Leitura para o fim-de-semana: uma reportagem sobre exploração sexual em cartoon

Durante três meses, uma equipa de reportagem da Pública – Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo colocou um equipa a investigar a teia de exploração sexual que levou milhares de raparigas para os locais onde se ia realizar o Campeonato do Mundo de Futebol. O resultado dessa reportagem não foi um texto escrito. Ou um trabalho em vídeo. Na procura de novas formas de contar uma história, a Pública decidiu contar esta história numa banda desenhada em que o leitor acompanha a acção do repórter, as entrevistas, os locais. Ao todo são cinco capítulos para além do prólogo que deixo aqui.

Os restantes capítulos estão aqui. 

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Com vandalismo: no meio dos protestos no Brasil

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Por Coletivo Nigéria

Em  Junho e Julho, o Coletivo Nigéria, parceiro da agência Pública – à qual O Informador se associou no ano passado -, acompanhou as manifestações de rua em Fortaleza, no Ceará, e registou depoimentos e cenas dos protestos. O resultado é um documentário jornalístico, em que o narrador pouco interfere nos factos, que mostra todos os tipos de manifestantes, o que move cada um, e de que modo a violência – policial e/ou da sociedade – participa dessas manifestações.

Um relato/reflexão realizado no calor do momento, em que a cronologia dos factos, a variedade de ângulos e de entrevistados, e a sobriedade dos jornalistas, contribuem para criar um panorama completo das manifestações em Fortaleza, revelador para os que buscam compreender quem é e o que deseja essa juventude que está nas ruas das capitais brasileiras.

O mundial das remoções forçadas, violência, exclusão e tráfico sexual

Falar do Brasil é falar de futebol – pronto, para além do samba, mulheres e Carnaval. Talvez por isso seja surpreendente para muitos que os recentes protestos contra o aumento dos preços dos transportes públicos se tenham transformado num grito generalizado de revolta contra o crime, a corrupção e… contra a realização do Campeonato do Mundo de Futebol de 20014 (e já agora dos Jogos Olímpicos de 2016) no Brasil.

O protesto não é contra o evento em si. Qualquer brasileiro é louco por bola. Eles são contra os investimentos monstruosos que, no futuro, não terão retorno (lembram-se dos estádios em Portugal?), contra as remoções forçadas sem aviso prévio, contra o aumento do tráfico e turismo sexual, contra a falta de diálogo e informação política, contra a violência policial, contra a legislação de excepção destinada a cumprir as exigências da FIFA e, também, contra uma Copa do Mundo (é assim que eles lhe chamam) onde a maioria dos brasileiros não vai poder ir ao estádio. Podem perceber tudo através deste texto da agência Pública, da qual o O Informador é parceiro.

POR QUE PROTESTAM CONTRA A COPA

Em Belo Horizonte, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Fortaleza protestos contra a Copa se misturam às bandeiras por participação política, transporte e serviços públicos de qualidade. Veja aqui 7 razões para que a festa esteja se transformando em manifestação. 

Por Marina Amaral

CUSTO X LEGADO Foto: Tasso Marcelo / AFP

Já foram gastos 27,4 bilhões de reais na Copa e a previsão atual é de custo total de 33 bilhões, uma quantia que se aproxima do total do orçamento federal em educação para este ano: 38 bilhões de reais. Uma priorização de recursos que a população questiona nas ruas, assim como a concentração do dinheiro público na construção de estádios, em muitos casos, como em Manaus e Cuiabá, “elefantes brancos” sem futuro aproveitamento.

