Os veteranos deportados

Faltavam alguma semanas para partir para os Estados Unidos. Estávamos em Agosto de 2016. O plano era realizar uma série de reportagens sobre as eleições americanas, que se realizariam em Novembro de 2016. Havia dois temas obrigatórios: armas e imigração.

Em relação às armas, decidi viajar até ao Texas onde tinha sido recentemente aprovada uma legislação que permitia aos alunos com licença de porte levarem armas para as salas de aula. A reportagem saiu primeiro na revista especial da Sábado dedicada às eleições americanas e depois em vídeo, na CMTV e no site da Sábado. Chamámos-lhe “O culto das armas na América”

Sobre a imigração, o grande tema da campanha era, até então, a promessa de Donald Trump de construir um muro junto à fronteira  com o México. Decidi então viajar até à California onde, na fronteira que separa San Diego de Tijuana, esse muro já existe há muito. Faltava-me apenas um ângulo para a reportagem, que para além de ser publicado na mesma revista especial, também deu origem a uma grande reportagem em vídeo na CMTV e na Sábado.

Mas, durante a pesquisa sobre o que poderia encontrar, descobri que, espalhados por Tijuana, existem uma série de abrigos para os imigrantes que chegam à cidade depois de atravessarem vários países, com a esperança de conseguir atravessar a fronteira. O fenómeno mais recente era a chegada massiva de haitianos. Intrigado, pensei que talvez fosse boa ideia visitar um deles (como acabei por fazer). Mas enquanto procurava informações sobre esses abrigos, descobri um outro que me deixou ainda mais curioso: chama-se Deported Veterans Support House (Casa de Apoio aos Veteranos Deportados).

Aquilo intrigou-me. Nunca tinha ouvido falar em veteranos das Forças Armadas americanas que tivessem sido deportados. Para além disso, não fazia sentido: porque é que o governo dos Estados Unidos iria deportar alguém que estava disposto a dar a vida pelo país? Para ser militar americano deveria ser obrigatório ser-se cidadão? Certo? Depressa percebi que não.

Através de algumas reportagens já publicadas, descobri que o abrigo era gerido por um antigo veterano do exército e dos pára-quedistas  americanos, chamado Hector Barajas, que tinha sido deportado depois de ser condenado por posse de arma. E ele que ele não era o único: só em Tijuana haverá cerca de 60. Era uma história demasiado boa para a ignorar.

Enviei-lhe um email, disse-lhe que iria estar em San Diego e que gostava de o entrevistar e a outros veteranos. O Hector Barajas respondeu-me em poucas horas. Disse-me que estava disponível e que só precisava de saber o dia em que lá chegaríamos para mobilizar um grupo de outros veteranos para estarem presentes.

Na data marcada, eu e o Alexandre Azevedo atravessámos a fronteira para o México e apanhámos um taxi para o Bairro Otay Centenário onde o Hector nos aguardava. Quando chegámos, pelas 10h, ele tomava um pequeno almoço tipicamente mexicano enquanto atendia telefonemas, respondia a emails e actualizava as páginas do Bunker, como é conhecido o abrigo, nas redes sociais. Nós próprios acabámos por ir comer uns “huevos rancheros” num pequeno café das imediações.

Enquanto montávamos o material para as entrevistas em vídeo, os veteranos começaram a chegar. Primeiro, Jesus Castillho. Depois, Andrew de Léon. Em seguida, Daniel Torres. Seguiu-se o próprio Hector Barajas. Faltava apenas Mauricio Rodriguez, que estava disponível para falar, mas não tinha forma de se deslocar ao abrigo. Nada que Hector não resolvesse. Ligou ao sogro de Mauricio, que é taxista, que acabou por nos ir buscar e levar até um subúrbio pobre dos arredores de Tijuana onde um ensonado Maurício nos recebeu na pequena casa onde vive com a mulher e a filha.

Quando terminámos, eu e o Alexandre olhámos um para o outro, completamente esmagados pela carga emotiva da história destes homens. Pensámos todo o trabalho como uma grande reportagem multimédia, com texto, fotos e vídeo, para publicar por altura do lançamento do novo site da Sábado, que já sabíamos estar a ser preparado.

Os meses passaram e o resultado acabou por ser publicado apenas na semana passada. Chamámos-lhe “Os veteranos deportados para uma terra estranha” porque, apesar de terem nascido no México, nenhum deles tinha uma ligação ao país para onde acabaram por ser expulsos. Esperamos ter estado à altura da história destes homens. Os vídeos – que têm mesmo de ver – tiveram a edição exemplar do Tiago Dias. Se puderem leiam, vejam e, se gostarem, partilhem e comentem.

Por fim, não podíamos deixar de tirar uma fotografia para recordação: eu, Hector Barajas e Alexandre Azevedo à porta do Bunker.

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A América Dividida

Nos últimos meses este tem sido uma espécie de bebé nos bracos: planear, pensar, produzir e executar uma edição especial da Sábado dedicada inteiramente às eleições americanas.

Pelo meio tive o privilegio de passar três semanas em reportagem em quatro Estados norte-americanos (Califórnia, Texas, Mississipi e Virginia Ocidental) com o Alexandre Azevedo. São dele as fantásticas fotografias que fazem desta uma edição única, juntamente com um texto exclusivo do fotógrafo oficial e Obama, Pete de Souza, a estreia de Paulo Portas na análise da actualidade Internacional, entrevistas, perfis e grandes reportagens com apoiantes de Hillary e Trump. Fomos também ao muro que já separa o México dos EUA e entrámos no mundo da Cultura das armas na América.

Isto é só uma pequena amostra do que podem ler a partir deste sábado. Em breve contarei mais. Um trabalho de equipa com o João Carlos Silva e com o Gustavo Sampaio. E sim, esta Sábado sai a um sábado. Leiam e comentem. Ah, e bom sábado!

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“O meu nome não é importante. Sou Charlie “

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Domingo, 11 de Janeiro de 2015. São 14h25m. Milhares de franceses continuam a dirigir-se à Praça da República, em Paris. Todos os caminhos parecem ir lá dar. Os transportes públicos são gratuitos. Mas as estações de metro daí até à Praça da Nação foram encerradas por motivos de segurança. Os autocarros também viram o seu percurso interrompido num perímetro largo. Não há táxis. Os únicos veículos que circulam são os das autoridades e as muitas bicicletas que se vêem na capital francesa.

No alto da estátua da República, dezenas de pessoas empunham bandeiras de diversos países e cartazes com declarações de liberdade e homenagem ao Charlie Hebdo, o semanário satírico barbaramente atacado na passada quarta-feira pelos irmãos Said e Chérif Kouachi. Por toda a praça são entoados gritos de “je suis Charlie”, “liberté” e entoada a Marselhesa. Chegar junto à estátua é uma tarefa difícil. Mas é lá que, há cerca de uma hora e meia, Andreia e Joaquim seguram uma bandeira portuguesa.

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Os dois estão em França há cerca de seis anos. Ela é de Vila do Conde. Ele de Leça da Palmeira. Apesar de terem emprego em Portugal, decidiram emigrar porque arranjaram melhores oportunidades na capital francesa, ambos na área das limpezas. Nenhum conhecia o semanário dirigido por Charb antes dos atentados da semana passada. “Decidimos vir para nos manifestarmos contra o terrorismo e pela liberdade de expressão que há em França”, diz à SABADO Andreia, 27 anos. É ela quem segura na bandeira. Ele regista os momentos na máquina fotográfica que transporta a tiracolo. E é ele quem não poupa críticas ao que tem visto na televisão portuguesa. “O que tem passado é que eles estavam direccionados contra o Islão, o que é mentira. Eles criticavam toda a gente”, diz Joaquim, 37 anos.

Na zona oeste da Praça, a multidão começa a aglomerar-se junto ao início da Boulevard Voltaire – a enorme avenida de três quilómetros que termina na Praça da Nação. O percurso não podia ser mais adequado ao motivo da manifestação. Afinal foi Voltaire quem disse as palavras que podiam aplicar-se ao modo como os ilustradores do Charlie Hebdo viam o mundo: “Posso não concordar com o que tem a dizer, mas defenderei até à morte o seu direito a dizê-lo”.

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Meia hora antes do início da marcha, marcada para as 15h30 (menos uma hora em Portugal), é praticamente impossível alguém conseguir mover-se naquela zona. A solução é aguardar imóvel até que as primeiras filas avancem. Alguns edifícios em redor estão decorados com faixas com frases como “fiquemos unidos”, “liberdade” e o já viral “je suis Charlie”. A disciplina ordeira e o silêncio que por vezes se instala entre a imensa multidão impressionam. Tanto que por vezes ele é interrompido pelos gritos de três raparigas pequenas que no ultimo andar de um dos edifícios em redor gritam “Charlie, Charlie, Charlie”. Com o aproximar da hora, os manifestantes começam a gritar “queremos marchar”. Mas ninguém se atreve a dar o primeiro passo antes de o relógio marcar o minuto indicado.

A maioria tem uma mensagem. Seja num cartaz, num papel ou um simples lápis e caneta que empunham em sinal de liberdade. O percurso inicial é feito lentamente. Para percorrer cerca de 300 metros, aquela impressionante massa humana levou quase 40 minutos. No topo de alguns edifícios é possível ver policias armados a observar o que se passava ao nível da rua. Foi o caso do número 18. Quando a multidão os viu, começou a aplaudir e a gritar “merci, merci, merci”. Passou-se o mesmo mais à frente, no número 45-47. E de cada vez que o polícia acenava em sinal de agradecimento, mais aplausos se seguiam.

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Apesar dos apelos dos líderes da comunidade muçulmana francesa à participação no encontro, a verdade é que, se compareceram, os seus membros não estavam visíveis. A esmagadora maioria dos manifestantes era de origem europeia. Uma das excepções era Bouchra. Jurista, nascida em França, caminhava no centro da coluna com um cartaz que dizia num dos lados “Eu sou muçulmana, eu sou Charlie e todas as outras vítimas” e do outro “Não em meu nome”. Decidiu comparecer e afirmar-se como muçulmana porque é preciso “não ter medo”. “Mesmo que não concorde com o que eles faziam, aqui há liberdade de expressão. As pessoas que fizeram isto não são verdadeiros muçulmanos”, diz à SABADO sem interromper a marcha. Os atentados chocaram-na. “Ainda por cima foi no meu bairro, estava a trabalhar quando soube e fiquei sem saber o que pensar. Usar a religião para justificar uma coisa destas é inaceitável”, diz.

Ao fim de três horas e meia a Praça da Nação surge já envolta em escuridão. Alguns milhares de pessoas ainda se juntam no meio da rotunda, mas a maioria acaba por seguir o seu caminho. Na zona onde se concentraram as câmaras de televisão, todos aqueles que empunham uma bandeira tentam mostrar a solidariedade do seu pais. É lá também que está Urbano Brites. Português, de Fátima, emigrou para França há 19 anos. As frases em português já são intercaladas por expressões em francês. Também ele empunha uma bandeira nacional. “Trouxe-a para mostrar as minhas origens”, diz à SABADO. “Comprei um pau de vassoura no caminho e colei-a”, diz. Não se importa que a maioria das pessoas que o aborda seja queira fazer apenas uma pergunta: “de que país é essa bandeira?”

A ex-mulher de Urbano abriu há pouco tempo um restaurante em Montrouge, a zona onde Amedy Coulibaly matou uma mulher polícia, na passada quinta-feira. “Não sabia se o meu filho estava com ela ou não. Fiquei muito preocupado”, conta. Um pouco mais ao lado, um homem segura um cartaz com uma mensagem em que assume o que muitos não fazem: “compreendi que a nossa liberdade se deve à irreverência deles e agora também às suas vidas. Je suis Charlie.” Com um ar visivelmente abatido explica à SABADO : “Escolhi esta mensagem porque foi o que senti. Seguia-os à distância e percebi que eles lutavam por toda a gente. Por isso tenho também um desenho deles que diz mais à cultura francesa [de Jesus a ter relações com Deus e com o Espírito Santo]. Toda a gente tem o direito de se exprimir”. Quando a SABADO lhe perguntou o nome ia começar a responder mas depois mudou de ideias: “o meu nome não é importante. Sou Charlie.”

