos na  guerra contra o terrorismo.

“Você tem que entender que, até onde os muçulmanos sabem, eles estão sob ataque em todo o mundo. Estão a morrer centenas de milhares de pessoas”, diz Asim Qureshi, em entrevista concedida a Julian Assange quando este estava em prisão domiciliária, no Reino Unido. ”E se você olhar para o conceito de jihad no contexto actual, ele diz que, como muçulmanos, temos o direito de nos defendermos. Não faz sentido dizer que as pessoas que estão a ser mortas por ocupações, domínios coloniais, racismo, não devem se defender e devem continuar a ser agredidas…”

Julian Assange pergunta se esta “defesa” significaria resistência militar. “Claro”, responde o advogado, ponderando que as “armas” da Cageprisoners são o lobby e as campanhas.

Para Moazzam Begg, que hoje é um reconhecido defensor de direitos humanos, a grande diferença na guerra ao terrorismo entre as administrações Bush e Obama foi a seguinte: “Eu costumava dizer que Bush era o presidente do governo em que as detenções extrajudiciais estavam a acontecer. Mas o  Obama é o presidente do governo em que as mortes extrajudiciais estão a acontecer. Então, Obama prometeu uma mudança, disse que a mudança tinha chegado à América. E é isso: a mudança é de detenções extrajudiciais para mortes extrajudiciais”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista ex-preso de Guantánamo

Amanhã, dia 31 de Outubro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a quinta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – volta a ter dois convidados: Moazzam Begg, antigo preso de Guantánamo e director da Cageprisioners; e Asim Qureshi, advogado e director executivo da Cageprisioners. Devido à mudança para o horário de Inverno, todas as entrevistas passarão a ser colocadas online às 20h.

 

Moazzam Begg, é um cidadão britânico que, em 2002, foi raptado pelas forças de segurança norte-americanas no Paquistão, por ser um “combatente inimigo”. Foi levado para o Afeganistão onde foi interrogado e torturado. Mais tarde foi transferido para a prisão de Guantánamo onde esteve detido, sem acusações nem acesso à justiça, até Janeiro de 2005. Foi libertado por ordem do então presidente George W. Bush após negociações com o governo britânico. Desde então que faz campanha com a Cageprisioners pelos direitos dos detidos nas mesmas circunstâncias e trabalha para divulgar o envolvimento do governo dos EUA em raptos, tortura, tráfico e detenção de inocentes pelo mundo.

Asim Qureshi é o director executivo da Cageprisioners. Juntou-se à organização durante o governo de george W. Bush. Durante anos anos foi um investigador da organização – sobretudo violações do primado do direito contra muçulmanos no Paquistão, Bósnia, Quénia, Sudão, Suécia, EUA e Reino Unido. Escreve regularmente sobre as sensibilidades culturais e religiosas dos muçulmanos no contexto da guerra ao terrorismo e espera promover o entendimento entre o Islão e o Ocidente.

O Mundo Amanhã: A Primavera continua

No quarto episódio desta série, Julian Assange entrevista Alaa Abd El-Fattah e Nabeel Rajab, dois dos líderes da Primavera Árabe no Egipto e no Bahrein. Esta é uma parceria de O Informador com a Agência Pública. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today
Por Agência Pública

A 17 de Dezembro de 2010, Mohamed Bouazizi, um jovem tunisino de 26 anos, ateou fogo ao próprio corpo. A imolação, motivada pelo descontentamento com as condições de vida no país, tornou-se símbolo de uma revolução que, posteriormente, se espalhou por outros 16 países do Médio Oriente, numa série de eventos que ficaram conhecidos por “Primavera Árabe” – e que prossegue até hoje.

Argélia, Egipto, Líbano, Palestina, Bahrein, Irão, Iraque, Kuwait, Líbia, Israel, Marrocos, Arábia Saudita, Síria, Iémen e Emirados Árabes Unidos seguiram o exemplo da Tunísia e articularam as suas próprias mobilizações.

Nestas transformações no mundo árabe, há dois nomes que se destacam: Alaa Abd El-Fattah, bloguer e activista egípcio, e Nabeel Rajab, diretor do Centro de Direitos Humanos do Bahrein.

Assange conversou com os dois activistas para saber se eles acreditam que as manifestações foram bem sucedidas e também para entender o que os motiva a continuar a lutar na linha de frente, mesmo sob forte repressão.

Antes da entrevista, Alaa tinha sido repetidamente detido sob acusações de sabotagem, roubo de tanques, assassinatos e violência contra pelotões inteiros: “eu tinha uma boa reputação e moral na prisão. Sabe, quando as pessoas são presas por roubarem carros… Mas eu fui acusado de roubar tanques”, ironizou na conversa. Hoje, continua impedido de viajar.

Rajab tinha sido sequestrado, torturado e preso pela sua oposição ao governo do Bahrein, país onde é diretor do Centro de Direitos Humanos, causa que defende desde a década de 1990. Sobre a experiência de viver num país com uma revolução em curso, Nabeel acredita que o custo que se paga pela liberdade é alto. “Mas queremos pagar por mudanças pelas quais lutamos”, diz. Um dia antes da entrevista, Rajab colocou um post sobre ela no Twitter. Pouco depois, a sua casa foi cercada por policias armados e ele foi intimado a comparecer à Procuradoria de Justiça para prestar esclarecimentos.

Assista a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Assange entrevista activistas da Primavera Árabe

Amanhã, dia 23 de Outubro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a quarta das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto The World Tomorrow. Esta semana, o fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – tem dois candidatos: o activista do Bahrain, Nabeel Rajab e o activista político egípcio, Alaa Abd El-fattah. A entrevista será colocada online às 22h.