Além disso, as obras de mobilidade urbana – apresentadas pelo governo como o principal legado para as cidades-sede – atualmente orçadas em 12 bilhões de reais – privilegiam os acessos viários para carros (viadutos, alargamentos de avenidas) e a rota aeroportos-hoteis-estádios que não é necessariamente a prioritária para a mobilidade urbana no cotidiano das cidades. Um exemplo claro é Itaquera, onde as obras reivindicadas pela comunidade foram suspensas enquanto se investe a todo vapor nas obras de acesso ao estádio. Promessas em investimento em transporte público, como a construção do metrô de Salvador e o Monotrilho da linha Ouro em São Paulo foram retiradas da Matriz de Responsabilidades (o orçamento federal para a Copa) e o transporte público chegou a ser prejudicado no Rio de Janeiro, onde os moradores e comércio sofrem com a falta do tradicional bondinho – que não circula desde 2011 – depois de um acidente denunciado pelos moradores como resultante de um projeto equivocado de modernização (que teve de ser refeito e ainda não está pronto)

Por fim, as obras de mobilidade urbana são as principais responsáveis pelas remoções de comunidades, ameaças ambientais e perda de equipamentos públicas.

REMOÇÕES VIOLENTAS E DEMOLIÇÕES INDESEJÁVEIS Foto: Reuters

Os movimentos sociais contabilizam 170 mil pessoas ameaçadas ou já removidas e/ou recebendo indenizações de 3 a 10 mil reais, para os que comprovam a propriedade do lote, e bolsas-aluguel de menos de 1 salário mínimo para os demais. Não raro os despejos são feitos de forma violenta, sem transparência nem diálogo entre poder público e moradores.  No morro da Providência no Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas descobriram que seriam expulsas quando suas casas apareciam marcadas, sem nenhuma negociação prévia.

Além das casas, os moradores perdem também suas comunidades, em alguns casos centenárias, amigos, vizinhos, tradições. Via de regra são enviados para longe de suas raízes e cotidiano e perdem a infraestrutura urbana dos bairros mais centrais, caso por exemplo, da ameaçada comunidade da Paz, em Itaquera, São Paulo. As indenizações recebidas são muito menores que os preços de aluguéis e imóveis nos bairros atingidos pelas obras da Copa, forçando a ida para longe também dos que podem decidir seu rumo. A especulação imobiliária em torno dos estádios e melhorias feitas para tornar a cidade mais atraente para os turistas expulsam moradores que seriam beneficiados pela evolução, dos morros  Rio de Janeiro à zona leste de São Paulo, agravando o problema extenso de carência de moradias nas grandes cidades brasileiras.

O patrimônio social e cultural também foi prejudicado, como mostrou a expulsão de representantes das etnias indígenas que ocupavam o antigo Museu do Índiono Rio de Janeiro,reconhecido pelos antropólogos como marco da relação entre indios e brancos no Brasil, o histórico estádio do Maracanã foi descaracterizado por uma reforma que já custou 1,2 bilhões aos cofres públicos e acompanhado da destruição de equipamentos públicos esportivos, como o ginásio Célio Barros para construir estacionamentos e acessos viários em torno do estádio.

LEGISLAÇÃO DE EXCEÇÃO PARA CUMPRIR AS EXIGÊNCIAS DA FIFA

Foto: Getty Images

Desde que o Brasil fechou o acordo com a FIFA, o governo vem criando leis por Medidas Provisórias para assegurar os interesses da FIFA e de seus parceiros (Lei Geral da Copa), permitir que Estados e Municípios se endividem além do exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para investir em obras da Copa, abreviar licenciamento ambiental e dispensar licitações.

Alguns exemplos do prejuízo que essa legislação traz para a população:

– as zonas de exclusão: a FIFA estabelece uma área em um raio de até 2 quilômetros em volta do estádio –  a zona de exclusão –  como seu território. Ali controla a circulação de pessoas, a venda de produtos, fiscaliza o uso de marcas que considera suas – o próprio nome do evento Copa 2014 e o mascote, entre outros –  protege a exclusividade de venda dos produtos de seus patrocinadores – da cerveja ao hamburger – e se encarrega da segurança. Segundo a ONG Streetnet, na África do Sul 100 mil ambulantes perderam a fonte de renda durante a Copa e situação semelhante  – caracterizada como violação ao direito ao trabalho e perseguição por trabalhar em espaço público – está prevista no Brasil onde mais de mil ambulantes já perderam postos de trabalho por causa das obras da Copa, principalmente em Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Fortaleza e Porto Alegre

– isenções fiscais, exceções legais: a criação de punições e tipificação de crimes para proteger os interesses da FIFA e seus parceiros – que pune por exemplo, quem utiliza símbolos da Copa para promover eventos em bares e restaurantes ou que fere a exclusividade das marcas da FIFA – é um dos  abusos permitidos pela Lei Geral da Copa, que também isenta de impostos uma série de entidades e indivíduos indicados pela FIFA prejudicando as receitas do país que arca até com toda a responsabilidade jurídica em acidentes/incidentes, danos e processos, incluindo o pagamento dos advogados da FIFA e parceiros.