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“Devemos poder viver livres e tranquilos, não queremos ser protegidos.”

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Quando este domingo milhares de pessoas se juntarem na Place de la République, em Paris, para uma marcha em homenagem às vítimas dos atentados terroristas da última semana e pela liberdade de expressão, Samuel Njoh vai estar entre elas. No entanto, estará lá por outro motivo: “vou manifestar-me pela pena de morte”, diz à SABADO junto ao Hyper Casher, o supermercado atacado esta sexta-feira por Amedy Coulibaly onde morreram cinco pessoas – além do terrorista.

Para que não houvesse dúvidas sobre o que acabara de dizer, Samuel Njoh voltou a repetir: “vou manifestar-me pela pena de morte”. Alto, negro, o homem nascido nos Camarões não parece exactamente um apoiante da Frente Nacional de Marine Le Pen que, na sequência dos atentados ao jornal satírico Charlie Hebdo, defendeu um referendo à pena capital. “Não, sou republicano, e cristão praticante. Mas é altura de dizer às pessoas que é necessário justiça. É precisa a pena de morte”, diz. O argumento é simples: “olhe para as pessoas que foram assassinadas. Morreram por nada. Se o Coulibaly tivesse sido apanhado vivo era julgado, cumpria 20 ou 40 anos e depois voltava ao mesmo. Não, é necessário lançar o debate.” Nem a própria contradição entre os princípios cristãos, que diz praticar, e o que acabou de defender o demove. “Nos Camarões há cristãos e muçulmanos mas se eu matar um polícia vou a tribunal militar e levo a pena de morte”, garante.

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A ideia expressa por Samuel Njoh (e os aplausos que recebeu de quem o ouviu) parece mostrar que, após um primeiro momento de união total, a sociedade francesa começa a expressar as suas divisões. Bastou que o terceiro atacante tenha decidido invadir um supermercado apenas por um motivo: era um estabelecimento judeu. O que até aí era visto como um atentado à liberdade de expressão passou também a ser encarado como um crime de ódio. “É preciso dizer que quem fez isto é uma minoria. Mas o problema é que as minorias podem fazer muito mal. Esta matou 17 pessoas e feriu muitas outras”, diz à SABADO Samuel Elbase, residente nos arredores do Hyper Casher. “Nós, judeus, quando uma criança faz alguma coisa de mal, dizemos-lhe que a vamos denunciar. Fazemos isso para a proteger. O problema são os muçulmanos cúmplices que não fizeram nada. É preciso denunciar isto mesmo que se trate do nosso filho”, continua.

As vozes minoritárias que tentam explicar que este não foi um ataque a judeus nem a cristãos, que foi um ataque aos franceses e à própria liberdade, não conseguem fazer ver os seus pontos de vista. Pelo menos no dia seguinte aos ataques. Os ânimos estão revoltados. A polícia continua a isolar o estabelecimento que fica numa esquina de um bloco de apartamentos, entre uma rotunda e uma bomba de gasolina, nos limites de Paris.

Tal como aconteceu junto à redacção do Charlie Hebdo, a população começou a depositar flores, mensagens e velas junto às barreiras da polícia. Samuel Njoh foi lá colocar um ramo. Yoav, de 27 anos, também se deslocou ao local para prestar homenagem às vítimas. E como a maioria dos que aceitam dar uma opinião sobre os acontecimentos, não tem dúvidas sobre o que é preciso fazer para evitar novos atentados. “Cabe aos muçulmanos colocar as coisas no seu devido lugar e dizer que isto não é o Islão. É preciso educar as crianças na ideia de que somos todos iguais: judeus, cristãos e muçulmanos”, diz à SABADO. Com o dedo da mão direita espetado e a mão esquerda a segurar a trela do pequeno cão preto que passeia, diz: “devemos poder viver livres e tranquilos, não queremos ser protegidos.” Samuel Njoh concorda. “Assim não temos total liberdade. Eu vivo ao fim da rua. Ontem sai do trabalho e vi isto. Pensei na minha filha e fiquei doente. Também por isso vou manifestar-me”, diz.

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As crianças soldados dos Zetas

O tráfico de droga mundial é controlado pelos cartéis mexicanos. Os Zetas são talvez o mais conhecido – e violento. Composto por ex-comandos, o grupo tem seguido uma estratégia de terror com uma componente cada vez mais importante: o recrutamento de crianças. São a “Geração Z”.

Leitura para o fim-de-semana: a senhora da guerra afegã

Começou a combater contra os soviéticos. Lutou ao lado de Ahmar Shah Massoud. Agora enfrenta os Talibã. Os homens começaram a chamar-lhe “Comandante Pombo” – pela forma como se movia e a elegância com que matava os inimigos. A jornalista Jen Percy passou uma noite no seu acampamento – e conta a história na The New Republic.

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Foto: Lorenzo Tugnoli

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’d been living in Afghanistan three weeks when my guide, a young Afghan named Sharif Sahak, showed me a photograph of the country’s only known female warlord, Bibi Ayisha, nom de guerre: Commander Pigeon. It was late 2013, the Americans were preparing to leave, and Sharif had heard that the commander was training a new militia of female jihadists to fight the Taliban. In the photograph, she looked to be about 200 pounds and 60 years old. A large woman with black eyes made small by folds of skin. A beaked nose protruded from a wide flat face. She held her machine gun against her bosom like a bouquet of roses. A few girls dressed in bright loose tunics holding AK-47s stood at her side, with ammo wound like gold pythons about their necks. “Hot chicks with AKs,” Sharif remarked.

Everybody in Kabul knew about Commander Pigeon, but no one agreed on a narrative. The Afghans accused her of robbery and murder. A few suspected she worked with Taliban commander Mullah Dad-e Khuda, who escaped from Bagram prison in 2008, and a local warlord called the Green Imam. Together they supposedly controlled all the drug-trafficking routes in the north. One person told me, “She has many houses in Kabul but prefers to live in the mountains among the animals.” She didn’t have any of the usual warlord stories. No acid throwing or biting off chicken heads, or leaving prisoners in vats to die. She was not like Commander Zardad who kept a human dog on a chain to maul and sometimes eat people. She was a woman and she killed menwhile wearing a flowery dress.

According to locals, Commander Pigeon was born in the village of Gawi, and her father was named Haji Dawlat and he had seven wives, and his second wife had ten children, and of these children, Commander Pigeon was the most loved. She carried a gun at age 14, the same year she married Shad Muhammad, a businessman whose reputation was said to suffer because he allowed Commander Pigeon to wear pants. He died of a mysterious illness. Then, in 1979, the Soviets swarmed her mountain and murdered her son. She turned to jihad. She killed the commando, organized a militia of 150 men to fight the Soviets, and rode alongside Ahmad Shah Massoud, leader of the Northern Alliance. They called her Commander Pigeon because she moved and killed with the elegance of a bird.

When the Americans arrived in 2001, the northeast was a mess of insurgent groups governed by warlords like Commander Pigeon. The United Nations started a program called the Disbandment of Illegal Armed Groups (DIAG), and by 2006, DIAG disarmed about 60,000 militants. Then the government faced a second problem: unemployed combatants. The United Nations invested in more programs, including business courses for ex-combatants, focused on job skills. But most of the warriors, like Commander Pigeon, didn’t want to disarm. Once the Americans left, factional fighting would start up again. They needed their weapons. Commander Pigeon already regretted giving up her vintage World War II British .303 Lee-Enfield rifle.

This year, an Australian security consulting firm conducted a survey on inspirational Afghan women, and their research led them to Commander Pigeon. On her public Facebook page, one fan wrote: “She has proven to the world that women of Afghanistan are not victims; she’s more stronger then any women in the world today.” She certainly sounded very different from any of the Afghan women I had met or heard about. I’d been talking to women in shelters, victims of domestic violence, or kidnapped girls working as sex slaves for commanders. One of them, a teenage girl, said Commander Pigeon was a hero. After all, since 2001, Americans have invested in infrastructure allowing women to attend school or gain positions of power. But the month I arrived, Afghans shipped 30-year-old Setara to Turkey to get her lips and nose sewn back on after her husband cut them off with a kitchen knife. A pregnant schoolteacher named Malalai was hanged and her body dumped near a foreign base. No one could save Negar, the top female police officer in Helmand, after she was shot in the neck by men on motorbikes. And yet no one has managed to kill Commander Pigeon. For 34 years, she has commanded a group of armed fighters from her stronghold 250 miles north of Kabul in Baghlan Province, the same region where the British said Afghans sliced the stomachs of Russian soldiers and left them to die so that their organs might bake in the sun.

Sharif, a clean-shaven 28-year old, was friends with the newly appointed police chief of Baghlan Province, a man named General Amarakhail, and he said he could help arrange a visit.

“I think she’ll like you,” Sharif said.

ome Afghans believe cannibalistic females haunt the Hindu Kush. They are simian and boar-tusked and have long, floating hair. They eat corpses. Commander Pigeon lived on the other side of the Hindu Kush, over a pass called the Khotal-e Salang. According to the Afghan Analysts Network, Baghlan Province has between 2,500 and 3,000 Taliban, inhabiting an area about the size of Connecticut.

On a Sunday morning, Sharif and I, along with a driver and a photographer named Lorenzo, packed into a small Toyota Corolla with a prayer rug and headed north out of Kabul on Highway 1. We left just as the first winter snows were falling, and Sharif told us about the avalanches of 2010 that killed hundreds of people on the pass. “There are more ways to die in Afghanistan,” Sharif said, “than anywhere else in the world.” The Salang pass, at its highest, skims 12,723 feet. It’s a tight, twisting section of potholed road, clogged with Pakistani jingle trucks, scattered with memorials. A Soviet-built tunnel cuts almost two miles through the heart of the mountains.

Snow fell and the roads darkened to mud. The men put on chains and I put on a burka. Sharif said it looked strange. He explained: Don’t talk. Don’t smack gum. Don’t lean your elbow against the window like you keep doing. Cover your legs. Don’t get out of the car. Be a good girl. Most importantly, cover the hair. Hide your passport. We are a Tajik rock band and you are the singer going to sing for Commander Pigeon.

 

Leitura para o fim-de-semana: O eremita da floresta do Maine

Durante 27 anos, Christopher Knight viveu isolado do mundo. Numa floresta. De vez em quando saia de entre as árvores para roubar roupa, comida ou baterias para as lanternas. Nunca ninguém o viu. À medida que os objectos iam desaparecendo, tornou-se uma lenda para os moradores do Central Maine. Até que, um dia, a4 de Abril de 2013, foi apanhado. E disse as suas primeiras palavras em décadas. Uma reportagem excepcional, publicada na GQ.

Foto: Andy Molloy/ Kennebec Journal/ AP Photo

Foto: Andy Molloy/ Kennebec Journal/ AP Photo

The Strange & Curious Tale of the Last True Hermit

For nearly thirty years, a phantom haunted the woods of Central Maine. Unseen and unknown, he lived in secret, creeping into homes in the dead of night and surviving on what he could steal. To the spooked locals, he became a legend—or maybe a myth. They wondered how he could possibly be real. Until one day last year, the hermit came out of the forest
BY MICHAEL FINKEL
Thehermitsetoutofcampatmidnight,carryinghisbackpackandhisbagof break-in tools,andthreadedthroughtheforest, rock toroot to rock,everystepmemorized.Not abootprintleftbehind.Itwascoldandnearlymoonless, a finenight for araid,sohehikedaboutanhour tothePineTreesummercamp, afewdozencabinsspreadalongtheshorelineofNorthPond in centralMaine.Withanexperttwistof ascrewdriver,hepoppedopen adoorofthedininghallandslippedinside,scanningthepantryshelveswithhispenlight.Candy! Always good. Ten rolls of Smarties, stuffed in a pocket. Then, into his backpack, a bag of marshmallows, two tubs of ground coffee, some Humpty Dumpty potato chips. Burgers and bacon were in the locked freezer. On a previous raid at Pine Tree, he’d stolen a key to the walk-in, and now he used it to open the stainless-steel door. The key was attached to a plastic four-leaf-clover key chain, with one of the leaves partially broken off. A three-and-a-half-leaf clover.

