Na primeira sessão do 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses, dedicada a analisar o Estado do Jornalismo, a direcção do Sindicato dos Jornalistas apresentou uma comunicação com os testemunhos de várias pessoas que não quiseram, ou não puderam, dar a cara. Por medo. Um sinal preocupante.
Comunicação da Direção do Sindicato dos Jornalistas
4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses
13 de Janeiro 2017
O que acabaram de ouvir são relatos da vida real, de jornalistas de carne e osso, que, por esta ou aquela razão, não quiseram, ou não puderam, estar em cima deste palco.
Porque, hoje, falar pode custar caro, escolhemos falar por eles e por elas. Dar-lhes voz.
Nós podemos. Somos a direção eleita de um sindicato. É nosso dever fazê-lo. Damos a cara por quem não a pode dar.
Numa altura em que o trabalho se disfarça de independente, quando, na verdade, se faz precário;
Numa altura em que se é estagiário anos a fio, abandonado à inexperiência em redações que dispensaram a memória;
Numa altura em que se caminha a passos lentos para um lugar no quadro e um horizonte de progressão na carreira…
Quisemos trazer-vos retalhos de uma profissão cada vez menos livre e independente, que se resigna, que não questiona, que se limita a cumprir ordens.
Que não faz o que deve fazer. E o que deve fazer?
– serviço público
– contribuir para uma opinião esclarecida e informada
– escrutinar os poderes, todos os poderes
– mudar o estado das coisas
– e, por que não, mudar o mundo
Hoje, há medo nas redações. Ou alguém tem dúvidas?