– obras estaduais e municipais faraônicas e/ou contra os interesses da população: o caso mais gritante é da construção de um Aquário em Fortaleza , sem laudo arqueológico e com diversas falhas no EIA-Rima, a um custo superior a 280 milhões de reais enquanto o Ceará vive uma de suas piores secas. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, Salvador e outras cidades-sede os governos estaduais e municipais também participam do investimento em dinheiro público em estádios que serão posteriormente explorados pela iniciativa privada . Em Natal, a construção do estádio põe em risco as dunas, e em Recife uma área até então preservada está sendo completamente alterada para instalar equipamentos relacionados à Copa, como hotéis e centros de apoio ao estádio.

– superfaturamento, custos elevados e desvios de recursos públicos: as sete maiores empreiteiras do Brasil – que são também as principais doadoras de recursos eleitorais para os principais partidos e políticos – beneficiaram-se da Lei 12.462/2011 RDC – Regime Diferenciado de Contratações Públicas – para determinar preços, aumentá-los através de cláusulas e aditivos frequentemente justificados pelo ritmo das obras e pela reformulação de projetos equivocados. O TCU já comprovou irregularidades na arena Amazonas, na reforma do Maracanã, na construção do estádio em Brasília, no aeroporto de Manaus. O Ministério Público do Distrito Federal entrou com ação contra superfaturamento e outras irregularidades no VLT de Brasília.

VIOLAÇÃO AO DIREITO À INFORMAÇÃO E À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA Imagem: divulgação ANCOP

Os movimentos sociais denunciam no Dossiê de Violações de Direitos Humanos que também o direito à informação e à participação nos processos decisórios são “atropelados por autoridades FIFA, COI e comitês locais” porque “projetos associados à Copa e às Olimpiadas não são objeto de debate público”. A falta de informações e debate sobre os projetos, que não raro desrespeitam os planos diretores aprovados nas câmaras municipais, que atingem comunidades e bairros é denunciada por movimentos sociais em todas as cidades-sede. Associações de moradores também se queixam de audiências públicas pró-forma e da inexistência de mecanismos mais eficazes para a participação da sociedade nos projetos que atingem suas casas, bairros, cidades.

RECRUDESCIMENTO DA VIOLÊNCIA POLICIAL E DOS SEGURANÇAS DA FIFA

Foto: Pedro Kirillos / OGlobo

O orçamento da área de segurança da Copa prevê investimentos de R$ 1,8 bilhão do governo federal. O Ministério da Justiça declara ter investido 562 milhões de reais até agora e o Ministério da Defesa, a 630 milhões de reais para gastos relativos ao evento. Por um total de 49,5 milhões, o governo federal fechou a compra de milhares de armamentos não-letais da empresa Condor – a mesma que forneceu as bombas usadas contra manifestantes – da Turquia às capitais brasileiras– para a Copa das Confederações, em andamento, e a Copa do Mundo de 2014

O contrato, com vigência até 31 de dezembro de 2014, prevê o fornecimento de 2,2 mil kits não-letais de curta distância (sprays de pimenta, granadas lacrimogêneas com chip de rastreabilidade, granadas de efeito moral para uso externo e indoors e granadas explosivas de luz e som); 449 kits não-letais de curta distância com cartuchos de balas de borracha e cartuchos de impacto expansível (balas que se expandem em contato com a pele, evitando a perfuração); 1,8 mil armas elétricas para lançamentos dardos energizados  (as pistolas “taser”), e mais 8,3 mil granadas de efeito moral, 8,3 mil granadas de luz e som, 8,3 mil granadas de gás lacrimogêneo fumígena tríplice e 50 mil sprays de pimenta. Dentro dos estádios e na zona de exclusão a segurança é privada, escolhida e orientada pela Fifa mas paga pelo governo federal. Nas recentes manifestações no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte a quantidade  de equipamentos e munição chamou a atenção, exatamente por já estar sendo usado o material de segurança da Copa das Confederações.

