O regresso a casa

Marc Dauphin é um médico australiano que passou uma longa temporada num dos hospitais mais atarefados do mundo: a base aérea de Kandahar, no Afeganistão. Pelas suas mãos passaram milhares de soldados feridos. No fim da sua comissão, regressou a casa. Voltou à chamada normalidade que, quatro anos depois, passou a ser tudo menos normal. Este documentário acompanha o seu dia-a-dia no hospital militar e o seu regresso a casa.

A luta em casa contra o stress pós-traumático

Nos últimos anos as vítimas de stress pós traumático não têm parado de aumentar. Partiram bem para cenários de guerra como o Iraque e o Afeganistão e voltaram com algo que não sabem bem explicar. Agora, uma terapia radical, inicialmente usada para tratar vítimas de violação, está a mudar as vidas dos veteranos de guerra norte-americanos. Ao longo de dois meses, uma equipa do 60 Minutes acompanhou as sessões em que os antigos soldados ouvem repetidamente a sua voz a relatar a experiência para enfrentar os próprios medos. E conta as histórias destes homens.

Quando os jornalistas são vítimas da própria profissão

“As Ashley Gilbertson crept up the dark staircase of a minaret in Fallujah, he hovered closely behind advance troops of the United States Marines. Stepping around and over the rubble created by an earlier shelling of the mosque, Gilbertson could hardly see the two soldiers in lead.

Moments before starting their climb, Gilbertson argued to be the first person in the room. He wanted to take first shot at the insurgent who used this holy perch to prey on advancing U.S. forces. However, Lance Corporal William Miller and his partner, Lance Corporal Christian Dominguez, would not back down, and they took the lead that November afternoon. As Gilbertson took to the stairs, his partner Dexter Filkins mounted the steps behind him.

Guns at the ready, the convoy had just crested the first flight of crumbling stairs when gunfire erupted. Gilbertson was pushed backwards, tumbling down the steps. His face felt wet.

It was the blood of Lance Corporal Miller.

As the scene became chaotic, Gilbertson’s immediate reaction was to shoot back.

He didn’t.

He couldn’t.

And it wouldn’t matter.

The only weapon Gilbertson carries is a camera.”

Overexposed: A Photographer’s War With PTSD

Para além dos milhares de feridos em combate, a guerra deixa marcas invisíveis. Durante anos, a doença era desconhecida. Agora, o Stress Pós-Traumático (SPT) é uma realidade mais do que comprovada. Nos últimos anos, sobretudo a propósito das guerras no Iraque e no Afeganistão, escreveram-se centenas de reportagens sobre a doença. A esmagadora maioria centrada em antigos combatentes. Mas este artigo publicado na The Atlantic, chama a atenção para outro factor: os jornalistas e fotojornalistas enviados para zonas de combate também estão sujeitos a sofrer de SPT.

O caso de de Ashley Gilbertson, relatado nesta reportagem, pode ser o último a vir a público. Mas não é o único. Marie Colvin, a jornalista do Sunday Times morta este ano na Síria – e que foi uma das únicas a ficar em Timor durante os massacres que se seguiram ao referendo da independência –, era um exemplo. Mas há um outro mais antigo: Kevin Carter, o fotojornalista que venceu o Prémio Pulitzer em 1994 com a imagem de uma rapariga sudanesa a rastejar no deserto, com um abutre à espera em fundo, suicidou-se nesse mesmo ano, assombrado pelas memórias de cadáveres, dor e de crianças a morrer à fome.

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Depois de a imagem ser publicada no The New York Times em Março de 1993, Kevin Carter foi altamente criticado pelos colegas e leitores por ter preferido tirar a fotografia a ajudar a criança. Muitos defenderam-no: o jornalista não deve intervir, apenas relatar a realidade. Ainda assim, a crítica fortíssima a que foi sujeito, bem como as imagens que recolheu ao longo da vida deixaram marcas. Sobretudo porque as críticas não eram merecidas.

Na exposição sobre as fotografias que já ganharam o Pulitzer  no Newseum, em Washington D.C., a de Kevin Carter está em destaque com o contexto em que foi tirada: devido às inúmeras doenças contagiosas da região, os jornalistas estavam proibidos de tocar nas pessoas, estivessem elas mortas ou vivas. Por esse motivo, ele não podia ajudar a criança. Mas há mais: João Silva, o fotojornalista português que perdeu as pernas no Iraque, estava com ele. Numa entrevista contou que os pais da criança tinham-na deixado por breves instantes para ir buscar comida que estava a ser distribuída pela ONU. Recordou que Kevin Carter aproximou-se muito lentamente, e que, depois de fazer a fotografia, contornou a criança e afugentou o abutre. Não foi suficiente para o ajudar.

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