A União Europeia vale a pena?

Sim, vale.

Os veteranos deportados

Faltavam alguma semanas para partir para os Estados Unidos. Estávamos em Agosto de 2016. O plano era realizar uma série de reportagens sobre as eleições americanas, que se realizariam em Novembro de 2016. Havia dois temas obrigatórios: armas e imigração.

Em relação às armas, decidi viajar até ao Texas onde tinha sido recentemente aprovada uma legislação que permitia aos alunos com licença de porte levarem armas para as salas de aula. A reportagem saiu primeiro na revista especial da Sábado dedicada às eleições americanas e depois em vídeo, na CMTV e no site da Sábado. Chamámos-lhe “O culto das armas na América”

Sobre a imigração, o grande tema da campanha era, até então, a promessa de Donald Trump de construir um muro junto à fronteira  com o México. Decidi então viajar até à California onde, na fronteira que separa San Diego de Tijuana, esse muro já existe há muito. Faltava-me apenas um ângulo para a reportagem, que para além de ser publicado na mesma revista especial, também deu origem a uma grande reportagem em vídeo na CMTV e na Sábado.

Mas, durante a pesquisa sobre o que poderia encontrar, descobri que, espalhados por Tijuana, existem uma série de abrigos para os imigrantes que chegam à cidade depois de atravessarem vários países, com a esperança de conseguir atravessar a fronteira. O fenómeno mais recente era a chegada massiva de haitianos. Intrigado, pensei que talvez fosse boa ideia visitar um deles (como acabei por fazer). Mas enquanto procurava informações sobre esses abrigos, descobri um outro que me deixou ainda mais curioso: chama-se Deported Veterans Support House (Casa de Apoio aos Veteranos Deportados).

Aquilo intrigou-me. Nunca tinha ouvido falar em veteranos das Forças Armadas americanas que tivessem sido deportados. Para além disso, não fazia sentido: porque é que o governo dos Estados Unidos iria deportar alguém que estava disposto a dar a vida pelo país? Para ser militar americano deveria ser obrigatório ser-se cidadão? Certo? Depressa percebi que não.

Através de algumas reportagens já publicadas, descobri que o abrigo era gerido por um antigo veterano do exército e dos pára-quedistas  americanos, chamado Hector Barajas, que tinha sido deportado depois de ser condenado por posse de arma. E ele que ele não era o único: só em Tijuana haverá cerca de 60. Era uma história demasiado boa para a ignorar.

Enviei-lhe um email, disse-lhe que iria estar em San Diego e que gostava de o entrevistar e a outros veteranos. O Hector Barajas respondeu-me em poucas horas. Disse-me que estava disponível e que só precisava de saber o dia em que lá chegaríamos para mobilizar um grupo de outros veteranos para estarem presentes.

Na data marcada, eu e o Alexandre Azevedo atravessámos a fronteira para o México e apanhámos um taxi para o Bairro Otay Centenário onde o Hector nos aguardava. Quando chegámos, pelas 10h, ele tomava um pequeno almoço tipicamente mexicano enquanto atendia telefonemas, respondia a emails e actualizava as páginas do Bunker, como é conhecido o abrigo, nas redes sociais. Nós próprios acabámos por ir comer uns “huevos rancheros” num pequeno café das imediações.

Enquanto montávamos o material para as entrevistas em vídeo, os veteranos começaram a chegar. Primeiro, Jesus Castillho. Depois, Andrew de Léon. Em seguida, Daniel Torres. Seguiu-se o próprio Hector Barajas. Faltava apenas Mauricio Rodriguez, que estava disponível para falar, mas não tinha forma de se deslocar ao abrigo. Nada que Hector não resolvesse. Ligou ao sogro de Mauricio, que é taxista, que acabou por nos ir buscar e levar até um subúrbio pobre dos arredores de Tijuana onde um ensonado Maurício nos recebeu na pequena casa onde vive com a mulher e a filha.

Quando terminámos, eu e o Alexandre olhámos um para o outro, completamente esmagados pela carga emotiva da história destes homens. Pensámos todo o trabalho como uma grande reportagem multimédia, com texto, fotos e vídeo, para publicar por altura do lançamento do novo site da Sábado, que já sabíamos estar a ser preparado.

Os meses passaram e o resultado acabou por ser publicado apenas na semana passada. Chamámos-lhe “Os veteranos deportados para uma terra estranha” porque, apesar de terem nascido no México, nenhum deles tinha uma ligação ao país para onde acabaram por ser expulsos. Esperamos ter estado à altura da história destes homens. Os vídeos – que têm mesmo de ver – tiveram a edição exemplar do Tiago Dias. Se puderem leiam, vejam e, se gostarem, partilhem e comentem.

Por fim, não podíamos deixar de tirar uma fotografia para recordação: eu, Hector Barajas e Alexandre Azevedo à porta do Bunker.

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Quando o jornalismo usa a tecnologia

O resultado é absolutamente incrível. Não há fronteiras. Vejam.

Entrevista de emprego para terroristas

Numa palavra: genial. Porque o terror também se combate com humor.

A bandeira portuguesa em vídeo do Estado Islâmico

Mais dia menos dia tinha que acontecer: pela primeira vez, Portugal foi mencionado num vídeo de propaganda do Estado Islâmico (EI). Divulgado esta terça-feira em contas do EI no Twitter e no Telegram, o vídeo foi produzido pelo Al Hayat Media Center – o departamento de comunicação destinado ao público ocidental – tem a duração de 4 minutos e recebeu o título de “No Respite” (Sem tréguas, numa tradução livre).

Apesar de recorrer apenas a animações gráficas e a fotografias – em vez de imagens reais – o vídeo desafia os membros da coligação internacional a lançarem tudo o que tiverem contra o grupo terrorista. É aí que a bandeira portuguesa surge entre as dos 60 países que formam a coligação internacional que enfrenta o EI.

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As origens do Estado Islâmico em três minutos

Faltam várias coisas, mas isto é o essencial. E em apenas três minutos. De George W. Bush a Abu Bakr al-Baghdadi.

“Vou para a guerra!” Os motivos de uma jornalista

Como é ser jornalista numa guerra? Porque é que alguém decide colocar-se em perigo para contar uma história? É viciante? Estas são algumas das questões respondidas pela jornalista do Sunday Times, Christina Lamb, na curta-metragem “Bringing the world to Britain.” O filme faz parte de uma série de trabalhos em homenagem ao jornalismo do Sunday Times, chamada “unquiet film”. Vale a pena ver.