Além da legislação de exceção abordada no item anterior – que inclui a tipificação de novos crimes para proteger marcas e exclusividade dos parceiros da FIFA e a zona de exclusão – o PL 728/2011, no fim de sua tramitação, inclui a tipificação do crime de “terrorismo”, algo que não existe na nossa legislação desde a ditadura militar, e prevê penas duras para quem promover “o pânico generalizado” . Para os movimentos sociais, o texto do projeto, bastante vago, pode criminalizar as manifestações desde que essas sejam enquadradas como causadoras de pânico generalizado.

ELITIZAÇÃO DOS ESTÁDIOS E DOS INGRESSOS PARA OS JOGOS DA COPA 

Foto: Heuler Andrey / AGIF/AFP

As reformas nos estádios brasileiros para seguir as recomendações da FIFA reduziram ou extinguiram lugares populares nos estádios, ampliando a área de camarotes e lugares marcados, principalmente no Maracanã e no Mineirão, que perderam quase 50% da capacidade. Como resultado, o preço dos ingressos subiram mesmo nos jogos comuns – passando de 40 a 60 reais cobrados nas arquibancadas para preços mínimos de 160 reais no Maracanã, por exempo.

Quanto aos ingressos para a Copa 2014, enquanto 200 mil pessoas assistiram a partida final contra o Uruguai em 1950 no Maracanã, apenas 74 mil ingressos serão colocados à venda para a final no mesmo estádio em 2014. Em 1950, 80% dos ingressos eram populares (arquibancada e geral) extintas para dar lugar a assentos alcochoados nas área Vips.

A FIFA também impôs padrões de comportamento aos torcedores completamente avessos à cultura da alegria e da participação da torcida brasileira de futebol, com platéia sentada, sem as coreografias, as baterias percussivas, o baile das bandeiras a que estamos acostumados.

INCREMENTO AO TRÁFICO E VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES, ADOLESCENTES E CRIANÇAS

Foto: blog O Povo

Fortaleza, Natal e Salvador estão entre os principais destino do turismo sexual, que traz homens para o país em busca de mulheres, travestis, adolescentes e crianças, o que deve se agravar com a Copa. O Esplar, ONG que trabalha com mulheres cearenses e participa da Articulação dos Comitês Populares da Copa, lançou em parceria com a Fundação Heinrich Boll, um folheto informativo em um DVD para chamar a atenção para o esperado aumento do turismo sexual na Copa. Segundo a advogada Magnolia Said, que coordenou a produção desse material, já se detectou um aumento de tráfico interno (do interior para as capitais do Nordeste) de mulheres e adolescentes por causa dos preparativos da Copa do Mundo. Reportagem da agência Pública também detectou o trânsito de travestis de Fortaleza para São Paulo para colocar próteses de silicone em troca de trabalho gratuito para as cafetinas que bancam as cirurgias.

Navegar na internet sem que os americanos nos apanhem

As notícias sobre a existência do programa PRISM – que permite ao governo americano aceder a todos os nossos dados e comunicações electrónicas – chamou a atenção para uma questão cada vez mais importante: a privacidade na internet. Saber que alguém, sentado num computador, a milhares de quilómetros de distância tem a capacidade de aceder ao conteúdo dos nossos emails, sms, pesquisas, dados pessoais, etc, é, numa palavra, assustador. No entanto, desligar a ficha do computador ou cancelar o fornecimento de internet não é a solução. A alternativa passa por tomar medidas simples. Navegar na internet sem deixar rasto? Fácil. Motores de busca que não guardam os nossos elementos? Tranquilo. Usar emails encriptados? Canja. Codificar arquivos no computador? Mais complicado, mas acessível. Comunicar em chats que se auto-destroem? Feito. Como? Basta lerem e seguirem as instruções deste artigo da Pública, a agência brasileira da qual O Informador é parceiro. 