He could’ve used a little more luck. Newly installed in the Pine Tree kitchen, hidden behind the ice machine, was a military-grade motion detector. The device remained silent in the kitchen but sounded an alarm in the home of Sergeant Terry Hughes, a game warden who’d become obsessed with catching the thief. Hughes lived a mile away. He raced to the camp in his pickup truck and sprinted to the rear of the dining hall. He peeked in a window.

And there he was. Probably. The person stealing food appeared entirely too clean, his face freshly shaved. He wore eyeglasses and a wool ski hat. Was this really the North Pond Hermit, a man who’d tormented the surrounding community for years—decades—yet the police still hadn’t learned his name?

Hughes used his cell phone, quietly, and asked the Maine State Police to alert trooper Diane Perkins-Vance, who had also been hunting the hermit. Before Perkins-Vance could get there, the burglar, his backpack full, started toward the exit. If the man stepped into the forest, Hughes understood, he might never be found again.

The burglar eased out of the dining hall, and Hughes used his left hand to blind the man with his flashlight; with his right he aimed his .357 square on his nose. “Get on the ground!” he bellowed.

The thief complied, no resistance, and lay facedown, candy spilling out of his pockets. It was one thirty in the morning on April 4, 2013. Perkins-Vance soon arrived, and the burglar was placed, handcuffed, in a plastic chair. The officers asked his name. He refused to answer. His skin was strangely pale; his glasses, with chunky plastic frames, were extremely outdated. But he wore a nice Columbia jacket, new Lands’ End blue jeans, and sturdy boots. The officers searched him, and no identification was located.

Hughes left the suspect alone with Perkins-Vance. She removed his handcuffs and gave him a bottle of water. And he started to speak. A little. When Perkins-Vance asked why he didn’t want to answer any questions, he said he was ashamed. He spoke haltingly, uncertainly; the connection between his mind and his mouth seemed to have atrophied from disuse. But over the next couple of hours, he gradually opened up.

His name, he revealed, was Christopher Thomas Knight. Born on December 7, 1965. He said he had no address, no vehicle, did not file a tax return, and did not receive mail. He said he lived in the woods.

“For how long?” wondered Perkins-Vance.

Knight thought for a bit, then asked when the Chernobyl nuclear-plant disaster occurred. He had long ago lost the habit of marking time in months or years; this was just a news event he happened to remember. The nuclear meltdown took place in 1986, the same year, Knight said, he went to live in the woods. He was 20 years old at the time, not long out of high school. He was now 47, a middle-aged man.

Knight stated that over all those years he slept only in a tent. He never lit a fire, for fear that smoke would give his camp away. He moved strictly at night. He said he didn’t know if his parents were alive or dead. He’d not made one phone call or driven in a car or spent any money. He had never in his life sent an e-mail or even seen the Internet.

He confessed that he’d committed approximately forty robberies a year while in the woods—a total of more than a thousand break-ins. But never when anyone was home. He said he stole only food and kitchenware and propane tanks and reading material and a few other items. Knight admitted that everything he possessed in the world, he’d stolen, including the clothes he was wearing, right down to his underwear. The only exception was his eyeglasses.

Perkins-Vance called dispatch and learned that Knight had no criminal record. He said he grew up in a nearby community, and his senior picture was soon located in the 1984 Lawrence High School yearbook. He was wearing the same eyeglasses.

For close to three decades, Knight said, he had not seen a doctor or taken any medicine. He mentioned that he had never once been sick. You had to have contact with other humans, he claimed, in order to get sick.

When, said Perkins-Vance, was the last time he’d had contact with another person?

Sometime in the 1990s, answered Knight, he passed a hiker while walking in the woods.

“What did you say?” asked Perkins-Vance.

“I said, ‘Hi,’ ” Knight replied. Other than that single syllable, he insisted, he had not spoken with or touched another human being, until this night, for twenty-seven years.”

O artigo completo está aqui.

Leitura para o fim-de-semana: o espião que foi longe demais

Em 1984, Jacqui conheceu Bob Lambert num protesto pelos direitos dos animais. tinha 22 anos. Apaixonaram-se. Um ano depois tiveram um filho. Mas em 1987, Bob desapareceu. A mulher nunca mais ouviu falar nele. Até que, em 2012, viu uma fotografia nas páginas do Daily Mail que o identificava como um espião que, nos anos 1980 e 1990, esteve infiltrado nos grupos defensores dos direitos dos animais. E que, várias vezes, terá ido longe demais. Uma história para ler na The New Yorker.

Ilustração: Alex Williamson

Ilustração: Alex Williamson

The Spy Who Loved Me

An undercover surveillance operation that went too far.

BY

I—JUNE 14, 2012
It was four o’clock on a Thursday afternoon, and Jacqui had just got home from work. She made a pot of coffee and took it out to the garden with the Daily Mail. It was the start of her weekend. The sun was out. She sat down at a patio table and poured the coffee, taking a minute to enjoy the scent of the wisteria that was blooming on her trellis.

She opened the paper: the Queen in Nottingham for her Golden Jubilee; bankers under scrutiny; wives and girlfriends of the England football team. Absent-mindedly, she continued to read. She barely glanced at an article titled “How Absence of a Loving Father Can Wreck a Child’s Life.” A few pages later, she came to a photograph of a smiling young man with bouffy brown curls that parted like curtains around his eyes. Even after twenty-five years, she knew the face’s every freckle and line.
She subsequently told a parliamentary committee:

I went into shock. I felt like I couldn’t breathe and I started shaking. I did not even read the story which appeared with the picture. I went inside and phoned my parents. My dad got the paper from their nearest shop and my mum got out the photos of Bob and our son, at the birth and when he was a toddler. They confirmed to me, by comparing photos, it was definitely Bob.

Bob Robinson was Jacqui’s first love and the father of her eldest child. He had disappeared from their lives in 1987, when their son was two. (To protect her son’s privacy, Jacqui asked me not to use her last name.) Over the years, Jacqui had tried many times to track Bob down, but she had never been able to find him. Neither had any of the government agencies she had enlisted to help in the search. Bob had seemingly vaporized. Now there he was, staring back at her from the pages of a tabloid.

Jacqui tried to focus. “An undercover policeman planted a bomb in a department store to prove his commitment to animal rights extremists, an MP claimed yesterday,” the article that the picture accompanied began. “Bob Lambert is accused of leaving an incendiary device in a Debenhams in London—one of three set off in a coordinated attack in 1987.” (No one was hurt in the attacks, which caused millions of dollars’ worth of damage to the stores, targeted because they sold fur products.) It went on to explain that Caroline Lucas, an M.P. for the Green Party, had invoked parliamentary privilege to make the accusation. She was calling for “a far-reaching public inquiry into police infiltrators and informers.” Jacqui read on. The officer, the article said, had insinuated himself into animal-rights groups in the nineteen-eighties, creating an alter ego under which, for several years, he led a double life. Bob Robinson was Bob Lambert, and Bob Lambert was a spy.

O artigo completo está aqui.

Os portugueses que fazem rir a América

No final de Junho estive em trabalho nos Estados Unidos. Na passagem por Provincetown, para assistir ao festival português, tive uma boa surpresa: no final da tradicional parada, o cônsul de Portugal em New Bedford, Pedro Carneiro, falou-me num grupo de humoristas luso-descendentes que estão a fazer sucesso nos EUA e no Canadá e que estavam prestes a actuar: “Chamam-se The Portuguese Kids e acho que são muito bons. Fazem humor com os estereótipos dos imigrantes portugueses. Ainda não os vi, gostava de ir assistir.” Fui com ele.

Quando chegámos, o espectáculo já tinha começado. As gargalhadas ouviam-se à distância. Numa tenda completamente lotada, o grupo apresentava uma versão reduzida dos seus espectáculos. E tinham realmente piada. No final, estiveram a vender merchandising, a dar autógrafos e a tirar fotografias. Achei logo que tinha de fazer uma história sobre eles.

Feitas as apresentações, havia uma coisa importante a tratar: o jantar. Derrick DeMelo, Brian Martins, Daniel Martins e Alberto Sardinha (Jason Casimiro não estava), foram simpáticos os suficiente para aceitarem falar comigo enquanto comiam umas ostras e bebiam umas imperiais. Nessa refeição fiquei a conhecer parte da sua história, onde se inspiravam e, mais importante, que se preparavam para vir a Portugal filmar o vídeo da sua primeira música original. Ficou logo combinado que os acompanharia em Lisboa. Foi o que aconteceu: o resultado foi publicado na Sábado, na semana passada. As fotos, são da Raquel Wise.

Sociedade

– Acho que é ele.

– Não acredito.

– É sim, é ele. Tenho a certeza.

Em plena loja do Sport Lisboa e Benfica, no Estádio da Luz, Chassity e Emma Pacheco vêem uma cara que lhes parece familiar. Aproximam-se para ter a certeza. Passam a poucos centímetros de um grupo de rapazes mas só param mais à frente. Depois viram-se outra vez para trás.

– Olha, estão todos.

– Pois estão.

– Ai meu Deus.

Nesta altura não aguentam mais. Correm em direcção à mãe e dizem-lhe discretamente: “estão ali os The Portuguese Kids”. A mãe, Sónia Pacheco, volta-se para trás. Enquanto as raparigas quase se escondem atrás dela, solta um espontâneo: “hi guys” [olá rapazes]. Eles respondem de volta. Estão habituados a serem abordados na rua. Perguntam como elas estão e de onde são. As explicações ficam para Sónia Pacheco: “Vivemos em Toronto. Mas estamos cá de férias. Que coincidência enorme. As raparigas adoram-vos. Estão sempre a ver as vossas coisas na internet, mas nunca conseguiram assistir a um espectáculo ao vivo. E agora encontram-vos em Lisboa.”

Eles sorriem. As raparigas não dizem uma palavra. Mas Brian Martins adivinha-lhes a vontade: “Querem tirar uma fotografia?” Claro que querem. Noah, o irmão mais novo, também. O grupo junta-se à frente de uma prateleira com camisolas do Benfica e sorriem. Tiram um retrato e despedem-se.

O grupo de cinco rapazes – Derrick DeMelo, Jason Casimiro, Brian Martins, Alberto Sardinha e Daniel Martins – estava há pouco mais de 24h em Lisboa. Salvo raras excepções, tinham passado despercebidos até então. No Estados Unidos, onde vivem, ou no Canadá isso seria difícil. Desde que, há quatro anos, formaram os The Portuguese Kids e começaram a fazer comédia com o retrato do dia a dia dos emigrantes que se tornaram num dos maiores fenómenos de popularidade da comunidade lusa na América do Norte (cerca de 350 mil nascidos em Portugal e 1.8 milhões de luso-descendentes).

THE PORTUGUESE KIDS, LX.

Derrick DeMelo

Qual o local mais estranho onde já foram reconhecidos?

[Resposta em uníssono] Num strip club.

Derrick DeMelo: “Tínhamos ido fazer um espectáculo a Toronto e à noite fomos a um strip club. Estávamos lá sentados quando uma stripper se aproximou e perguntou: “hey, vocês não são os Portuguese Kids?”

Alberto – “Al” – Sardinha: “Ficámos sem palavras. Num strip club? Uau!”

