O The Washington Post tem um novo lema

E é tão simples quanto genial.

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As regras de um editor mítico

“As long as a journalist tells the truth, in conscience and fairness, it is not his job to worry about consequences. The truth is never as dangerous as a lie in the long run. I truly believe the truth sets men free.”

Ben Bradlee, antigo editor do The Washington Post (1921-2014)

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Katherine Graham , Carl Bernstein , Bob Woodward , Howard Simons e Benjamin Bradlee, durante o escândalo Watergate.

Voo Mh370: Um problema profundo

O avião da Malaysia Airlines pode a uma profundidade tal que tornará muito difícil a sua localização – isto se estiver onde se julga. Só para recordar, os destroços do Titanic só foram encontrados ao fim de 73 anos. O The Washington Post traduziu o problema nesta excelente infografia.

MH 370 The Depth of the Problem

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Um genocídio com 20 anos

Há duas décadas, cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas no Ruanda em pouco mais de 100 dias. Keith Richburg foi o repórter do The Washington Post que cobriu o conflito. Hoje, ele olha para o que foi o conflito – e para o que o mundo não aprendeu desde então.

As origens da crise na Ucrânia

O texto já tem quase um mês. Mas continua a ser uma excelente fonte de informação para todos aqueles que querem saber mais sobre a crise na Ucrânia. No blogue World Views, do The Washington Post

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9 questions about Ukraine you were too embarrassed to ask

1. What is Ukraine?

Ukraine – not “the Ukraine” – is a country in Eastern Europe, between Russia and Central Europe. It’s big: about the area of Texas, with a little less than twice the population. Its history goes back thousands of years – the first domesticated horses were here – and has long been characterized by intersections between “east” and “west.” That’s continued right up to today’s crisis.

Ukraine has a long history of being subjugated by foreign powers. This is even reflected in its name, which many scholars believe means “borderland” and is part of why it used to be called “the Ukraine.” (Other scholars, though, believe it means “homeland.”) It’s only been independent since 1991, when the Soviet Union collapsed and it broke away. The last time it was independent (for a few short years right after World War I; before that, briefly in the 1600s), it had different borders and very different demographics. That turns out to be really important.

2. Why are so many Ukrainians protesting?

The protests started, mostly in the capital of Kiev, when President Yanukovych rejected an expected deal for greater economic integration with the European Union. The deal was popular with Ukrainians, particularly in Kiev and that part of the country (although not as popular as you may have heard: about 42 or 43 percent support it).

But this is about much more than just a trade deal. Symbolically, Yanukovych’s decision was seen as a turn away from Europe and toward Moscow, which rewarded Ukraine with a “stimulus” worth billions of dollars and a promise of cheaper gas exports. Moscow had subjugated or outright ruled Ukraine for generations, so you can see why this could hit a nerve.

But this is about more than just geopolitics. Yanukovych and his government, since taking power in 2010, have mismanaged the economy and have been increasingly seen as corrupt. In 2004, there had been mass protests against Yanukovych when he won the presidential election under widespread suspicions of fraud; those protests, which succeeded in blocking him from office, were called the “Orange Revolution” and considered a big deal at the time. But now he’s back.

The protests had actually been dying down until Jan. 16, when Yanukovych signed an “anti-protest law” that also deeply restricts free speech, the media (especially from criticizing the government), driving in a group of more than five cars, even wearing a helmet. Protests kicked back up with a vengeance, not just in Kiev but in a number of regional capitals, outright seizing government administration buildings in some.

Porque Jeff Bezos comprou o The Washington Post

Donald Graham convenceu-o. E ele tinha o dinheiro para gastar.

Os jornais, os jornalistas e aqueles que vão moldar o jornalismo na era digital

A venda do The Washington Post ao fundador da Amazon, Jeff Bezos, voltou a levantar o debate sobre o futuro do jornalismo. No Público, o João Pedro Pereira chama a atenção para um detalhe importante: os profissionais do jornalismo não têm conseguido antecipar nem adaptar-se às mudanças do mercado e às novas tendências do consumo de informação na era digital. As soluções têm sido encontradas por gente de fora, normalmente ligada às tecnologias de informação. São eles que estão a desfazer o mito de que não há espaço na internet para artigos longos e profundos. E foram também eles a perceber que os sites não têm de estar carregados de notícias e links para serem atractivos. Pelo contrário. Neste caso, estão a recordar-nos uma das premissas do jornalismo: menos é mais.

Só uma nota. Além de jornalista do Público, o João Pedro Pereira criou recentemente o Adn80, uma publicação mensal, exclusivamente online, que a cada mês disponibiliza três artigos longos de não-ficção. A novidade: os textos são pagos. Ler apenas um dos artigos custa €0,90. A edição completa fica por €1,90. Sem publicidade. Passem por lá.

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O futuro dos jornais? Perguntem a quem está de fora

A tendência é clara: as ideias que têm vindo a formatar o jornalismo surgem do mundo da tecnologia.

Provavelmente preocupados em tentar resolver o problema do declínio do modelo de negócio dos jornais e imersos nas práticas da era pré-massificação da Internet, os profissionais do jornalismo (tanto nas redacções, como noutros sectores das empresas jornalísticas) não conseguiram ver a tempo muitas das mudanças e tendências do consumo de informação na era digital. As necessidades dos utilizadores acabaram por ser percebidas sobretudo por pessoas fora das empresas de media.

compra do Washington Post pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos, pôs muita gente a especular sobre o que conseguirá fazer pelo jornal o homem que praticamente deu forma ao conceito de compras online. Mas este não é o único caso do género. No ano passado, Chris Hughes, 29 anos, um dos fundadores do Facebook, comprou uma revista americana quase centenária, The New Republic, para tentar dar-lhe um novo fôlego (contrariamente a Bezos, decidiu envolver-se directamente na publicação e assumir o cargo de director).