O beabá do código

O guia da Pública de criptografia e outros recursos para proteger sua privacidade e escapar da vigilância online

Por Murilo Roncolato

Imagine que estranho seria encontrar alguém contando fatos pessoais, como os lugares que frequenta, a que horas sai de casa ou o número de telefone, a qualquer um na rua? É isso o que a maioria dos usuários da internet já fizeram e continuam fazendo todos os dias. A quantidade de informações que colocamos à disposição de pessoas que não conhecemos – estejam elas trabalhando para empresas privadas ou governos – é imensa.

Aplicativos, sites navegadores, serviços de e-mail, lojas virtuais, todos eles sabem mais sobre nosso “rastro” virtual do que nós mesmos e, se a política de privacidade permitir, esses dados podem ser vendidos a terceiros.

Desde a década de 90, muitos hackers e militantes da liberdade na internet já pensavam em maneiras de assegurar no mundo virtual a mesma privacidade que temos no real. A saída, concluíram, era popularizar a criptografia, sistema matemático que garante segurança de comunicações através do uso de uma senha, ou “chave”, que “tranca” o conteúdo no envio e o “destranca” no recebimento. Isso pode ser particularmente útil para quem trabalha com informações sensíveis, como jornalistas, ativistas, membros de movimentos sociais e advogados.

Navegação anônima, redes virtuais privadas, programas de encriptação, e-mails protegidos, moedas virtuais e sistema de mensagens instantâneas seguras. Tudo isso existe e está acessível ao grande publico. Depois do lançamento do livro de Julian Assange no Brasil, Cypherpunks, que é, segundo o próprio autor, “um chamado à luta criptográfica” contra a vigilância na rede, a Agência Pública traz um guia fácil para se proteger no mundo virtual:

=> NAVEGAÇÃO ANÔNIMA

TOR

O que é?

Tor é um programa desenvolvido pela Marinha americana na década de 1970 e que hoje é sustentado pela ONG Tor Project, apoiada por entidades como a Electronic Frontier Foundation (EFF) e Human Rights Watch, e por empresas como o Google.

Por que usar?

Quando navegamos pela internet, todo o conteúdo que vemos – por exemplo em um site de notícias – está armazenado num servidor localizado em algum lugar do mundo. Para acessá-lo, o seu computador, identificado por um endereço de IP, navega através da rede até o servidor onde está localizado o conteúdo. Ele solicita a página que então volta pela rede até o seu computador.

O que o Tor faz é mascarar o seu endereço IP, levando a sua solicitação por uma rede “amigável” e criptografada. Assim, ele garante o anonimato do seu computador e do servidor de onde partirão os dados com os quais se quer interagir. Se o objetivo é proteger aquilo que você está fazendo – como transmitir dados secretos ou sensíveis – o Tor é a sua melhor ferramenta.

Como usar?

Pelo Tor, também se tem acesso a uma série de páginas que os buscadores tradicionais não encontram (simplesmente porque elas não querem ser achadas). Isso faz do Tor um grande oceano de páginas e conteúdos secretos, privados e até ilegais. Por isso, a melhor forma de se usar o Tor é garantir que o seu antivírus e firewall estejam atualizados, e navegar por redes seguras, protegidas pelo protocolo HTTPS (leia abaixo).

Para baixá-lo, clique aqui. Vale lembrar que a navegação por Tor é mais lenta do que a navegação normal, por conta dessa “capa” de proteção.

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Após instalar, execute o “Tor for Browser”

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O Vidalia, o iniciador do Tor, vai carregar as configurações e tentar se conectar à rede

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Após concluído, o Firefox com Tor abre uma página que informa o estado de conexão com o Tor

Há outras alternativas?