Brian Martins: “Afinal era uma stripper portuguesa. Que passou a noite a fazer-nos sinais e a dizer adeus.”

Derrick DeMelo: “Dizem que em Portugal as strippers são todas brasileiras. No Canadá também há portuguesas.”

As vossas mulheres não vão ficar chateadas por contarem isto?

Derrick DeMelo: “Não, nós dissemos-lhes o que aconteceu”.

Os cinco rapazes nasceram em Fall River, uma cidade do estado do Massachusetts, em 1978. Cresceram juntos, num bairro cuja vida se centrava à volta da paróquia de Santo António de Pádua. Os pais tinham chegado aos Estados Unidos no início da década, a maioria originária dos Açores. Só os progenitores de Daniel Martins saíram de Viseu. Sempre foram dos mais divertidos da comunidade. “As pessoas achavam-nos piada”, diz Jason Casimiro.

Na faculdade produziram um espectáculo de comédia. Mas no final dos cursos, cada um arranjou um emprego numa área diferente. Derrick tornou-se bancário. Alberto, professor. Jason, técnico de informática. Brian, assistente de enfermagem. Daniel, dono de uma loja e gestor de um stand automóvel. Ainda assim, não desistiram de uma carreira como humoristas.

Brian Martins

Brian Martins

Inscreveram-se na escola de comédia e improviso do Improv Asylum, um teatro de Boston, onde se distinguiram dos restantes alunos. Em 2004 formaram um grupo chamado Out of the Gutter que apresentou espectáculos na região de New England. “Aos poucos fomos introduzindo coisas sobre as famílias portuguesas na América e as pessoas gostaram. A determinada altura começaram a vir ter connosco ao intervalo e a perguntar: ‘vocês vão fazer aquilo dos portugueses?’”, recorda Derrick DeMelo. Perceberam que a maioria ia ver os espectáculos por causa disso. Ou seja, descobriram um nicho de mercado. Algo que os distinguia de todos os grupos de comédia. Nasceram os The Portuguese Kids.
O conceito dos espectáculos é simples: em grupos de dois ou três, interpretam sketches com, no máximo, sete minutos, que retratam situações específicas, a maioria baseada nas suas experiências de filhos de emigrantes. Misturam palavras em português – que todos falam – com o inglês. Recorrem a poucos adereços: umas perucas, uns vestidos de mulher, chapéus masculinos e cadeiras basta para contar uma história.

Exemplos:

Brian Martins: “temos um sketch sobre um rapaz que teve um acidente e que, quando chega a casa, o pai está mais preocupado com o carro do que com ele. Isso aconteceu-me. Aos 19 anos um alce atravessou-se na estrada e eu não tive tempo de parar. Quando cheguei a casa o meu pai só perguntava: “estavas a mexer no rádio?”. E eu dizia: “eu estou bem, não te preocupes”. Ele respondia: “tu foste feito de graça, o carro custou-me cinco mil dólares.”

Derrick DeMelo: “os nossos pais eram muito pobres quando foram para os Estados Unidos. Trabalharam em fábricas, amealharam tudo o que conseguiram e quiseram preservar as coisas. Na parte de baixo das casas instalavam a sala de estar e a cozinha. No andar de cima tinham os quartos e ainda a sala e cozinha das visitas. Nunca ninguém lá entrava. Os meus pais mobilaram a sala e devem ter-se sentado umas 20 pessoas em 25 anos naqueles sofás. Nós não podíamos lá entrar.”

Albert Sardinha

Albert Sardinha

Albert Sardinha: “Punham também plásticos por cima das carpetes para podermos usar os sapatos. O sketch que faz mais sucesso é o do funeral, em que as mulheres choram e se atiram para cima do caixão e quando chegam cá fora dizem as piores coisas do morto, que não gostavam dele, que andava na droga, etc. E isso tudo é engraçado”.

O grupo começou a ganhar notoriedade aos poucos. Actuaram em restaurantes, associações e centros culturais. “Basicamente onde nos quisessem”, diz Derrick DeMelo. A fama começou a espalhar-se, também graças às redes sociais Facebook, My Space, Instagram e ao site de partilha de vídeos YouTube. A grande explosão deu-se no início de 2012 quando fizeram uma versão satírica da música “Sexy and I know it”, transformada em “Portuguese and I know it”. O tema foi um sucesso imediato e ultrapassou o milhão de visualizações.

Rapidamente o grupo começou a actuar fora da região de New England. E tiveram de se tornar profissionais. O primeiro a dedicar-se ao projecto a tempo inteiro foi Derrick DeMelo. Os outros seguiram-no pouco depois. Hoje, apenas Daniel Martins mantém outro emprego, por opção. Criaram a empresa Something Productions e montaram escritório em Fall River. Neste momento têm a agenda cheia até Março de 2015, com espectáculos marcados de sexta-feira a domingo. Em média têm entre 400 a 500 pessoas a assistir a cada show. Mas já actuaram perante 1200 pessoas. A cada três meses têm material novo. “Voltamos aos mesmos sítios e as pessoas querem ver coisas novas”, diz Brian Martins.

Este ano já atravessaram os Estados Unidos cinco vezes para actuar na Califórnia. São presença regular no Canadá e nas Ilhas Bermudas, onde o português é a segunda língua mais falada. E têm pedidos para actuar na África do Sul e na Austrália. “Vamos ver se vai ser possível”, diz Derrick DeMelo. Fazem cerca de 10 mil dólares por semana – e duplicam esse valor em merchandising (DVD, CD, t-shirts, etc).

Daniel Martins

Daniel Martins

Vieram a Portugal gravar o vídeo da sua primeira canção original, Portuguese Love to Party, em Lisboa, Porto e São Miguel. As localizações não foram escolhidas ao acaso: são mencionadas no tema, que é dedicado aos emigrantes que regressam a Portugal para passar férias. Esperam que se torne um hit de Verão, que estará disponível – como as outras canções e áudios dos sketches –para download no iTunes. Na capital, onde foram acompanhados pela SÁBADO, filmaram no Bairro Alto, Praça do Comércio, Alfama, Belém e Castelo de São Jorge.

À excepção de Daniel Martins, os restantes Portuguese Kids nunca tinham estado em Lisboa. As referências que tinham foram-lhes transmitidas por familiares ou vistas na televisão. À passagem pelo Chiado, o nome de Fernando Pessoa não foi imediatamente familiar. Ao contrário de “A Brasileira”. “O Anthony Bourdain esteve aqui. É dos sítios mais antigos de Lisboa. Temos de lá entrar”, diz Derrick DeMelo.

Sempre que podem, os cinco prestam atenção ao que se passa online. Qualquer paragem num café ou restaurante com wifi é serve para cada um agarrar no respectivo telemóvel.

Derrick DeMelo: “Passamos tanto tempo juntos que às tantas já nem conversamos muito. Na maior parte das vezes estou a actualizar o Facebook. O Brian trata do Twitter. E fazemos todos um bocado o Instagram”.

A viagem a Portugal é acompanhada por milhares de fãs. Em cerca de 20 minutos, cada fotografia colocada no Facebook recebe quase dois mil gostos. E muitos comentários.

Jason Casimiro

Jason Casimiro

Brian Martins: “Onde é o Parlamento? Alguém acabou de nos convidar para lá ir”.

[Era Maria João Ávila, deputada do PSD eleita pelo círculo de fora da Europa.]

Brian Martins: “É tudo o que precisamos de saber.”

[Estavam demasiado ocupados. Disseram que não tinham tempo para lá ir. Mas já a conheceram.]

Derrick DeMelo: “Encontrámos-nos em Nova Jersey. Ela quis tirar uma fotografia connosco. Sou amigo dela no Facebook e está sempre a colocar fotos com alguém conhecido.”

Tentam não tomar posições políticas. “Sabemos que temos fãs dos dois lados, democratas e republicanos. Claro que temos as nossas opiniões e posições, mas somos nós individualmente. Como grupo só os queremos fazer rir”, diz Derrick DeMelo. “Ainda para mais com as redes sociais, as pessoas não têm filtro. Agarram-se ao teclado e perdem a cabeça. Dizem tudo”, completa Daniel Martins.

Foi o que aconteceu durante o campeonato do mundo de futebol, com o jogo entre Portugal e os Estados Unidos. “Dissemos apenas que esperávamos que as duas equipas estivessem bem. Ainda assim começou uma guerra no nosso mural de Facebook”, conta Daniel Martins. “Se não apoiássemos Portugal não éramos portugueses. Se quiséssemos que Portugal ganhasse, éramos anti-americanos. É complicado”, continua.

Ao contrário do que aconteceu com a deputada social-democrata, aceitaram o convite-surpresa para visitar a sede da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, onde o membro do conselho executivo, Michael Baum, os convidou para colaborar com a instituição na promoção de um programa destinado a trazer estudantes norte-americanos para Lisboa durante um semestre. Horas depois, embarcaram para São Miguel onde visitaram familiares e as terras dos pais. Daí seguiram para um dia de filmagens no Porto. E nos primeiros dias de Agosto estarão de volta às actuações, na festa do Santíssimo Sacramento, em New Bedford, uma das maiores festas da costa leste dos Estados Unidos.

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Antes, sentados numa mesa de um restaurante no Cais do Sodré, continuam a recordar as maiores experiências:

Brian Martins: “Já tive raparigas a mostrar-me as mamas e um homem a perguntar-me se não queria ter sexo com a mulher dele. Uma loucura”.

Derrick DeMelo: “Mas o Al é que é o solteiro, ele é que pode contar”

Al Sardinha: “Vá lá…”

Derrick DeMelo: “Uma vez, no Canadá, ele estava a vender o merchandising no final do espectáculo quando apareceu uma mulher. Nós já a tínhamos visto em palco, era aquela que mais aplaudia e cuja voz se ouvia sempre. Pediu para tirar uma fotografia com ele e depois puxou-o para um corredor e começou aos beijos logo ali. Às tantas ela perguntou-lhe: ‘tens namorada’. Ele disse: ‘não, e tu?’. Ela responde: ‘sou casada. Estou a ter uma noite com as amigas’. E estava toda a gente a vê-los porque o corredor dava para uma sala onde estavam 400 pessoas. Ele encolheu-se e as amigas puxaram-na dali para fora.”

Al Sardinha: “Uma loucura.”

Ainda assim, as situações que mais os marcaram são completamente diferentes. “Vem muita gente ter connosco dizer que os fizemos lembrar dos pais e dos avós que já morreram. Mas foi quando um homem se aproximou de nós e nos disse que o filho quer aprender português por nossa causa, que percebemos que estamos a marcar a diferença. E isso já aconteceu várias vezes”, conta Derrick DeMelo.

Raquel Wise em acção

Raquel Wise em acção

Leitura para o fim-de-semana: o purgatório de Lance Armstrong

Quando Lance Armstrong admitiu o consumo de substâncias dopantes, o mundo caiu-lhe em cima. Foi afastado da fundação que criou para promover a luta contra o cancro, perdeu contratos publicitários, chamaram-lhe todos os nomes. O que aconteceu desde então? A reportagem é da revista Esquire.

Foto: Joe Pugliese

Foto: Joe Pugliese

LANCE ARMSTRONG IN PURGATORY: THE AFTER-LIFE

After a great fall, what do we remember? We remember the cheating, and the lies. We remember the cult of personality that we eagerly embraced, and then felt betrayed by. But what of the man who fell? What about the work he didn’t cheat at? What about the 16 years Lance Armstrong spent building a global cancer advocacy? Did it matter? Does it still? Does it matter that Livestrong, the foundation that kicked him out, now wants him back? Do we care what happens to the great work a man has done, after a great fall?

By John H. Richardson

Here in purgatory, the mansion is smaller, but the wine cellar, paneled in rich mahogany and stocked with thousands of bottles, is truly magnificent. The TV will go over on that wall. The lighting system is still being installed but it will be all muted and indirect, like an art gallery.