Porém, as histórias de como as pessoas do mundo da tecnologia estão a transformar o jornalismo vão muito para além de multimilionários que compram um jornal ou revista. São mais antigas e com consequências já sentidas.

Num longínquo 1999, os jornais que estavam online tinham edições digitais relativamente recentes e faziam essencialmente uma utilização tradicional do meio digital. Naquele ano foi fundada uma empresa chamada Pyra Labs, que criou o Blogger.

A conhecida plataforma de blogues, que acabou por ser comprada pelo Google, foi lançada por dois jovens então na casa dos 20. Um deles, Evan Williams, fez mais tarde parte da equipa fundadora de outra plataforma que veio alterar a disseminação de informação no mundo informatizado: o Twitter.

O Blogger não inventou o conceito de auto-publicação online, mas é largamente responsável por o ter popularizado ao longo dos anos seguintes. E foi a partir dos blogues que emergiram vários sites que hoje são negócios jornalísticos de sucesso. Os jornais tinham os colunistas mais reputados, a audiência e, genericamente, os meios para terem liderado a vaga de blogues profissionais. Mas o formato era-lhes demasiado estranho: não cabia nos géneros jornalísticos tradicionais e implicava uma relação diferente com os utilizadores. Só recentemente começaram a “domesticá-los” com proveitos próprios, explica o professor de jornalismo Jay Rosen.

Os artigos longos
Um outro exemplo. Durante anos defendeu-se (e a tese ainda tem apoiantes) que a Internet era um suporte para textos curtos e que ninguém lê durante muito tempo frente a um ecrã (na altura em que esta ideia tinha mais força, não se anteviam os pequenos ecrãs dos smartphones, em que tanta gente passa horas mergulhada todos os dias). Foram pessoas que nunca trabalharam num jornal que perceberam haver um mercado online para textos extensos, de profundidade e que até nem precisavam de ter actualidade para conseguirem chegar a muitas pessoas.

Em 2008, um americano chamado Marco Arment, hoje com 31 anos, criou um serviço online chamado Instapaper que permite guardar artigos para ler mais tarde. Meio ano depois, lançava um site que agregava textos longos: reportagens, ensaios, artigos de fundo (precisamente o tipo de artigos que o Google começará agora a destacar nos resultados da pesquisa e que diz representarem 10% das necessidades diárias de informação das pessoas). Arment (que foi também o primeiro funcionário da plataforma de blogues Tumblr, vendida ao Yahoo por quatro vezes mais do que o preço do Washington Post) tinha um modelo de negócio rentável: vendia funcionalidades especiais no Instapaper e vendia a aplicação para iPhone e iPad (o Instapaper foi recentemente vendido à Betaworks, que se define como “uma empresa de novos media”)

Hoje, proliferam as aplicações e serviços para permitir que os utilizadores descubram e leiam textos longos. O mais interessante é que estas ferramentas, que em muitos casos são negócios lucrativos, são construídas em cima dos conteúdos produzidos (com custos elevados) pelos media tradicionais e dependem em absoluto deles. Os utilizadores já existiam e os textos também – mas foi de fora dos media tradicionais que surgiu uma forma inteligente de unir uns e outros.

Mais atenção
Actualmente, a generalidade dos media tradicionais que operam na Internet parece estar preocupada em empurrar o conteúdo através de todas as plataformas possíveis para o máximo número de pessoas possíveis, numa competição por atenção (e pelo correspondente dinheiro da publicidade, numa corrida por um bem escasso que não está a correr bem). Mas fora do sector há quem se esteja a mover no sentido contrário e se aperceba que a proliferação e omnipresença de conteúdos está a causar ruído e cansaço (na verdade, há quem, estando dentro, tenha concluído o mesmo). Dado o historial, convém prestar atenção ao que se passa. E Evan Williams, o fundador do Blogger e do Twitter, é novamente um exemplo.

Williams lançou recentemente o Medium. É uma plataforma de auto-publicação de acesso reservado (é preciso inscrever-se e ser convidado para poder escrever). Os textos destacados no site são seleccionados com base em algoritmos e em trabalho manual de edição. O objectivo é permitir uma escrita e uma leitura de qualidade e livres de distracções.

Já Marco Arment, do Instapaper, lançou uma revista digital, que publica textos longos e que se tornou lucrativa em poucos meses.

Outro exemplo de redução de ruído vem de Chris Hughes, o co-fundador do Facebook. Depois de ter comprado The New Republic, fez uma reformulação da edição impressa e do site. Online, a primeira página mostra um número muito reduzido de artigos, contrariamente ao que é habitual neste tipo de publicações.

Ao apresentar o novo design, Hughes – que ajudou a construir o site que faz proliferar vídeos de gatos e fotos das férias numa espiral quase inacabável de focos de distracção – escreveu: “Acreditamos que a nossa era de hiper-informação é entusiasmante, mas não inteiramente satisfatória. Acreditamos que tem de continuar a haver espaço para jornalismo que demora tempo a produzir e exige um maior tempo de atenção”.