Será Angela Merkel a líder de uma nova Europa?

“One of the key purposes of NATO was to embed Germany in an international framework that would prevent it from becoming a threat to European peace as it had been in World War I and World War II. In the words of NATO’s first secretary general, NATO was supposed “to keep the Russians out, the Americans in, and the Germans down.” Now, Merkel is suggesting that the Americans aren’t really in, and, by extension, Germany and Europe are likely to take on a much more substantial and independent role than they have in the past 70 years.” 

A análise do The Washington Post ao discurso em que a chanceler alemã diz que a era em que podiamos confiar nos aliados terminou.

Bundeskanzlerin_Angela_Merkel_bei_einer_Wahlkampfveranstaltung_2013

 

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A União Europeia vale a pena?

Sim, vale.

Porque hoje é dia da Europa

Numa época de eurocepticismo e de ameaças de “exits” vale sempre a pena recordar o discurso em que Winton Churchill pediu a criação dos Estados Unidos da Europa.

O terror no meio de nós

Ficou surpreendido com o atentado terrorista na Bélgica? Sorte a sua. Significa que tem andado distraído e, mais importante, não teve a necessidade de se preocupar com a maior ameaça à segurança mundial dos tempos modernos. Um monstro que mudou várias vezes de nome na última década até assumir a mais recente versão: Estado Islâmico (EI). A designação não é o mais relevante. O que importa é que, para os mais atentos, o ataque não foi surpresa. É por isso que a pergunta correcta não é “vai haver mais ataques?” mas sim “quando acontecerão novos ataques?” A resposta honesta é: ninguém sabe. Ou melhor, alguém saberá, mas está do outro lado da barricada.

Há também aqueles que procuram saber. E prevenir. Em Janeiro desde ano, a Europol divulgou um relatório que passou mais ou menos despercebido ao cidadão comum. No entanto, o documento alertava para a forte possibilidade de ocorrerem novos atentados na Europa, justamente em França e na Bélgica. Chamava-se “Mudanças no modus operandi dos ataques terroristas do Estado Islâmico“. Não se pode dizer que o título seja o mais claro. Ou interessante. Mas o conteúdo é da máxima importância. Estas são algumas passagens:

“Informações sugerem que o EI desenvolveu um comando de acção externas treinado para operações ao estilo de ‘forças especiais’ destinadas a ataques no estrangeiro, na União Europeia e na França em Particular. Isto pode significar que mais ataques como os que ocorreram em Paris em Novembro estão neste momento a ser planeados e preparados”.

“As células terroristas prontas para realizar um ataque terrorista são na maioria domésticas e/ou baseadas localmente”.

“Não há provas concretas de que os viajantes terroristas usem sistematicamente a onda de refugiados para entrar na Europa sem serem detectados. É possível que elementos da diáspora síria na Europa seja vulnerável à radicalização. Há relatos de que os centros de refugiados estão a ser um alvo de recrutadores do EI.”

“Para além das instalações de treino na Síria, existem campos de treino mais pequenos na União Europeia e nos países de Balcãs.”

Em suma: há muito que se sabe que o Estado Islâmico prepara atentados na Europa; há equipas especiais a serem treinadas para isso; e os terroristas são geralmente europeus. A tarefa de quem trabalha todos os dias para os impedir é hercúlea. Senão mesmo impossível. Alguém que tenha recebido treino num palco de conflito e que tenha também a motivação para o fazer, não terá grandes dificuldades para levar por diante um ataque que tem como único objectivo causar o maior número de vitimas.

Não importa se são militares, políticos, trabalhadores ou estudantes. Aos olhos dos radicais islamitas do EI não existem civis. Há inimigos. Que não merecem piedade e cuja morte não é de lamentar. E é isso que é assustador. Um novo atentado pode acontecer em qualquer lugar: transportes (metro, autocarros, comboios, aeroportos, gares, etc), estádios, centros comerciais, escolas, museus, salas de espectáculos, cafés, restaurantes… Locais de grande concentração de pessoas. É possível controlá-los todos? Não.

A opção que resta é tentar monitorizar os protagonistas. Identificar suspeitos, controlar comunicações, vigiar encontros, impedir acções – sempre dentro do respeito do primado da lei – e partilhar informações entre serviços de informações e forças de segurança. Só assim será possível reduzir as probabilidades de novos atentados. Tal como tem sido conseguido. Porque é disso que se trata: reduzir probabilidades.

Para isso são precisos recursos. Materiais e humanos. Para controlar um suspeito 24 horas por dia, física e electronicamente, são necessárias cerca de 25 pessoas. Isto inclui seguimentos físicos, escutas telefónicas, traduções, etc. Só em França há cerca de 5000 indivíduos referenciados pela Direção Geral de Segurança Interna por ligações a movimentos extremistas. E muitos outros que ainda não caíram no radar das autoridades. Jovens e menos jovens que passam os dias ou as noites ligados ao computador a ver vídeos de propaganda ou em comunicação directa com um jihadista que lhes dá instruções a partir de um cibercafé ou de um apartamento em Raqqa ou Mossul. Uma tarefa aparentemente impossível.