Upstairs, he leads a tour of his art collection. The work is edgy and full of dark action: a photograph of a dancing couple with giant thorns emerging from their backs, a photorealistic painting of a woman jumping through a window, an empty desert landscape charged with eerie stillness. “That’s by Ed Ruscha,” he says. “He’s a friend.” There’s a giant wooden map of Texas on the wall. If you look close, he says, you see that every single line was burned into the wood with a pyrographic iron. “I like art that makes me go, How did he do that?” he says. “Stuff that is technically amazing.”

Later, he says, he’ll dig out a really beautiful piece made completely out of cockroach wings.

On the desk of his little office nook sits a sculpted arm made out of laminated skateboards that, in a perfect touch, ends in a fist with an upraised middle finger.

The fall from an ordinary perch is a universal story. Few of us get through life without one taste of failure and disgrace. But the fall from a very great height is a different order of experience altogether, because it happens to a different kind of person—the kind who was driven to climb that high in the first place. Should it come as a surprise that such a person—this man right here—makes a lousy penitent?

Depression? Self-loathing? Emotional paralysis? Lance Armstrong will not indulge, thank you. A year and a half after the scandal that ended his career, after being stripped of all his trophies and confessing the ugly truth to his children and losing in a single day an estimated $150 million, these are the circumstances to which he has been reduced.

A glass of wine, perhaps? Or is it time yet to mix up some of his special margaritas—Lanceritas he calls them—with the ice crushed just so? He loves his Lanceritas, and he loves his crushed ice.

Despite his preference for solitary sports, Armstrong also loves a full house. Little children are everywhere, their toys littering the floor of every room. In the kitchen, a coven of beautiful women is preparing dinner. One is his loving girlfriend, a Modigliani blond named Anna Hansen. Her equally beautiful friend teases Armstrong with easy intimacy, bringing a glass of freshly opened wine out to the outdoor sofas by the pool. “Here’s your wine, HRH,” she says. “We call him HRH for ‘His Royal Highness.’ ”

While the food cooks, Armstrong lounges—on this Sunday afternoon in Austin, the sun is bright and the temperature cool—watching a toddler in a Supergirl outfit wrestle his youngest son to the grass. Life is good, he insists. He has five happy children. He’s learned who his real friends are. And he is learning to not fight all the time. Really. A fringe benefit of crushing defeat is learning to accept things.

Except for that leaf scooper jutting up over his wall. The neighbor always leaves it sticking up there. Look at that goddamn ugly thing, man, ruining an otherwise perfect setting. It is most definitely not perfect. Not perfect at all. You can see this incongruity just working on Armstrong, in his eyes, the set of his jaw.

“A couple more glasses of wine and you’ll climb over there,” a friend teases.

Halfway through dinner, Armstrong begins slurring his words. Just a little, barely noticeable. He detaches and focuses on his meal while his friends carry the conversation, chatting about Austin traffic and how the media only quotes the bad things. Some of Armstrong’s kids drift through, a little one sitting in his lap and begging for a sleepover. He masks affection with a pretense of crankiness, or maybe he is actually a little cranky. Either way, tonight every second of his forty-two years shows. Even here, in the afterlife, he manages to make relaxation look remarkably intense.

It bears reminding that before Armstrong became a reviled figure, this same intensity made him Herculean, to none more so than people all over the world with cancer. To those people, he remains a hero, and it is that work, he says, that has given his life the most meaning, even though the global cancer charity he built and seeded with almost $8 million from his own bank account told him not long ago it wanted nothing further to do with him and literally erased his name from memory, changing its name from the Lance Armstrong Foundation to the Livestrong Foundation.

But trail him for a few days and watch how giddy and hopeful the sick and the dying become in his presence, forgetting for a moment their nausea and pain and mortal fears. Amid all the controversy and disgrace, you admit, you forgot just how important Lance Armstrong was and still is to cancer patients everywhere.

“Yeah, you and about seven billion other people,” Armstrong says.

Last spring, he even got kicked out of a local swim meet. This was six months after the USADA—the United States Anti-Doping Agency—issued the lifetime ban against him competing in any sport “under the Olympic umbrella,” which includes pretty much anything anywhere. (The cyclists who testified against him, most of whom were just as guilty, got six months.) But he figured a little Austin swim race would be okay. It’s Austin, for chrissakes, his refuge, and the organizer said it was fine, he could swim—but then one guy had a problem and the calls went from Austin to Florida to Switzerland and finally the answer came back: No, Lance Armstrong can’t even compete in a local swim meet. “Anything I try to do, any sport, even archery and volleyball, I can’t do it,” he says.

He’s sorry, he swears, for the lies and the bullying and the lawsuits against journalists. “It was indefensible,” he says. “Pure hubris.” But he’s not going to be a hypocrite, either. The doping charges were bullshit. “Nobody has stepped forward and said, ‘I really won those races,’ ” he says. “They didn’t award those jerseys to somebody else. I won those races.”

This we can stipulate: Lance Armstrong cheated death, and then he kept on cheating. And he was no run-of-the-mill cheat. Sublimely American in his ambition, he became the best cheater, greatest cheater of all time, turning a European bicycle race into a gaudy, ruthless, and unprecedented demonstration of American corporate prowess and athletic hegemony. He doped and bullied other bikers to dope and sued or harassed people for telling the truth about him, which is hard to forgive. But he wasn’t the evil genius who invented evil. At twenty-three days and twenty-two hundred miles, the Tour is so hard that cyclists have always sought some kind of performance enhancement. In the 1920s, they took cocaine and alcohol, and in the 1940s, amphetamines. In 1962, fourteen of them dropped out because of morphine sickness. Between 1987 and 1992, use of the blood-oxygen booster called EPO may have killed as many as twenty-three riders. But even that didn’t stop them. In his testimony to the antidoping agency, testimony that helped ruin Armstrong, a former teammate named Frankie Andreu told investigators that when they first met on the European circuit in 1992, both of them quickly realized that “it was going to be difficult to have professional success as a cyclist without using EPO.” This was, in fact, the “general consensus” of the entire team, Andreu added.

And that’s how things stayed. The year before Armstrong won his first Tour, seven entire teams left the race after an assistant for the Festina team was caught with massive quantities of EPO, testosterone, and human growth hormone. The year after he left, the first-place winner got disqualified because of a bad test. The handful of idealists who refused to take anything at all, men like Darren Baker and Scott Mercier, quickly learned they couldn’t compete and dropped out. Everyone in cycling was aware of this history, and everyone knew the charges against Armstrong—the first book-length exposé came out way back in 2004. Nike even made them the subject of one of its most famous ads, a montage of swooping bicycle attacks matched to Armstrong’s confident narration:

Everybody wants to know what I’m on. What am I on? I’m on my bike busting my ass six hours a day.

He was a spectacular product, a very winning brand, and as long as he kept protesting his innocence and a shred of doubt persisted, anyone remotely associated with him continued to profit. Trek Bicycle doubled its sales, Nike washed away the memories of its sweatshop scandals, his teammates shared the profits from his victories, and his foundation pulled in hundreds of millions in charitable donations. The rest of us profited in more subtle ways. In the dark days that followed the 9/11 terrorist attacks, Armstrong was a living American myth, the troubled and cocky natural who fought testicular cancer and came back to win the hardest sports event in the world seven times in a row. Seven times in a row! It was a resurrection, a modern miracle. He appeared on Wheaties boxes, starred in those iconic Nike ads, presented a bike to Bill Clinton at the White House, hung out with Bono and Sean Penn, dated Sheryl Crow and Kate Hudson, and wrote a best-selling memoir calledIt’s Not About the Bike that inspired cancer patients like nothing had ever inspired them before. He replaced the phrase “cancer victim” with “cancer survivor” and made it so hip to wear a yellow Livestrong bracelet, ninety million of them sold at a dollar apiece. John Kerry wore one on the campaign trail. John McCain talked about cancer at a Livestrong event. There was serious talk about a campaign for governor of Texas.

Armstrong believed in this story as much as anybody. He came out of a shabby little Dallas suburb like a snarling dog, son of a scrappy teenage mother who still hasn’t forgiven the dirty looks of her classmates and a stepfather who cheated frequently and beat him with a fraternity paddle. “As bad as he says his childhood was,” one old friend says, “it was worse. And the lesson he took from that was that people will fuck you, and you have to fight for everything you get.” In sports, he transformed that lesson into a warrior’s code. “Did you ever hear about how when you stab somebody, it’s really personal?” one coach told him. “Well, a bike race is that kind of personal. Don’t kid yourself. It’s a knife fight.”

Armstrong treated the doping charges like a knife fight too, playing the cancer card shamelessly—in one Nike ad, racing along narrow roads in his iconic yellow helmet, he sneered at his detractors:

The critics say I’m arrogant. A doper. Washed up. A fraud. That I couldn’t let it go. They can say whatever they want—I’m not back on my bike for them.

Cut to a cancer ward, where the camera panned over the chemo-ravaged patients to teach those silly critics a lesson in what’s really important.

And he got away with it. Despite all the rumors and accusations, Armstrong retired in 2005 with a clean record. His fatal mistake was trying to make a comeback four years later—and that is where his story goes into a deeper level of myth. As in a prophetic tale, he remembers one particular night of grim foreboding in Fort Davis, Texas, when he sensed his comeback was going to bring down the furies. He and Anna were at a café. “Every part of my being said, I gotta fucking stop this right now—I can’t do this. And Anna, bless her heart, was saying, ‘What are you talking about? What’s the problem?’ ” But he couldn’t stop. The sponsors were chomping at the bit for a comeback. The foundation and the fans were excited. Fate was beckoning him, and he couldn’t turn away. “I would do anything to be sitting back in that small café with Anna, and make a decision to just call it off.”

Then it all vanished in an instant. Cornered for transgressions that surprised absolutely no one inside the sport, Armstrong suffered one of the most astonishing and brutal reversals of fortune in American history, a level of punishment so extreme it raises the question of what was really being punished.

A year and a half later, Armstrong is still trying to figure out the answer.”

O artigo completo está aqui.

O fim das guerras não significa o fim da barbárie

No final da guerra no Kosovo, o jornalista Michael Montgomery viajou para os Balcãs para investigar o misterioso desaparecimento de sérvios. Foi parar a uma rede de tráfico de órgãos que envolvia o exército de libertação do Kosovo e agora recordou o que descobriu para a série da ViceCorrespondent Confidential. 

Os campos de concentração do século XXI

Escravatura dos tempos modernos

Adoro camarões. Se não forem assim tão caros, tanto melhor. Mas nada justifica que algumas pessoas estejam a ser tratadas como escravas para que nós possamos ter marisco mais barato nas prateleiras dos supermercados. E é isso que está a acontecer na Tailândia, como revela uma investigação do The Guardian. Vejam este vídeo. E na próxima vez que pegarem num camarão, não vão olhar para ele da mesma maneira.

Leitura para o feriado: “A vítima perfeita”

Foi há 19 anos. Alcindo Monteiro, um português de origem cabo-verdiana, foi espancado até à morte por um grupo de skinheads, na Rua Garret, em Lisboa, depois de uma série de confrontos que começaram no Bairro Alto. Esta semana, o Observador publicou uma excelente reportagem escrita pelo Fábio Monteiro que reconstitui detalhadamente os acontecimentos dessa noite e que serve para refrescar a memória a muitos de nós que vamos mesmo ao ponto de escrever de forma errada o nome da vítima.

O tema é sensível, sobretudo depois da polémica causada pela publicação recente da reportagem sobre a relação de Mário Machado com uma militante socialista. É por isso mesmo que, apesar dos muitos méritos desta reportagem, me parece que ela tem uma falha: não explica qual o papel de Mário Machado nos confrontos, nem diz se ele participou nas agressões que levaram à morte de Alcindo Monteiro. Diz apenas que ele foi preso no Cais do Sodré com a namorada, que hoje está arrependido e se prepara para fundar um novo partido. Não inclui sequer a pena a que foi condenado [dois anos e seis meses]. E isso é grave, apesar de a leitura valer muito a pena.

