Os Miró: uma polémica “surreal”

A expressão é do blogger da Bloomberg, James Tarmy, num texto sobre a “colecção que ninguém viu”. O artigo está aqui.

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Assunção Esteves, a “Miss Prada” do Parlamento

Assunção Esteves chegou a presidente da Assembleia da República depois do erro de casting que foi a escolha de Fernando Nobre. A sua indicação, por parte do PSD, foi bem recebida pelos restantes partidos. Não havia como não ser: jurista brilhante, tornou-se a primeira mulher a chegar ao cargo. O pior foi depois. Desde que tomou posse, Assunção Esteves acumulou uma série de polémicas e tomou inúmeras atitutes que não se limitam a colocá-la em causa: desprestigiam o cargo que ocupa. A declaração infeliz sobre os militares de Abril é apenas a último dos casos. De memória houve os episódios sobre o acesso às galerias do parlamento, as declarações sobre a transladação para o Panteão Nacional, etc.

Logo após a tomada de posse começaram a correr pelos corredores do Parlamento os primeiros relatos da personalidade colérica da nova Presidente da Assembleia. Depois foram os funcionários do seu gabinete que começaram a saír a um ritmo muito superior ao normal. Isso levou-nos, na Sábado, a tentar perceber o que se passava. O resultado foi um artigo que conta como Assunção Esteves menoriza os funcionários com quem trabalha – daí as demissões e a alcunha de “Miss Prada do Parlamento”. Uma assessora de imprensa durou nove dias. Sobre o actual secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, disse em plenario que “não sabe escrever duas frases juntas e que não lhe serve para nada”.

Mais: o artigo conta como Assunção Esteves colocou um membro do gabinete a alterar constantemente a sua página na Wikipédia de modo a eliminar dados que ela não gosta que sejam públicos: o casamento com José Lamego, a profissão do pai (alfaiate), o seu envolvimento no atropelamento de uma idosa, em Faro, e o facto de se ter reformado aos 42 anos como juíza do Tribunal Constitucional com uma pensão superior a sete mil euros mensais. Para não falar na obsessão das limpezas: leva lençois para os hotéis e renovou a casa de banho do seu gabinete para não se sentar na mesma sanita de Jaime Gama.

Há também quem se queixe de não perceber o que ela diz. O episódio do inconseguimento tornou-se célebre. Mas a linguagem de Assunção Esteves vai muito mais longe. Basta dar uma vista de olhos pelos seus discursos. Agora, o problema não foi esse. Pelo contrário. Percebeu-se demasiado bem o que Assunção Esteves afirmou. E o que pensa sobre o assunto.

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O comentário/entrevista de José Sócrates também está no YouTube

No canal da RTP

As origens da guerra entre Diogo Quintela e Sousa Tavares

É sempre bom ter informação de contexto. A zanga entre o jornalista Miguel Sousa Tavares e o humorista José Diogo Quintela, não nasceu agora. Remonta aos tempos em que ambos escreviam no jornal A Bola – e que culminou com a saída do humorista do diário, juntamente com o seu parceiro nos Gato Fedorento, Ricardo Araújo Pereira.

Há dois anos, o Vítor Matos assinou na Sábado um artigo em que explicava as origens do conflito. Rezava assim:

“Um famoso sportinguista e um distinto benfiquista deixaram de escrever crónicas para o jornal A Bola, porque um deles foi censurado por criticar um portista. O sócio do Sporting é José Diogo Quintela, que abandonou o diário desportivo depois de o jornal ter cortado uma parte de um artigo de opinião, onde criticava Miguel Sousa Tavares, adepto do Porto.
A demissão solidária partiu de Ricardo Araújo Pereira, benfiquista, e, como Quintela, membro da equipa humorística Gato Fedorento.
Na crónica censurada por A Bola, José Diogo Quintela respondia a Miguel Sousa Tavares, que, no seu último texto de opinião, escrevera estar “farto de viver […] com dois rafeiros atiçados às canelas, dois censores encartados”. Sousa Tavares, alegava que, nas suas crónicas, os Gato Fedorento o criticavam sistematicamente por ele ter recusado uma ida ao programa “Esmiúça os Sufrágios”, durante a campanha eleitoral de 2009. 
José Diogo Quintela publicou a parte censurada do seu texto no site sportingapoio.com, onde acusa o jornalista de intimidação: “Pela segunda vez num ano, MST tenta intimidar-me por causa do que escrevo nestas crónicas. Em Janeiro, pediu a Pinto da Costa para que me processasse. Desta vez, vitimiza-se e ameaça abandonar a suas crónica n’ A Bola, pretendendo que o Ricardo e eu sejamos responsabilizados pela sua saída”.