Sim, há outras ferramentas que também são bem fáceis de usar. São elas: CocoonChrisPC Anonymous ProxyUltraSurfHideMyAss. Este último tem, assim como o Tor, um software para download que garante o anonimato, mas além disso, usando apenas o site é possível ter acesso a uma série de serviços úteis como o Web Proxy – um acesso alternativo e anônimo a sites – e o Anonymous E-mail.

=> NAVEGAÇÃO SEGURA

HTTPS Everywhere

A Electronic Frontier Foundation (EFF) é uma ONG que defende os direitos dos usuários e preza pela liberdade e privacidade na rede. Além do Tor, ela aconselha o uso de um simples plugin para o navegador chamado HTTPS Everywhere, que faz com que o seu navegador ande somente por páginas protegidas por criptografia. Basta baixar o plugin, que ele já começa a funcionar.

Para ajudar a explicar, a EFF fez um infográfico que mostra o caminho entre o usuário e o servidor, com todos os possíveis agentes intermediários – desde operadoras de internet até serviços de seguranças e espionagem –, demonstrando como o uso do HTTPS Everywhere junto com o Tor aumenta a sua privacidade. Confira aqui.

Modo “anônimo” ou privativo

Os navegadores mais comuns – Chrome, Firefox e Internet Explorer – oferecem a opção para o usuário de navegar no modo “anônimo” (Chrome), “privativo” (Firefox) ou “InPrivate” (Explorer). É preciso cuidado. Isso não significa, em nenhum dos casos, que o usuário está anônimo. Mas significa que os navegadores não vão registrar o seu histórico, buscas, downloads, cookies (arquivos gravados em seu computador que registram dados de navegação) e arquivos temporários.

Para ativar esse estilo de navegação: no Chrome, você deve teclar Ctrl + Shift + N; no Firefox e no Internet Explorer, aperte Ctrl + Shift + P. Essas são teclas de atalho, é possível encontrar o modo “anônimo” pelo Menu de cada navegador.

=> EMAIL

Existem algumas formas bem fáceis de enviar e-mail de forma protegida.

1) Crie o seu e-mail em um serviço que garanta a sua privacidade. Sugerimos o HushmailLavabitVmail ou o TorMail – cujo acesso só pode ser feito via Tor. Como num email normal, basta criar a conta normalmente. O importante é que há a opção de criptografar as mensagens. A “chave” privada é muitas vezes uma pergunta que apenas o destinatário sabe responder.

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TorMail é um serviço de e-mail independente gerenciado na rede Tor

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Com o Hushmail, é possível gerar uma chave privada e encriptar o e-mail, tornando-o mais seguro

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O destinatário recebe um link que o direciona à página na qual lerá o e-mail
A tela com a pergunta aparece (a resposta é chave)

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Só após responder à pergunta, inserindo a chave, o acesso ao conteúdo é liberado

2) Crie contas de e-mail “descartáveis”. Tratam-se de endereços de e-mail gerados temporariamente. Depois de 60 minutos ou 24 horas eles deixam de existir e todos os e-mails enviados para aquele endereço vão com ele. Há muitos serviços assim por aí, mas dois bem populares são o Mailinator e o IncognitoMail.

=> ARQUIVOS E MENSAGENS

PGP

Você também pode criptografar os arquivos do seu computador para que possam ser enviados pela internet, protegidos pelo “código” ou “chave”, ou mesmo ser carregados no seu computador ou em um pendrive. Nos Estados Unidos, por exemplo, os agentes da alfândega podem revisar o conteúdo de qualquer computador que atravessar a fronteira; se o seu conteúdo estiver criptografado, dificilmente ele sera desvendado.

Um bom programa é o PGP (Pretty Good Privacy), que criptografa qualquer arquivo do seu computador. Você pode fazer o download e a assinatura da versão proprietária aqui ou baixar o software livre similar, o GnuPGP (disponível para Mac OSWindows e derivados do Linux, ).

O GnuPG criptografa arquivos e mensagens usando a técnica de criptografia de chaves assimétricas. Uma analogia é a de caixas de correios com duas fechaduras, sendo que uma se refere à caixa onde as mensagens serão depositadas e a outra à caixa por onde o dono as receberá e, assim, terá acesso ao seu conteúdo. A primeira chave da sua caixa é pública, todos podem e devem ter acesso a elas para que você possa receber mensagens. A segunda, que permite acesso ao conteúdo das mensagens, é privada.

