Inspectores suspeitos de fazerem desaparecer droga

A Polícia Judiciária é uma instituição nobre, acima de qualquer suspeita. Os seus inspectores constituem o corpo mais avançado da investigação criminal portuguesa. A prova disso mesmo é a ausência de hesitações quando é necessário investigar a conduta dos seus próprios elementos quando surgem denúncias anónimas ou identificadas sobre comportamentos incorrectos. Já aconteceu no passado e voltou agora a ocorrer.
Em 2013, um ex-inspector denunciou a participação de alguns elementos da brigada de combate ao tráfico de droga em actos menos claros. A denúncia mereceu credibilidade por parte do Ministério Público e foi aberta uma averiguação que mereceu a concordância da direcção nacional da Judiciária. O tempo passou. Os investigadores fizeram o seu trabalho. O caso denunciado cruzou-se com outros em investigação. Mas o processo chegou aos ouvidos dos próprios suspeitos. Há algumas semanas o António José Vilela e eu soubemos o que estava a acontecer. E fizemos o nosso trabalho. O resultado foi publicado na ultima edição da Sábado.

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O boom de drogas na China

O aumento brutal do consumo de dorgas sintéticas na China está a transformar a vizinha Birmânia num autêntico laboratório gigante de metanfetaminas que são depois transportadas clandestinamente para o destino. A Al Jazeera conseguiu entrar neste complexo sistema.

Os preparativos para o campeonato do mundo continuam, sobretudo entre os traficantes de droga

Há medida que a data de início do campeonato do mundo de futebol no Brasil se aproxima, os traficantes do Rio de Janeiro estão a ficar cada vez mais ansiosos: para eles, se tudo correr bem, poderão duplicar o negócio com a chegada de 500 mil pessoas. Até lá tentam escapar aos raides policiais. Um repórter do Channel 4 News conseguiu acompanhar as patrulhas dos agentes e entrar em alguns esconderijos de traficantes – que dizem qual o ingrediente secreto usado no “corte” da droga.

Traficantes e terroristas

Digam lá que o que se passa na Guiné-Bissau não tem nada a ver connosco e que Portugal deve estar quieto e calado. Do The New York Times.

“Since the April 12 coup, more small twin-engine planes than ever are making the 1,600-mile Atlantic crossing from Latin America to the edge of Africa’s western bulge, landing in Guinea-Bissau’s fields, uninhabited islands and remote estuaries. There they unload their cargos of cocaine for transshipment north, experts say.

(…)

From April to July there were at least 20 landings in Guinea-Bissau of small planes that United Nations officials suspected were drug flights — traffic that could represent more than half the estimated annual cocaine volume for the region. The planes need to carry a one-and-a-half-ton cargo to make the trans-Atlantic trip viable, officials say. Europe, already the destination for about 50 tons of cocaine annually from West Africa, United Nations officials say, could be in for a far greater flood.”

E, melhor ainda, do The International Institute for Strategic Studies:

“Cocaine and other drugs come to West Africa from South America to be shipped on mainly towards Europe. The bulk of opiates from Afghanistan and Pakistan, arriving via East Africa, are cut and packaged in the region before being sent to the United States. Criminal groups have sprung up to participate in this trade, and the funds from it are rumoured to finance insurgent groups, including al-Qaeda in the Islamic Maghreb (AQIM) and Hizbollah in Lebanon.
(…)

Guinea Bissau, West Africa’s first narco-state, is one of the world’s poorest, its legitimate economy relying on the export of cashew nuts and a few other agricultural products. The country is particularly appealing to drugs smugglers because of the unpatrolled archipelago of islands off its coast that makes detection of shipping difficult. Lebanese involvement in the Latin American–African drugs trade and a strong Lebanese presence in the capital, Bissau have led to the presumption that the trade is a source of funds for Hizbollah. However, criminals are involved in other illicit activities across the region, from the production of methamphetamines through bogus pharmaceutical companies to diamond smuggling in Liberia and Sierra Leone, and oil theft in Nigeria.”

O pó branco que serviu para temperar comida

Cinco dias antes do último tiroteio na Guiné-Bissau, a Time publicou um pequeno texto que explica como as autoridades perceberam que o país estava a tornar-se uma plataforma giratória do tráfico de droga internacional. A história de como, há sete anos, vários aldeões encontraram centenas de pacotes de pó branco e começaram a utilizá-lo como fertilizante, tempero e até lava-loiças é deliciosa. O artigo dá ainda acesso a uma entrevista com o líder golpista, general António Indjai e a uma galeria de fotografias do melhor que há. e nem leva tanto tempo quanto isso.

@Marco Vernaschi / Pulitzer Center on Crisis Reportin

Sabe de onde vieram esses implantes dentários?

Regularmente ouvimos falar em tráfico de órgãos. Muito menos conhecido, mas igualmente lucrativo, é um outro tipo de tráfico: o de tecidos humanos. Todos os dias, pele, tendões, veias, ossos, válvulas cardíacas e dezenas de outras partes corporais são retiradas de mortos, com ou sem autorização e reimplantados – muitas vezes sem que os beneficiários saibam que estão a receber tecidos humanos. O tema deu origem a uma grande reportagem do The International Consortium of Investigative Journalists publicada numa série de quatro artigos.

Este trabalho é o resultado de oito meses de investigação por mais de uma dezena de repórteres em 11 países. Um resumo de nove minutos pode ser visto neste vídeo.

Aviso: algumas imagens podem ser chocantes.