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A vítima perfeita

Entre 1995 e 1997, o nome Alcindo Monteiro fez manchete inúmeras vezes dos jornais portugueses. Passados 19 anos, foi só isso que restou: um nome, muitas vezes escrito de formaerrada. Uma memória a dissipar-se e silêncio. Quem foi a pessoa no epicentro de uma mudança tão importante na realidade portuguesa?

I

Pirilampos brancos e vermelhos, apressados. Lisboa, madrugada do dia 11 de Junho de 1995. Domingo. As ambulâncias pareciam andar num carrossel e não paravam de chegar desde a uma e meia da manhã ao hospital de São José. Andavam em círculo, entre as ruas do Bairro Alto e o Martim Moniz. A cada cinco ou dez minutos voltavam com novos pacientes. Apareciam a cambalear, ajudados pelos enfermeiros ou acompanhantes, em macas ensanguentadas, com hematomas em forma de punho ou cilíndricos. As faces de alguns estavam desfiguradas, os narizes partidos. Num caso notavam-se mesmo falhas no cabelo, aparentemente arrancado à força, e a nuca amolgada – como uma bola de futebol furada que fica com a forma do pé quando pontapeada. Contavam-se 10 indivíduos agredidos, todos negros.

Pouco antes das três da manhã, a polícia trouxe um décimo-primeiro também para receber cuidados. Um homem branco. No hospital de S. José, na zona do Martim Moniz, ninguém sabia ao certo o que estava a acontecer, mas também não se estranhava porque vinha do sítio do costume: o Bairro Alto. Uma noite de confusão, era só mais uma noite. O código das ruas ditava que, em caso de zaragata, se entrasse em tudo o que fossem portas abertas, fechando-as atrás de si. Em último caso ir a correr para o Cais do Sodré. A maioria das vezes eram escaramuças ligeiras, embebidas pelo álcool, que não chegavam a ser noticiadas.

Naquela noite foi diferente. À primeira vista, os feridos tinham estado envolvidos em cenas de pancadaria. Nalguns conseguia mesmo distinguir-se, a olho nu, marcas de soqueiras e objectos redondos, no corpo. Um dos registos clínicos era especialmente dramático em comparação com os outros.

Lia-se no relatório médico: “Hemorragias sub-pleurais e sub-endocirdicas; edema pulmonar; graves lesões traumáticas crânio-vasculo-encefálicas; lesão no tronco cerebral; edema cerebral muito marcado; fractura da calote craniana.” Dias mais tarde, Jorge Sampaio, presidente da Câmara Municipal de Lisboa na época, lançaria a pergunta: “Como é que é possível que a 500 metros do Governo Civil nada aconteça durante estas duas horas?”

O paciente Alcindo Monteiro, português nascido em Cabo Verde, tinha 27 anos e foi encontrado sem sentidos na rua Garrett, em frente à montra da loja da Gianni Versace. O corpo do homem era tão franzino que dava para imaginá-lo a levar uma lambada e a rodopiar sobre si próprio. Nos bolsos, Alcindo tinha uma carteira cinzenta. Lá dentro, estava um bilhete de identidade português, algum dinheiro e uma agenda de contactos amarrotada. Na primeira página da agenda estavam escritos os dados pessoais.

Era 1h16min da madrugada quando, na linha de emergência pública nacional – o número 115 – começaram a chover denúncias, mais uma vez, da barafunda no Bairro Alto, principalmente nas ruas da Rosa, Atalaia e Diário de Notícias.

Nessa noite, a maioria das forças de segurança estava concentrada entre o Rossio e a Avenida 24 de Julho. Os cachecóis verdes e brancos e as bandeiras leoninas levantavam-se bem alto, pelos adeptos sportinguistas. Afinal, passados 18 anos desde a última conquista da Taça de Portugal, acabaram por vencer, num jogo em que o avançado Iordanov fora o herói.

A televisão pública, que tinha transmitido a partida de futebol durante a tarde, filmava agora o banho da vitória de alguns dos membros da claque Juve Leo, mergulhados no fontanário, alheios ao que se passava a poucos quarteirões de distância. Já todos os feridos estavam no Hospital de S. José quando a polícia reagiu, às 2h30 da manhã, e capturou nove indivíduos – sete rapazes e duas raparigas –, diante do nº32 da Rua D.Luís I, uma rua paralela à avenida 24 de Julho, não muito longe do Cais do Sodré.

Identificar os agressores foi fácil. O modo como se vestiam e a aparência física denunciou-os: as calças de ganga curtas e dobradas no fundo, para mostrarem as botas de biqueira de aço – na maioria da marca britânica Doc Martens e Sendra -, as t-shirts e calças com padrão camuflado, blusões negros, e o cabelo rapado – um suposto sinal de limpeza.

Dos nove detidos, dois eram militares no activo: Mário Machado, 2º Cabo da Polícia Aérea da Força Aérea Portuguesa; Nuno Monteiro, soldado do exército português. Outro era natural de uma ex-colónia portuguesa, Moçambique: Nuno Cláudio Cerejeira, escriturário no Aeroporto de Lisboa; um outro da Venezuela: Nelson Silva, empregado de balcão. Os restantes: Nuno Themudo, vigilante nocturno; Jaime Hélder, mecânico de frio; Alexandre Cordeiro, estudante. No grupo estavam também duas raparigas, namoradas de Nuno Monteiro e Mário Machado, ilibadas de todas as acusações passados seis meses.

Manuel Dias Loureiro, na altura Ministro da Administração Interna e responsável pelas forças de segurança, afirmou dias antes do 10 de Junho, que tinha “este tipo de grupos sob controlo.” Até ao mês de Novembro de 1995, foram detidos mais 10 indivíduos. José Lameiras, empregado num minimercado; Hugo Silva, repositor de estoques; João Martins, estudante; Ricardo Abreu, desenhador gráfico; José Paiva, vigilante; Jorge Martins, estudante; Tiago Palma, estudante; Jorge Santos, ajudante de motorista; Nelson Pereira, electricista; João Homem, montador de peças.

Às 8 da manhã do dia 11 de Junho de 1995, todas as rádios nacionais falavam, ainda sem grandes certezas, do que tinha acontecido no Bairro Alto e esperavam que não se tratasse de um novo 28 de Outubro de 1989, data em que um grupo de skinheads esfaqueou José Carvalho, dirigente do Partido Social Revolucionário (PSR). Alcindo Monteiro estava em coma.”

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Nos bastidores da campanha socialista

Durante quase 10 anos o Gonçalo Bordalo Pinheiro foi director adjunto da Sábado. Depois de deixar a revista, não fez questão de se manter entre aqueles que pensam que um jornalista, depois de chegar a director, não volta a ser jornalista. Pelo contrário. Durante quase um mês acompanhou para o Observador a campanha do PS. Teve um acesso privilegiado a Francisco Assis, quando comparado com os restantes repórteres. A condição foi só uma: só publicar no final da campanha. O resultado é um texto fantástico, cheio de detalhes sobre a forma como a campanha se desenrolou e que permite perceber o caos interno do partido – e também o fraco resultado eleitoral. Só um apontamento: devia ter sido publicado há mais tempo. De qualquer forma, estão de parabéns. O Gonçalo e o Observador.

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“A vitória que fez implodir o PS

por Gonçalo Bordalo Pinheiro

Eram 10h da manhã. O dia 19 de maio era importante para a campanha do PS. Francisco Assis estava sentado ao sol na esplanada de uma estação de serviço perto da Figueira da Foz, com as pernas esticadas em cima de uma cadeira de plástico. O diretor de caravana tinha ligado para o seu carro há cerca de meia hora a mandá-lo fazer uma “paragem técnica”. O barco que iria descarregar o peixe na lota estava atrasado e ninguém queria fazer esperar o cabeça de lista do PS às eleições europeias – pelo menos, esperar em público, à frente das câmaras de televisão.

Enquanto Assis, a sua mulher, o motorista e os dois assessores bebiam vários cafés ao sol, o Audi A6 de António José Seguro parava na lota da Figueira da Foz. Lá dentro levava uma impressora portátil para imprimir documentos de última hora, fruta, barras energéticas e um frasco de álcool gel para o líder do PS poder desinfetar as mãos depois das arruadas.

Era o primeiro dia do secretário-geral do PS a 100% na campanha. No sábado, o Expresso tinha noticiado que as sondagens internas da Aliança Portugal indicavam que a distância entre as duas forças políticas estava a encurtar. A notícia não era nova para os socialistas. Na sexta-feira à noite, o presidente de uma concelhia já tinha telefonado para um elemento da coligação e recebido as novidades antecipadamente: o partido estava há quatro dias consecutivos a cair nas projeções e o PSD a subir.

Pior: o Governo de José Sócrates estava a ser o centro do debate eleitoral – Paulo Rangel não desistia de puxar o tema. Pior ainda: Marinho e Pinto estava a crescer nas intenções de voto – todos esses eleitores deveriam vir da área do PS. Era o momento de apostar tudo e recentrar a campanha nos últimos anos do Governo PSD/CDS e não em José Sócrates. Não podia haver mais falhas. Mas houve.

A MÁQUINA DO PARTIDO

António José Seguro saiu do carro vestido com umas calças beges claras, uns sapatos de camurça cor de camelo, um blazer azul escuro e uma camisa justa, impecavelmente engomada. Olhou à sua volta, sorriu mas não viu Francisco Assis. A direção de campanha tinha avisado Assis para esperar, mas não conseguira telefonar a Seguro para fazer o mesmo – nem ele nem o motorista haviam atendido o telefone.

Agora Seguro estava ali na lota, com a sua maquilhadora, com a sua assistente pessoal, com a sua assessora que lhe atualiza o perfil no Facebook, com o seu fotógrafo, com o seu chefe de gabinete, com a sua assessora de imprensa e com um reforço de militantes da JS – mas sem o seu candidato ao Parlamento Europeu. Em poucos minutos teve de decidir se esperava que Assis chegasse ou se avançava sem ele. Avançou. E errou.

A equipa de reportagem da SIC começou a filmar os telefonemas dos responsáveis da campanha a mandarem o carro de Francisco Assis avançar “rapidamente”. Depois, os jornalistas perceberam que Assis tinha chegado à porta errada da lota e voltado para trás, que Seguro tinha parado a visita a meio quando viu que toda a gente já sabia do desencontro e especialmente que o candidato do PS tinha chegado 27 minutos depois do líder do partido por causa de um erro de comunicação.

Quando saiu da lota em passo apressado para fugir da chuva, Seguro estava furioso. A SIC haveria de fazer uma notícia sobre a confusão e isso abalava a imagem de competência do partido. Para mais, começara a chover e a visita programada à feira de Soure teria de ser cancelada. O dia estava a ser uma desgraça.

Seguro mandou parar o carro num bar, que abriu as portas propositadamente para o receber, enquanto a caravana avançava para preparar o almoço na sede da banda filarmónica local. O que se passou a seguir foi várias vezes comentado na campanha:

Os motoristas ficaram à porta e o líder do PS chamou o seu chefe de gabinete. À frente de vários assessores, começou aos gritos com Miguel Ginestal por causa do caos da organização da campanha. O tom dos berros foi de tal forma elevado que os presentes ficaram incomodados com a cena.”

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Leitura para o fim-de-semana: os seguranças que vão onde os governos se recusam

Há muitos anos que o negócio da segurança privada está em expansão. Não só aquela a que estamos habituados, mas, sobretudo, aquela que é necessária em países de risco: estados falhados, cenários de guerra, locais onde os governos não conseguem manter a ordem. Assim de repente, Afeganistão, Iraque, Sudão, República Centro Africana, Nigéria, África do Sul, Paquistão, Venezuela… Houve quem se apercebesse disso. E começasse a recrutar antigos militares para formar uma empresa que se tornou o terceiro maior empregador privado do mundo com uma força três vezes maior do que o exército britânico. Ainda assim, poucos a conhecem. Chama-se G4S e está em todo o lado. A sua história foi contada na revista Vanity Fair.