Esse sistema possibilita que duas pessoas troquem mensagens entre si (basta saberem a chave pública do outro) sem correrem o risco de ter sua comunicação interceptada (já que o acesso só é permitido para quem souber a chave privada). Clique aqui para começar.

Truecrypt

Truecrypt

O Truecrypt é outro programa que criptografa de maneira segura qualquer arquivo no seu computador. Para fazer isso, ele cria um  “diretório” secreto, criptografado, onde podem ser inseridos os arquivos.

Você pode baixar aqui o programa e executá-lo no seu computador. Depois, pode “criar um volume”, ou container criptografado, em um diretório não utilizado do seu computador (por exemplo, N: ou R:). Crie em local pouco comum e não o nomeie com algo que possa chamar a atenção, como “arquivos importantes”, por exemplo.

Depois, você terás que criar um tamanho para esse “volume” – como, por exemplo, 1 Mb – onde todos os seus arquivos possam ser “guardados” de maneira segura. Então sera a vez de criar uma senha segura à qual apenas você terá acesso. O container criptografado pode ser aberto em qualquer computador que possua o Truecrypt. Com o container “montado”, ou “aberto”, é possível copiar arquivos e também apagá-los, como num arquivo comum. Clique aqui para ver o passo a passo.

=> BUSCADORES ALTERNATIVOS

Buscadores são serviços que procuram conteúdos desejados a partir de palavras-chave em inúmeros servidores. O mais usado no mundo é bom e velho Google. O problema é que, por saberem de tudo sobre o que você deseja mais informações, eles são donos de boa parte do seu comportamento na web, dos seus anseios e das suas áreas de interesse, por exemplo, que podem ser vendidas a anunciantes interessados em direcionar publicidade para você – ou enviar um alerta caso você esteja investigando algo sensível.

Para quem gosta de privacidade, isso é péssimo.

A saída é usar buscadores que o mantenham anônimo, não registrem nada sobre o seu uso e sejam tão eficientes quanto o Google.

Como usar?

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Os dois buscadores mais recomendáveis são o DuckDuckGo e oStartPage. O primeiro foi criado no fim de 2008 e não guarda seus dados de navegação, usando um misto de busca do Yahoo, Wikipedia e Wolfram Alpha. O StartPage usa o motor de buscas do Google, mas garante a privacidade do usuário, não registrando seu IP e não permitindo cookies.

=> CHATS

Há muitas maneiras de se comunicar com amigos via chat de forma segura. Uma delas é bem simples porque é feita através de serviços de mensagens que se autodestroem; a outra é a utilizada por Jacob Appelbaum, colaborador do WikiLeaks e o hacker apontado como “o homem mais perigoso do ciberespaço”.

Como usar?

Há na internet muitos serviços online gratuitos de envio de mensagens encriptadas, que exigem uma chave privada para se ter acesso, e que se autodestroem em um tempo determinado pelo autor do conteúdo.

Alguns são bens fáceis de usar e trazem aplicativos para Android e iOS, como o Burnote,  Privnote e o Wickr. É simples: faça uma conta, crie uma mensagem, estabeleça uma senha que os participantes da conversa saberão, defina o tempo para autodestruição e envie o link (por e-mail, no caso do Burnote, ou diretamente para o contato, caso do Wickr).

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Gera-se a mensagem, coloca-se senha, tempo para autodestruição e o e-mail do destinatário.

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Após clicar no link da mensagem e colocar a senha, quem a receber terá a determinada quantidade de tempo para ler o conteúdo escondido (com uma espécie de lanterna virtual) e responder.

