Aylan Kurdi e a polémica em redor de uma fotografia

O que têm em comum todas estas imagens? São chocantes, violentas e – à excepção da última – foram premiadas pelo World Press Photo. Todas elas cumpriram a mais nobre função do jornalismo: informar. Sobre uma realidade distante, um conflito longínquo, uma emergência humanitária ou uma atroz falta de humanidade. Chamaram a atenção para problemas que urgia (e, em alguns casos ainda urge) resolver. A imagem de Aylan Kurdi, o menino sírio encontrado morto numa praia da Turquia, entra nesta categoria. Ela contém em cada um dos seus pixels uma tragédia com que é necessário lidar – e solucionar de vez. Publicá-la (e a outras) é quase uma obrigação de qualquer orgão de comunicação social. Os leitores não entenderiam de outra forma.

World Press Photo: o amor venceu as imagens de violência

Mads Nissen, fotógrafo dinamarquês, venceu a 58ª edição do World Press Photo, com uma imagem de Jon e Alex, um casal homossexual de São Petersburgo. A fotografia faz parte de um projecto em que Mads Nissen quer denunciar a homofobia que se vive na Rússia. A lista completa dos galardoados deste ano está aqui.

Foto: Mads Nissen

Foto: Mads Nissen

Elas só querem jogar basket – e ficar com todos os membros

Em Fevereiro, o fotógrafo dinamarquês Jan Grarup venceu a categoria de desporto da World Press Photo com a reportagem “I just want to dunk”. As imagens mostram o dia-a-dia de Suweys Ali Jama, a capitã da equipa de basquetebol da Somália e das suas colegas que diariamente arriscam as vidas pelo desporto. Desde 2006 que um tribunal islâmico proibiu as mulheres de praticar qualquer modalidade. No caso do basquetebol, quem desobedecer arrisca-se a ficar sem a mão direita ou o pé esquerdo. Todas elas já receberam ameaças de morte. Suweys e a família já foram obrigadas a mudar de casa duas vezes. Agora vão ter uma ajuda: Jan Grarup decidiu doar-lhes os €1500 que irá receber em Abril, na cerimónia de entrega dos galardões. As fotografias podem ser vistas aqui.

Jan Grarup

Jan Grarup

Uma história que diz muito sobre o jornalismo português

A World Press Photo revelou os vencedores da edição deste ano. O grande destaque foi para o fotojornalista sueco Paul Hansen, que viu a sua imagem recolhida num funeral em Gaza ser eleita a fotografia do ano. No entanto, o interessa é que na categoria de Vida Quotidiana, o primeiro prémio foi para o português Daniel Rodrigues. Detalhe: o Daniel está desempregado. Outro: tentou vender as imagens que tirou na Guiné-Bissau em Portugal, mas nenhum jornal as quis comprar. Mais um: para sobreviver, teve de vender o material de fotógrafo. Ainda assim, enviou as imagens para o concurso. E ganhou. Agora vai receber €1500 de prémio. Se não lho cortarem com impostos, poderá adquirir uma máquina nova. E voltar a trabalhar. Espero que sim.

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Os melhores documentários para a World Press Photo

©Pep Bonet

©Pep Bonet

A World Press Photo acabou de divulgar os vencedores da competição multimédia deste ano. Foi a terceira vez que a fundação patrocinou este concurso que é dividido em três categorias: Online Short; Online Feature e Interactive Documentary. Destaco aqui os vencedores da primeira categoria: Into the Shadows, um documentário sobre os milhares de pessoas que todos os dias chegam a Joanesburgo em busca de uma vida melhor. Muitas arriscam as vidas para atravessar a fronteira com a África do Sul – só para encontrar um mundo de violência, opressão e discriminação. Os prédios dos bairros pobres são geridos por máfias que exigem rendas altíssimas em edifícios sobre-lotados sem água ou electricidade.  Mais um detalhe: todo o projecto foi financiado pelo público através de crowdfunding.