Uma memória de Guantánamo

Mohamedou Ould Slahi está preso em Guantánamo desde 2002. Nunca foi acusado de nenhum crime. Em 2005, anunciou aos guardas ter escrito um livro: um relato detalhado do programa de transferências de prisioneiros e as torturas a que eles foram submetidos, do ponto de vista de um dos detidos. No entanto, o documento foi classificado de secreto. Foram precisos seis anos de uma intensa batalha legal para o manuscrito ser desclassificado – e só após 2500 redacções e com partes censuradas para proteger a “segurança nacional”. Esta terça-feira, finalmente, o livro foi publicado. E o The Guardian fez um trabalho de vídeo incrível sobre estas memórias.

Tortura, tortura e mais tortura

O relatório do Senado dos Estados Unidos sobre o uso de tortura pela CIA é brutal. Tem revelações horríveis. Já está a ser usado pelos radicais islâmicos como um exemplo da “maldade” norte-americana. E está aqui para toda a gente ler.

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AP Photo/J. Scott Applewhite

 

O interrogador

Quando a Wikileaks divulgou os documentos norte-americanos sobre a guerra no Iraque, em 2010, houve um termo que chamou a atenção da realizadora Maggie O’Kane: “Frago 242”, uma abreviatura de “Fragmentary Order 242”, uma directiva para os militares ignorarem a tortura a iraquianos feita por iraquianos. A investigação que se seguiu – e divulgada agora pela Al Jazeera – mostra como o Pentágono enviou um veterano da guerra do Vietname e das operações clandestinas na América Central para coordenar as unidades especiais da polícia cuja missão era obter informações de rebeldes através de detenções secretas e tortura. A certa altura, estes esquadrões da morte chegaram a ter 17 mil elementos que ajudaram à eclosão de uma guerra civil que já fez milhares de vítimas.

A mentira de José Sócrates

Há cerca de um mês, a Maria Henrique Espada ligou a José Sócrates para confirmar uma informação: a tese do ex-primeiro ministro seria sobre tortura. Na altura, Sócrates foi peremptório: “Não. Aliás, peço-lhe que não escreva isso porque estará a enganar e a induzir em erro os leitores da sua revista, estará a dar-lhes uma informação errada.” Ainda acrescentou: “Isso não é verdade”. Afinal, era mesmo. Foi o próprio que o admitiu ao Expresso. José Sócrates não teve um “equivoco factual”. Muito menos disse uma “inverdade”. Ele, simplesmente, mentiu. E confrontado com a mentira teve uma reacção à “animal feroz”: “Eu não lhe admito isso, nem que me peça explicações”. Depois lá deu uma explicação para o sucedido – que é bastante reveladora sobre ele próprio. Está hoje na Sábado.

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Os carrascos da presidente do Brasil (parte dois)

Os carrascos da presidente do Brasil (parte um)

Dilma Rousseff promoveu a investigação aos crimes cometidos durante a ditadura militar. Antiga militante de esquerda, a presidente do Brasil foi também ela uma das 50 mil vítimas de tortura do regime. Graças ao testemunho de um dos antigos membros dos esquadrões da morte – convertido em pastor evangélico – a Al Jazeera realizou uma grande investigação ao assunto. Esta é a primeira parte dessa reportagem.