Jabber

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Crie sua conta no Jabber, baixe o software para chat chamado Pidgin, indicado pelo Jacob, e baixe este plugin para o Pidgin, que garantirá criptografas todas as mensagens trocadas (o chamador OTR, sigla para off-the-record messaging). Instale o Pidgin e o plugin.Execute o Pidgin e adicione a sua conta do Jabber.Em “Protocolo”, selecione “XMPP” (nome atual do Jabber), em “Nome de usuário” coloque o nome da sua conta do Jabber; em “Domínio”, coloque “jabber.org” e a senha. Defina um apelido e clique em “Adicionar”.

Criada a conta, vamos ativar o plugin OTR. Vá em “Ferramentas” e “Plugins” (ou tecle Ctrl + U). Procure por “Off the Record Messaging” e clique em “Configurar Plug-in”. Selecione sua conta do Jabber e libere as opções “Enable private messaging”, “Automatically enable private messaging” e “Don’t log OTR conversations”. Isso fará com que o Pidgin detecte quando o seu contato usa OTR e gerará uma conversa privada, com uso de senha, para os dois; e também não arquivará o histórico da conversa. Clique em “Generate” para gerar a sua “impressão digital”, é ela que vai mostrar para o seu amigo que você é você.

Pronto, feche e adicione seus contatos (Ctrl + B) e inicie seus chats de forma segura.

Vale lembrar que de nada adianta usar todos esses recursos, que te permitem uma navegação segura e anônima, se você disponibilizar seus dados em sites como Facebook, Google +, Youtube, ou outros. Ter cuidado com o seu “rastro” digital depende apenas de você.

Wikileaks: o que os diplomatas americanos diziam de Bertoglio, aliás, de Francisco I

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Telegramas da embaixada americana em Buenos Aires mostram a influência do novo papa na política argentina e sua ligação com a oposição. Uma notícia da Agência Pública, da qual O Informador é um dos parceiros.

Por Marcus V F Lacerda

Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam  que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

UM LÍDER MANCHADO PELA RELAÇÃO COM A DITADURA

Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros.

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretando, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.

O fim de “O Mundo Amanhã”

Hoje, no 12º e último episódio desta série, Julian Assange entrevista Anwar Ibrahim, o mais proeminente e provocador líder da oposição na Malásia. O Mundo Amanhã é uma produção do WikiLeaks em colaboração com o canal Russia Today. Estas entrevistas são transmitidas por O Informador em parceria com a Agência Pública.

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Por Agência Pública

Em busca de ideias poderosas que podem transformar o mundo, o fundador do WikiLeaks depara-se com um caso semelhante ao seu trajecto de vida.

Depois de ter sido Vice Primeiro-Ministro da Malásia na década de 1990, Anwar Ibrahim foi expulso da política e preso por acusações de corrupção e crimes sexuais – no caso, sodomia, considerada ilegal no país asiático. Após seis anos de cativeiro, foi absolvido das acusações. Mas, em 2008, teve que enfrentar novas acusações por crimes sexuais e enfrentar uma batalha legal de quatro anos. Só foi absolvido em Janeiro de 2012.

Para ele, a Malásia é ainda menos democrática do que a vizinha Birmânia. Anwar Ibrahim descreve democracia como tendo “um poder judicial independente, uma imprensa livre e uma política económica que pode promover crescimento e a economia de mercado”. Com essa plataforma, o seu partido está ganhar o apoio da população e é uma  ameaça ao actual governo nas próximas eleições gerais de 2013.

Agora, Ibrahim foi acusado participar numa manifestação em defesa de reformas eleitorais – reuniões não autorizadas também são consideradas crime – o que pode comprometer suas ambições eleitorais. Mas, durante a entrevista, ele mostra-se optimista quando relembra a última campanha, em 2008. “Ganhámos 10 dos 11 mandatos parlamentares. Acredito que estamos maduros para um tipo de Primavera Malaia através do processo eleitoral”, diz.

Veja a entrevista a seguir, ou clique aqui para fazer o download do texto na íntegra.

O Mundo Amanhã

Devido a um problema técnico a que O Informador é alheio, o link para o vídeo da última entrevista de Julian Assange para o projecto O Mundo Amanhã ainda não está disponível. Assim que o problema for resolvido, o texto e o vídeo serão colocados online. Para já, fica aqui o pedido de desculpas.