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The Chaos Company

Wherever governments can’t—or won’t—maintain order, from oil fields in Africa to airports in Britain and nuclear facilities in America, the London-based “global security” behemoth G4S has been filling the void. It is the world’s third-largest private-sector employer and commands a force three times the size of the British military. On-site in South Sudan with G4S ordnance-disposal teams, William Langewiesche learns just how dirty the job can get, and how perilous the company’s control.

By William Langewiesche

I. Death on the Nile

Late last fall, at the start of the dry season in the new country called South Sudan, a soldier of fortune named Pierre Booyse led a de-mining team westward from the capital city, Juba, intending to spend weeks unarmed in the remote and dangerous bush. Booyse, 49, is an easygoing Afrikaner and ordnance expert who was once the youngest colonel in the South African Army. He has a full gray beard that makes him look quite unlike a military man. After leaving the army he opened a bedding store in Cape Town, where he became the leading Sealy Posturepedic dealer, then opened a sports bar too, before selling both businesses in order to salvage his marriage and provide a better environment for his young daughter. The daughter flourished, the marriage did not. Booyse returned to the work he knew best, and took the first of his private military jobs, traveling to post-Qaddafi Libya to spend six months surveying the munitions depots there, particularly for surface-to-air missiles. It was dangerous work in a chaotic place, as was the next contract, which took him into the conflict zones of eastern Congo. From there he came here to South Sudan to do minefield mapping and battlefield-ordnance disposal for G4S, a far-flung security company engaged by the local United Nations mission to handle these tasks.

G4S is based near London and is traded on the stock exchange there. Though it remains generally unknown to the public, it has operations in 120 countries and more than 620,000 employees. In recent years it has become the third-largest private employer in the world, after Walmart and the Taiwanese manufacturing conglomerate Foxconn. The fact that such a huge private entity is a security company is a symptom of our times. Most G4S employees are lowly guards, but a growing number are military specialists dispatched by the company into what are delicately known as “complex environments” to take on jobs that national armies lack the skill or the will to do. Booyse, for one, did not dwell on the larger meaning. For him, the company amounted to a few expatriates in the Juba headquarters compound, a six-month contract at $10,000 a month, and some tangible fieldwork to be done. He felt he was getting too old to be living in tents and mucking around in the dirt, but he liked G4S and believed, however wearily, in the job. As he set out for the west, his team consisted of seven men—four de-miners, a driver, a community-liaison officer, and a medic. The medic was a Zimbabwean. All the others were soldiers of the Sudan People’s Liberation Army, the S.P.L.A., now seconded to G4S, which paid them well by local standards—about $250 a month. At their disposal they had two old Land Cruisers, one of them configured as an ambulance with a stretcher in the back.

Four miles out of town, Booyse’s car broke down, and Booyse radioed for help. Juba is a dirt grid on the Nile, a mega-village of several hundred thousand. It lacks municipal water, sewers, and electric power. The company’s compound stands near the center. The radioman there once showed up in a pink suit and tie. He informed Booyse that a mechanic would be dispatched to solve the problem. The arrival time was another matter, and Booyse did not ask. For hours he waited with his team beside the road. Then suddenly the radioman called again—this time about a deadly explosion in a local street market said to be littered with dangerous munitions. The United Nations asked G4S to intervene fast. Booyse commandeered the ambulance and rushed back to town.

The market is called Souk Sita. It occupies a junction of footpaths and dirt tracks in a neighborhood known as Khor William—a garbage-strewn district of shacks and mud huts inhabited largely by impoverished soldiers and their families, and centered on decrepit military barracks belonging to the S.P.L.A. Some of the children there—maybe homeless, and certainly wild—spend their days collecting scrap metal to sell to Ugandan dealers, who occasionally show up in a truck to buy the material for penny-on-the-dollar cash, or for ganja, a potent form of marijuana, apparently laced with chemicals. Routinely the scavenged metal includes live ordnance. That morning the Ugandan traders had arrived as usual, and—in the likeliest scenario—a boy perhaps 10 years old had accidentally detonated a medium-size device while trying to dismantle it. The explosion had killed him and three other boys of about the same age, along with one of the Ugandan adults.

Booyse arrived at Souk Sita at 3:30 P.M., five hours after the explosion. By then the bodies had been taken to the morgue, and all that remained of the carnage was a small crater and some bloody shoes. Booyse’s immediate problem was to remove the visible ordnance before dark, only three hours away, because the place was obviously dangerous and could not be cordoned off. Treading softly among the munitions, he counted three 82-millimeter mortar rounds, two 62-millimeter mortar rounds, seven 107-millimeter rocket warheads, one complete 107-millimeter rocket (fuzed and fired and therefore rigged to blow), seven 37-millimeter anti-tank high-explosive incendiary projectiles, a hand grenade with a sheared-off fuze, and a heavily dented rocket-propelled grenade. He instructed his crew to take a thin-skinned metal box from the ambulance and fill it initially with a few inches of sand to create a stabilizing bed for the ordnance. Over the next few hours he gently laid the items into the box, cradling the pieces and snuggling them into periodic supplements of sand. He drove off with the load at dusk, taking care not to jostle the box on Juba’s atrocious streets, and deposited the lot in a purpose-built bunker at a G4S logistics base on the north side of town.

In the morning he returned with his team and continued with the surface cleaning, gathering scrap metal into piles, and finding plenty of small-arms ammunition. Two days later, when I first met him, he was still at it—a bearded figure in sunglasses and bandanna working with one of his de-miners in intense heat while the rest of the crew went door-to-door to ask about other munitions and to try to establish the identities of the victims. Booyse invited me into the work area, saying, “It’s probably safe—just please don’t bang your feet on the ground.” We stood by the crater. He guessed it had been made by a medium-size mortar. His de-miner swept a patch of ground with a detector that squealed loudly. Booyse raked the patch and uncovered a spoon, a nut, a nail, a twisted wire bundle, and several AK-47 rounds. Leaning on the rake and sweating, he said, “Ach,you just get more and more the more you go down.” But the chance of finding anything large was small. The door-to-door search was hardly better. That morning the team had found five pieces of unexploded ordnance, but two had disappeared before they could be collected. Most of the residents questioned had professed ignorance, and a few had demanded cash. With more fatigue than humor Booyse said, “Because, you know, the African five-point plan is ‘What’s in it for me?’ ”

Four days after the accident, the names of the dead remained unknown, and the South Sudanese government could not be roused to care. This was now high on the list of concerns, because for the U.N. no job is finished until the paperwork is complete. With Booyse busy securing the market, G4S managers decided that someone should go to the morgue to see what could be learned directly. For this they enlisted the company’s indispensable man, a typically tall Dinka named Maketh Chol, 34, who first went to war in 1987 at the age of 9, and now—in street clothes, as a serving S.P.L.A. lieutenant—works as the chief liaison officer and fixer for G4S. The Dinka constitute the dominant tribe of South Sudan, whose men are born to rule and taught to disdain menial labor, but Chol is not just one of them—he is also a member of LinkedIn. On his page he lists G4S as a recreational company, but that is merely a mistake. Feel free to contact him directly if you have a good commercial idea. Beyond his duties at the headquarters compound he is an energetic entrepreneur. Among his ventures already, he owns a sewage-trucking company that empties the septic tanks of certain establishments in town and disposes of the waste somewhere somehow. And he would be a good partner in other affairs. He speaks at least four languages. He is reliable. He has a wife and three young children whom he supports in Kenya because the schools are better there. He spent 20 years in a particularly brutal liberation war—two million dead among huge populations uprooted—but he seems not to know that he should be traumatized.

He invited me to accompany him to the morgue. It occupies a small building behind the so-called Juba Teaching Hospital, a facility overwhelmed by needs. We parked our Land Cruiser a short walk away and approached a small group of people waiting somberly on a concrete veranda. An old ambulance waited beside them with its rear doors open, exposing an empty interior and a battered steel floor. Chol quietly got the story. When word of the explosion spread through Juba, it caused no immediate concern, because so many children are wayward now, and in recent memory so many went to war. But after four days without sight of two young cousins, a family in Khor William began to fear the worst and sent two emissaries—an uncle and aunt—on a trip to the morgue. These people were Nuer, traditional adversaries of the Dinka, who had been nominally integrated into the government—some of them as members of the presidential guard—but were increasingly marginalized. The aunt was 20, the uncle somewhat older. At the morgue, the uncle left the aunt outside and went inside alone.

There he found—his nephews lying dead in front of him. He recognized the other boy too. He was a kid from the neighborhood, but the uncle did not know his name. The shredded remains of the fourth boy—the one who apparently triggered the explosion—had been taken away, as had the Ugandan man. The uncle arranged for transport of the remaining three back to the neighborhood for immediate burial. The morgue lacked power and refrigeration, so decomposition had set in fast, and the stench was strong. Chol collected names from the staff. The dead Ugandan was Malau Daniel, maybe 24 years old. The boy who had been shredded and taken away was James Fari Lado, about 10, a Mandari from the cattle country north of town. The two cousins were Garmai Biliu Ngev and Lim Sil Koh, both 13 and from Khor William. The name of the last boy, their friend and neighbor, remained unknown.

A door opened. Workers in surgical masks carried out the dead boys on metal stretchers, and flopped them into the back of the waiting ambulance. The corpses were naked, hunger-thin, and younger-looking than 13. Their blood had smeared the stretchers and dribbled red trails across the ground. They lay loosely intertwined with their mouths stretched open in ghastly screams, their teeth contrasting sharply with the color of their skin. The driver shut the ambulance doors and prepared to leave. The aunt began to sob, her shoulders heaving. The uncle stood by helplessly, holding his hand over his heart. Chol offered them a ride, assisted the aunt into the front seat, and followed the ambulance as it set out through the city traffic. The uncle and I sat in the back on benches along the side. In Khor William, out beyond the S.P.L.A. barracks, the ambulance climbed a hillock and parked in the shade of a tree for the burial; we climbed another hillock to the Nuer encampment. As we arrived at the huts the aunt began to wail. A crowd of women rushed from their households, shrieking and crying around the mothers, who collapsed to the ground.

It was a rough scene. Chol was still missing the name of the cousins’ dead friend. He asked women standing near the grieving crowd. They indicated a cluster of huts a short distance away and said the men there might know. Leaving our vehicle behind, Chol and I walked to the huts, where the men came out to meet us. These were the Nuer presidential guards. Only a few were in uniform, and several were drunk. They were wary of Chol, this Dinka who towered over them asking questions that might have been traps. Finally one of them volunteered that the dead friend was known only as Gafur, and that his mother had been missing for days. That was enough for Chol, and we started back toward the vehicle. The men kept pace with us and the group grew larger. The mood turned ugly, subtly at first, then with accusations that we had allowed the boys to die. Chol calmly kept explaining his role, even as we got into the Land Cruiser and, after several tries, got the engine to start. The men had surrounded the car, but eventually they parted, and we rolled away slowly, down past the S.P.L.A. barracks and toward the center of town.

On a main street we passed a convoy of ambulances moving in the opposite direction. They were carrying victims from villages attacked by insurgents the night before. The insurgents were from a despised group called the Murle, and led by a former political candidate named David Yau Yau, who was angry because he had lost a rigged election. The men under Yau Yau’s command were perhaps less interested in politics than in the chance to capture women, children, and cattle. Merely two years after official independence, South Sudan was fracturing as a country, but the names of the Souk Sita victims could be inserted into the U.N. forms, and for G4S the day had been a success.