Nabeel Rajab é um conhecido activista e crítico do regime de Al Khalifa. Membro de uma família anteriormente conotada com o regime, começou a exigir reformas no Bahrain desde que regressou da universidade em 1988. Juntamente com o Abdulhdi al-Khawaja, criou o Centro do Bahrain para os Direitos Humanos em 2002. Ao fim de anos a lutar por causas como a discriminação entre classes e direitos dos trabalhadores, tornou-se a cara da revolução de 14 de Fevereiro de 2011. Desde então que tem enfrentado as companhias de relações públicas do regime com uma guerra sem quartel no Twitter. Depois de al-Khawaja ser preso, liderou os protestos pela sua libertação. Enfrentou espancamentos, prisões e assédio legal por participar em manifestações pró-democracia. No sábado, 5 de Maio, foi preso no aeroporto Manama e acusado no dia seguinte de encorajar protestos ilegais. Ainda está detido.

Alaa Abd El-Fattah é um activista político, progamador e blogger. Em 2006 esteve preso 45 dias por protestar contra o regime de Mubarak. No ano passado teve um papel importante na revolução que levou à queda de Mubarak. Inicialmente no estrangeiro, ajudou a contornar o bloqueio do governo à Internet e no auge dos protestos voltou ao Egipto onde participou na defesa da Praça Tahrir. Em Outubro de 2011 voltou a ser preso 68 dias por participar em protestos contra o governo militar. Os seus pais foram activistas dos direitos humanos durante o regime de Anwar Sadat, a sua irmã, Mona Seif tornou-se uma estrela no Twitter durante a revolução de 2011 e fundou o grupo Não aos Julgamentos Militares para Civis. A campanha para a sua libertação chamou a atenção do mundo para as injustiças do regime militar. O filho de El-Fattah nasceu quando ele estava preso. Libertado em Dezembro, estava proibido de viajar na altura em que esta entrevista foi filmada. Em Maio, as acusações foram retiradas.

O mundo amanhã: Marzouki, um rebelde na presidência

Na terceira entrevista da série “O Mundo Amanhã”, Julian Assange conversa com o ex-exilado e acual presidente da Tunísia, Moncef Marzouki. Esta é uma parceria de O Informador com a Agência Pública, na divulgação do projecto desenvolvido pelo WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today.

Por Agência Pública

A revolução na Tunísia em 2011 marcou o início da Primavera Árabe e inspirou a população de outros países do Médio Oriente que, até hoje, continuam a sair para as ruas em protesto contra governos autoritários. Após meses de protestos, a revolução tunisina derrubou o ditador Ben Ali e abriu caminho para as primeiras eleições democráticas no país em 23 anos

Mas, passada a euforia, fica o desafio: como liderar um governo que seja realmente capaz de mudar a vida da população tunisina?

“Você ficou surpreendido com a falta de poder quando se tornou presidente?”, pergunta a Julian Assange a Moncef Marzouki. “Estou a descobrir que ser chefe de Estado não quer dizer que se tenha o poder todo”, responde o presidente tunisino.

Marzouki é médico e um opositor de longa data do ditador Zine El-Abidine Ben Ali – o que o levou à prisão várias vezes na década de 1990. Fundou o Comité Nacional em Defesa dos Prisioneiros de Consciência e foi presidente da Comissão Árabe de Direitos Humanos. Em 2002, exilou-se em França onde, juntamente com outros tunisinos, fundou o partido político Congresso pela República.

Desde 2001 que afirmava que as pressões externas e as revoltas armadas não derrubariam Ben Ali. Segundo ele, isso só aconteceria através de um movimento popular que empregasse os métodos da resistência civil. Em Janeiro de 2011 a Tunísia mostrou que ele estava certo. Depois da queda de Ben Ali, Marzouki voltou do exílio para anunciar a sua candidatura e foi depois eleito presidente interino pela nova Assembleia Constituinte da Tunísia, em outubro de 2011.

A grande pergunta, nas palavras de Assange, é: “Moncef Marzouki, activista pelos Direitos Humanos, deve agora liderar o Estado que o aprisionou. Poderá ele transformar o Estado?”.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

Julian Assange entrevista o presidente da Tunísia

Esta quarta-feira, dia 17 de Outubro, O Informador, em parceria com a Agência Pública, transmite em exclusivo em Portugal a terceira das 12 entrevistas conduzidas por Julian Assange para o projecto The World Tomorrow. O convidado do fundador do WikiLeaks – que realizou este projecto em parceria com o canal Russia Today – é  Moncef Marzouki, o Presidente da República da Tunísia.

Físico de formação, Marzouki foi, durante muitos anos, um opositor assumido do ditador Zine El-Abidine Ben Ali – posição que o levou à prisão no início da década de 1990. Fundou o Comité Nacional para a Defesa dos Prisioneiros de Consciência e foi presidente da Comissão Árabe para os Direitos Humanos. Perseguido no próprio país, foi obrigado a exilar-se em França onde criou e se tornou líder do partido Congresso para a República. Tem uma vasta obra publicada sobre as ditaduras e, desde 2001, que defende que Ben Ali não iria cair graças a uma revolução armada ou à pressão internacional, mas na sequência de um movimento popular de resistência civil. Em Janeiro de 2011, o povo tunisino deu-lhe razão. Após a partida de Ben Ali regressou do exílio, anunciou a sua candidatura e, em Outubro de 2011, foi eleito presidente interino pela Assembleia Constituinte Tunisina.

Nesta entrevista, Assange pergunta: “Moncef Marzouki, activista dos direitos humanos, tem agora de liderar o Estado que o aprisionou. Pode transformar o Estado? Ou o poder vai transformar Marzouki?”