As polémicas de Miguel
A última grande polémica protagonizada pelo jornalista e escritor foi quando o historiador Vasco Pulido Valente (VPV) escreveu um artigo no Público, demolidor para o seu segundo romance “Rio das Flores”. VPV escreveu que “nada [é] pior do que um livro mau, excepto escrever sobre um livro mau”.
O mau ambiente entre os dois começara a notar-se em público com Equador, o livro anterior de Sousa Tavares, quando este acusou VPV de ter criticado o seu livro sem o ler. “Isto bastou para que ele anunciasse por SMS à minha mulher que ia dar cabo de mim”, escreveu VPV no Público.
A polémica arrastou-se nos jornais e envolveu o então director do Público, José Manuel Fernandes, mas terminou com uma declaração de VPV ao jornal “i” a enterrar o machado de guerra e a dizer que tinham feito as pazes.
Nos últimos tempos, Sousa Tavares suscitou a ira de algumas classes profissionais, como os professores. Em 2008, uma professora publicou uma carta aberta acusando-o de ter dito que os professores são “os inúteis mais bem pagos do país”, embora o jornalista a tenha afirmado que jamais tenha dito ou escrito tal opinião.
Os estivadores do porto de Lisboa são outros profissionais que detestam o cronista do Expresso e de A Bola, por causa do seu activismo contra o alargamento do terminal de contentores na zona ribeirinha da capital. Em Outubro de 2008, 200 estivadores concentraram-se em frente à Câmara de Lisboa, a injuriar o cronista que estava reunido com o presidente da câmara. Sousa Tavares só saiu dos Paços do Município sob escolta policial.
O ex-ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho também manteve uma acesa polémica com Sousa Tavares nos jornais, depois de este ter questionado a importância das gravuras rupestres no Vale do Côa.”

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José Diogo Quintela vs Miguel Sousa Tavares (parte 2)

Depois de Miguel Sousa Tavares dizer que as questões familiares se discutem “em privado” e de acusar José Diogo Quintela de se tentar promover às suas custas e de ter sido sócio de Dias Loureiro no negócio da Padaria Portuguesa, o humorista reagiu desta forma ao Diário de Notícias de hoje:

“MST veio falar da educação que recebeu em casa. Conheço este género de educação em que não se fala dos nossos familiares banqueiros enquanto se desancam, todas as semanas, os seus concorrentes. Só que, embora seja ensinado em alguns tipos específicos de família, não se chama bem educação. Chama-se omertà [conspiração]. 

Os meus pais ensinaram-me que não se deve abusar de situações de poder para beneficiar familiares. No caso, uma página no Expresso em que se atacam os banqueiros menos o lá de casa. Mas folgo em saber que MST finalmente faz a declaração de interesses em que, vá lá, admite que poupa Ricardo Salgado por ser da família. Agora só falta corrigir a badana do seu livro de crónicas, onde diz: ‘A independência, total e absoluta, é o preço a pagar por aquilo que faço e escrevo. Se assim não fosse, não sei por que razão mereceria a credibilidade dos leitores’.”

Miguel Sousa Tavares não quis responder.

Miguel Sousa Tavares

José Diogo Quintela vs Miguel Sousa Tavares

No domingo, José Diogo Quintela dedicou a sua crónica no Público a Miguel Sousa Tavares. Basicamente, o humorista nota que ao longo dos últimos oito anos o jornalista e comentador nunca escreveu uma linha sobre o presidente do BES, Ricardo Salgado. E que, pelo contrário, atacou praticamente todos os outros banqueiros bem como os responsáveis do banco de Portugal. No final, Quintela deixa o que julga ser o motivo deste silêncio: o casamento da filha de Miguel Sousa Tavares com o filho de Ricardo Salgado.

65375_10151515944979588_738013265_nHoje, Miguel Sousa Tavares esboçou uma espécie de reacção, quando foi contactado por um jornalista da Sábado:

Leu a crónica que José Diogo Quintela escreveu sobre si?
Sim, mandaram-se isso.

E o que é que tem a dizer?
Apenas isto: ele é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas.

Mas sobre a insinuação de que…
… É só isso que tenho a reagir: é um falhado, um medíocre, que se quer promover às minhas custas, mas não lhe vou fazer isso.

Quintela diz…

… estou-me nas tintas. Ele que que fale do sócio dele da panificação, o Dias Loureiro.”

Está bom, isto.