II. The Rules

Maps that show the world to be wholly divided among sovereign countries, each with meaningful boundaries and a central government, reflect an organizational model that has never been practical in many places and now seems increasingly obsolete. Globalization, communication, fast transportation, and the easy availability of destructive technologies have something to do with this, as does the fact that all systems eventually tire, and the future cannot be thought up in classrooms. For whatever reason, the world everywhere is getting harder to manage, and governments are increasingly unable to intervene.

Into the void left by governments’ retreat, private-security companies have naturally arrived. The size of the industry is impossible to know, given difficulties with definitions and the thousands of small companies entering the business, but in the United States alone security guards may now number two million, a force larger than all the police forces combined, and during the war in Iraq private military contractors sometimes outnumbered U.S. troops, as they do in Afghanistan today. Globally the private-security market is believed to exceed $200 billion annually, with higher numbers expected in the coming years. A conservative guess is that the industry currently employs about 15 million people. Critics worry about the divisive effects of an industry that isolates the rich from the consequences of greed and at the extreme allows certain multi-national companies, particularly in oil and mining, to run roughshod over the poor. People also object in principle to the industry’s for-profit intent, which does lead to abuses and seems to be an unworthy motivation when compared with the lofty goals ascribed to government. Nonetheless history has amply shown that national governments and aspirants to national power routinely commit abuses far greater than private security could. Furthermore, for the purpose of understanding the industry, the important point is this: the growth of private security is determinedly apolitical. These companies provide a service that people of whatever bent can buy.

G4S stands out primarily because of its size. To place it in perspective, the company fields a force three times larger than the British military (albeit mostly unarmed), and it generates revenues of $12 billion annually. That said, the head offices in England are impressively small. They occupy a boxy building in Crawley, a bland service town near Gatwick Airport, as well as the fifth floor of a modern multi-tenant building in central London, close to Victoria Station. Both locations are brightly lit and tightly controlled, with escorts required beyond the reception areas, apparently because of regular protests that some British activists manage to fit into their busy protest schedules. Currently the main point of contention seems to be the company’s role in Israel, where G4S supplies surveillance equipment to checkpoints and prisons, and in Palestine, where it provides security to supermarkets in the Jewish settlements.

The protesters could not have picked a more difficult target for their concerns. Because it is a public company, G4S is subject to shareholder pressure, but as investors must know, its very reason for being is to stand firm in the face of trouble. Furthermore, this has always been so. The enterprise dates back more than a century, to 1901, when a cloth merchant in Denmark founded a 20-man guard company called Copenhagen-Frederiksberg Nightwatch. Shortly thereafter the company was acquired by its own accountant, a man named Julius Philip-Sörensen, who understood the first of three simple rules that continue to shape the industry today. Rule 1 is that in a business built of low-value-added units (labor consisting of single watchman-nights) it is essential to expand the volume, and this is best done by absorbing existing companies, which come with workers and customers in place.

Subsequent to the founding of the original night-watch company, the story of acquisitions, spin-offs, and name changes is complex but can be reduced to a few essentials. Denmark remained neutral during World War I and prospered by selling to both sides. For Philip-Sörensen, business was good, and it remained so after the war. Two decades later, the fate of the company during the Nazi occupation of Denmark is not clear—the record is blank here. Julius Philip-Sörensen died a wealthy man, in 1956, just as the family moved into the British market by buying up small security ventures there. In 1968 it merged four of the British concerns into an amalgam called Group 4, under an adroit third-generation scion named Jörgen Philip-Sörensen. By following Rule 1 about expansion, Group 4 grew large in a short time, enveloping armored-car and cash-management services, and in the 1980s moving into markets in South Asia and the Americas, among other places. In the early 1990s, while pioneering the private-prison business and prisoner-escort services in Britain, the company suffered some damage to its reputation after eight detainees escaped during the first few weeks of the contract and others rioted in an immigration detention center under the company’s control. For a while, Group 4 was mocked in the press. Years later, having tightened the corporate reins, Jörgen Philip-Sörensen pointed out that, however poorly Group 4 had performed, the British government generally performs worse—with more escapes and riots, and at greater expense. This leads to Rule 2 of the industry: Security is an inherently messy business, but a company need only to perform better than the government to make the case for its offerings.

By 2002, after another merger and now known as Group 4 Falck, the company had 140,000 employees and activities in more than 50 countries, with annual revenues of $2.5 billion. It continued to acquire businesses, such as the American private-prison-and-security company Wackenhut. Then, in July 2004, came the big one—a merger with a British giant named Securicor, which itself had started as a night-watch service in 1935. The resulting conglomerate, called Group 4 Securicor, leapt to the front of the industry, with 340,000 employees working in 108 countries, generating $7.3 billion in annual revenues. The youthful boss of Securicor, Nicholas Buckles, was brought in as the chief executive officer of the new concern. Buckles was 44 at the time—a charismatic man who came from a modest background and drove a Volkswagen bug to work. He had joined Securicor as a project accountant 20 years before and through force of personality had propelled himself to the top. In 2006, after two years of consolidation, and now firmly at the helm, he completed the rebranding of the company as G4S, and accelerated its expansion with no limits in sight: 400,000, 500,000—why not a million employees? Buckles wanted G4S to become the largest private employer in history.

Time would show that he was perhaps overconfident, but the share prices responded to his ambition, making G4S a darling of the London exchange. The company kept growing. Primarily it provided guards—to businesses, government buildings, college campuses, hospitals, gated communities, condominiums, rock concerts, sporting events, factories, mines, oil fields and refineries, airports, shipping ports, nuclear power plants, and nuclear-weapons facilities. But it also provided back-office police support, roving patrols, fast-response squads, emergency medical services, disaster-relief services, intruder- and fire-alarm installation and monitoring, electronic-access control systems (including at the Pentagon), security-software integration, airport-security screening, bus- and train-system security (including fare-evasion monitoring), engineering and construction management, facilities management, prison management (from maximum-security through immigrant and juvenile detention), courtroom prisoner escort, prisoner transport, immigrant repatriation, and the electronic tagging and monitoring of people under house arrest and restraining orders. In addition, it had a global cash-management arm that serviced banks, stores, and automatic-teller machines, provided armored cars and secure buildings where the bills could be held and sorted, and offered international transport security for jewelry as well as cash.

All this, however, was not enough for Buckles. In his drive for expansion he strove to go not just wide but deep. He understood that G4S is in the business of handling risk, and that its low-value-added problem (those single watchman-nights) was due to the fact that it operated primarily in countries that were already tame. It was obvious that a higher-value product could be sold in places where the risks were greater—in Africa, for example, or in the war-torn countries of Southwest Asia and the Middle East. This can be summarized as Rule 3 for the industry: A direct correlation exists between levels of risk and profit. By now the conflict in Afghanistan had been simmering for years, the one in Iraq was nearing its peak, and contractors were reaping fortunes from British and American funds. In 2008, Buckles plunged in with the $85 million purchase of a British enterprise called ArmorGroup, which had started as a high-end personal-security company and had gone early into Baghdad, where it had grown into a full-range armed force, pursuing not just its traditional functions but dangerous activities including convoy escort and base defense. Such companies have little to do with the cartoon image of mercenaries—bands of killer elites raising havoc and toppling regimes—but they have been heavily engaged in combat nonetheless. By the time of the G4S acquisition, 30 ArmorGroup employees had been killed in Iraq.

ArmorGroup had a de-mining and ordnance-disposal division. One of its specialists was a former British Army captain named Damian Walker, who is now a director of business development at G4S in London. Walker, 41, is a compact, good-looking man who never married, because his frequent deployments interrupted every love affair he ever had. He graduated from the University of Manchester with a degree in civil engineering, worked for a period at a customer-service center for Barclaycard, grew bored, joined the British Army, spent two years in training as a Royal Engineer, went into Kosovo with NATO, and spent the first few weeks primarily dealing with dead bodies on the chance—sometimes the case in Northern Ireland—that they were booby-trapped. Over the following years Walker served in Bosnia and Afghanistan between training stints (underwater de-mining, surveillance) back in Britain. Along the way he was awarded the Queen’s Gallantry Medal for a series of actions, including using a Leatherman multi-tool to defuse an unexploded American bomb in a chemical factory in Kosovo, and, at significant risk to himself, neutralizing a German bomb from World War II that was discovered in a suburban backyard in Reading, west of London. He left the army in 2003, went to Australia for a year to work for a friend selling bomb-squad gear and training, and in January 2005 joined ArmorGroup, which sent him to Iraq to manage a program that was destroying seized munitions. The war was heating up then, and Baghdad was unsafe. Walker stayed for 16 months, living in the company’s fortified compound near the Green Zone but venturing out regularly, by preference in discreet soft-skinned cars. Passersby sometimes sprayed gunfire at the compound walls, and one morning an Iraqi man was found dead outside the gate with a knife stuck in him and a note warning those on the inside that they would be next. Walker shrugged it off as a bluff. Like the other ArmorGroup contractors, he carried three weapons: a pistol, an MP5 carbine, and an AK-47. Mostly this guaranteed that he would die rather than be taken prisoner.

In 2005 a peace agreement in Sudan brought the long civil war to an end, and the North began to withdraw its forces, ceding de facto independence to a new country, South Sudan. In 2006 the United Nations awarded a contract to ArmorGroup to go after unexploded ordnance there and start mapping and clearing the minefields. Walker joined another of the company’s top hands to build the Juba operation from scratch.

It was a tough job, living in tents, surrounded by raids and fighting, saddled with former rebel fighters, many of whom seemed to have been picked by the S.P.L.A. for their very undesirability and now had to be sorted out, trained to some sort of standard, and put into the field fast—all this under expatriate contractors, most of whom would have gone elsewhere if they could have. The initial camp stood east of the Nile a short drive outside of town. Conditions were primitive, with meals mostly of beans and rice. Baghdad seemed luxurious by comparison. One morning after a night of gunfire they discovered that a village just up the road had been sacked and burned. The S.P.L.A. claimed implausibly that the attackers were Ugandans from the Lord’s Resistance Army—a standard explanation for South Sudanese disunity. The following night another nearby village was destroyed. Walker decided to relocate. The provisional government obliged by designating ArmorGroup’s employees as internally displaced persons (I.D.P.’s), and qualified them to pitch their tents in a safer area, on a narrow patch of ground sandwiched between a leper colony and a field of bounding mines. For several months it became the home of ArmorGroup in South Sudan, until the company was able to occupy a dilapidated house in town. This was the operation that G4S absorbed in 2008, when Buckles decided to go deep by going to war. Walker had left ArmorGroup by then to consider a safer line of work, but he was persuaded to return, and he headed G4S in South Sudan for the next three years, deploying de-mining machines for the first time, supervising the move into the current headquarters compound, finding ways to shed the worst of the S.P.L.A. soldiers, overseeing the effectiveness of as many as 19 teams in the field, demolishing ordnance, and releasing previously declared hazardous land as effectively de-mined.

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Na última ditadura da Europa

Em 1994, os bielorrussos elegeram Alexander Lukashenko. Foram as primeiras eleições democráticas no país recém independente da União Soviética. E também as últimas. Desde então, Lukashenko ergueu um regime em tudo semelhante à antiga URSS – e foi o único a manter a designação de KGB para os serviços secretos. O que lá se passa é um mistério para os meios de comunicação ocidentais. Este ano, o jornalista do Channel 4 News Jonathan Rugman conseguiu um visto de entrada no país. Mas após a primeira visita, em Março, o documento foi revogado sem explicação. Esta é a reportagem.

Uma viagem da Somália até à África do Sul

Há uma semana partilhei aqui a primeira parte da reportagem de Jamal Osman, o jornalista do Channel 4 News que decidiu reconstruir a viagem que fez há 17 anos: um percurso de milhares de quilómetros da Somália, a sua terra natal, até à África do Sul. Esta é a segunda parte desse trabalho.