(Continua)

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Ilustração do Vasco Gargalo.

Três décadas de Europa

A 1 de Janeiro de 1986, Portugal aderiu oficialmente à então Comunidade Económica Europeia – o maior e mais bem sucedido projecto de paz da História. Faz hoje 30 anos.

Queremos ser lembrados como covardes xenófobos ricos, que se escondem atrás de cercas?

Também me parece que não. É hora de a Europa começar a agir como uma verdadeira União e de os políticos enfrentarem os problemas em vez de agirem como covardes que disparam sobre pessoas indefesas.

O que ninguém quer dizer: isto não é só uma crise de refugiados

O texto já tem uns dias. Mas vale a pena ler. Este não é apenas uma crise de refugiados. É um problema de segurança. Um problema causado pelas 15 guerras (dados da ONU) iniciadas nos últimos cinco anos.

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Europe’s multi-layered hypocrisy on refugees

By Anne Applebaum

“Picking apart the layers of irony and hypocrisy that surround the European refugee crisis is like peeling an onion without a knife. At a train station in southern Moravia, Czech police pulled 200 refugees off a train and marked numbers on their arms. On its eastern border, Hungary is building a barbed-wire fence to keep out refugees, remarkably like the barbed wire “iron curtain” that once marked its western border. Choose whatever image you want — ships full of Jews being sent back to Nazi Europe, refugees furtively negotiating with smugglers at a bar in Casablanca — and it now has a modern twist.

As happens so often, crocodile tears are falling. The Sun, a British tabloid, has spent a decade railing against immigrants of all kinds. Not long ago, it told the British prime minister to “Draw a Red Line on Immigration — Or Else.” Now, after the publication of photographs of a dead Syrian toddler washed up on a Turkish beach, it wants him to “Deal With the Worst Crisis Facing Europe Since WW2.” Having just declared that there was no point in accepting “more and more refugees,” poor David Cameron has now declared that, actually, Britain would accept more and more refugees. His aides hurriedly explained that “he had not seen the photographs” when he made the original statement.

More layers of hypocrisy: Although the photographs are indeed terrible, they aren’t actually telling us anything new. Refugees have been crossing the Mediterranean for months. Hundreds have died. Also, if we are disturbed by a dead child on a beach, why aren’t we disturbed by another dead child in abombed-out house in Aleppo, Syria? What’s the distinction?

Even now, almost all of the slogans being bandied about as “solutions” are based on false assumptions. Nations should accept real refugees but noteconomic migrants? For one, it’s rarely easy to tell the difference. More to the point, the number of potentially “legitimate” refugees is staggeringly high. As of July, the U.N. High Commissioner for Refugees had registered more than 4 million Syrian refugees, of whom well over a million are in Turkey and 1.5 million are in Lebanon, a country of only 4.8 million people. That’s not counting Iraqis, Libyans, Afghans and others who have equally suffered political or religious persecution, or even the millions of displaced Syrians still in Syria. Exactly how many of them will Europe take?

It gets worse: The law says refugees should “declare themselves in the first European Union country they enter” and then apply for asylum according to E.U. law. That’s all very well for, say, Ireland. But what happens when tens of thousands of people board boats in Tripoli and start heading for Italy or Greece? Now we know: Those two countries have been pleading for assistance from their neighbors for many months, to no avail. And when Hungary can’t cope with the numbers? We’ve just learned: The refugees become a prop forViktor Orban , the Hungarian prime minister, who has a fondness for dramatic scenes.

Orban was correct in one of his inflammatory statements: The refugees don’t want to stay in Hungary. They want to go to Germany, mostly because the German chancellor, Angela Merkel, has made sympathetic noises, has offered to take more Syrians and has called on others to do the same. The Hungarians, by contrast, have greeted refugees with pepper spray and made them camp out at the Budapest train station (For history buffs, another irony: At one point, refugees started chanting “Germany, Germany!”)

But if those praising Merkel’s “brave” stance were honest, they would acknowledge that she isn’t offering any long-term solutions either. Even if Europe does take another couple of hundred thousand people, dividing them up among countries — as it should — that won’t prevent others from coming. To avoid accusations of heartlessness, the Italian coast guard rescues thousands of people from tiny boats and rubber dinghies. As a result, people keep taking the terrible risk.

Here is what no one wants to say: This is, in essence, a security crisis. For years now, Europeans have chosen to pretend that wars taking place in Syria and Libya were somebody else’s problem. It’s also a foreign policy crisis: At different times and for different reasons, all of the large European states — Britain, France, Italy, Germany — have blocked attempts to create a common foreign and defense policy, and as a result they have no diplomatic or political clout.

They haven’t wanted European leadership, and most of them wouldn’t have wanted U.S. leadership either, even if any had been on offer. The richest economy in the world has a power vacuum at its heart and no army. Now the consequences are literally washing up on Europe’s shores.”